10ºContingente - Nosso Contingente 1


A HISTÓRIA DO NOSSO CONTINGENTE

                    Nós, Boinas Azuis que integramos o 10.ºContingente do Batalhão Suez durante o ano de 1962, tivemos a grande oportunidade de vivenciar por 6 meses em conjunto com outros companheiros do 9.º e 11.ºContingente por meio de rodízios semestrais na Faixa de Gaza. Nossa história, nossa missão, repleta de amizades com lições e experiências em terras beligerantes, longe da nossa Pátria e dos nossos entes queridos por quase um ano e meio, dedicando desta forma, uma pequena mas inesquecível fase de nossas vidas em prol desta Nação e à Paz no Oriente Médio.


No Quartel 2º RI - Vila Militar - Rio de Janeiro

Foto tirada dentro do Quartel 2º RI - quando estávamos na fase dos preparativos finais, já nas vésperas do embarque para Suez,  logo após a cerimônia de Doação e incorporação da Bandeira Nacional ao 10º Contingente. Aparecem na foto acima os Cabos da então, a 7ª Cia. que seria remanejada tão logo chegamos em Rafah, mas até o Final da viagem pertencíamos à 7ª Cia,  da esquerda p/direita em pé: Morihiro Suzuki;  Fernando Hollanda;  (EU)Theodoro;  Azomar;  Perácio Machado;  Amaury Medeiros, e ADAM. Abaixado;  Sérgio;  Milton;   Diniz;  Laércio Benck;  e Adilson.Restavam poucos dias para o Embarque para o Oriente Médio. Era final de novembro de 1961. 
( Colaboração Theodoro. 


CARTA AOS PAIS  

Rio de Janeiro 10 de novembro de 1961  

Exmº Sr:  (Pais)..........................

 

Saudações

 

 

    

       Côn. J. J. Dourado  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem esta carta subscreve e o sacerdote encarregado da assistência espiritual dos soldados que se destinam a SUEZ.
Os católicos que o sejam o os que outro credo religioso tenham, terão um padre que os acompanha, um amigo e confidente de todos os instantes, que tudo fará para que, sem quebra dos princípios confessionais de cada um, todos desempenham, a contento as tarefas que lhes foram confiadas e se portem, em verdade, como soldados dignos do Brasil.
            A experiência, dada por oficiais e sargentos que já estiveram em SUEZ, aconselha às famílias dos praças o envio constante de cartas a seus dependentes, mesmo sem obter resposta destes, porque, no exterior, nada é mais agradável ao militar que receber uma correspondência de casa.
            E quando esta não chega, o moral do homem decresce. Outrossim, se por ventura a família custar a receber carta do filho ausente, muito grato será para o capelão ser solicitado a indagar do pracinha o motivo da sua omissão.
            Como em geral os filhos distantes são dóceis aos conselhos e avisos paternos, a ajuda do V Excia, nesse sentido, em muito poderá reforçar o nosso trabalho, que não é outro senão cooperar com o sr. Cel. Cmte. no sentido de um maior rendimento moral da tropa.
            Fique certo V Excía, de que, quanto nos ajude Deus e a força das preces dos que ficam, tudo faremos para que seu dileto filho não desmereça das sábias lições da honradez e bom tom que há por certo recebido no recesso do seu lar.
            Deus guarde V Excia., e todos os que o cercam.
            Servo em Cristo.
CÕN.JOAQUIM DE JESUS DOURADO - Capelão          
(Batalhão Suez a/c dos Serviços de Correio - Palácio da Guerra - Rio - Guanabara)

 

HOMENAGEM

Duque de Caxias

 

PARTIDA DO 10º CONTINGENTE DO BATALHÃO SUEZ E A MARINHA DO BRASIL.

 

Almirante Tamandaré

   

A PARTIDA

              No dia 6 de dezembro às 14 horas, deixou o “píer” da praça Mauá, a caminho do Oriente Médio, o navio transporte “Ary Parreiras G-21”. Conduz em seu bordo o 10ºContingente do Batalhão Suez que substituirá o 8ºContingente, ora integrando as forças da ONU na Faixa de Gaza.

  

 

O 10ºContingente do Batalhão Suez teve como Comandante o Tne.Cel. Darcy Lázaro e era formados por l7 oficiais, 42 sub-tenentes e sargentos, 5l cabos e 153 soldados, perfazendo um total de 263 homens, todos pertencentes ao 3º Batalhão de Infantaria, conforme relação abaixo: 

HOMENAGEM NA PARTIDA

 

O Tne.Cel. Darcy Lázaro declarou a revista “Vitória” que seus comandados estarão na Faixa de Gaza integrados na tropa da ONU que controla aquela zona, muito antes do Natal. No princípio do próximo ano os integrantes do 8º Contingente chegarão ao Brasil, regressando igualmente a bordo do “Ary Parreiras”.O embarque do 10ºContingente dia 6 de dezembro de l961, foi comovente. Não obstante a chuva persistente, esteve muito concorrido. Centenas de pessoas foram levar seu adeus aos pracinhas, destacando-se o General Osvino Ferreira Alves, Comandante do 1º Exército e o Cel.Fico, representante do Ministro da Guerra e diversos Almirantes.Solidária com as comemorações da Semana da Marinha a revista “Vitória” aproveitou da oportunidade da partida do “Ary Parreiras ” para saudar os marinheiros, o Comandante e oficiais daquele navio. Almirantes presentes ao embarque receberam, igualmente, significativas homenagens.

 

 

 

Da esquerda para direita: Gulmine(com uma revista); Cabo Cras; Olívio Miglioli; Lourival Filla; N.I.; N.I.; Herrera e o Yung. Agachados: Gercindo Mistura; João Buss Trentin; .N.I.; Octávio Canto; Hilário Piske; e o Goiano (jogava Futebol) Deitado: N.I.  Obs.: N.I.quer dizer não identificado, se algum colega souber e se lembrar que são  eles,  favor mencionar seus nomes.
 

 

SUA PRIMEIRA CORRESPONDÊNCIA AO BRASIL

Do correspondente Cônego Joaquim Dourado, Capitão militar do 10 º Contingente do Btl.Suez

CASA BLANCA

                                                                                                                              
              Ao visitar, com sargentos e cabos, em ônibus especial, a cidade de Casablanca e seus bairros, assim modernos como antigos, deu-me vontade de escrever alguma cousa no meu Diário sobre a maior cidade de Marrocos. Antes do mais, devo dizer que Casablanca é uma cidade lindíssima. Não se vê uma folha no chão. Os pisos das ruas espelham de limpos, como se tivessem recebido uma enceradeira movida por mãos de fada. A parte residencial de franceses, judeus e espanhóis, assim como os bairros propriamente marroquinos são caprichosamente construídos e cercados de jardins, ainda agora, no inverno, com flores de toda sorte. Visitamos boquiabertos o Tribunal de Justiça, que é rico de adornos de mármore e com peças ornamentais trabalhadas em cedro. Tudo feito a mão. O bairro árabe, que diziam modesto e perigoso, é uma grande oficina de trabalho silencioso e eficiente. Ali são confeccionados tapetes, jóias, jarros, taças, bandejas, cinzeiros e roupas de uso local. Mesmo ali não notamos sujeira.
 
PALÁCIO IMPERIAL  
            O palácio Imperial (Mamede tem um em cada cidade!) tem feição patriarcal  e as palmeiras que lhe enchem as alamedas internas, dão-lhe certa graça realmente oriental. Os guardas vestem-se de uniforme caqui com boina negra e botas amarelas. Nele é proibida a entrada de estrangeiros. Mas os guardas deixam-se fotografar e passam uma hora a escrever em nossas carteiras de nota os nomes que parecem ser desenhados, para que lhes mandemos cópias dos retratos.    
 
A SEGUNDA PISCINA DO MUNDO  
            Foi-nos mostrada pelo guia a segunda piscina do mundo, cousa mui digna de encômios. Foi construída perto do mar em belíssima praia. As ruas da cidade estão cheias de franceses agarrados às correntes de seus cães e de mulheres marroquinas com véu típico cobrindo-lhe os bronzeados rostos, parecendo que os olhos pelos dois grandes furos que os deixam livres, observam mais do que aqueles das senhoras que os têm sem anteparos.O povo da rua tem sempre um riso acolhedor ao estrangeiro que lhe compra artefatos, perfumes e jóias. Os tapetes de Rabat, capital de Marrocos, são os melhores do mundo, e duram até se acabar... 
 
CIDADE SEM MADALENAS  
            Como um soldado fizesse ao guia pergunta um tanto inconveniente, este esclareceu, sem maldade: “Não há mulheres infelizes nesta cidade”. O governo fê-las saírem para local a vinte e cinco quilômetros da cidade. Nenhuma mulher doente pode permanecer ali. São retiradas para os hospitais, para o devido tratamento. Tome a lição o porto de Recife. 
 
CIDADE DOS PORTUGUESES 
            Logo que deixamos o cais, o guia explicou que o velho forte ao lado direito, com quatro canhões multi-seculartes apontando para o mar, fora levantado pelos Portugueses quando tomaram conta da cidade depois de embates renhidos. Pouco metro mais adiante, vê-se a porta da primitiva cidade com pedaços de muralhas antiqüíssimas. O centro da cidade leva vantagem na sua beleza e gosto apurado a muitas cidades do Brasil, como Recife, Belo Horizonte e outras. Não há favelas em Casablanca. A moeda divisionária que é a dracma, ou driam, tem valor quase igual ao do nosso cruzeiro. Como é uma cidade cosmopolita em grande escala, o comércio de artefatos de objetos marroquinos, cobra preços excessivos pelo que expõe em suas vitrinas. Os árabes usam truques diversos e divertidos para que o freguês não se retire sem lhe deixar parte do dinheiro. 
 
ASPECTOS DESAGRADÁVEIS PARA UM BRASILEIRO
            São vistos aqui e ali, árabes mulambentos sentados aos pés dos murros, como se estivessem curtindo miséria e fome. No bairro árabe, de ruas estritas como as de Verona, na Itália, são vistas nos vários açougues cabeças dependuradas, de jumentos e burros, à venda por preço popular. Dizem que os pratos feitos às suas custas são saborosos e de muito poder nutritivo. Quanta cabeça de burro perdida no Brasil!...
( Colaboração de Ivo Canal – 10º Contingente )

VOLTAR PRÓXIMA