Praia de Gaza - Por Stans Zouain Filho


 

No domingo seguinte voltamos à Gaza. Desta vez sem o antigão Alípio, na verdade, conforme rezava a Lei do Antigão Cansado, o Alípio já tinha feito mais do que devia, levando três capetas para conhecer Gaza e ainda ensinou todos os macetes possíveis. Se repetisse a dose, coitado... seus companheiros “antigões cansados” cairiam de gozações em cima dele. Claro que não nos importamos, sabíamos como proceder em Gaza, aliás, o soldado brasileiro, além de criativo, tinha grande facilidade de aprender tudo rapidamente, foi o que aconteceu no primeiro passeio.

Com toda moral alugamos um táxi e rumamos para Gaza (Tadeu, Andrade e Zouain) para conhecer a famosa Praia dos Suecos.

O nome “Praia dos Suecos” se dava pelo fato do Batalhão Sueco, um dos sete componentes da (ONU) na Faixa de Gaza, ter sua base naquela região.

Ficamos deslumbrados com o visual, já conhecíamos a praia de Rafah, ali perto do Batalhão (Campo Brasil) bonita, mas muito deserta, enquanto que a praia de Gaza além de ser mais bonita era bastante povoada.

Existiam vários quiosques onde os habibes alugavam caiaques, camas de plástico infladas, vendiam frutas, etc...

Na foto - Zouain dando um mergulho - ao lado outro brasileiro com uma cama de praia - no horizonte um navio sendo descarregado, por pequenos barcos, cheios de bagulhos  para serem vendidos em Gaza.

 

O maior dos quiosques ficava na parte de cima da falésia com uma vista muito bonita para o mar e para a praia. Era ali o nosso restaurante onde o prato principal, não me lembro bem, mas acho que era o único - espaguete com carne moída acompanhado com coca cola escrita em árabe.

Divertimo-nos bastante, alugamos caiaques e camas de praias pelo preço de dez piastras pelo dia inteiro.

Praia com tantos atrativos, onde estavam as garotas?

Mafich!   Leé!    Não estavam...

Também não havia nenhuma “Enfermeira Dinamarquesa ou Norueguesa” (ONU) como acontecia, vez ou outra, na praia de Rafah (isto é outra história que fica para uma próxima vez).

Um fato curioso, bastava andar uns 500 metros rumo norte, e lá estavam os suecos (ONU) tomando banho de sol, deitados na areia, com suas respectivas bundas brancas sem calções. Engraçado, os caras não estavam nem aí para ninguém, parecia que aquilo era a própria Suécia. Até hoje fico imaginando se os brasileiros (ONU), por molecagem, fizessem o mesmo...

 

(Na foto - Zouain com um cacho de uvas)

Haviam também Indianos (ONU) na praia, não tomavam banho de mar, apenas passeavam. Eles sempre andavam em grupos e muito bem vestidos.

Acho que os Iugoslavos (ONU) não freqüentavam a praia, provavelmente pelo fato do seu Batalhão ser muito distante de Gaza.

Já passava das três da tarde quando deixamos a praia e voltamos para o centro da cidade, um longo caminho feito à pé até o ponto de táxi que nos levaria de volta ao Batalhão. Praticamente atravessamos a cidade de ponta a ponta, passando pelo “velho conhecido” Dedo Duro, pelo foto do John... rodando por algumas lojas, até paramos para fazer compras no Zacarias: álbuns japoneses, chocolates suíços, chicletes americanos...

De volta, novamente no táxi ouvindo músicas e nos sentindo importantes! Na verdade, estávamos orgulhosos de nós mesmos pela grande façanha. A partir daquele dia já estávamos maceteados sobre Gaza...

Coisas de Suez!

 


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