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8º Contingente - Miguel Bazan




MAIS UMA HISTÓRIA DAS MAGIAS DE SUEZ


Texto escrito por Theodoro da Silva Junior


UM FELIZ ENCONTRO EM NÁPOLES 

        Cabo MIGUEL BAZAN, Sapador que desarmou várias minas encontradas nas areias do deserto, durante sua participação no Btl.Suez, habilidoso e corajoso, cuidava condignamente das tarefas que lhe foram incumbidas na Missão de Paz, cuja especialidade maior era lidar com as velhas e sempre perigosas minas, deixadas no campo de guerra entre judeus e palestinos, as quais somente deixavam de ser perigo para as tropas da UNEF tão logo encontradas e desativadas pela equipe dos sapadores da Tropa de Paz da ONU, da qual o nosso Cabo BAZAN era um dos heróicos participantes.

        Aquele cenário desértico, nostálgico e de certa forma perigoso creio, ainda está vivo nas lembranças de todos nós que participamos da UNEF como Soldados da Missão de Paz na Faixa de Gaza.

        Tantos acontecimentos que faziam parte do nosso dia a dia, aos poucos vão sendo revelados e a cada nova história vem enriquecer nosso imensurável acervo de memórias desse devaneio que passou a ser objeto maior das nossas imorredouras lembranças daquela passagem como soldados da Paz pelo deserto.

        Mas as nossas ricas histórias não se apegam exclusivamente no que acontecia nos bastidores da caserna, e das ocorrências de cada escala de serviço, é claro que ninguém esquece dos nossos alojamentos e da Unidade em que cada um serviu na Missão, cada uma das quais e por estrutura logística da ONU acabou se transformando em Unidade Histórica da Missão, pois estavam distribuídas isoladamente e esparsamente pela região, ao longo da fronteira entre Egito e Israel, com vistas a garantir o cessar fogo e manter a linha de armistício.

        A história de hoje que envolveu nosso heróico Sapador, Cabo Bazan, está voltada justamente para a tão aguardada viagem de retorno ao Brasil, deixando para outra oportunidade mais histórias das ocorrências no deserto e dos perigosos momentos de desarmar minas de guerra.

        A Viagem de volta ao Brasil do 7º Contingente, após término da Missão daquele Contingente, teve início no mês de agosto de 1961, no Navio Transporte de Tropas “BARROSO PEREIRA”, viajava nosso herói da história de hoje e seus companheiros.

        E foi numa das paradas para abastecer o Navio, mais propriamente na cidade de Nápoles – Itália, que aconteceu um fato interessante que o nosso herói passou a contar. 

        No dia seguinte a chegada em Nápoles amanheceu chovendo fortemente, ventos e trovoadas não foram obstáculos para que a soldadesca, que retornava ao Brasil ficasse presa ao Navio, e livres das escalas de serviços, não queriam perder nem um minuto sequer da grande oportunidade para passear naquela bonita cidade e conhecer aquele pedaço da Europa que encantava a todos, e mesmo com chuva forte a maioria deles saíram às ruas da cidade, pois naqueles momentos o espírito aventureiro da juventude sempre fala mais alto.

        Começaram a visitar algumas lojas na busca de poder comprar algum souvenir, ou mesmo roupas para uso próprio, protegendo-se um pouco das intempéries da natureza.

        Com a intensidade das chuvas, naquele dia, o movimento de pessoas era menor em relação aos dias comuns, então nossos soldados sentiram-se mais livres ainda e aproveitaram o momento para “tirar uma casquinha de leve como se turistas fossem” e se fazendo passar por Turistas brasileiros transitavam livres e soltos pela cidade, normalmente e comportadamente.

        Nosso herói na companhia de outros dois brasileiros resolveram entrar numa daquelas famosas lojas de Departamento, e ali haviam algumas outras pessoas, também vasculhando as mercadorias da loja, algumas outras pessoas comprando.

        Como estavam fardados e com a Boina da ONU na cabeça, é óbvio que começaram a chamar a atenção e olhares de todos os funcionários e clientes, porém um casal falando português era justamente quem mais prestava atenção naqueles jovens soldados e enfim, resolveram abordar os brasileiros, justamente porque estavam prestando atenção e ouvindo a conversa dos soldados. 

        Muito logo todos os brasileiros ali presentes, comprovaram a alegria de poder conversar em nossa língua portuguesa e trocar informações. A curiosidade do Casal era tanta, que afinal se perguntaram entre si...o que estariam fazendo ali aqueles soldados brasileiros com aquela farda diferente e chamativa?. - Tiveram a resposta de que eram soldados da ONU, e que após cumprirem missão na Faixa de Gaza, finalmente estavam voltando para casa. O casal perguntou de que estado cada soldado era, e por pura coincidência todos eram paranaenses, inclusive aquele casal, e mais ainda, todos eram de Curitiba. > Santa coincidência <

        Então vem logo aquela afirmativa... você não me é estranho, eu o conheço de lá de Curitiba!, o casal era muito conhecido, aqueles soldados nem tanto, - mas naquele momento a lembrança da Pátria amada era o que mais importava.

        Uma maneira encontrada para solucionar as indagações, foi a iniciativa de cada um fazer sua própria identificação, e pelo nome de cada um ficaria mais fácil, então todos se apresentaram, um ao outro e ficou muito fácil saber quem era quem e também quem era aquele casal.

        O cidadão civil que ali estava era o Sr. JOÃO PROSDÓCIMO e sua Digníssima esposa, estavam passeando e fazendo turismo pela Itália, berço dos avós do Sr. João Prosdócimo, e aquele feliz e fraterno encontro em Nápoles se transformou no embrião de outra história.A saber:

        No encontro de Nápoles, estava juntamente com o Bazan o Soldado MOACIR BOEMER (mais conhecido como “marreco”) que por sua vocação de atleta voltado ao ciclismo, mais tarde, depois que deu baixa do Btl.Suez, foi procurar o Sr. João Prosdócimo que, por sua vez, era Diretor Presidente das Lojas PROSDÓCIMO S/A. a maior loja Magazine de Curitiba na época. 

        O Moacir acabou sendo patrocinado pela Empresa. Prosdócimo. O nosso atleta, graças ao patrocínio originado daquela conversa em Nápoles, chegou a conquistar, por várias vezes, o Título de Campeão Paranaense de ciclismo e figurou como um dos maiores atletas brasileiros na modalidade. Ostentou sua fama como atleta do ciclismo por muitos anos, graças ao patrocínio das Lojas Prosdócimo S/A, e chegou a ser homenageado, com seu nome de atleta, em destaque, gravado numa placa de bronze erigida em frente às Lojas Prosdócimo. 

        Nessa homenagem ao atleta Moacir todos sabiam que ele tinha sido um soldado da Paz do Btl.Suez.

        Quanto ao nosso herói, o Cabo Bazan, também foi homenageado pelo Sr. Prosdócimo por ter sido o primeiro cliente da Loja a comprar uma bicicleta motorizada, naquela conversa em Nápoles tudo foi esclarecido, lembraram até a marca da bicicleta e do Motor –VICTÓRIA - . 

        Melhor explicando: O Bazan antes de ir para o Btl.Suez, quando ainda era menor de idade e trabalhava por iniciativa própria, apoiado pelo seu pai em Curitiba, juntou seus trocadinhos e comprou, de forma pioneira, aquela bicicleta motorizada que era uma grande novidade da época.

        De toda essa lembrança, o Bazan demonstrou a maior alegria em relembrar daquela ocorrência em Nápoles, bem como da seqüência positiva que o fato gerou, e de poder encontrar, em lugar tão distante de sua casa outros brasileiros e lá de longe ter recebido, juntamente com seus companheiros, o honroso convite para visitar as Lojas Prosdócimo em Curitiba e que acabou se transformando numa grande amizade e respeito entre os brasileiros que, na coincidência daquele encontro na Itália, demonstraram toda fraternidade e esperança de paz e harmonia existente em nosso povo.

        O Cabo Bazan, mais tarde, e por força do destino que a vida nos impõe, acabou tomando o rumo da cidade de São Paulo onde foi exercer suas atividades profissionais, e quando voltou ao Paraná, já não mais se encontrou com o Sr, João Prosdócimo e família. As Lojas Prosdócimo já não mais existem desde há muito, e hoje o Bazan guarda uma eterna e boa lembrança daquele feliz encontro em Nápoles num dia de chuva, disse que tem muitas saudades do Sr. João Prosdócimo, e aguarda o momento futuro, na eternidade, onde tem esperanças de reencontrar aquele casal amigo relembrar daquele e de tantos outros momentos positivos vividos em Curitiba. 

        Esta foi uma história contada pelo Cabo MIGUEL BAZAN - 8º Contingente do Btl.Suez – 3º Pelotão da 7ª Cia.

        O Chacal de Fronteira. 

De: Theodoro da Silva Junior <theojunior@uol.com.br> 
Data: Thu, 11 Nov 2004 11:45:54 -0200 


 
 

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