INCRÍVEL  HISTÓRIA SOBRE O CANAL DE SUEZ

 

SAIBA COMO A INGLATERRA ADQUIRIU DIREITO 
NA ADMINISTRAÇÃO DO CANAL  DE  SUEZ

          No quadro dos acontecimentos do Egito, talvez seja interessante recordar um pouco a História do Canal de Suez, idealizado pela França, com operários egípcios, fator que era contra a vontade bem como a resistência tenaz por parte da Inglaterra, que nunca tinha desejado a construção desse caminho marítimo, a Inglaterra tentou bloquear o inicio da  construção.  Porém, por ironia do destino, mais tarde, a Inglaterra instalou-se no Canal de Suez chegando a estar diretamente envolvida na Administração da Companhia do Canal de Suez.  A Inglaterra beneficiava-se dessa importante e grandiosa obra realizada por outros e que inicialmente não era desejada pela sua Majestade.

        Os primeiros dados históricos sobre a tentativa de ligar o Mediterrâneo ao Mar Vermelho, na verdade, perde-se na lenda e na antigüidade.

         Estrabão e Plínio atribuem ao faraó Sesostri a prioridade dessa idéia.  Inscrições rupestres em Karna atestam que um Canal, permitia navegar pelo Mar Vermelho, até os Lagos Salgados, desde 1330 a.C.

         Diz um historiador, conforme artigo publicado no Jornal Francês “Le Monde”, que os engenheiros franceses serviram-se desse antigo traçado, para executar a obra em 1859.  A idéia teve seu desenvolvimento, quer entre os egípcios, quer entre outros povos que o dominaram.

         Atribui-se na história que Trajano chegou a abrir um ramal do primeiro Canal, mas foi apenas em 1854, da era atual, que Ferdinand Lesseps – diplomata e engenheiro francês conseguiu recursos financeiros e apoio da família do Rei Egípcio “Mehmet Ali” para organizar a Companhia do Canal de Suez, iniciando, e logo após  completando, a obra de abertura do Canal de Suez, apesar de tremenda oposição e tentativa de interferência da Inglaterra.

         Em papéis de títulos representativos, no mercado de Ações de  Valores, assim ficaram divididas as respectivas  quotas , entre a França  e o Egito:

França = 207.000  ações e;

Egito = 177.000 ações.

No dia 26 de novembro do ano de 1889 aconteceu, solenemente, a inauguração  e abertura do Canal de Suez, para circulação dos navios, depois das lutas  dramáticas de Ferdinand  Lesseps, que  não  poderia  ter realizado a sua  grandiosa  empreitada,  sem o  apoio pessoal de  Napoleão III.

         Durante os trabalhos da construção do Canal de Suez, ocorreu uma epidemia de cólera, ocasião em que morreram grande número de operários, então Lesseps teve que enfrentar uma séria crise que afinal acabou sendo contornada.

         Quando Nasser anunciava a nacionalização  da Companhia do Canal de Suez,  em ato  público  na  cidade  de  Alexandria,  no discurso, o  mandatário  egípcio  indicava  que havia um  registro  no Cairo,  dizendo  que, uma  cifra de aproximados 120.000 operários  acabaram  morrendo na  crise  da epidemia de cólera,  sendo  impossível  controlar  e saber a  exatidão desses  dados,  muito embora  aparente  ser  exagerada  essa  cifra estatística  egípcia.

         Perante a vitória da França, o Estado da Inglaterra, em pleno período imperialista e estendendo-se por toda África (na luta habilidosa, porém inútil, no Norte – contra a Espanha e França, para evitar no seu exclusivo interesse, o controle de Marrocos e Tunísia, assaltos a territórios portugueses, culminando no Ultimatum de 1890, na Guerra dos Boers, etc), resolveu interessar-se pelo assunto.

         Porém um fato inusitado e “sui gêneris” havia acontecido em 1.875, quando o “Kediva” - Ismail do Egito, aceitou vender, tendo em vista uma séria crise financeira de origem obscura, as Ações Financeiras da Companhia do Canal de Suez, que o pobre Egito tinha em seu poder, e então o Inglês Disraeli, num golpe astuto e rápido, e “avisado” – comprou todas essas Ações  Egípcias.

         Esse acontecimento gerou um dos fatos  mais  curiosos e  contundente dessa  operação e  transação  financeira,  que  foi assinalada e divulgada por   Leie  Halevy ( “imperialismo  and the rise of Labour”).

         O que muito chamou a tenção, é que um  artigo nesse  novo  contrato, estabelecia que  por  durante  19 anos, o Egito pagaria um juro de 5 %  sobre  o valor dessas  ações  vendidas à Inglaterra.  Um absurdo!

         E é o que se pode chamar de uma norma estranha (estranhíssima), a qual, nem Cristo, nem Maomé entenderiam muito bem.  Mas enfim, a operação  foi realizada, concretizada por Disraeli e pela  Inglaterra, numa  época passada, mas não de todo excepcional na sua  história.

         Outro acontecimento em 1876, quando a Inglaterra e a França estabeleceram, de  fato,  um Condomínio sobre o Egito ( cujo teor está  contido no Livro de Jaques Pirene, intitulado – “Les Grands Ecourants de L’históire Universelle” à Pág. 476 – Volume V).  - O “Khediva” egípcio querendo libertar-se da tutela de Londres e de Paris, na conformidade com o Acordo de Constantinopla, obrigaram-no a abdicar do seu trono, a favor de seu filho Tewfick.  Daqui resultou um levante nacional contra a ocupação estrangeira, dirigida por Arabi, discípulo de Afghnani.

         Tewfick – levado pelos acontecimentos, fez um apelo à população conclamando-a à  “Guerra Santa”.

         Os acordos firmados na Conferência de Constantinopla (1.882) vieram a provocar novos levantamentos populares, mostrando-nos que a luta pela libertação do Egito não é  idéia  de Nasser. Sendo mesmo lamentável que assumam, na pessoa do mandatário egípcio, uma  tradição pobre e agora de aspectos antipáticos pela pessoa e métodos do ditador e demagogo líder egípcio – Nasser.

         A França praticamente retirou-se dessa ocupação, e a Inglaterra não conformada, desembarcou tropas militares em Alexandria, as quais  acabaram por  destruir grande parte da cidade.

         Paralelamente no Sudão acontecia um movimento insurrecional do antigo escravo Mohamed Bem Ahsmed, contra os ingleses,  que  tentavam apoderar-se do  Alto  Nilo.  Em 1883, um exército da Inglaterra foi derrotado e depois de vários revezes Disraeli tentou novos entendimentos com a França.  Havendo por parte da Inglaterra, a idéia de abandono parcial do Egito, mas vencido o movimento do Sudão e podendo exercer o domínio sozinho, resolveu ficar em condições juridicamente pouco claras à opinião pública mundial.

         Uma nova Conferência em 1.888, fixaria as normas de como seria a Administração  do Canal  de Suez.   O Canal de Suez ficaria sob a soberania teórica do Egito, que nunca teve a oportunidade de exerce-la, já que seu território estava ocupado pela Inglaterra.  E para transformar-se em... digamos assim, uma situação de fato,  uma situação  de  direito,  no  dia  12  de dezembro  de 1.914,  a  Grã-Bretanha colocava  o  Egito em  Regime  de  Protetorado.

         Depois de muitas lutas, mais recentes e conhecidas, um Tratado de Londres no dia 26 de agosto de 1936,  consagrava a  independência  do Egito.  E     poucos  dias – Nasser, por  sua  conduta e  risco, nacionalizou a Companhia  do  Canal de Suez,  cujo  Contrato iria expirar no  ano  de 1968.

         Deixando de lado a discussão sobre o direito de nacionalizar a Companhia do Canal de Suez, o que é evidente é o caráter de necessária internacionalização do Canal, conforme inscrito na Conferência  de  1.888 e aceito no artigo 8, do Acordo  de Suez,  assinado em outubro de 1.954 pelo governo egípcio.  Os EUA exerceram uma ação moderadora e noutra, desligando-se dos dois problemas, e, aceitara a internacionalização, garantindo a nacionalização do Canal com todas as vantagens para o Egito, é o único ponto de vista inteligente para Nasser, já que o direito absoluto sobre o Canal de Suez, no que concerne às retricidades da navegação, é  inaceitável.

         A  Conferência que vai reunir-se sobre o Canal de Suez (bem como a própria ONU), estamos certos, encontrará a fórmula capaz de  levar esta grave crise a  uma  solução pacífica.  Garantir a liberdade dos mares é uma coisa, pretender impor à Companhia de Suez pelos canhões, é outra muito  diferente.

         A obra de Ferdinad Lesseps é imortal, e deverá servir ao mundo inteiro, que não imortalizou o golpe de Disraeli, levando em 1.875 o “Khediva” Ismail – do Egito, a vender-lhe ações e permitindo o domínio imperialista da Inglaterra de construir,  intentou e mesmo assim não deixar construir.

 Trecho da pesquisa dos arquivos  do  museu da cidade. O Artigo está publicado na terceira  página  do  editorial  do  jornal  “Diário  dos  Campos” de Ponta Grossa - Pr. do dia 7 de agosto 1956. -  Theodoro Silva Junior

(Colaboração Theodoro)

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