16º Contingente - Cb.Eugênio A.C.Malta

Meu nome é Eugênio Antônio Côrtes Malta. Sou mineiro de Juiz de Fora, nascido em 29 de agosto de 1945. Em 1964 servia ao Exército, como cabo, na 2a Cia do I/10o R.I., em Juiz de Fora, que era, então, a sede da 4a. RM . Fiz parte das tropas que se deslocaram no dia 31 de março daquele ano em direção ao Rio de Janeiro, sob o comando do General Mourão Filho, dando início ao movimento militar que depôs o presidente João Goulart.

Inscrevi-me para servir no Batalhão Suez no final daquele mesmo ano e fui selecionado para a 7a Cia do III/2o R.I., que faria parte do 16o Contingente do Batalhão a rumar para o Oriente Médio. Nossa preparação e nossos exercícios de treinamento para a missão foram todos realizados no quartel do III/2o. R.I, no Rio de Janeiro.

Largamos do Rio de Janeiro para Port Said, Egito, a bordo do navio de transporte Ary Parreiras, da Marinha de Guerra do Brasil no inicio de 1965. Minha primeira missão, ainda a bordo, foi a de escrever o diário da 7a. Cia .

Devido à minha habilidade em desenho e artes gráficas, ao chegarmos em Rafah fui transferido para o comando, na função de cabo desenhista do S/3. Nos meus primeiros seis meses na Faixa de Gaza trabalhei diretamente com o comando do nosso contingente (mas também tocava na banda do batalhão!). Na outra metade do tempo da missão, retornei para a 7a. Cia e fui comandar o meu GC ( Grupo de Combate ) na fronteira, isto é, lá na ADL, a linha de demarcação do armistício, propriamente dita.

As atividades paralelas, incluindo as sociais, que o comando desenvolvia em Gaza eram bastante intensas naquela época, uma vez que um brasileiro, o General. Sizeno Sarmento, estava no comando geral da missão da ONU na Palestina. Por esta razão, no tempo em que servi no comando, foi quase que automático reunirmos um grupo de músicos e daí surgiu o "The Brazillian Boys". Este conjunto, ou como se diz hoje, esta banda fez tocou em diversos bailes em Gaza e em outras localidades que sediavam outros batalhões. Nossa formação era a seguinte: Sd. Otaviano na guitarra, Cb Deiro no acordeon, Sd. Freitas no piano e eu, Cb Malta, na bateria. Chegamos ate' a gravar para a Rádio do Cairo!... Música brasileira, é claro!. Posso garantir que foi o nosso conjunto "introduziu" a bossa nova na Faixa de Gaza!

Na outra metade do tempo, quando servi na fronteira, foi quando vieram os dias de "leave", ou seja as férias. Juntamente com o Cb Marins, o Sd Maia e o Sd Versiani, alugamos um carro em Roma e rodamos toda a Europa, usando apenas o ID da ONU e o passaporte brasileiro.

Dentro deste quadro aí exposto tenho muitas lembranças, histórias e "causos" para contar mas que não cabem aqui agora, infelizmente...

Por ora, resta dizer que, ao voltar de Suez para Juiz de Fora, lecionei desenho no Senac, estudei durante algum tempo Letras na Universidade Federal de Juiz de Fora, participei ativamente do movimento cultural da cidade na época, colaborei durante muitos anos, como ilustrador, poeta e ensaísta, em jornais, revistas e suplementos literários.

Como letrista e compositor participei de diversos festivais de música nos anos 60 e 70; minhas músicas tiveram até uma certa projeção a nível nacional através da TV e do rádio e tenho diversas composições gravadas no país e no exterior. Morei no Rio de Janeiro, durante algum tempo nos anos 70, trabalhei como desenhista de arquitetura, fiz uma exposição de pinturas em Juiz de Fora, onde vivi e trabalhei até meados dos anos 80.. 

Fui casado, duas vezes, divorciado e separado. Desde 1985 moro em Nova York, onde trabalho no setor imobiliário, gerencio diversos imóveis em Manhattan (mas continuo escrevendo e desenhando e planejo escrever um livro sobre minha experiência nas Forças de Paz da ONU). Tornei-me cidadão americano, mas sem perder a cidadania brasileira, claro! ou seja, tenho dupla cidadania há muitos anos. Minha segunda ex-mulher também é brasileira e trabalha numa repartição do governo brasileiro em Nova York; temos uma filha que completa treze anos de idade neste ano (2005). Seu nome é Paloma.

Fiquei sabendo do Prêmio Nobel da Paz de 1988 para os "Peacekeeping" no final dos anos 90. Iniciei a busca de informações sobre o assunto via Internet, onde consegui contato com veteranos do Canadá, da Noruega e da Dinamarca. Juntamente com um primo que se interessou pelo assunto, descobrimos que não havia praticamente nada no Brasil sobre este assunto e sequer sobre a importância deste prêmio para os brasileiros como um todo e não só para aqueles que o mereceram. Muito menos sobre como os nossos companheiros poderiam obter seus diplomas e suas medalhas. Finalmente, entrei em contato com o Comitê Norueguês encarregado pela entrega do diploma e da medalha e os obtive em 6 de agosto de 2001. Privilégio do qual me sinto muito honrado e orgulhoso e por isto mesmo vejo com muita alegria a iniciativa do site do nosso glorioso Batalhão Suez em levar informações para todos sobre o que foi a nossa missão de paz . 


Que a Paz seja a nossa Razão!

NYC, NY. 30 de maio de 2005
Eugênio A. C. Malta
P.O.Box 286687
New York, NY, 10128
USA

EMalta93@aol.com


quarta-feira, 1 de junho de 2005 11:55

Fernando Vargas <fvargas@batalhaosuez.com.br>


 
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