Batalhão Suez – 50 anos
22 de novembro de 1956 / 2006
 
por Israel Blajberg (*)  

As estradas de Deserto do Sinai estavam  ainda entulhadas pelos restos calcinados de blindados egípcios, quando a ONU criou a UNEF 1– United Nations Emergency Force, os capacetes azuis que doravante iriam se tornar um símbolo de nobre missão de uma tropa – garantir a paz, graças ao que lhes foi conferido em 1988 o Prêmio NOBEL.  

O Brasil foi integrado a UNEF1 quase que naturalmente, sendo de pronto designado o Regimento Avaí da Vila Militar para fornecer o efetivo equivalente a um Batalhão de Infantaria.  

Através do 3°. Btl, o famoso 2 de Ouro iria confirmar a sua tradição tricentenária, coroada pela brilhante participação na Guerra da Tríplice Aliança, fornecendo 16 dos 20 contingentes.  

Hoje, o atual 2°. Btl Inf Mtz (Es) é orgânico da 9ª. Bda Inf Mtz, que integra o GUEs da 1ª. DE.  

Apenas uma década depois da odisséia da FEB na Itália, o Brasil enfrenta e vence um novo desafio militar e logístico. Foi uma proeza, um pais que recém começava a se industrializar, enviar a milhares de quilômetros uma tropa mantida e suprida por longos anos.  

Foi a primeira de extenso rol de Missões de Paz, onde a Bandeira Brasileira tremulou junto com as da ONU e diversas outras Nações Amigas, prestando uma importante contribuição a divulgação do Brasil no exterior. Hoje, quando o Brasil pleiteia um assento no Conselho de Segurança, a longa folha de serviços prestados pelas Tropas Brasileiras em Missão de Paz certamente será um dos principais atributos favoráveis a considerar. 

Mas não só os Combatentes foram importantes. Transportes, Saúde, Comunicações eram fundamentais. A Marinha e a Força Aérea cumpriram críticas missões de transporte da tropa em seus diversos contingentes, bem como suprimentos e material.  

Eram tempos de comunicações internacionais difíceis. Ainda não havia satélites, o Batalhão estava conectado pela onda curta, via Estação PTA-2 de Rafah, que possibilitava aos integrantes até o contacto com familiares, convocados ao PDC por uma escala.  

Os Serviços de Saúde tiveram que se desdobrar, diante das ameaças de doenças tropicais e outras prevalentes em uma região de condições precárias, com nossos médicos militares garantindo a higidez da tropa.  

Portanto, a missão não era fácil, em meio ao deserto escaldante e entre dois inimigos mortais. Mas tudo corria bem, até que Nasser achou que poderia acabar com o Estado de Israel, para tanto afastando os capacetes azuis.  

Mas Israel atacou primeiro assestando profundo golpe no agressor desprevenido. Aos 5 de junho de 1967, os soldados da UNEF estacionados na Faixa de Gaza acordaram com o ronco de centenas de jatos riscando o céu do deserto.  

Eram os aviões de Israel, que em apenas 3 horas destruíram no chão 450 aviões de 5 países árabes. A vitória estava garantida, tendo passado a historia como a Guerra dos Seis Dias.  

Até os capacetes azuis voltarem para casa, de 1957 até 1967 foram 20 Contingentes, cerca de 6.300 militares brasileiros entre soldados, cabos, sargentos, e oficiais, principalmente tenentes, capitães.  

O tempo passou, jovens soldados, cabos, sargentos e oficiais,  agora muitos aposentados ou na Reserva, tanto contribuíram para o desenvolvimento do Brasil nas mais diversas profissões, hoje todos guardando com carinho as recordações daqueles tempos passados à beira do deserto.  

Na Rua Dias da Cruz no Méier, movimentado subúrbio do Rio de Janeiro, todo sábado a Associação dos Integrantes do Batalhão Suez se anima com a chegada dos sócios para momentos de lazer, churrasco, sinuca.  

Fundada em 23-maio-1958, as décadas se sucedem, mas o entusiasmo continua, congregando centenas de Veteranos ostentando orgulhosamente a Boina Azul.  

Um dia aquele prédio foi a Agencia da Caixa Econômica Federal do Méier. Esquina famosa, ponto muito procurado pelo público para serviços bancários. Diante dos trilhos da Central, próximo da estação do Méier, era uma referencia visível a todos que passavam de carro ou de trem. O portão ainda sugere a majestade daquela época, entretanto quem passa hoje de carro quase não o percebe. Apenas os mais atentos notarão pelo espelho retrovisor a placa da Associação, à retaguarda ... introduzida a mão-dupla na Dias da Cruz, o portão fica bem acessível aos pedestres, mas encoberto para os carros ...  

A Caixa cedeu o prédio, mas deixou o IPTU que virou bola de neve, hoje dívida impagável de 400 mil reais.  

As bandeiras do Brasil, do Batalhão Suez e da ONU altaneiras recebem os visitantes no hall de entrada. Mas a dívida deixa no ar a questão: até quando?   

A nossa primeira tropa de paz merece que as suas memórias permaneçam vivas ainda durante muito tempo, justamente hoje em que na mesma região outra força multinacional está prestes a ser convocada.  

As décadas passaram, mas as mesmas ameaças se repetem, seja do deserto ou das montanhas pedregosas. A bandeira verde que insuflava as turbas fanáticas hoje é amarela, mas permanece a mesma retórica absurda. Pobres dos que sofrem, de qualquer religião ou nacionalidade, vítimas do desentendimento que a Humanidade ainda não conseguiu superar...  

Mas a vida continua, e no Desfile de 7 de Setembro, sempre muito aplaudidos, os Veteranos de Suez marcam a presença da nossa primeira, maior e mais tradicional Força de Paz.  

Passados 50 anos, que a Associação dos Integrantes do Batalhão Suez continue ativa e vibrante por muito tempo como apreciável referência.  

Aos Veteranos que cultuam a memória de um episódio marcante da História Militar Brasileira, a certeza de que bem cumpriram a missão !!!  

BRASIL ACIMA DE TUDO !!!

Veterano Samuel Muniz Gonçalves, Diretor Secretário

 
 
 
   
Associação dos Integrantes do Batalhão Suez – III / 2°. RI
Rua Dias da Cruz 1311 – Méier
Rio de Janeiro - RJ  
 
(*) Sr.Israel Blajberg não integrou o Btl Suez, mas cursou o CPOR/RJ. Hoje ele é Assessor Cultural da Associação dos Ex-alunos do CPOR.  iblaj@telecom.uff.br

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