13º Contingente - Reportagens

A eterna Ieda Maria Vargas

Roberto Brenol Andrade

ROBERTO BRENOL ANDRADE/ESPECIAL/JC

Porto-alegrense ganhou o título máximo da beleza mundial em 1963

Porto-alegrense ganhou o título máximo da beleza mundial em 1963

ROBERTO BRENOL ANDRADE/ESPECIAL/JC"
Porto-alegrense ganhou o título máximo da beleza mundial em 1963

Cary Grant e Deborah Kerr prometeram, no filme Tarde demais para esquecer, se reencontrar no ponto mais alto de Nova Iorque, então, o Empire State Building. Um vai ao encontro, o outro, não. Mas era tarde demais para esquecer aquele romance na cidade que é o símbolo da aventura, da fama e do dinheiro. O mesmo encontro foi marcado entre uma madrinha e seus afilhados. Muitos, cerca de 400, mas todos guardando na lembrança aquele rosto de menina linda, suave e que se tornaria, sucessivamente, Miss Porto Alegre, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo. 

Era emocionante para os corações ardentes de jovens gaúchos no início do fim dos anos dourados. Organizar o encontro foi uma tarefa difícil. Afinal, 47 anos decorreram desde que, no portão central do cais de Porto Alegre, o navio de transporte de tropas da Marinha do Brasil Ary Parreiras estava embarcando os quase 400 militares do 13º Contingente do Batalhão Suez rumo à Faixa de Gaza, no Oriente Médio. Era uma manhã fria de julho de 1963. Entre autoridades lá estava a bela e juvenil Ieda Maria Vargas, eleita, pouco antes, Miss Brasil, depois de escolhida Miss Porto Alegre e Miss Brasil. Iria para os Estados Unidos e, lá, sairia Miss Universo, em 20 de julho de 1963. Nascida em Porto Alegre em 31 de dezembro de 1944, Ieda Maria Vargas pertence à geração ainda dos anos dourados e em que o concurso era supervalorizado. 

Ieda foi a segunda brasileira a se tornar Miss Universo. A primeira foi a gaúcha Yolanda Pereira, em 1930, na primeira fase do concurso, que foi de 1926 a 1935, quando era chamado Desfile Internacional de Beleza. A terceira Miss Universo brasileira foi a baiana Martha Vasconcellos, eleita em 1968. Ieda foi escolhida em Miami Beach, na Flórida, recebendo a coroa e a faixa da Miss Universo 1962 de Norma Nolan, da Argentina. Em 1964 transmitiu o título para a grega Corinna Tsopei. Casou-se em 1968 com José Carlos Athanasio, já falecido, com quem teve dois filhos.   

Beleza intacta

Ieda Maria Vargas mantém seus traços de beleza que tanto impressionaram porto-alegrenses, gaúchos, brasileiros e os jurados. Em algumas fotos da época, Ieda, sem qualquer maquiagem, aparece radiante, adolescente, suave, simples mas muito, muito bonita mesmo. Uma ex-colega do colégio Vera Cruz, na Capital, um pouco mais moça, lembra que as outras meninas olhavam para aquela que seria depois Miss Universo e afirmavam: “como ela é linda”. Na festa do dia 5 de novembro de 2010 ela chegou vestida elegantemente, como se espera de uma eterna miss, mas sem arroubos da moda. Escoltada pelo casal Silvio Fuhrmann, ocupou uma mesa e conversou assuntos triviais. Mas, aos poucos, os “afilhados” começaram a perder a timidez e pediram fotos, apresentaram as esposas. Uns, mais afoitos, diziam que queriam o beijo que almejavam há 47 anos. Simpática, atendeu a todos, distribuiu sorrisos e beijos nas faces. Estava feliz. Afinal, se recordar é viver, ele deliciou-se com tanto carinho. Depois, um cordão de ex-pracinhas, garbosos em seus uniformes da associação, e esposas deram, casal por casal, uma rosa para Ieda. As lágrimas brotaram nos olhos brilhantes da miss. A noite estava completa. A “dinda” e os afilhados se reencontraram após 47 anos. Música, muita música encerrou um dia em que canções de Paul McCartney e John Lennon embalaram os sonhos revividos. 

Emoção

Os oficiais, sargentos, cabos e soldados a bordo do Ary Parreiras tiveram a boa nova em alto-mar: Ieda era a nova Miss Universo. Alegria, palmas, muitas conversas. Afinal, eram quase todos jovens rapazes e que sabiam que a madrinha do 13º Contingente do Batalhão Suez era a mulher mais bela da Terra. Fantasias, sonhos, por que não encontrá-la? Foi uma viagem de 30 dias em que o assunto dominante era a bela Ieda Maria Vargas, que se tornou a “namoradinha” de todos. Naqueles anos, tudo era permitido pensar, mas pouco fazer, a repressão moral imperava. Não havia chegado a era do “é probido proibir”. Nem os Beatles, nem a revolta nas ruas de Paris, nem a pílula anticoncepcional, nem a Guerra do Vietnã, e a televisão recém-começava a invadir os lares, criando a folclórica figura dos “televizinhos”, gente que via os programas, que começavam só a partir das 18h, na casa dos moradores do apartamento ao lado.

Missão

A missão na Faixa de Gaza foi de julho de 1963 até o retorno a Porto Alegre em outubro de 1964, quando os soldados foram, em novembro, liberados no 18º Regimento de Infantaria (18º RI), hoje área da Pucrs. A dispersão e o rumo na vida afastou, naturalmente, quase todos. Profissões, casamentos, filhos e desencontros, até que, em 1984, foi criada a Associação dos Integrantes do Batalhão Suez. O contingente gaúcho teve divulgação na época, cobertura integral com uma novidade: o correspondente, ao contrário do tradicional - Glênio Peres, pelo Diário de Notícias, ficou um mês com os pracinhas do 5º Contingente -, era também um pracinha, o cabo 8072, não por acaso autor desse texto. Por isso, narrou para os jornais e as rádios da Caldas Júnior dos anos de 1960 não o que os outros faziam, mas a missão que ele mesmo executava, em patrulhas, postos de observação, passeios, problemas, alegrias e tristeza na imensidão do deserto do Sinai, separando egípcios e israelenses, a serviço da ONU. 

A busca

Unidos pelas lembranças comuns, os ex-pracinhas promoviam reuniões periódicas. No jantar de 2010, a vontade de reencontrar a “dinda” Ieda aflorou na mente da diretoria da Associação. Mas como encontrá-la e homenageá-la? Um jantar-baile no clube Geraldo Santana, um sargento da heroica Força Expedicionária Brasileira (FEB-II Guerra Mundial) foi marcado. E Ieda Maria Vargas? A missão - quase uma ordem militar - de encontrá-la e convidá-la ficou com o hoje corretor de imóveis em Gramado, Silvio Fuhrmann, o soldado 8339 da 8ª companhia do Batalhão Suez, que ainda tinha a 7ª, a 9ª e a Companhia de Comando e Serviços (CCS). Fuhrmann se superou até o dia da festa. Depois, alegou, arfando, que a missão fora “comprida mas bem cumprida”, dentro dos melhores preceitos militares que não esquecera.

Olha aí. Recordar é viver. Abraços.

From: RENEU J. K.
Sent: Wednesday, November 24, 2010 8:13 PM
Subject: Jantar com Ieda Vargas

 


 

Publicado na ZERO HORA de Porto Alegre de hoje, dia 08 de agosto de 2008!

De: "Fernando Vargas" <fvargas@batalhaosuez.com.br>
Data: Fri, 08 Aug 2008 08:01:30 -0300
Assunto: Publicado na ZERO HORA de Porto Alegre de hoje, dia 08 de agosto de 2008!


Aos amigos envio, em anexo, foto e texto publicado hoje (08.08.2008) em Zero Hora.
"Allah u Akbar",
Deus é grande
ao permitir que tenhamos lembrança deste nosso passado.
Se necessário corrigir, é tudo com vc G.Abrão,
maasalaama,-- Carlos CamboimUNEF 1- Rafah City

Nada a corrigir; tudo a contemplar!
Que saudades!
Pte. Abrão
UNEF MP-Rafah Detachment

De: "carlos alberto camboim" <carloscamboim@gmail.com>
Data: Fri, 08 Aug 2008 21:46:06 -0300
Assunto: Reportagens ZH 08-08-2008


 

 

 

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