1º Contingente - Jose C.P.Silva

1º Contingente de soldados que integraram o DESTACAMENTO PRECURSOR.
Na foto o pessoal preparava-se para o Rancho(almoço),
estavam num alojamento em Al-Kantara, início da Missão UNEF- 1957.
 

De: Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
Data: 4/08/2007 (23:04:08)
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PONTAGROSSENSE DO 1º CONTINGENTE CONTA SUA HISTÓRIA

 José Carlos Pereira da Silva


        Integrou o 1º Contingente do Batalhão Suez,  apresentando-se como o 1º Voluntário Brasileiro , entre todos os demais inscritos. Alguém seria o 1º, e foi esse pontagrossense quem, orgulhosamente e honradamente, abriu as inscrições , na condição de Soldado, para a criação do III - 2º RIO (Btl.Suez), em outubro de 1956.             Ainda era Soldado efetivo do Exército Brasileiro, estava servindo na PE - RJ, Corporação de Elite da época. Como recompensa dessa voluntariedade, foi convidado e aceitou, integrar o ESCALÃO PRECURSOR. Nessa modalidade ele embarcou, de maneira especial, juntamente com demais 15 companheiros e Comandante da Operação, num avião Douglas, da Força Aérea dos EUA, que prestou essa colaboração.
        O embarque do Escalão Precursor se deu cerca de 8 dias após os demais componentes da Tropa do 1º Contingente ter zarpado do Rio de Janeiro no Navio Custódio de Melo, no inicio de Fevereiro de 1957, e obviamente chegou com a devida antecedência do restante do 1º Contingente em terras do Oriente Médio. - Foi um caso atípico.
        Esse Escalão de Brasileiros teve a incumbência, entre outras, de observar a segurança e garantias do desembarque do restante do pessoal que viajava de navio, bem como estágio do Cessar fogo imposto pelo ONU ao exército de Israel que ainda se encontrava às margens do Canal de Suez, bem como, e de certa forma, planificar a logística de desembarque da tropa em Porto Said - Egito. Posteriormente e tão logo efetivou-se a chegada do Navio Custódio de Melo, foram reincorporados ao 1º Contingente. 
        Esse Escalão Precursor veio a formar o Pelotão Sapador - Anti-Minas. E esses Soldados "mineiros" foram especialmente os encarregados de encontrar campos minados, demarca-los e a medida que iam encontrando enfrentavam o perigo de desativar as minas encontradas. Algumas dessas minas eram catalogadas para estudos militares, outras tantas foram inutilizadas e posteriormente queimadas evitando assim o reutilizamento.
        Já em pleno deserto do Sinai, a tropa Brasileira deparou-se com inúmeras surpresas, cujas ocorrências lhes eram totalmente desconhecidas.


        Primeiramente ninguém sabia que no deserto fazia frio, eles chegaram no auge do inverno no Oriente Médio, levavam poucos agasalhos. A Pobreza da população da região era no estado miserável, donde tinham vários ladrões e já no 1º dia fomos vítimas de roubo, algumas fardas foram roubadas e mais tarde descobertas, já no 2º dia, então já entramos em atividades militares onde estivemos fazendo as primeiras prisões de civis. O Fato aconteceu porque que não existia local nem alojamento determinado para a tropa, que teve de pernoitar em pleno deserto andar a pé, em marcha pelo deserto, por alguns dias.
        A utilização das pequenas e "precárias" barracas individuais dos brasileiros eram outro problema inicial, visto que com os fortes ventos da região era difícil manter cada barraca em condições de uso sem esvoaçar nos dias em que a tropa descansava e observava a região. O próprio comando Geral da Força de Paz, UNEF ainda não havia incumbido tarefas, sabia-se apenas que como objetivo inicial deveríamos chegar em Gaza , monitorando o recuo das tropas de Israel.
        Somente após vários dias a Tropa Brasileira viria a ocupar umas antigas e abandonadas instalações dos Ingleses que tiveram o Mandado até 1948, antes mesmo da criação de Israel. Essas instalações acabou virando o QG da Tropa Brasileira.


        Ainda sobre a Viagem de Navio - soube-se que o Navio Custódio de Melo enfrentou uma longa Tempestade em alto mar, que desprendeu os barris de gasolina e que estavam inicialmente amarrados no convés, os quais estavam sendo transportados para utilização do combustível na Missão de Paz. O combustível derramou por todo o navio obrigando o comandante a ordenar o desligamento dos motores e proibindo a utilização de qualquer objeto ou aparelho que pudesse gerar faísca, evitando assim um provável dantesco incêndio à bordo. O Navio ficou à deriva por 3 dias. 
        Posteriormente houve a morte de soldado JOÃO ELIAS que fazia parte do efetivo, em pleno Mar Mediterrâneo. 
        Ao mesmo tempo em que se descobria a existência de um outro soldado CLANDESTINO. Para evitar problemas burocráticos e ter que enfrentar uma quarentena na chegada, o Comandante decidiu fazer o sepultamento do soldado João Elias em pleno Mar, e que contou com uma cerimônia fúnebre emocionante e muito triste, E devido o aparecimento do clandestino, o n.º do efetivo não se alterava, e portanto as autoridades do Egito receberiam o mesmo n.º de soldados oficialmente comunicado. Ninguém iria conferir Lista de pessoas porque não haviam comunicado a Listagem com os nomes dos integrantes antecipadamente. Assim esse outro fato atípico marcou a 1ª viagem de Brasileiros para o Oriente Médio.

JOSÉ CARLOS PEREIRA DA SILVA - 1º contingente


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