Contagem regressiva


Junho, 67: eclode a Guerra dos Seis Dias

A criação do Estado de Israel em região palestina (1948) está na raiz da Guerra dos Seis Dias, mas não é sua causa única. O conflito amadureceu entre vários problemas de longa duração — muitos deles ligados apenas a questões internas dos Estados beligerantes. Tudo isso levou as nações à crise de maio de 1967. Envolvidos nessa situação, os governos nada puderam fazer para apaziguar os ânimos. Todos os esforços logo se estiolavam.

Duas correntes dominavam o mundo árabe. A ala conservadora, encabeçada pelo rei Faiçal, da Arábia Saudita, abrigava também a Jordânia, a Tunísia e pequenos países do golfo Pérsico. Entre os Estados revolucionários estavam o Egito, a Síria, o Iraque e a Argélia, quase todos de orientação socialista. O presidente Nasser, do Egito, liderava a maioria dos avanços do grupo revolucionário na década de 50. A humilhação que impusera, em 1956, aos governos da França e da Grã-Bretanha na questão do canal de Suez, e sua participação ativa, em nível mundial, como um dos líderes dos países não-alinhados contribuíram para aumentar seu prestígio. Mas os anos 60 lhe trariam desafios vindos de muitas direções. A República Árabe Unida (RAU), federação dos estados sírio e egípcio, desfez-se em 1961, e o novo governo militar da Síria passou a denunciar a ineficácia de Nasser no combate a Israel. Além disso, a tentativa do presidente egípcio de sustentar o regime revolucionário do Iêmen acabaria por envolvê-lo numa longa campanha contra os monarquistas apoiados pela Arábia. Para completar, malogravam no Egito todas as promessas de progresso econômico; ao contrário, o país se via atolado em crescente endividamento externo.

Desde 1956, quando forças de Israel invadiram o Egito a leste de Suez, ocupando por algum tempo a península do Sinai e a faixa de Gaza, Nasser contentava-se em protelar a questão israelense. Entre 1964 e 1965, encabeçou uma série de conferências com a cúpula dos países árabes, que em geral eram favoráveis a soluções a longo prazo para o problema. Criou-se o Alto-Comando Unificado Árabe, sob a direção de um general egípcio que declarou não haver nenhuma perspectiva de ação militar imediata.

Graças a Faiçal e ao petróleo da Arábia Saudita, os Estados conservadores começavam a ganhar influência. Mas não tinham muito tempo para Nasser, suspeito de apoiar grupos de oposição. Desses Estados, o mais vulnerável era a Jordânia, dividida entre os palestinos do oeste e os beduínos do restante do país. O rei Hussein podia contar apenas com a lealdade dos beduínos e teve de enfrentar várias tentativas de golpe.

Guerrilhas e ataques preventivos

Outra corrente árabe surgiu de uma entidade palestina no alto escalão do Cairo, em janeiro de 1964: a futura Organização pela Libertação da Palestina (OLP). A OLP montou um exército de libertação baseado em Gaza, no Egito, e armado pelos egípcios. Mas recebeu pouco apoio dos outros Estados árabes. A Síria, desconfiando da influência egípcia na OLP, criou a Al Fatah, que iniciou uma série de investidas guerrilheiras contra Israel.

Essa seqüência de ataques acarretou inúmeros problemas políticos e de segurança ao governo israelense de Levi Eshkol. Os partidos de oposição criticavam o primeiro-ministro por sua inatividade ante os ataques da Al Fatah e da artilharia Síria contra as possessões do norte. Eshkol temia uma retaliação que comprometesse o apoio dos Estados Unidos ou despertasse decisiva assistência soviética aos países árabes. Mas não pôde resistir às pressões por um confronto bélico. Pior ainda, o credo militar israelense não ensejava meras ações defensivas. Diante da vulnerabilidade de seu pequeno país, os israelenses acreditavam apenas na luta em campo inimigo, por meio de "ataques preventivos". Desde as primeiras incursões a seu território, Israel reagira enfrentando a guerrilha em suas próprias bases nos países vizinhos. Em 1956, essa política já resultara na invasão do Sinai a pretexto de "limpar" a faixa de Gaza. Agora a situação se repetia, levando a refregas cada vez mais graves. Em 1965, Israel atacou povoados jordanianos e libaneses suspeitos de abrigar integrantes da Al Fatah. Em novembro de 1966, um batalhão israelense cruzou a fronteira da Jordânia e invadiu o povoado de Es Samu, próximo a Hebron, causando a morte de catorze jordanianos. No dia 7 de abril de 1967, um confronto de artilharia na fronteira Síria culminou na intervenção da Força Aérea israelense. Seis Mig sírios foram derrubados sem qualquer perda para Israel. A esses acontecimentos seguiram-se fortes pronunciamentos do governo de Eshkol, que, em 13 de maio, declarou que seu país responderia ‘no lugar, na hora e da maneira que bem entendesse" às violações de fronteiras.

Essa ameaça teria passado por simples retórica se não viesse acompanhada de boatos acerca de uma concentração de tropas israelenses. Os soviéticos teriam informado aos sírios que Israel concentrara mais de dez grupos de brigada contra eles. Alarmada, a Síria procurou ajuda. Nasser caíra na descrença de sírios e jordanianos por sua omissão no episódio de Es Sarna e na batalha aérea de abril. Se falhasse agora, veria esvaziada sua liderança no mundo árabe. Ao que tudo indica, o presidente egípcio acreditava em sua propaganda: a Rádio do Cairo insistia em transmitir que as Forças de Defesa israelenses eram pouco maiores que uma guarda doméstica e que ‘não podiam tornar parte em batalhas entre exércitos regulares".

O primeiro passo de Nasser foi enviar forças egípcias para o Sinai, em 16 de maio de 1967; um movimento óbvio, mas insuficiente para satisfazer as expectativas do mundo árabe. Ao mesmo tempo, o presidente egípcio pediu a retirada da Força de Emergência das Nações Unidas (FENU) de suas posições no Sinai. A FENU mantinha postos de observação ao longo de toda a fronteira entre Egito e Israel desde 1956, o que acarretava para Nasser a acusação, feita por seus críticos árabes, de esconder-se de Israel por trás dessa tropa supranacional. Seu pedido à Secretaria Geral da ONU visava, sobretudo, a silenciar esses críticos. Para Israel, no entanto. a atitude de Nasser pareceu urna evidência de que o Egito pretendia atacar o Sinai.

O fechamento do estreito

A retirada da FENU pôs o Egito em confronto direto com Israel, mas não impressionou os árabes. Em 2! de maio, a Rádio de Amã perguntava se Nasser planejava ou não fechar para Israel o estreito de Tiran, que leva ao mar Vermelho. Os israelenses haviam deixado clara sua disposição de ir à guerra para evitar esse fechamento. Tropas egípcias substituíram observadores da ONU em Sharm-el-Sheikh. dominando o estreito.

No dia 22 de maio, Nasser anunciou a proibição do tráfego de navios israelenses pelo estreito. O risco de guerra implícito em tal decisão era óbvio, mas, se ele não impusesse o bloqueio, todos os seus passos anteriores seriam encarados como mera bravata.

Israel apelou de imediato para a ajuda externa. Em 1957. Estados Unidos. Grã-Bretanha e França haviam assegurado o livre tráfego das embarcações israelenses pelo estreito de Tiran. Desta vez, contudo, as potências ocidentais adiaram seu envolvimento, tentando achar saídas diplomáticas para a crise. Os EUA encontravam-se em plena Guerra do Vietnã, enquanto França e Grã-Bretanha temiam piorar suas relações com o mundo árabe. Quando começou a ficar claro que nenhum apoio internacional efetivo seria acionado, cresceram as pressões internas em Israel por uma ação unilateral. No dia 1 de julho, Eshkol fez de Moshe Dayan seu ministro da Defesa e trouxe dois líderes da oposição, Menachem Begin e Joseph Saphir, para um governo de unidade nacional. Os recém-chegados reforçaram no gabinete a posição de que a única saída para Israel era desencadear a guerra.

No mundo árabe, a popularidade de Nasser ganhou nova vitalidade com o fechamento do estreito. Entusiásticas manifestações anti-israelenses espalharam-se por todos os países árabes. Mas essa aparência de unidade não duraria muito tempo. Em 23 de maio, após o bombardeio terrorista de uma cidade de seu território, a Jordânia rompeu relações com a Síria. No entanto, diante da precariedade crescente da sua posição, o rei Hussein, da Jordânia, viu-se obrigado a recorrer ao Egito. Em 30 de maio ele voou para o Cairo a fim de assinar um pacto de defesa mútua, que previa ações militares conjuntas sob o comando de um general egípcio e com participação Síria. Em poucos dias o Iraque juntava-se às operações e sues forças marchavam para a Jordânia. A Arábia Saudita posicionou brigadas blindadas a sua fronteira com a Jordânia, no intuito de aproxima-las ao máximo de Israel. A Argélia anunciou que enviaria uma brigada ao Egito. A força no Sinai chegou a atingir um contingente de sete divisões - 10.000 homens.

Solenes pronunciamentos de intimidação seguiram-se a todos esses movimentos diplomáticos e militares. No dia 28 de maio, o líder da OLP Ahmad Chukciry declarou: "Chegamos à hora H... O Exército da RAU sozinho está apto a aniquilar o agressor israelense em poucas horas".

Em 29 de maio, era Nasser quem anunciava o término dos preparativos. "Agora estamos prontos para enfrentar os israelenses", afirmou ele, acrescentando que o motivo não era apenas o estreito de Tiran, mas "a questão palestina como um todo". As rádios árabes faziam ameaças sistemáticas a Israel. Nasser pretendia atacar, mas parecia tão confiante na inferioridade dos israelenses que estava disposto a permitir que eles começassem a guerra e arcassem com a condenação internacional. Além disso, supunha que os egípcios estavam preparados para derrotar Israel.

Os israelenses não pretendiam nem podiam dar a Nasser o benefício da dúvida. Viram crescer o coro da animosidade e os contingentes árabes junto a suas fronteiras. As Forças Armadas de Israel foram completamente mobilizadas a partir do final de maio, mas não podiam manter-se reunidas sem prejuízo da economia. Em 4 de junho, o Alto-Comando estava pronto a convencer o gabinete de que a guerra viria e, do ponto de vista de Israel, era melhor que viesse o mais rápido possível.

Ataque relâmpago

Israel destrói no solo aviões egípcios

Principal adversário de Israel em 1967, o Egito de Nasser contava com poderio aéreo nitidamente superior, graças aos 450 aviões de combate fornecidos pela União Soviética. Além disso, as forças aéreas da Síria, Jordânia, Iraque e Líbano podiam mobilizar mais 370 aparelhos para reforçar a frota conjunta dos países árabes.

Por outro lado, a Força Aérea Israelense (FAI) tinha aproximadamente duzentas aeronaves. Havia também um único esquadrão de bombardeiros birreatores e mais de setenta jatos de treinamento, que eram utilizados em missões mais leves de ataque. Essa força totalizava 297 aparelhos, número esse que nunca estava disponível numa única operação.

A FAI compensava sua inferioridade numérica com o prestígio. a motivação e o treinamento de seus pilotos, fatores que a colocavam em vantagem diante das tripulações egípcias. Treinadas sob os rígidos e automatizantes padrões da Força Aérea soviética, estas demonstravam menos iniciativa e agressividade em combate.

O plano de destruir a Força Aérea egípcia em suas próprias bases que abriu a Guerra dos Seis Dias -- só teria sucesso se os pilotos israelenses pudessem coordenar os seus ataques. Como eles partiriam de diversas bases e pilotando aeronaves com velocidades de cruzeiro diferentes, essa exigência mostrou-se mais difícil do que se podia supor. Para surpreender os egípcios antes que pudessem defender-se, era indispensável que os ataques ocorressem todos ao mesmo tempo.

Havia outro problema: para evitar os radares inimigos, era necessário voar baixo em todo o percurso, o que dificultava bastante a navegação, O ataque inicial foi cuidadosamente planejado para apanhar os egípcios desprevenidos. Sabia-se que seus caças estavam em estado de alerta contra um possível ataque matinal e que havia patrulhamento aéreo nesse período.

Atacando às 8h45 (horário do Egito), os israelenses acreditavam que as patrulhas aéreas já teriam aterrissado e o alerta dos caças em terra já estaria encerrado. Além disso, os oficiais egípcios não chegariam a seus postos antes das 9h, ou seja, 15 minutos depois dos primeiros reides.

Em 5 de junho de 1967, os esquadrões de Mystêre e Ouragan atacaram as quatro principais bases egípcias do Sinai: Bir Gifgafa, Bir Themada, El Arish e Jebel Libni. As duas últimas tiveram suas pistas poupadas da destruição, porque os israelenses confiavam em que logo suas forças terrestres estariam invadindo o leste do Sinai, e então essas bases seriam úteis à própria FAI.

O vôo rumo aos alvos cumpriu uma rota direta a partir das bases aéreas ao sul de Israel. Os esquadrões que atacaram as bases da zona do canal, deita do Nilo e Cairo sobrevoaram uma vasta extensão do Mediterrâneo antes de atingir a costa egípcia. Assim, eles surgiram sobre seus alvos vindos de uma direção inesperada, despontando no horizonte a favor do sol.

Os aviões egípcios se achavam alinhados no solo sem qualquer chance de ser dispersos a tempo, e inúmeros aparelhos foram destruídos em total imobilidade pelos projéteis e foguetes israelenses.

A claridade e as boas condições atmosféricas do amanhecer asseguraram aos pilotos israelenses condições muito favoráveis de mira e disparo, especialmente pela ausência de turbulências provocadas pelo calor, freqüentes em vôos sobre o deserto.

As pistas do inimigo eram o alvo prioritário dos israelenses: esburacá-las significava paralisar a Força Aérea egípcia no solo e completar facilmente a operação. Voando em formações de quatro aeronaves, os israelenses atacavam em série. Devido ao prolongado trajeto e à necessidade de voar baixo, com maior consumo de combustível, os caças foram equipados com tanques suplementares. Isso reduziu a capacidade de carga de bombas, levando aos armamentos embutidos (canhões e metralhadoras). Na medida em que completavam suas missões, retornavam a Israel para reabastecimento e rearmamento. Uma hora depois, já estavam prontos para nova missão.

Completando a destruição

As dez bases escolhidas para as primeiras surtidas eram os campos mais importantes da Força egípcia. No entanto, para completar o trabalho de destruição era necessário atacar outras. Duas no Alto Egito Ras Banas, no mar Verme Luxor estavam fora do raio de ação dos caças israelenses. Um reide a longa distância foi organizado contra elas. Partindo de Ramat David e Hatzerim, um esquadrão de birreatores voou sobre o golfo de Ácaba e o mar Vermelho para atingir seus alvos. Em duas horas a Força Aérea egípcia estava destruída e Israel pôde preocupar-se com as forças aéreas dos demais países árabes e com a defesa em terra.

As 11h do mesmo dia 5 de junho de 1967, a Força Aérea da Jordânia atacou a base israelense de Kfar Sirkin. A FAI contra-atacou, devastando as bases jordanianas de Mafraq e Amã. A Força Aérea também realizou uma incursão, bombardeando refinarias de petróleo de Haifa. Novamente, revidou, investindo contra bases sírias e destruiu 45 de seus 142 aviões.

As operações israelenses daquela jornada alcançaram pleno êxito. Dos 254 aviões egípcios eliminados na Guerra dos Seis Dias, 240 foram vencidos no primeiro dia de combate. Ainda no dia 5, cerca de mil vôos foram realizados pela FAI, com a perda de apenas vinte aeronaves. A supremacia aérea de Israel não ameaçada nem mesmo quando a Força Aérea argelina enviou uma esquadrilha de Mig 21 para combater no Sinai. A partir de então, a Guerra dos Seis Dias foi resolvida em terra.

No dia seguinte, 6 de junho, a FAI colaborava com o avanço do Exército, destruindo centenas de veículos das forças egípcias que se encontravam no passo de Mitla, no Sinai. A virtual extinção da aviação inimiga permitiu aos israelenses o transporte aéreo de suas tropas e o emprego de helicópteros em apoio a suas forças nas operações de ataque atrás das linhas egípcias.

No fim da Guerra dos Seis Dias, as contas eram claras: a FAI destruíra cerca de 350 aviões árabes, perdendo apenas 31 dos seus.

A guerra nas sombras

Mossad: o serviço secreto israelense

Cercado desde a sua fundação, em 1948, por hostis vizinhos árabes, Israel praticamente nasceu com um ótimo serviço de informações. Mesmo antes de 1948, os líderes judaicos na Palestina já reconheciam a importância desse trabalho. Em 1930, a Haganah — força de defesa da comunidade judaica na Palestina — montou um aparelho de inteligência extra-oficial para conseguir informações sobre os planos do governo mandatário britânico, bem como sobre os árabes, que recrudesciam em suas atividades contra os colonos judeus. A par disso, funcionários judeus empregados pela administração inglesa aprendiam muito a respeito de espionagem e serviço secreto com autoridades policiais e militares britânicas.

Após a Segunda Guerra Mundial, os sionistas estavam prontos para novamente empenhar-se na expulsão dos britânicos da Palestina e na fundação de seu Estado independente. Além de operar dentro do próprio governo, a Haganah construíra uma organização para trazer ilegalmente à Palestina os judeus desterrados da Europa e do Norte da África. Enquanto isso, na Europa e nos Estados Unidos, agentes israelenses ocupavam-se da compra e envio secreto de armas à Palestina.

Após a formação do Estado de Israel, seu serviço de informações foi reestruturado, ficando constituído por três segmentos principais. O primeiro, o Diretório de Inteligência Militar, conhecido por Aman (de Agaf Modlin, ou Bureau de informações), responsabilizava-se pela coleta de informações militares no exterior. Ao segundo, o Shin Beth (abreviatura de Shereth Bitakhon, ou Serviço de Segurança), couberam as missões de contra-espionagem e a supervisão geral de todas as atividades da inteligência. O terceiro segmento era o Mossad, ou Mossad Le Aliyah Beth (Instituto de Inteligência e Serviços Especiais), a mais antiga das organizações israelenses desse gênero e responsável por operações no mundo inteiro.

As atividades dos três segmentos são coordenadas pelo diretor do serviço, denominado Memuneh, que responde apenas ao primeiro-ministro e ao Knesset (Parlamento).

Uma das primeiras operações de vulto do Mossad sucedeu na esteira dos crescentes conflitos locais entre Israel e seu vizinho Egito. No entanto, o "caso Lavon" — como ficou conhecido o episódio após a renúncia forçada do ministro da Defesa israelense Pinchas Lavon, em 1955—revelou-se um completo desastre para Israel.

A chamada Operação Suzanne se baseava na suspeita de que, com a saída dos britânicos do Egito, programada para 1956, os americanos dariam apoio a Nasser, visto como um "baluarte contra o comunismo". A operação, concebida em 1954, pretendia demonstrar aos EUA e à Grã-Bretanha o grau de hostilidade que movia os revolucionários egípcios.

Era um plano cruel: agentes israelenses organizariam ataques às propriedades britânicas e americanas no Egito, mas a responsabilidade seria atribuída aos comunistas egípcios ou aos radicais de direita da Irmandade Islamita. Isso desencadearia uma desordem civil, o governo cairia em descrédito, o Ocidente retiraria seu apoio e, finalmente, os britânicos permaneceriam no Egito.

Tal missão seria entregue a uma seção de serviço especial cognominada Unidade 131. Lavon, que ascendera recentemente ao cargo de ministro da Defesa e tinha pouca experiência em assuntos militares, apoiou com entusiasmo a conspiração. O plano redundou em fracasso total e a rede de espionagem israelense no Cairo e em Alexandria, que levara anos para ser montada, foi destruída.

Lotz e Cohen

Mas, para compensar o caso Lavon, lances brilhantes são creditados ao Mossad; dois deles, inclusive, fruto significativo do trabalho de talentos individuais: Wolfgang Lotz e Elie Cohen.

Lotz era um alemão que ainda garoto emigrara para a Palestina. Junto ao Mossad, tornou-se o homem ideal para infiltrar-se na alta sociedade egípcia e ganhar a confiança dos principais líderes militares do país.

Foi extraordinário o êxito de Lotz. Rapidamente se transformou em figura popular, espécie de playboy na sociedade do Cairo. Graças às festas que oferecia, aos generosos presentes que distribuía e à escola de equitação que fundara, construiu sólida convivência com os oficiais egípcios da inteligência, do Exército, da polícia e do governo. Assim, transmitia todos os dias a Telavive uma torrente de informações sobre o programa armamentista do Egito, valendo-se de um rádio oculto em seu apartamento.

Um dia, em fevereiro de 1965, ao retomar a sua residência, Lotz foi surpreendido por oficiais de segurança egípcios que o aguardavam. Fim de jogo: estava preso o "espião do champanha". Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Lotz e a equipe de Lavon foram libertados em troca de quinhentos prisioneiros de guerra egípcios, entre os quais nove generais.

Tarefa mais difícil que a de Lotz coube a Elie Cohen, outra celebridade do serviço de informações israelense. Cohen nascera no Egito, filho de judeus sírios que para lá emigraram antes da Segunda Guerra Mundial. Permaneceu naquele país até pouco tempo depois da campanha de Suez, em 1956, quando se mudou para Israel. Para o Mossad, Cohen tinha a vantagem de passar facilmente por árabe.

Assim, Elie Cohen transformou-se em Kamal Amin Tabet, filho de sírios, nascido em Beirute, que emigrara com os pais em 1933 para o Egito e, posteriormente, em 1947, para a Argentina, onde, como comerciante, teria enriquecido. No final de 1960, Cohen já estava pronto para a ação. No ano seguinte, desembarcava em Buenos Aires e logo formava um círculo de amizades entre os muitos comerciantes sírios da cidade. Finalmente, em 1962, partiu para a Síria. Bastou-lhe pouco tempo para ser aceito nos altos escalões da sociedade de Damasco e fazer amigos entre os militares e políticos sírios. Bem relacionado, tomou-se anfitrião conhecido, locutor da rádio Síria e militante ativo do partido dominante, o Baath.

Durante três anos Cohen transitou livremente nos círculos governamentais sírios, obtendo a maior quantidade de informações possível. Nesse período, forneceu às autoridades israelenses um quadro completo das fortificações da Síria nas colinas de Golan, os pormenores do plano de desviar para longe de Israel as águas do rio Jordão, especificações dos armamentos soviéticos vendidos à Síria e todo o programa militar sírio.

Contudo, tal como acontecera a Lotz, Cohen foi apanhado. Em 1965, viu-se flagrado e preso em seu apartamento por agentes da contra-espionagem síria no momento em que fazia uma de suas transmissões. Foi condenado à morte, de nada valendo a oferta israelense de 1 milhão de dólares por sua libertação.

Embora notáveis, os feitos de Lotz e Cohen representam apenas uma parcela da imensa contribuição do serviço secreto israelense à rápida vitória na Guerra dos Seis Dias. Mais que isso, essa vitória resultou diretamente do engenhoso trabalho do serviço de informações. Em junho de 1967, quando a guerra começou, nenhum detalhe importante sobre as Forças Armadas árabes era desconhecido pelo Alto-Comando de Israel. O serviço de informações israelense estava então no melhor de sua forma, graças principalmente ao empenho particular de três homens: o general Aharon ("Ahrele") Yariv /chefe da inteligência militar; o general Meir Amit chefe do Mossad; e Yuval Neeman, ao mesmo teto um renomado cientista e soldado experiente.

Amit já havia dirigido a inteligência militar (Aman) e sua missão prioritária era acabar com a rivalidade entre o Mossad e a Aman. Yariv, que havia sido assessor de Amit na Aman, foi indicado para sucedê-lo e, com base no conhecimento e respeito recíproco dos dois homens, abriu-se o caminho para uma produtiva colaboração dos dois serviços. Mas seus esforços conjuntos não teriam levado a inteligência israelense a vôos mais altos, não fosse a presença do previdente e empreendedor Yuval Neeman.

Emprestando seus conhecimentos científicos à inteligência militar, a maior contribuição de Neeman foi antever, no começo dos anos 50, o papel-chave que desempenhariam os computadores na coleta e análise das informações.

Durante a Guerra dos Seis Dias ficou patente a eficiência da reforma de Neeman quando a Força Aérea Israelense eliminou toda a aviação do Egito, Síria e Jordânia em questão de horas. Isso só foi possível com as informações detalhadas que a inteligência de Israel forneceu sobre as posições de todas as bases e aeronaves egípcias. Também o horário de ataque foi rigorosamente estudado pelo serviço secreto, que constatou ser maior a vulnerabilidade egípcia entre 7h30 e 8h da manhã (pelo horário de Israel).

Com efeito, a essa hora os operadores de radar estariam cansados, no final do turno da noite; as tripulações estariam deixando displicentemente o refeitório após o café da manhã para vestir o uniforme de vôo; o pessoal de terra estaria começando a retirar os aviões dos hangares para os serviços de rotina; e, no Cairo, os oficiais, em sua maioria, ainda estariam enfrentando os congestionamentos de trânsito a caminho de seus postos. Yariv tinha razão ao escolher o horário de 7h45 (8h45 no Egito) para a primeira série de ataques.

Nas décadas de 70 e 80, os serviços de informação de Israel expandiram-se para enfrentar a ação da OLP e a ameaça dos avanços tecnológicos do mundo árabe — particularmente a possibilidade de uma bomba atômica árabe. Foi a suspeita de concretização dessa possibilidade que levou Israel a atacar na primeira oportunidade, em 7 de junho de 1981, durante a Guerra do Golfo, o centro nuclear de Tamuz, no Iraque

Sinai 67: o início

Preparativos para a Guerra dos Seis Dias

Até maio de 1967, nada indicava que eclodiria um dramático conflito no Oriente Médio. Havia, de fato. uma crise permanente, latente e perigosa, mas nos últimos anos as contradições mais gritantes tinham sido contornadas sem grande dificuldade. O governo de Israel dava mostras de ser menos belicoso e estava imerso em crise econômica.

O poder na Síria, que passara para as mãos dos coronéis Salah Jadid e Hafez ai Assad, assumia contornos agressivos a respeito da política de Israel e da questão palestina, que manipulava conforme seus interesses. Mas foram os ataques esporádicos da Al Fatah a partir do território sírio contra as colônias e kibutzim israelenses próximos da fronteira que precipitaram a Guerra dos Seis Dias. E o Egito, cuja economia apresentava um péssimo desempenho, aderiria em pouco tempo à retórica da guerra.

Enquanto cresciam as tensões entre Israel e seus inimigos árabes no mês de maio de 1967, ambos mobilizaram às pressas seus homens e equipamentos. As lembranças da campanha do Sinai de 1956 ainda estavam bem vivas, e os comandantes dos exércitos de Israel e do Egito deslocaram pesados contingentes.

A distribuição das tropas egípcias no Sinai assemelhou-se muito à de 1956, embora as posições fortificadas fossem mais sólidas e o número de soldados envolvidos, cerca de 100.000, muito superior. As posições eram basicamente defensivas e o comandante-chefe egípcio na frente do Sinai, general Abdel Mohsen Mortagui. esperava que os israelenses atacassem primeiro. Por outro lado, Mortagui era um aplicado seguidor da batalha de montagem de peças do marechal britânico Bernard Montgomery; era também influenciado por uma concepção do Exército Vermelho que pregava a defesa em profundidade, para desgastar a forçado agressor, seguida de um maciço contra-ataque com blindados.

Essa estratégia era uma reminiscência das operações de Kursk em 1943, que puseram fim às ambições da Alemanha na União Soviética. Dado que — ao contrário de sua coragem e motivação — os sistemas de comando, controle e comunicação do Exército egípcio e também seu nível de treinamento eram menos sofisticados que os das tropas israelenses, essa estratégia poderia parecer bastante razoável. Mas a validade do controle de extensões de puro deserto já havia sido várias vezes questionada, desde as batalhas de Sidi Barrani, em 1940, até a derrota do Sinai, em 1956. Mortagui estava ciente de que, em termos militares, seria mais correto estabelecer sua zona de defesa no Sinai ocidental. Mas isso significaria abandonar a faixa de Gaza e El Arish. Como o prestígio nacional estava em jogo, uma decisão dessa natureza não podia ser cogitada.

Em 4 de junho. Mortagui tinha sete divisões junto à fronteira ou em sua proximidade. Na faixa de Gaza estava a 20a Divisão de infantaria (palestina), com cinqüenta carros de combate Sherrnan, comandada pelo general Mohammed Hasni; Rafia. o desfiladeiro de Jiradi e El Arish estavam guarnecidos pela 72ª Divisão de infantaria, do general Abdel Aziz Souman, com cem carros de combate 134/85 e Josef Stalin (IS) 111; a zona fortificada de Abu Aweigila — Um-Katef era defendida pela 2.’ Divisão de Infantaria, do general Sadi Naguib, com cem T34/85 e T54 e a 3." Divisão de Infantaria, também com cem T34/85 e T54, comandada pelo general Osman Nas-ser, colocou-se atrás da 2.’ Infantaria, em Jebel Lihni. Ao sul, o eixo El Kuntilla El Thamad — Nakhl. ao longo do qual os pára-quedistas do general Anel Sharon haviam avançado em direção ao desfiladeiro de Mitla em 1956, encontrava-se sob a proteção da 6.’ Divisão Mecanizada, com cem carros de combate 134/85 e T54, comandada pelo general Ahdel Kader Hassan. A principal força de contra-ataque, equipada com duzentos 155 e baseada em Bir Gifgafa. era a 4.ª Divisão Blindada, grupo de elite comandado pelo general Sidki ei Ghoul. Outro grupo blindado, chamado Força-Tarefa Shazli (em homenagem a seu comandante, o general Saad ei Din Shazli), estava equipado com 150 T55 e colocou-se na fronteira, entre El Quseima e El Kuntilla.

Mortagui fizera o possível para evitar uma vitória fácil, como a conquistada pelos israelenses em 1956, mas a distribuição de suas tropas tinha sérias falhas. Ao todo, a frente do Sinai contava com 950 carros de combate e tanques-destróieres (trezentos 134/85, quatrocentos 154/55, cem ISIII, cinqüenta Sherman e cem SU-lOO), incluindo 150 na reserva imediata. Mas apenas 350 desses carros de combate estavam servindo em formações blindadas.

Mais uma vez, a violência do ataque israelense recairia sobre os Sherman e 134, mais velhos e obsoletos. Mas uma questão ficava sem resposta: colocados fora dos setores mais perigosos, poderiam os modernos T55 intervir a tempo? O próprio 155, armado com um canhão de 100 mm, dispunha de razoável combinação de poder de fogo, proteção e mobilidade e era uma máquina simples de operar; seu projeto, porém, tendia a desconhecer o fator humano, de modo que o municiador rapidamente ficava exausto devido à falta de espaço.

Sinai 67: o ataque

O início da Operação Lençol Vermelho deveria coincidir com o ataque da Força Aérea Israelense (FAI) às bases aéreas egípcias. Em 5 de junho de 1967, a divisão blindada do general Israel Tal e a brigada de pára-quedistas do coronel Raphael Eitan separaram-se no extremo sul da faixa de Gaza. Seus objetivos eram Rafia e Khan Yunis. Mas os egípcios cavaram fossos antitanque em torno das estradas principais, minaram diversas áreas, camuflaram suas próprias posições e receberam os carros de combate israelenses com fogo pesado.

A 7.ª’ Brigada Blindada da divisão de Tal, comandada pelo coronel Shmuel Gonen, consistia em um batalhão de carros de combate Centurion, outro de M48 Patton e um terceiro, misto, de Sherman e AMXI3. A frente da batalha, Gonen dirigiu suas unidades mais pesadas para Khan Yunis e em seguida para Rafia, sofrendo baixas mas vencendo o combate.

Nesse ínterim, os pára-quedistas comandados por Eitan eram atacados por pesado fogo de artilharia. Os principais aviões de combate da FAI estavam ocupados em outras tarefas; mas, conscientes da importância das operações na faixa de Gaza, a aviação bombardeou posições de artilharia egípcia com jatos Fouga Magister. O general Tal, por sua vez, não tinha condições de varrer Gaza e capturá-la. Isso caberia aos coronéis Eitan e Amnon Reshef.

A missão de Tal exigia que suas tropas surgissem o mais breve possível na estrada costeira, na direção oeste. Pouco mais tarde, naquela manhã, a 7.ª Brigada Blindada capturou o importante entroncamento rodoviário a sudoeste de Rafia, mas sofreu um contra-ataque dos blindados da 7.ª Divisão egípcia, sobretudo dos carros de combate 15111, inadequados para ações rápidas. Enfrentados pelos Centurion israelenses e cercados pelos Patton, por volta do meio-dia estavam reduzidos a cascos em chamas.

Gonen repôs rapidamente seus homens em marcha, apanhou de surpresa os defensores do desfiladeiro de Jiradi e avançou sem se deter, mantendo-os sob o fogo da artilharia. Quando o batalhão de Patton irrompeu pelo desfiladeiro, os egípcios resistiram, infligindo-lhe baixas, mas não detiveram o avanço dos israelenses, que pouco depois tomavam Ei Arish. O desfiladeiro de Jiradi só foi controlado pelo Exército israelense após quatro horas de luta.

Mais ao sul, a divisão blindada do general Avraham YotIe também cruzara a fronteira rumo a oeste durante o dia. Ao entardecer, seus 25 carros de combate Centurion se haviam colocado em posição de emboscada junto ao entroncamento rodoviário de Bir Lahfan. Corno era esperado, a 4.ª Divisão Blindada egípcia, do general Ghoul, lançaria um contra-ataque em El Arish e cruzaria o entroncamento. Ghoui passou o dia preparando-se para um ataque ao amanhecer. Sua coluna, composta por uma brigada de T55 e uma brigada de infantaria mecanizada, seria descoberta quando se aproximava do entroncamento de Bir Lahfan às 23h. A artilharia de Yoffe teve tempo suficiente para assestar armas e abrir fogo a uma distância que permitia perfurar os blindados inimigos. Em minutos, catorze T55 se desfizeram em chamas, assim corno vários caminhões de munição e combustível. Só um Centurion israelense foi atingido. Informado do confronto, Tal enviou a 7.ª Brigada Blindada, que obrigou os remanescentes das torças de Ghoul a bater em retirada na direção de Jehel Lihni.

A divisão blindada do general Anel Sharon capturara a fortaleza de Abu Aweigila, no deserto, em luta épica e ardilosa. Seu bombardeio, desencadeado na noite de 5 de junho — o mais pesado já feito pelas tropas de Israel até aquele dia —, envolveu dois batalhões com canhões de 25 libras, um batalhão com obuseiros de 155 mm, outro com morteiros de 160 mm e mais dois com morteiros de 120 mm. Quando a artilharia egípcia respondeu ao fogo, Sharon lançou sua cartada decisiva: um batalhão de pára-quedistas foi transportado por helicópteros à retaguarda dos canhões inimigos e os atacou. A infantaria israelense, equipada com luzes coloridas para indicar seu avanço, penetrou entre as defesas a leste com o apoio de tanques Sherman; a oeste o batalhão de Ceturion guarnecia os pára-quedistas.

Na manhã de 6 de junho, o general Yeshayahu Gavish, chefe do Comando Sul, reuniu-se com três comandantes de divisão para traçar a estratégia futura. Tal e Yoffe deveriam controlar três desfiladeiros — Tassa, Giddi e Mitla —, abandonando o platô do Sinai rumo ao canal de Suez. Ao norte, um dos grupos da brigada de Tal prosseguiria seu avanço a oeste, partindo de Ei Arish também rumo ao canal. Outro grupo, apoiado por Yoffe — cujo principal objetivo era o desfiladeiro de Mitla —, deveria eliminar a 3ª Divisão de Infantaria inimiga em Jebel Libni e os remanescentes da 4.ª Divisão Blindada de Ghoul. Sharon tinha ainda algumas tarefas nas proximidades de Abu Aweigila, mas logo que as completasse avançaria para o sul, rumo a Nakhl, e empurraria os egípcios da Força-Tarefa Shazli e da 6ª Divisão Mecanizada para a posição bloqueada que Yoffe estabeleceria no desfiladeiro de Mitla.

Devido à exaustão das tropas israelenses, foram modestas as operações em 6 de junho. No dia seguinte, porém, recrudesceram os combates. O grupo da costa, comandado pelo coronel Israel Granit, recebeu reforços de pára-quedistas de Eitan, após a queda de Gaza. O general egípcio Mortagui reconheceu a vulnerabilidade desse eixo e, a seu pedido, reforços blindados foram enviados para bloquear o canal. O grupo de combate de Granit encontrou-os entre Romani e El Qantara. O coronel israelense deteve seus tanques e abriu duelo a longa distância com os blindados inimigos, enquanto os carros com meias-lagartas dos pára-quedistas e jipes equipados com canhões sem recuo se deslocavam para atacar o inimigo pelo flanco. Apanhados entre dois fogos, os carros de combate egípcios foram destruídos e Granit tornou-se o primeiro a chegar ao canal.

A linha de avanço de Yoffe rumo ao desfiladeiro de Mitla, para onde convergiam também os remanescentes do Exército de Mortagui, levou-o a passar por Bir Hasana e Bir Thernada. Sua guarda avançada, comandada pelo coronel Yiska Shadmi e composta por dois batalhões de Centurion e um de infantaria blindada, travou combate com colunas egípcias, abrindo caminho entre os escombros inimigos deixados pelos implacáveis ataques dos caças.

Ao atingir a entrada oriental do desfiladeiro, o grupo de Shadmi estava reduzido a nove Centurion, cinco deles rebocados. O coronel israelense bloqueou uma estrada próxima a Parker Memorial e ali rechaçou repetidas ofensivas de tropas inimigas. Em alguns dos confrontos, apenas 100 m separavam as forças de Israel e do Egito. No local, 157 carros de combate egípcios foram destruídos ou abandonados. Quando, no amanhecer de 8 de junho, chegou a outra parte da divisão do general Yoffe, rumo ao canal, os quatro Centurion que restavam a Shadmi não tinham mais condições de combater.

A 3ª Divisão de Infantaria, a 6ª Divisão Mecanizada, a Força-Tarefa Shazli e parte da 4ª Divisão Blindada do Egito foram emboscadas no desfiladeiro de Mitla. Perseguidas pelo general Sharon, foram derrotadas depois de batida sua retaguarda — uma brigada blindada e uma brigada de infantaria integrantes da 6ª Divisão Mecanizada. Sessenta carros de combate, cem canhões e trezentos veículos foram destruídos.

O ato final no drama do Sinai foi a abertura do estreito de Tiran. O general Yoffe enviou um grupo de combate para o sul da costa oeste da península, a fim de encontrar-se com uma força de pára-quedistas que saltara em Sharrn-el-Sheikh. Não houve luta, pois a guarnição egípcia já batera em retirada.

Raramente na história militar uma vitória tão ampla foi conquistada em tão breve espaço de tempo: bastaram quatro dias para desbaratar um exército de sete divisões. Cerca de 10.000 egípcios morreram e 20.000 foram feridos e 5.500 capturados; as forças de Israel destruíram quinhentos carros de combate e capturaram trezentos; 10.000 veículos de tipos diversos foram apresados.

As Margens do rio Jordão

Israelenses conquistam Jerusalém

Dos três principais exércitos árabes que participaram da Guerra dos Seis Dias, o Real Exército jordaniano foi o mais poderoso, disciplinado e adestrado. Em 4 de junho de 1967, o grosso de seus homens estava distribuído na margem oeste do rio Jordão controlada pelos jordanianos. Dois comandos egípcios uniram-se ao Exército jordaniano às vésperas da guerra, junto com o general Abdel Muneirn Riadh.

O rei Hussein, da Jordânia, tinha planos em relação ao território israelense e sabia que seu país não poderia, sozinho, enfrentar Israel. Mesmo assim, relutou muito em apoiar os outros líderes árabes para fazer a guerra. Se não apoiasse, porém, seria acusado de traidor da causa árabe, tal era a radicalização política no Oriente Médio. O primeiro-ministro Israelense Levi Eshkol estava ciente do dilema do rei. Assim, em 5 de junho, enquanto a Força Aérea Israelense (FAI) destruía a Força Aérea egípcia no solo, ele informou a Hussein, através do general Odd Bull, comandante das forças da ONU em Jerusalém, que se a Jordânia cessasse as hostilidades Israel também o faria. No entanto, durante uma conversação telefônica com o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, Hussein foi informado de que Israel sofrera importantes perdas aéreas e que divisões do Egito haviam cruzado a fronteira, entrando no deserto de Negev. Ao mesmo tempo, o marechal-de-campo Arner, comandante-chefe do Exército egípcio, fornecia ao general Riadh urna versão similar dos fatos. Sem meios de verificar o que realmente corria, o rei ordenou às 11h que sua aviação atacasse alvos além da fronteira e que a artilharia abrisse fogo ao longo da linha de frente, com baterias pesadas procurando atingir a própria Telaviv.

As forças israelenses em torno da margem oeste eram controladas pelos comandos Central e Norte, dirigidos pelos generais Uzi Narkis e David Elazar. Os israelenses alinhavam duzentos tanques contra os jordanianos, que dispunham de 250, sem contar o substancial contingente iraquiano em Mafraq.

A Jordânia tinha duas opções ofensivas. A primeira era cortar o corredor de Jerusalém, sitiando imediatamente a comunidade israelense na parte mais nova da cidade. A segunda, rumar para o Mediterrâneo, cruzando o setor norte da faixa mais estreita de Israel; tal ação isolaria a Galiléia do resto do país e a tomaria extremamente vulnerável a um ataque da Síria. No decorrer do dia, porém, a FAI não apenas eliminou a Real Força Aérea jordaniana como também bombardeou posições da Legião Árabe, com tal sucesso que uma ofensiva jordaniana se tomou cada vez mais improvável.

Além disso, a 55ª Brigada de Pára-quedistas, do general Mordechai Gur (que tivera sua descida em El Arish cancelada em decorrência da rápida conquista da cidade pelo general Israel Tal), foi liberada para operações na frente jordaniana. Vendo a balança da situação pender a seu favor, o comando geral israelense decidiu tomar a iniciativa.

A partir da planície litorânea, o terreno se eleva até as colinas da Judéia e Sarnaria e depois cai bruscamente para o vale do Jordão. Os terrenos altos, muito importantes do ponto de vista tático, estavam todos nas mãos dos jordanianos. Contudo, o Estado-Maior israelense planejou lançar duas ofensivas simultâneas sobre a margem ocidental. No centro, Jerusalém seria isolada e Jericó capturada, liquidando as tropas jordanianas de Hebron, que seriam colocadas na impossível posição de ter de lutar com as costas voltadas para o mar Morto. No Norte, uma investida a partir do vale do Jezreel sobre a margem oeste culrninaria com a captura primeiro de Jenin e depois de Nablus. ambas com importantes entroncamentos rodoviários, e por fim com o ataque às posições jordanianas restantes em Sarnaria.

Algumas lutas já se haviam travado no setor do Comando Central. Em Jerusalém, os jordanianos ocuparam o enclave que circunda o Palácio do Governo (antiga residência do alto-comissário britânico na Palestina e então sede da equipe de observação da ONU), mas após intenso fogo eles foram rechaçados pela 16ª Brigada israelense. A oeste, a brigada de infantaria do coronel Moshe Yotvat vencera os comandos egípcios (cuja missão seria atacar aeroportos e outras instalações em Israel) e capturara Latrun.

Na tarde de 5 de junho, a brigada blindada do coronel Ben-Ari avançou sobre o corredor de Jerusalém e em três pontos afastou-se da estrada para escalar as elevações ao norte. A Legião Árabe não economizara esforços para fortificar suas posições, mas estas foram bombardeadas a curta distância pelos tanques e tomadas pela infantaria. Tendo capturado a colina Radar, Ben-Ari deslocou-se para o leste ao longo da cordilheira, interceptando a estrada Jerusalém— Ramallah, isolando Jerusalém pelo norte, em posição para dominar a estrada de Jericó rumo ao leste.

A disponibilidade da 55ª Brigada de Páraquedistas. do general Gur, significava que o plano israelense poderia incluir agora a tomada de Jerusalém. Durante a noite, seus três batalhões colocaram-se entre as posições do coronel Ben-Ari e os muros da Cidade Velha. Depois de completa preparação da artilharia, as formações israelenses cruzaram suas linhas de saída na madrugada de 6 de junho, com o batalhão de tanques Sherman da 16ª Brigada na posição de apoio iluminando os objetivos com holofotes.

No decorrer da noite e no dia seguinte, as forças de Israel travaram longa e difícil batalha com uma brigada jordaniana pela posse dos subúrbios do norte e do leste de Jerusalém. Combates particular-mente selvagens ocorreram junto à Escola de Polícia e na colina da Munição. onde os defensores resistiram até o último homem. Ao cair da tarde, o comandante jordaniano. brigadeiro Ata Ali, dirigiu uma engenhosa retirada, de modo que, quando dois batalhões de pára-quedistas israelenses lançaram um ataque sobre a colina Augusta Victoria e o monte das Oliveiras, às 8h30 de 7 de junho, não encontraram resistência. O terceiro batalhão de Gur abrira caminho ao longo dos muros próximos ao Museu Rockefeller e penetrou na Cidade Velha pela Porta de Santo Estevão. As 10h atingiu o muro ocidental (Muro das Lamentações) do monte do Templo.

Durante a batalha, a 16ª Brigada continuara a varrer os subúrbios do sul da cidade, de monte Sião até a Porta do Lixo. Depois avançou rapidamente para o sul, tomando Belém, Ezyon e Hebron.

Enquanto isso, a infantaria de Yotvat avançou a partir de Latrun e substituiu a brigada blindada do coronel Ben-Ari, na elevação ao norte da cidade. Ben-Ari dirigiu-se para Ramallah e dali enviou dois batalhões para Jericó, onde a velocidade de seu ataque sufocou a limitada resistência jordaniana. Atravessando a cidade, seguiram até tomar as pontes sobre o rio Jordão, alguns quilômetros adiante.

A batalha pela tomada de Samaria foi igualmente árdua. A divisão blindada do general israelense Elad Peled começara a atacar Jenin às 1 7h de 5 de junho, tendo na vanguarda uma brigada sob o comando do coronel Moshe Bar-Kochva. No entanto, a Brigada Khaled el Walid (jordaniana), com seu batalhão de M47, ofereceu a mais obstinada resistência por toda a noite. Ao amanhecer, ainda era disputada a posse do entroncamento rodoviário de Qabatiya.

Para romper a resistência jordaniana, Peled enviou uma segunda brigada, comandada pelo coronel Uri Ram e composta sobretudo por carros de combate AMX 13, deslocando-se para leste de Jenin.

Na madrugada de 7 de junho, os tanques de ambos os lados reiniciaram os choques em Qabatiya, onde a FAI interveio de modo decisivo. A 40º. Brigada Blindada jordaniana, com sua força reduzida à metade, estava agora em sérias dificuldades, fustigada na retaguarda e com as linhas de comunicação bloqueadas pelo inimigo. O rei Hussein, abalado com a derrota das forças egípcias, ordenou urna retirada geral para a margem leste do Jordão.

Israel e Jordânia aceitaram o apelo da ONU para um cessar-fogo e as hostilidades terminaram às 20h de 7 de junho. Numa guerra que durou apenas 57 horas, Israel eliminou completamente as ameaças à margem oeste e expandiu suas fronteiras até o rio Jordão. As baixas jordanianas superaram 6.000 mortos e desaparecidos, além de um número não revelado de feridos. Já a Legião Árabe em nenhum momento se deixou abater e infligiu aos israelenses suas mais pesadas baixas sofridas durante a Guerra dos Seis Dias: 550 mortos e 2.500 feridos.

Hussein jamais esqueceria as falsas informações dos egípcios que o levaram à guerra, nem a falta do prometido apoio sírio. No segundo dia do cessar-fogo, Israel se lançava sobre o território da Síria.

Rumo a Damasco

Os combates pelas colinas de Golan

Apesar de ter desempenhado papel essencial no desencadeamento do conflito no Oriente Médio, a Síria pouco contribuiu do ponto de vista militar para apoiar seus aliados na Guerra dos Seis Dias. Na manhã de 5 de junho de 1967, sua Força Aérea realizou um ataque às refinarias de petróleo de Israel em Haifa, mas foi posta fora de combate, na mesma tarde, por um contra-ataque da Força Aérea Israelense (FAI). As atividades sírias limitaram-se então ao bombardeio de colônias judaicas na Galiléia e a ataques (rechaçados) contra kibutzim isolados.

É possível que Damasco tencionasse atacar enquanto a Força de Defesa Israelense (FDI) estivesse ocupada com o Egito e a Jordânia. Mas, depois dos desastres no Sinai e na margem oeste do Jordão, essa estratégia mudou para uma defesa passiva. O Exército sírio provavelmente não obteria sucesso onde seus aliados haviam fracassado, e talvez por isso seu Alto-Comando tenha desistido de enviar os reforços prometidos ao rei Hussein: tal medida poderiam constituir a provocação final, capaz de dar pretexto a um ataque geral de Israel à própria Síria.

A fronteira sírio-israelense, com apenas 80 km de extensão, tinha quase um terço do total coberto pelo mar da Galiléia. Ao norte ficam as colinas de Golan, que culminam no maciço do monte Hermon, com 2.750 m de altura. A Síria tanto fortificara as colinas, de onde se pode ver o território judaico, que suas casamatas eram à prova de artilharia ou ataques aéreos, e só vulneráveis a forças terrestres.

A área defensiva de Golan estava a cargo de três brigadas israelenses de infantaria e dezenas de carros de combate, enquanto os sírios reuniam 450 tanques, mantinham duzentos na reserva e sua poderosa artilharia tinha ao alcance da mira qualquer alvo potencial nas proximidades.

Israel relutara de início em lançar um ataque à Síria, pois isso poderia trazer a União Soviética para dentro do conflito. No entanto, com a derrota do Egito e da Jordânia, esse perigo deixara de existir. Decidiu-se então capturar as colinas de Golan, que serviriam como fronteira natural.

A ofensiva israelense realizou-se sob a direção do Comando Norte, do general David Elazar. Para apoiar as tropas já na região, formações com grande experiência de combate foram remanejadas do Sinai e da margem oeste. O processo continuou durante toda a batalha, até que Elazar teve sob seu comando numerosos e bem adestrados contingentes.

A mais meridional das três estradas que cruzavam as colinas de Golan estendia-se ao longo do estreito corredor de terra entre o mar da Galiléia e as posições ultrafortificadas da fronteira jordaniana; a segunda seguia em linha reta através das colinas, vindo da ponte de Bnot Yaaqov, mas era coberta por duas sólidas posições sírias; a via ao norte cruzava as escamas mais baixas do monte Hermon. Ali, Elazar decidiu lançar seu principal ataque, pois, embora a área tivesse a cobertura da cidadela de Tel Azzaziat, as defesas antitanque sírias eram menos intensas. O objetivo era abrir a rodovia, passando por Baniyas e Zaura, até Masada, e em seguida desarticular toda a frente síria. O ataque seria feito pela Brigada Golani, com a brigada blindada de Mandler a sua direita; a missão de Mandler era bombardear o complexo fortificado de Qala. No comando geral da operação ficou o general-de-brigada Dan Laner, chefe do Comando Norte.

A ofensiva foi desencadeada na manhã de 9 de junho. Ataques maciços da FAI fustigaram as defesas sírias, que pareciam manter sua capacidade de resistência. Dois batalhões da Brigada Golani, com o apoio de carros Sherman, avançaram para o norte do kibutz de Kfar Szold e escalaram as escarpas, deixando Tel Azzaziat a sua esquerda. Um ataque frontal a essa fortaleza era temerário, mas descobrira-se que Tel Azzaziat poderia cair com uma ofensiva pela retaguarda. Tal operação, no entanto, seria alvo fácil de outra posição fortificada em Tel Faher. Os israelenses decidiram avançar sobre a posição.

As tropas atacantes foram imediatamente alvejadas pela artilharia síria, enquanto os Sherman eram atingidos pelo fogo de carros de combate e canhões antitanque. Além disso, minas destruíram parte do apoio blindado israelense, mas alguns veículos conseguiram atingir o platô. Ali, o aspecto das defesas sírias revelou-se apenas aparente. Tel Faher era um viveiro de casamatas, trincheiras, ninhos de metralhadoras e posições antitanque circundadas por campos minados e três cercas duplas de arame farpado. Comandantes de batalhão, companhia e pelotão de Israel foram mortos, mas logo substituídos. A batalha estendeu-se por todo o dia e às 18h Tel Faher estava nas mãos dos israelenses. Ao mesmo tempo, o terceiro batalhão Golani abrira caminho para o norte pelo topo das colinas. Ao entardecer, lançou um ataque com o apoio de carros de combate sobre as defesas de retaguarda de Tel Azzaziat, subjugando por completo a fortaleza.

No Sul, a brigada blindada de Mandler envolvera-se numa batalha igualmente obstinada. Sua linha de frente estava próxima à da Brigada Golani. Escalaram a montanha em fila indiana, castigados pela artilharia síria. Vários carros de combate foram alijados da luta, mas seus tripulantes se juntaram ao batalhão de infantaria mecanizada que também perdera alguns veículos com meias-lagartas.

Atingindo o topo, o batalhão de carros de combate na vanguarda, comandado pelo tenente-coronel Hino, seguiu através do platô na direção sudeste, rumo a Qala. Os planos de Mandler levaram em conta que as defesas do oeste de Qala eram das mais aguerridas e só permitiam aproximação indireta, pelo norte, através de Zaura.

Devido à poeira e à fumaça levantadas pelo fogo de artilharia de ambos os lados, o batalhão de Biro não observou um vital entroncamento de trilhas e rumou direto para Qala, ficando frente a frente com as defesas sírias. Na feroz troca de fogo que se seguiu, Biro foi seriamente ferido e o comando do batalhão passou ao tenente Natti, do esquadrão de vanguarda. que continuou a atacar acreditando que o resto da brigada chegaria em breve.

Apesar de saber que cometera um erro, Mandler decidiu prosseguir no plano original com o restante da brigada. Natti continuou a atacar, mesmo sem chance de vencer. Ao cair da noite, pediu um ataque aéreo para aliviar a pressão sobre os dois carros de combate que lhe restavam. Minutos depois, Mandler lhe comunicou que a brigada estava passando por Zaura e se aproximava pelo norte. Preocupados com a perspectiva de cerco, os sírios retiraram-se de Qala nas primeiras horas da noite.

Mais ao sul, um ataque de infantaria através do rio Jordão conseguira tomar as elevações ao norte de Bnot Yaaqov, e a brigada de Ram, escalando montanhas pela segunda vez numa semana, passou adiante para capturar a vila de Rawiye. A estrada central das colinas de Golan, ligando Quneitra a Bnot Yaaqov, foi então cortada por um ataque blindado israelense pelo sudeste, isolando as unidades sírias posicionadas a Oeste.

Na manhã seguinte acelerou-se a ofensiva israelense. Nas colinas de Golan e na praia oriental do mar da Galiléia realizavam-se ações rápidas. Entre o mar e a fronteira jordaniana abria-se nova frente, controlada pela divisão do general Elad Peled, que ainda retinha parte de seus blindados, embora contasse agora sobretudo com formações de infantaria, inclusive a brigada de pára-quedistas de Gur. Um ataque por partes, com apoio aéreo maciço, garantiu a captura de Taufiq. abrindo o corredor. Os pára-quedistas foram lançados de helicóptero bem mais a frente, no vale de Yarmuk, chegando a Butrniye.

 Altas perdas

Os sírios haviam lutado com bravura no dia anterior, mas em 10 de junho de 1967 sofriam claros reveses, em parte porque a FAI dominou os céus e as tropas de solo israelenses pareciam fortalecer-se mas também porque seu próprio Alto-Comando se revelava incapaz de responder ao avanço inimigo. Atravessando um cenário já familiar de veículos destruídos ou abandonados, Mandler entrou em Quncitra sem encontrar resistência, às 14h do mesmo dia. O regime sírio temia um avanço sobre Damasco e, por meio da URSS, apelou à ONU por um cessar-fogo, obtido naquela noite.

Os combates pelas colinas de Golan custaram à Síria 2.500 mortos, 5.000 feridos e aproximadamente cem carros de combate e duzentas peças de artilharia. As baixas israelenses somaram 115 mortos e 306 feridos. As perdas materiais foram altas, mas restava a tarefa de transformar as defesas de Golan em posições seguras diante da contra-ofensiva síria que, dada a natureza das relações árabe-israelenses, mais cedo ou mais tarde deveria ocorrer.

(Colaboração Theodoro)


VOLTAR