Estimados amigos e companheiros, saúde e paz a todos.
Sou o Pissolatto, cabo nº6073 do 11º Contingente do Batalhão Suez (III/2º RI) servi na CCS e 3º Pelotão da 7º Cia.de
fronteira.
Hoje, voltando em tempos já muito distantes, vem-me à mente com muita saudade, memórias e recordações da angustiante nostálgica e amarga missão que honradamente cumprimos na
turbulenta Faixa de Gaza.
Apenas para recordar, o Batalhão Suez, denominação do Contingente recrutado no Brasil, era formando de Oficiais e Praças voluntários e selecionados para compor juntamente com militares de outras nações, a Força de Emergência das Nações Unidas
(UNEF) e não Força de Paz como querem alguns.
- Após rigorosos exames médicos, treinamentos táticos e sabedores do grande risco de vida que teriam pela frente, nada os fizeram intimidar, foram enviados ao Oriente Médio em navios de Transporte de Tropas até Port Said (Egito), depois em
trens via Deserto do Sinai até Rafah City, lá desembarcaram e tomaram posições que perdurou por 10
anos.
Interpondo-se entre os paises em conflito Egito e Israel, numa condição em nada confortável, passariam a fiscalizar as fronteiras a fim de impedir e denunciar a presença de extremistas e francos atiradores,
desejosos na violação do Armistício existente.
Como integrante, creio que não falhamos, apesar da forte tensão existente na área, a péssima condição de vida em geral, as baixas que enlutavam todo o acampamento, as fortes tempestades de areia, o sol causticante, os percevejos que nos sugavam o sangue, as moscas que pareciam brotar do chão, a guerra
só teve início quando a ONU se desincumbiu da tarefa.
Recordo-me da viagem, quase interminável, das confusões ocorrida em Recife, Casablanca,
Barcelona, Las Palmas, Gênova, Nápoles, dos primeiros contatos com o povo da
região, isto pela madrugada.O Canal de Suez, o deserto hostil, os camelos, que se ajuntavam nos trilhos do trem, as cidades de El
Kantara, El Ismaelia, El Arish. Os companheiros que numa vontade louca de retornar à Pátria para rever seus entes queridos, se isolavam para que os companheiros não o vissem chorar.
O caso do Tarcísio Thomasi, como exemplo, que quando recolocava fios de comunicação nas fronteiras, sob um calor de 50 graus, recebe inesperadamente a visita do Capelão que lhe informava o falecimento de sua mãe, foi muito difícil controlá-lo. E tantas outras coisas aconteceram. Brigas entre companheiros, era comum, minimizava o
sofrimento.
- - Lembra-se Furquim, você e o Pagani ?
É isso aí amigos, os nossos governantes, desconhecem essa página da História.
Vamos informá-los, vamos divulgar para o conhecimento de todos.
Volto em outra oportunidade.
M U A S S A - L A M A E
A L A H I R A Á K D E I M A
M !
Um fraternal abraço a todos.
- Sinésio Alexandrino Pissolatto.
- a.pissolatto@ig.com.br ( Obs. e-mail do seu filho )