Paranaenses protegeram a paz no oriente  


            Cerca de 790 militares partiram do Bacacheri, em Curitiba, para integrar as tropas que ONU enviou, entre 1956 e 1967, para garantir a paz na fronteira de Israel e Egito.

 

Jornal Tablóide “Primeira Hora”

Curitiba-Pr. 01/10/2001 - Luís Machado

 

                Centenas de paranaenses viram de perto o ódio que alimenta conflitos entre muçulmanos e judeus, origem de atos terroristas como o que destruiu o World Trade Center, em Nova Iorque, dia 11 de setembro. Entre os anos de 1957 e 1967, 6 mil militares brasileiros da Força de Emergência das Nações Unidas, os Boinas Azuis, garantiram a paz entre Israel e Egito, que haviam entrado em guerra. Os paises lutavam pelo controle do Canal de Suez, ligação entre os mares Vermelho e Mediterrâneo, na África.   Dos brasileiros, 790 partiram do 20º Batalhão de Infantaria, no Bacacheri, em Curitiba.

            Em 29 de outubro de 1956, o presidente do Egito, Gamal Nasser, assumiu à força o controle do canal, até então em mãos de franceses e ingleses, e proibiu o tráfego de israelenses. Israel e os europeus atacaram o Egito.

            Em 5 de novembro de 1956, formou-se a Força de Emergência das Nações Unidas (Unef, em inglês). Foi composta por dez países, que enviaram militares à fronteira de Egito e Israel para evitar conflitos. Cada nação mandou cerca de 600 homens, somando um total de 6 mil. Os primeiros brasileiros chegaram em 1957. As tropas que estiveram lá foram batizadas de  B a t a l h ã o   S u e z . Em dez anos, o Brasil enviou 20 turmas de militares, que ficaram com 40 quilômetros para vigiar.

            A 4º delas e primeira do Sul do País, partiu do 20º Batalhão de Infantaria, no Bacacheri, com 230 militares, em agosto de 1958. Dali partiram ainda a 10° e 14º turmas, cada uma com 280 militares.

O capitão Juventino Rita, 70 anos, e o bancário aposentado Izidoro Baçon, 63 anos, foram na primeira turma. Encontraram sinais bastante vivos da guerra que ocorrera meses antes. Homens, mulheres e crianças sem pernas e braços; carcaças de aviões, tanques e casas tinham ao fundo o deserto que se perdia no horizonte.

 

Colaboração “Theodoro”

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