13º Contingente - Renato Kruger
 
REPORTAGEM SOBRE UM BOINA AZUL -JOINVILLE-SC 
Repotagem de Herculano Vicenzi
Especial para o AN Cidade

RENATO KRÜGER - Um Boina Azul do Btl.Suez - 5G -186.384 - 13º Contingente
A saga do Chico da Tobata

O mecânico agrícola Renato Krüger, mais conhecido pelos parentes, amigos e fregueses como Chico da Tobata, é uma das figuras mais populares do meio rural de Joinville.

Também pudera, há mais de três décadas ele circula diariamente pelas estradas do interior do município para socorrer agricultores com máquinas enguiçadas.

Na carroceria de uma Toyota Bandeirante ele carrega uma oficina que lhe garante estrutura para consertar tratores de qualquer tamanho, colheitadeiras de diferentes tipos e marcas, além de outros equipamentos usados em trabalhos do campo.

Espirituoso e falante como poucos, Chico da Tobata é recebido com festa em todos os lugares que aparece. Seu humor contagia desde os fregueses até os freqüentadores dos vendões e das festas populares que caracterizam o interior joinvilense. "Comigo não tem tempo ruim. Há muito tempo aprendi que a melhor maneira de resolver os problemas mais cabeludos é levar a vida de bom humor", receita o popular mecânico.

Chico começou a carreira de mecânico agrícola poucos meses depois de retornar da Faixa de Gaza, onde durante um ano integrou o Batalhão Suez que a Organização das Nações Unidas (ONU) mantinha naquela região do Oriente Médio para evitar conflitos entre judeus e palestinos.

Ele conta que arrumou emprego na empresa G. Ritzmann Expansão Agrícola para trabalhar no escritório, mas ficou atrás da escrivaninha apenas algumas semanas. Atraído pela oficina, pediu transferência para o setor, onde aprendeu em pouco tempo os segredos de como colocar em funcionamento um trator enguiçado.

Ao lembrar do dia em que pediu transferência, Chico salienta que tomou a decisão atraído pela graxa da oficina, influenciado pela profissão de ferreiro praticada por seu pai. "Fiz a escolha certa, pois já no primeiro dia com as mãos na graxa me senti muito bem e hoje, passados 36 anos, continuo trabalhando com a mesma disposição como naquela manhã em que pedi para trocar de setor", diz com um largo sorriso de quem está de bem com a vida.

Durante 16 anos trabalhou na G. Ritzmann, atendendo agricultores de Joinville e de outros municípios do litoral Norte de Santa Catarina. Daqueles tempos gosta de recordar a precariedade das estradas e o companheirismo da população rural. "Em repetidas oportunidades cheguei a encalhar um velho Jeep 4x4 e só saí do atoleiro com a ajuda dos agricultores que me socorriam com tratores e até juntas de boi. Hoje as estradas do meio rural são verdadeiros tapetes", compara.

Casado com dona Ingrid, pai de três rapazes e avô de uma menina, Chico Krüger trabalha como mecânico autônomo desde que se desligou da G. Ritzmann.


Soldado voluntário, serviu na Faixa de Gaza

Aos 62 anos de idade, Chico da Tobata mantém invejável determinação em atender a fiel freguesia. "Comigo não tem essa coisa de deixar para amanhã o que posso fazer hoje", diz todo disposto.

Nas andanças pelo interior ou quando está em casa, Chico Krüger gosta de falar dos tempos em que integrou a força internacional da ONU na faixa de Gaza. Guarda com orgulho a farda, o capacete, a boina e um diploma de menção honrosa daqueles tempos.
Mantém também um bem cuidado álbum com muitas fotografias em que ele aparece escalando as pirâmides do Egito, no lombo de um camelo e em meio a ruínas de cidades da antiguidade.

Chico ingressou como voluntário no Batalhão Suez, atraído pelo salário de U$ 108. Com o dinheiro que economizou em Gaza deu para comprar a casa onde mora até hoje (rua Alberto Bornschein, 289, no bairro Glória) e uma Lambretta novinha em folha.

O ex-soldado da ONU manifesta-se indignado com a crescente escalada de violência entre judeus e palestinos. "No tempo em que estive lá, as coisas estavam mais calmas, se comparadas com os dias atuais. Já nem posso imaginar até onde irá essa insanidade", assinala confrafeito.

Na opinião de Chico da Tobata, o conflito entre judeus e palestinos tem em sua origem um erro histórico cometido pela ONU. "Em 1948 a ONU criou o Estado de Israel dentro de um território ocupado milenarmente pelos palestinos. Foi a mesma coisa que colocar uma família dentro de uma casa habitada por outra família. Enquanto essa situação persistir e guerra não vai acabar nunca", conclui o velho mecânico agrícola. (HV)




De: Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br> 
Data: 18/12/2005 (14:12:48) 


VOLTAR