POR QUE NÃO REVIVER SUEZ ?

 

Cb. Pissolatto


Será que aquela nossa participação em uma missão no Oriente Médio, tão árdua como a da guerra, terá que ficar esquecida?  

Não companheiros, achamos que não! Pois aqueles dias, aqueles meses, aquele ano cheio de venturas, onde convivíamos com um clima das mais hostis um povo de costume completamente diferente, sob uma forte tensão emocional, face as constantes provocações dos paises conflitantes onde a morte de companheiros enchia de luto aquele pedaço do Sinai, onde todos nós, um dia derramamos lagrimas pela dor da saudade dos entes mais queridos, onde muitos companheiros procuravam, através de brincadeiras, tornar a missão mais amena ou menos angustiante; hoje, quis o destino, que muitos já não se encontrasses mais entre nós.

Por tudo isso, não poderemos deixar que o tempo apague de nossas memórias, pelo simples desejo de viver uma vida estável e esquecida.

Vejamos, mais de(...)anos se passaram da ocasião em que deixamos a Faixa de Gaza, a distante Palestina, Terra de Canaã Bíblica, terras pisadas por Cristo, Moisés, Maomé; Terra Santa, berço das civilizações e também, terra da paz e da discórdia. Lá estávamos nós, o Brazilian Battalion, o “Brazilian Quáis” atentos nos P.Os., nas patrulhas ou permanentemente de prontidão fechados nos Pelotões de fronteira, sempre preocupados com possíveis penetrações de franco atiradores interessados na violação da paz.

As tempestades de areia eram tormento constante, os percevejos, parasitas que nos sugavam o sangue. Os beduínos, gente muito sofrida, portadores de tantas doenças, passavam horas e horas a nos espreitar através dos arames farpados. Sabe lá Deus o que foi feito da menina Faat-Hiar, da Vovó, da Samiha, do Dimas, do Mussa, do Nihad e tantos outros. Quando lá estávamos (UNEF) assegurávamos a paz na região, más depois por falhas ou interesses, veio a guerra desintegrando o povo da região e causando mortes e destruição.

E isso aí companheiros, entre em contato com a nossa associação, ajude-nos a manter memórias do Batalhão Suez. Juntos vamos agradecer a Deus pela procissão infinda de  conhecimentos que adquirimos através de muitas falhas e sofrimentos passados lá, que aceitamos como lição da vida para todos e, com muita honra, pudemos transferir aos nossos amigos e familiares, às nossas namoradas, às nossas esposas e depois aos nossos filhos, que são a parcela de nossa alma e que sentem um orgulho infinito de poder dizer aos amigos que seu pai é um ”BOINA AZUL” das Nações Unidas a quem foi outorgado o Premio Nobel da Paz de 1988.

MAUSSA LAHMA!!!
Cb. Pissolatto — 11º Contingente. (1962/1963)


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