Formatura - 15 de Junho - Palavras   

Enviado por Sergio Luiz Dias - ABIBS-RS

19-06-2018

 

INAUGURAÇAO DO ESPAÇO CULTURAL “SOLDADOS DA PAZ”

-Sr. Cel R/1 Mauro Pinto, antigo integrante do 18° BIMtz (Batalhão Passo do Pátria);

-Sr. TC Grala, Comandante do 16º GAP AP;

-Sr. Sérgio Luiz Dias, Presidente da Comissão de Outorgas da Associação Brasileira de Integrantes do Batalhão Suez - Seção RS (ABIBS-RS);

-Ilustres membros da ABIBS-RS;

-Minhas senhoras e meus senhores;

-Oficiais, ST, Sgt, Cb e Sd do Btl, meus comandados:

Bom dia!

Hoje é um dia especial para todos nós. E por que não dizer, um dia histórico: comemoramos o Dia Internacional dos “Peacekeepers” (ou Boinas Azuis), o qual transcorreu em 29 de maio, e fazemos uma justa homenagem aos ilustres integrantes do Batalhão Suez, primeiro contingente brasileiro empregado em uma Operação de Paz sob a égide da Organização das Nações Unidas.

Antes desta relevante e pública deferência, aproveito a oportunidade para parabenizar os militares do Batalhão que recém foram agraciados com as Medalhas Osório e do Serviço Amazônico. O Exército Brasileiro, assim, reconhece a dedicação e o profissionalismo que vocês têm demonstrado ao longo de suas brilhantes carreiras. Concito que continuem a trilhar os seus caminhos baseados nos pilares de nossa Instituição, que são a hierarquia e a disciplina.

Agradeço a Associação dos Integrantes do Batalhão Suez pela honra de ter recebido a Medalha de Ouro da Ordem do Mérito Batalhão Suez. Gostaria de revelar que vocês sempre foram (e serão) um exemplo e um incentivo para todos nós jovens de corpo ou de espírito, especialmente pela abnegação e pelo espírito de cumprimento do dever. Afinal, uma missão de paz não é uma tarefa que pode ser paga para qualquer soldado. Muitos óbices se apresentam aos Soldados da Paz, destacando-se a dificuldade de se expressar em outro idioma, variações climáticas, ocorrência de endemias (cólera, lepra, ebola, entre outras), existência de animais peçonhentos, precários alojamentos e instalações, permanente insegurança, abalos psicológicos e perigo iminente do agravamento dos conflitos.

O Brasil participou ativamente da Força Emergencial das Nações Unidas (em Inglês, “United Nations Emergency Force - UNEF”), juntamente com o Canadá, a Colômbia, a Dinamarca, a Finlândia, a Índia, a Indonésia, a Iugoslávia, a Noruega e a Suécia, enviando 20 contingentes para Suez, fazendo a observação e o patrulhamento da Linha de Demarcação do Armistício na Faixa de Gaza, de 1956 até 1967, quando eclodiu a Guerra dos Seis Dias entre o Egito e Israel. Fruto de seu destacado desempenho no Oriente Médio, intermediando o conflito entre árabes e israelenses, o Batalhão Suez

recebeu o reconhecimento da Comunidade Internacional, ao ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 10 de dezembro de 1988.

Além desta missão de paz tradicional, as Forças Armadas e, em especial, o Exército Brasileiro enviou tropas ou indivíduos para atuarem como Oficiais de Estado-Maior e Observadores Militares em diversas operações chamadas de “multidimensionais”, com mandatos mais complexos dos que existiam durante a Guerra Fria. Neste contexto, destaca-se a recente participação brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), juntamente com outros 15 países. Depois de inúmeros conflitos internos e um terremoto devastador, mais de 30.000 militares do Brasil (entre homens e mulheres), ajudaram a manter a paz entre 2004 e 2017, deixando um importante legado para aquele país caribenho. Ressalto, também, que é uma honra para todos os integrantes do 18° BIMtz contar com estes “Boinas-Azuis” em nossos quadros e, é por isso, que fizemos questão de colocá-los em posição de destaque no centro do dispositivo. A experiência adquirida por vocês no Haiti é muito válida para a nossa Unidade, pois quem vai para uma Missão de Paz nunca volta o mesmo.

Neste momento solene, minhas senhoras e meus senhores, estão colocados frente a frente no Pátio de Formaturas General Harry, os integrantes da UNEF e os da MINUSTAH. Estas 2 gerações de “Peacekeepers” formam um verdadeiro espelho, que unem o passado e o presente. É um grande privilégio testemunhar este encontro! Afinal, estes senhores do Batalhão Suez estão sempre abrilhantando todas as solenidades militares com esta tradicional túnica azul ferrete e, mesmo depois de tantos anos licenciados das fileiras do Exército ou na inatividade, continuam sendo o verdadeiro exemplo de que o homem que já serviu a Pátria nunca deixa de usar o uniforme verde-oliva, pois ele passa a ser a nossa “segunda pele”. Da mesma forma, tenho certeza de que todos os Boinas-Azuis do Batalhão Passo da Pátria vislumbram um dia cumprir as suas missões no serviço ativo e “completar a corrida”, guardando a fé (conforme o trecho bíblico do Apóstolo Paulo) e deixando seus legados para as novas gerações.

O 18° Batalhão de Infantaria Motorizado tem uma ligação histórica com os Batalhões Brasileiros de Força de Paz, também conhecidos por BRABAT. Nas décadas de 1950 e 1960, a nossa Unidade foi responsável pela constituição e preparo do 5°, 13° e 20° contingentes da UNEF em Suez. Ou seja, todos os Boinas-Azuis daquela época foram ou, de alguma maneira, passaram pelo 18° BIMtz. De modo análogo, mais recentemente o Batalhão Passo da Pátria compôs e preparou o 1°, o 14° e o 23° contingentes da MINUSTAH no Haiti. E, é exatamente por isto, que hoje estamos inaugurando em nosso aquartelamento o Espaço Cultural “Soldados da Paz”. Este projeto foi um dos primeiros que elenquei no meu Plano de Gestão, ao assumir o comando desta valorosa Unidade da Infantaria Brasileira em 10 JAN 18, a fim de que se pudesse preservar, em melhores condições, o acervo e a memória destes bravos Boinas-Azuis.

Gostaria de destacar e agradecer o trabalho incansável do 1° Ten Carbonel, Chefe do Escritório de Projetos do Batalhão, bem como toda a equipe dos Serviços Gerais, pois vocês foram os verdadeiros responsáveis pela conclusão deste projeto, realizando de

forma precisa a necessária readequação das instalações. Ao Cap Jocenir, destacado historiador e ex-integrante do Museu do Comando Militar do Sul, gostaria de registrar o meu especial agradecimento pela meticulosidade e esmero com que planejou a montagem desta sala histórica. Você e sua equipe da 4ª Seção foram vitais para que a missão fosse cumprida com capricho. Faço também uma referência especial os integrantes da Seção de Comunicação Social que muito contribuíram na conclusão deste projeto.

Por fim, antes de encerrar as minhas palavras, como um ex-integrante de uma Missão de Paz eu não poderia me furtar de deixar um registro pessoal e fazer um último agradecimento. Desde pequeno tinha o sonho de um dia me tornar um Boina-Azul. Convivo com estes bravos homens do Batalhão Suez há anos, pois meu pai foi um dos integrantes do 13° contingente da UNEF. Destaco que ele foi um militar de escol, sendo também bastante lembrado na caserna pela sua destacada atuação como atleta e treinador da Equipe de Vôlei do Exército nas décadas de 1960 e 1970. Além da amizade, do carinho e do amparo, sempre tive bons exemplos do TC ITALO MAINIERI em minha casa, que acabaram por forjar o meu caráter e o meu espírito militar. E, depois de 50 anos que ele regressou do Egito, tive a honra de integrar a Missão das Nações Unidas na Libéria (UNMIL) por 1 ano. Da mesma maneira que aconteceu com ele em 1963, fui cumprir este chamado da ONU, deixando uma esposa e dois filhos em Porto Alegre em 2014 para partir em direção ao Oeste da África. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas na missão, destacando-se a grave endemia do vírus Ebola que assolou o país já devastado por 3 guerras civis, a saudade da família foi, sem dúvida, o maior obstáculo que enfrentei.

Gostaria de também homenagear todos os familiares dos ex-integrantes de Operações de Paz aqui presentes, pois sabemos que vocês foram o nosso “porto-seguro” para que pudéssemos cumprir estas relevantes missões a serviço da paz ao redor do mundo. Agradeço, do fundo de meu coração, a minha amada esposa ANDRÉIA e a minha querida mãe MARILENA por terem sido o meu esteio e o de meu pai, respectivamente. A vocês, divido os louros de nossas conquistas, reforçando o preito de amor, respeito e gratidão por toda a vida!!!

Apesar das dificuldades, sentia a presença de Deus, dos meus familiares e de meu pai em todos os momentos: e ele sempre foi uma pessoa muito presente em minha vida, apesar da distância física, na maioria das vezes. Infelizmente, desde o dia 4 JUN 17 ele partiu para a “Pátria Maior” e não irá, inclusive, mais comandar o Batalhão Suez no desfile de 7 de setembro em Porto Alegre, como fazia há anos. Mas, tenho certeza de que ele continuará a cumprir novas missões junto ao “Senhor dos Exércitos” e sempre estará em nosso meio, de alguma forma. Afinal, como diz o ditado: “UM BOINA-AZUL NÃO MORRE; DORME PARA SONHAR COM A PAZ”!

A ele e a todos vocês, ilustres “Soldados da Paz”, presto a minha eterna continência!

PASSO DA PÁTRIA!!!

Porto Alegre, RS, 15 de junho de 2018.

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ITALO MAINIERI JUNIOR – Cel

Cmt 18º BIMtz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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