FORÇA DE PAZ - Missão Suez

Escrito por Alberto Medeiros

12-01-2016

FORÇA DE PAZ - MISSÃO SUEZ

Uma ideia extremamente feliz para a humanidade foi sem dúvida a criação das forças de paz, que têm a finalidade única e exclusiva de fazer com que os povos vivam em harmonia e dentro deste clima negociem os seus conflitos, buscando o entendimento entre as nações. Tivemos a honra de participar da Força de Paz da ONU (Boinas Azuis), com armas de pequeno calibre, só usadas para defender a nossa integridade física e em casos excepcionais. Pela primeira vez no mundo, tropas eram treinadas para promover a paz. Uma vez Boina Azul, sempre Boina Azul, independentemente do posto/graduação ou condição social. Semear a paz é uma ideia nobre pela sua grandiosidade, não em absoluto restrita às forças armadas. Assim, devemos e temos a obrigação de disseminá-la pelo mundo, buscando outros adeptos,, porque não necessariamente as pessoas precisam ter usado a boina azul da ONU para buscar soluções pacíficas para conflitos e consequentemente o entendimento entre os povos, para que se possa viver com o mínimo de dignidade possível! Por isso, nossos corações se partem e nossas almas choram, quando nos deparamos com um colega ex Boina Azul da ONU, Prêmio Nobel da Paz, herói da paz, menção honrosa, condecorado pela ONU, que quando jovem arriscou sua vida em conflitos terríveis, enfrentando endemias com todos os tipos de doenças, campos minados sem mapeamento prévio, onde muitos morreram, hoje velhos, doentes e sem dinheiro para os seus medicamentos, morando em guetos ou palafitas, e que com certeza, como indigentes terão seus corpos servindo para o aprendizado dos estudantes de medicina. Este sacrifício valeu a pena? Se teu próprio País te deu as costas! Que legado deixarás para teus filhos, netos e bisnetos? Será que eles também vão querer ser Boinas Azuis se um dia for necessário? Como formamos a 1^ Força de Paz da ONU e com o status de Prêmio Nobel da Paz, com certeza abrimos o caminho para que outras forças brasileiras fossem lembradas para missões internacionais, como a que se desenvolve hoje no Haiti! Prêmio Nobel da Paz Quando voltamos ao Brasil, apesar de termos vindo de uma das regiões mais violentas e com maiores problemas sanitários do mundo, fomos excluídos sumariamente do Exército, sem exames por junta médica nem quarentena, contrariando a lei internacional. Após certo tempo, colegas morreram de tuberculose, lepra ou perderam a visão por contrair tracoma. O Exército, por sua vez, não nos deu assistência alguma, pois alegava que não éramos mais militares! Em plena ditadura militar, ficamos receosos de mover qualquer ação judicial, por conta de possíveis represálias. Apesar desses revezes, em 1988 ganhamos o Prêmio Nobel da Paz, juntamente com os companheiros de outros países que, com muito orgulho e em cerimônias solenes, condecoraram seus heróis. Outra vez ficamos no ostracismo, salvo alguns colegas de maior poder aquisitivo, que mandaram buscar as suas medalhas. Portanto, o que deveria ser uma ação coletiva para dignificar os nosso heróis, servindo de referência para as novas gerações, ficou restrito a alguns privilegiados. Se ganhamos o Prêmio Nobel era porque se tratava de uma tropa de elite, pois o Comitê Nobel do Parlamento Norueguês é avesso a qualquer influência para definir os seus prêmios. Se ganhamos é porque realmente merecemos! Não entendemos esta indiferença em relação a nós do Batalhão Suez. O que deveria ser motivo de orgulho e alegria para a pátria, passou a ser um silêncio sepulcral. Em conversa com um canadense, irmão de missão, o mesmo me perguntou o porquê da indiferença. Respondi, com sinceridade: não sei.

 Alberto Medeiros 18º Contingente do Batalhão Suez

18º CONTINGENTE DO BTL SUEZ

(81) 9 8572 5163 OI

(81) 9 9582 6285 TIM

 

 

Voltar ao início