19º CONTINGENTE - AROLDO JOSÉ MACHADO DA VEIGA

... "Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós."
HOMENAGEM PÓSTUMA AO GRANDE AMIGO E ETERNO COMANDANTE CORONEL + AROLDO JOSÉ MACHADO DA VEIGA
Para grande tristeza em geral, nosso grande amigo Cel.Veiga, faleceu e nos deixou na madrugada do dia 1º de dezembro 2010, partindo para o plano superior. Sabemos que neste momento difícil, as palavras que desejamos expressar são travadas pela emoção. Mas ainda bem que nosso inconsciente apenas aponta para as boas etapas da vida em que pudemos desfrutar do convívio e da amizade do ilstre comandante Cel Veiga, e assim pouco nos deixam falar.
Esses momentos de despedidas são etapas da vida que nos custam caro e sempre difícil aceitar, mas eternamente ficam as memórias e as infindáveis recordações dos bons e agradáveis momentos.
No velório e nas despedidas é que pudemos realmente perceber o quanto ele era querido, tanto pelos familiares, esposa, filhos, netos, sobrinhos, e também pelos amigos. Ao longo da sua existência deixou exemplo de vida e de conduta ilibada a ser seguido. Ele era realmente muito bondoso, probo e dedicado as boas causas da rotina e disciplina trazidas dos tempos de caserna. Quando necessário sabia se impor com elegância e simpatia, sem ofender quem quer que seja. Um pequeno exemplo dessas afirmativas está contido na história do Habib Yusif, disponível no site Btl.Suez.
Nós, soldados brasileiros que pertencemos ao Btl.Suez, no início da vida sofremos as conseqüências do final da Segunda Guerra Mundial e na Missão Suez convivemos com a Guerra Fria, na luta pela paz mundial. Lembramos que desde os tempos de criança, até adolescência, ali por volta dos anos 50, tudo no mundo parecia bonito, a não ser algumas surras que levávamos de nossos pais e doenças típicas da época. Éramos crianças felizes porque nosso mundo era limitado, nada sabíamos daquilo que acontecia no mundo dos adultos...Quando fomos para a Missão Btl. Suez, ali pelo fim dos anos 50 até meados dos anos 60, tudo parecia bonito, a não ser algumas "broncas" e advertências dos superiores e doenças típicas do Oriente Médio e a Guerra dos seis Dias. Cada um de nós chegamos a ser um soldado feliz porque nosso mundo era limitado, e nada sabíamos do que acontecia no mundo dos oficiais...
Foi isso que sentimos depois que começamos a desfrutar do convívio e amizade com o grande Da Veiga, que poderia ser hoje um General de Exército, mas acho que sua carreira não seria tão marcante e emocionante sem sua coragem e rebeldia (no bom sentido). Cel Veiga, Infelizmente o nosso cargo ou graduação de "soldado feliz" destruiu nossa chance de poder participar do seu “time” lá na Faixa de Gaza. Teria sido muito orgulho cumprir a vontade de ser seu auxiliar mesmo que fosse como engraxate.
Enumerar seus feitos é difícil para qualquer Boina Azul, imagine como seria para mim que apesar do prazer da convivência com o Cel Veiga, sei de pouca coisa, mesmo assim do que aprendi dava para encher páginas e mais páginas de um grande e maravilhoso livro.
Depois que o conheci pessoalmente em Curitiba, pois em Suez não o conhecia, estivemos em contingentes de diferentes épocas, escutei algumas de suas histórias sobre os bastidores do Comando. O então Major Veiga (S 4) lançava os seus conselhos para com o Coronel comandante, que não tinha domínio com o idioma ingles, o que lhe custava alguns constrangimentos.
Foi muito interessante saber de tantas coisas que aconteceram bem debaixo do nosso nariz, e naquela época desconhecíamos totalmente. Cada um de nós éramos mesmo soldado raso, daqueles da linha de frente pronto para morrer numa guerra. Puxa vida!, lembrar dessas tantas coisa que aprendemos com o Cel Veiga nos envaidece e nos orgulha. Porém sentimos muito a realidade da vida ao admitir que ele é, infelizmente, mais um amigo que se foi deixando o sentimento de saudades e um enorme vazio espiritual.
A partir de agora advem em nossos sentimentos aquela sensação e a impressão de que estamos órfãos. Assim, a realidade dos fatos denota que nosso grupo de Boinas Azuis do Btl. Suez está cada vez mais diminuto. É possível que a maioria dos integrantes já nos deixaram e agora ficam aguardando os demais, pouco a pouco estão formando o Batalhão de cima. Um dia também para lá partiremos e certamente nos encontraremos nas mesmas dimensões do andar superior.
E assim caminhamos, em algum momento alegres pelos fatos e magias que eventualmente vão sendo resgatados, e noutro momento temos que enfrentar essas tristezas pela perda de amigos.
É a "gangorra" da vida.
Nossas sentidas condolências aos familiares do Cel.Veiga.
(Theodoro da Silva Junior).