LEMBRANÇAS DA GUERRA 

CAROS AMIGOS: ESTA POESIA FOI TRAZIDA DE RAFAH CAMP EM 1958 { SETEMBRO   QUEM SOUBER DO AUTOR, FAVOR COMUNICAR AOS RESPONSÁVEIS PELO SITE RESPECTIVO.GRATO, OSNI PISANI. - 2º CONTINGENTE


 

Imaginemos, portanto.
Atrás um cemitério
Várias cruzes perdendo-se ao longe
Mediante aquelas cruzes
A última voz que diria assim:
Imensa formação de brancas cruzes
Desfile mortuário de fantasmas
Exótico mercado de miasmas
Expansão de ossadas e de urzes

 

Calado e mudo, queda-se o canhão.
Apenas trevas cobrem esta amplidão
Que outrora foi um campo de batalha
Calada e muda queda-se a metralha
É morta na garganta a voz do adeus
O sabre nos reluz dilacerado
E ensangüentando a terra

 

A paz voltou. É terminada a guerra
Os heróis tombaram nas alturas
Os feitos bravos, feitos olvidados
Tudo hoje relegados
Nada mais resta, apenas sepulturas.
Cruzes iguais, terrivelmente iguais.
Exército que cresce mais e mais
O festim diabólico da morte

 

Aqui jaz um covarde, ali um forte.
Aqui tombou um estranho
Ali estou eu, mas ninguém sabe.
Como que morreu
Nem todas hoje lembram dos soldados
Estão longe, bem longe sepultados.
Minha mãe?!
Minha querida mãe
Se tu soubesses
Que teu nome adornei com flores
E essas flores foram minhas preces
Preces colhidas no jardim das dores Minha querida mãe
Se te contasse
O medo que senti sem teu carinho
Um medo horrível de morrer sozinho
O medo mesmo que o medo me matasse

 

 

 

 

Mas deixei meu abrigo e avancei
Ouvi julgado pela morte a cada passo
Ouvi o sibilar dos estilhaços e parei
Pensei em ti e...continuei
Minha querida mãe
Se te dissesse
Por onde derrubou-me uma granada
E atirou-me na terra ensangüentada
Foi por ti que chamei desesperado
Por um momento eu deixei de ser /soldado 
E novamente era uma criança
Senti na morte uma esperança
De ainda adormecer no teu regaço

 

Minha querida noiva, por que choras?
Lembras-te por certo as boas horas
Que passamos juntos
Só nós dois. Íamos casar, lembras-te?
E depois?
Depois uma casa retirada
Cortina na janela enfeitada
Tu me esperando e eu vindo do quartel

 

A nossa casa pequenino céu aberto
Vinda de um herdeiro
Meu sonho? Meu sonho derradeiro
Foi eu te beijar antes de morrer
Um golpe rude de granada
E eu beijei apenas terra ensangüentada

 

Minha mãe, minha noiva,
Aqui encerra uma história de sangue
Essa é a guerra... Não chorem
Tudo é terminado rápido
Como coisa de soldado
Mas mamãe,
Se novamente a torpe da humanidade
Na busca insana da verdade
Vibrem faces, tambores sobre a terra
Anunciando sangue de outra guerra
Se outro filho a pátria te pedir,
Sem lágrimas, mamãe, deixa-o ir

 

Embora te destrua o coração
Embora te quebre em agonia
Por favor, mamãe,
Pede a esse irmão
Que seja também de INFANTARIA

 

osnipisani <osnipisani@uol.com.br> 
Data: 9/04/2006 (18:40:50) 
Assunto: Poesia


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