11º Contingente - Edson Koetz - Relato

 Meu certificado
 

 

"Samaleiko"

Recebi sua correspondência a qual me trouxe alegria por ser mais um companheiro que levo dentro de minhas memórias. 
Conforme te prometi, estou te enviando um escrito feito por um grande amigo meu, metido a escritor, que infelizmente não teve tempo de se aprimorar porque Deus achou que ele deveria freqüentar a Escola dos Anjinhos e o levou para o céu. Era um grande amigo que tentou retratar aquilo que eu um dia lhe passei em uma roda de chimarrão.
Gostaria de enriquecer nossas páginas da INTERNET mostrando que nós apesar de termos ido para o oriente Médio corno voluntários para a paz na verdade entramos em fria, fomos enganados e, na verdade, fomos servir de bucha de canhão nos conflitos dos árabes e  judeus.A primeira vez que fui pelo 5º Contingente eu fiquei apenas 3 meses e me desligaram sem qualquer explicação.Alguns disseram que eu marretava muito o governo com minha insatisfação e resolveram me mandar de volta, só que não me deram o motivo. 
A convite do Carlos Lamarca entrei de novo no Batalhão desta vez no 11º contingente junto com o ele .  O Schemp foi meu amigo e no dia em que ele foi morto eu estava de Cabo de Dia. Eu entrei em desespero vendo ele derramado em sangue, o tiro foi pelas costas. Ele só gritava: "chama o Capitão estou com um tiro no corpo". Eu estava preparando para vir no avião com o corpo dele, mas como eu chorava muito resolveram me substituir pelo Sgto. Souza. Foi uma pena o ocorrido ele era  um grande camarada, só queria juntar dólares para ajudar a mãe dele que havia tido um problema sério com o padrasto e se separara dele.
Junto segue xerox do meu certificado se quiserem podem colocar na INTERNET. Segue  minha foto junto do soldado Faisal Murad (o baixinho) me apontando uma patrulha árabe. A outra foto é do Schemp agachado enfrente da metralhadora ponto 50.
Se precisar mais alguma coisa e só pedir. 
 

Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2002. 

Um grande abraço,  

 

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