História de Israel e Palestina
De 1923 a 1948 quem dominava essa região eram os ingleses, que na tentativa de conciliar árabes e sionistas firmou um tratado de independência futura. Com a guerra na Alemanha os sionistas cooperaram muito com os aliados com o desejo de combater o regime nazista e fortalecer sua posição junto das potências ocidentais. Em contra partida os árabes perderam terreno. Assim, nos primeiros 5 anos de guerra 75.000 judeus emigraram para a região, organizando um exército clandestinos de judeus que em 1942, com o apoio dos judeus dos Estados Unidos conseguiu aprovar o fim do domínio inglês, o reconhecimento de uma comunidade judaica e de um exército. Porém haviam dois obstáculos a serem ultrapassados: expulsar os ingleses que insistiam em não sair da região e decidir quem dominaria depois da retirada inglesa, os árabes ou os judeus, pois eles continuavam lutando pela posse do território. Por isso, em 1947 a ONU aprovou o plano de partilha da região entre árabes (Palestina: Faixa de Gaza e Cisjordânia), judeus (Israel) e de uma zona internacionalizada ao redor de Jerusalém.
Derrotados todos em 1948, os judeus fizeram com que os árabes fugissem para países vizinho, os ingleses abandonassem aquelas terras, ficando estas nas mãos do judeus que instalaram um governo provisório. Em 1949 realizaram eleições para o parlamento. E nesse ano Israel ingressou na ONU. No ano seguinte as fronteiras de Israel forma fixadas.
Porém em 1952 as relações entre Israel e seus vizinho árabes foram piorando. Em 1967 incidentes entre Israel e Síria agravaram a tensão, sempre presente na região. O presidente Nasser, do Egito, pediu e obteve a retirada das forças da ONU do Sinai, para onde mandou muitos militares ao mesmo tempo que fazia alianças militares com a Jordânia, Síria e Iraque. Até que Nasser bloqueou o estreito de Tiran à navegação israelense e a guerra começou. Israel venceu em seis dias, quando ocupou toda a península do Sinai, a Cisjordânia, Gaza e as Colinas de Golan. A devolução dessas regiões só seria possível para Israel se fosse feito um contrato de paz, o que agravou a crise.
Em 1973 um novo conflito surgia: Síria e Egito contra Israel. Até que a ONU conseguiu acabar com isso. Internamente, as necessidades de defesa e segurança passaram a ser os aspectos mais importantes de Israel, com reflexos políticos e econômicos. O país gastava muito no setor militar, piorando sua situação econômica.
Com a ajuda dos Estados Unidos, o Egito e Israel chegaram em 1979 a um acordo sobre a devolução dos territórios ocupados. Mas em 1981 o presidente de Israel iniciou uma política agressiva, invadindo o Líbano em 1982.
Em 1893 o prestígio do governo abalou-se com problemas internos, massacres de israelenses na região ocupada do Líbano e a crise financeira. Iniciando a retirada das tropas israelenses do Líbano em 83. Contudo, Israel não iria terminar a retirada enquanto forças sírias permanecessem no Norte do Líbano, fazendo com que a retirada israelense só terminasse em 1985.
Os ataques muçulmanos (xiitas árabes) contra o Exército do Sul do Líbano (ESL) aumentaram, assim como a Organização para a Libertação da Palestina ressurgia no Sul do Líbano e recomeçava os ataques com mísseis contra cidades israelenses fronteiriças. Com a ajuda da ONU foram feitas outras negociações visando a devolução das terras ocupadas pelos israelenses.
Em 1896 o primeiro ministro israelense foi substituído por Itzhak Shamir, que acabou com as negociações ocasionando várias rebeliões iniciadas em 1988. A Autoridade Nacional Palestina sobre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foi estabelecida pelo acordo de paz assinado entre Israel e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) em 4 de maio de 1994, no Cairo. O acordo prevê a retirada das tropas israelenses de quase toda a Faixa de Gaza e de uma região da Cisjordânia, ocupados desde 1967. Numa primeira etapa retiram-se as tropas da Faixa de Gaza e de uma região de 56 km2 na Cisjordânia. Mas os militares israelenses ainda ocupam uma parte da Faixa de Gaza e quase toda a Cisjordânia.
Conflito
Depois de 50 anos de existência Israel ainda tem problemas fronteiriços com a Síria e o Líbano, seus vizinhos, além da séria Questão Palestina. Durante esse meio século de vida, o Estado judeu travou quatro guerras com os países árabes, além de ser agredido em 1991 com a Guerra do Golfo (Iraque x Kwait).
A primeira guerra, da Independência, ocorreu de 1948 a 1949 - quando Israel foi formado. Contra os israelenses estavam todos seus vizinhos árabes, mas que não foram suficientes para deter o novo Estado de vencer a guerra, conquistando ainda novos territórios e aumentando em 50% sua área.
O segundo conflito, a guerra dos seis dias, aconteceu em 1967, quando Israel obteve grandes conquistas sobre o Egito, Síria e Jordânia - ampliando ainda mais seu território.
No ano de 1973, eclodiu a guerra do Yom Kippur, com Egito e Síria tentando recuperar os territórios perdidos para Israel em 1967.
A quarta guerra, se é que pode ser considerada como tal, começou em 1982, e ganhou o nome de guerra do Líbano - foi a invasão do território libanês por israelenses formando a Faixa de Segurança, que dura até hoje, como a invasão das colinas de Golã, sírias desde 1967.
Em 1979, foi assinado um acordo chamado Acordos de Camp David, onde Israel concorda em devolver a Península do Sinai (Adquirida em 1967) para o Egito. Contudo Israel, apesar de todas essas vitórias, não obteve paz; pois continua lutando com um quinto elemento: os palestinos, que foram destituídos de seu território e hoje se encontram vivendo em áreas sob controle israelense (Faixa de Gaza e Cisjordânia), o acampamentos em Israel ou refugiados em países árabes vizinhos.
Assim, desde a doação de uma parte da Palestina para os judeus pela ONU (Declaração de Balfour) não houve paz na região. Até entre os próprios judeus criou-se profunda divisão; a ponto do primeiro ministro de Israel Ytzak Rabin, em 1995, ser assinado por um judeu, apenas porque o ministro era favorável do Acordo de Oslo (1993 - "terra para os palestinos e os demais vizinhos em troca de paz para os israelenses"). Essa divisão entre israelenses ficou mais clara em 1996 com a eleição de Binyamin Netanyahu - para primeiro ministro - que defendia um estado judeu que ocupasse quase toda a terra de Israel. E o fracasso de Shimon Peres a favor do Acordo de Oslo.
Curiosidades
Israel:
- País estreito no leste do litoral mediterâneo, apresenta paisagens variadas: uma planície costeira limitada por colinas, ao sul, e o planalto de Galiléia, ao norte; uma grande depressão que margeia o rio Jordão até o mar Morto, e o Negev, uma região desértica ao sul que se estende até o Golfo de Ácaba.
- O desenvolvimento econômico deste país é o mais avançado do Oriente Médio. As indústrias manufatureiras, principalmente as de lapidação de diamantes, produtos eletrônicos, e mineração são as mais importantes do setor. O país também possui uma próspera agricultura industrializada que exporta frutas, flores e verduras para a Europa.
- Em 1948 o Estado de Israel foi estabelecido e foi criada uma bandeira. Quem teve a idéia do design foi David Wolffsohn em 1949. A bandeira seria azul e branca como o talit (manto de orações com o qual os judeus se cobrem quando rezam) com fundo branco e uma faixa azul em cima e outra embaixo com uma estrela de David pintada no centro. Isso era para que lembrassem da fé e das orações de gerações passadas. A estrela é um símbolo nacional judaico: dois triângulos, um deles aponta para cima, para tudo que é espiritual; e outro para baixo, para tudo o que é terreno. Esta estrela, então, une o sagrado ao terreno.
- Rios principais: *Jordão, que deságua no mar Morto. * Kichon * Iarkon, que deságua em Tel Aviv, abastecendo esta e Jerusalém, além de ser utilizado para irrigar o Norte do deserto de Negev.
- Agricultura: Usando técnicas de irrigação e cultivos modernos, a agricultura do país produz até no deserto de Negev, alimentando 3/4 da população nacional.
- Petróleo: Encontrado em 1955 no norte de Negev, ele supre 1/5 das necessidades nacionais.
- Transporte e comunicação: Israel conta com uma rede rodoviária ligando as principais cidades. Além de ferrovias e quatro portos comerciais em Haifa, Tel Aviv, Achdod e Jerusalém. As comunicações aéreas são realizadas no aeroporto de Lod, perto de Tel Aviv.
- Governo e administração: Israel é governado pelo Knesset, ou seja, um parlamento, com uma única câmara que possui 120 membros, com um mandato de 4 anos cada, eleitos através da votação do povo. O chefe de Estado é o presidente, eleito pelo Knesset. Este presidente governa o país por 5 anos, podendo ou não ser reeleito. Israel não tem Constituição escrita, sendo a justiça administrada por tribunais civis e religiosos.
- Educação: A educação primária é gratuita e obrigatória para crianças com até 14 anos de idade; as escolas secundárias são mantidas pelos municípios ou voluntários com o auxílio do governo. Existem várias universidades.
A história dos judeus - A terra prometida
Analisando a Bíblia historicamente encontramos a história de um hebreu, chamado Abraão, obedecendo o comando de Deus, deixou a Mesopotâmia e estabeleceu-se em Canaã - passando assim a ser a Terra Prometida dos judeus.
Segundo a Bíblia, Abraão teve vários filhos entre eles, Isaac e Ismael, dos quais descendem respectivamente os judeus e os árabes. Jacó, os netos de Abraão e os filhos deste, mudaram-se para o Egito onde foram escravos durante 400 anos, até retornarem a Canaã.
Visando recuperar a Terra Prometida, Moisés, líder dos judeus libertou-os do escravismo fazendo uma peregrinação de 40 anos pelo deserto, durante o qual formaram o seu caráter de povo livre, levando-os assim a um grande amadurecimento.
Concretizando seu ideal, o povo judeu se estabeleceu às margens do Rio Jordão, na antiga Palestina, mas não satisfeitos, resolveram expandir suas fronteiras no reinado de Salomão que consolidou a Monarquia Judaica.
O império passou a se estender do Egito a Mesopotâmia. Mais tarde, dividiu-se em dois pequenos reinos que logo foram dominados pelos Babilônios que expulsaram os judeus deste território. Os Babilônios foram dominados pelos Persas, estes, pelos gregos, e estes últimos pelos Romanos.
Os Romanos permitiram a volta dos judeus a região sob diversas condições, fazendo com que muitos destes tornassem-se fanáticos, causando revoltas. Num ato de covardia os Romanos atribuíram a culpa da crucificação de Jesus Cristo aos judeus, que por isso, até hoje são lembrados como anti-cristo.
Devido a isso surgiram diversos conflitos entre Cristãos e Judeus, como por exemplo as perseguições da inquisição da Idade Média, os pogroms (massacres organizados de judeus), na Europa Ocidental e até o Holocausto, em nosso século.
Antes do início da disputa por Canaã, judeus e árabes viviam em harmonia, por muitas vezes sofreram os mesmos destinos, contra inimigos comuns. Exemplo: contra os turcos-otomanos.
No século XIX os judeus conquistaram muitas vitórias, desenvolveram idéias sionistas ( movimento para a construção de uma nação judaica) e começaram a migrar para a Palestina. Mas, foi durante o século XX que os judeus viveram o período mais dramático de suas vidas.
Na volta para a Palestina, os judeus começaram a ocupar o território árabe fundando Kibutz ( fazendas coletivas) e cidades, criaram uma infra-estrutura e lançaram a luta pela independência política, e foi a partir disso que começaram os conflitos entre árabes e judeus.
Os judeus alegaram que seu povo seria extinto devido ao fato do Holocausto. Isso fomentou a idéia de se formar um estado judeu que servisse de Porto-Seguro para essa etnia. Após três anos do fim da Segunda Guerra Mundial, foi fundado o estado judeu chamado Israel, mas o jovem país não viveu em paz.
As guerras com os árabes continuam até hoje mesmo tendo sido assinados diversos acordos de paz com algumas nações árabes - sem resolver o problema dos árabes, palestinos que com a ocupação dos judeus foram desalojados, ficando assim sem pátria.
Arafat perde a paciência com Israel e Jerusalém é dividida em duas: a parte ocidental é Israelense e a oriental é Palestina. Israel recebeu uma montanha de críticas no Conselho de Segurança da ONU.
Tudo isso devido à um plano de assentamentos israelenses em Jerusalém e Cisjordânia para dificultar a tomada total desses territórios pelos Palestinos (árabes) - desaceleração da Independência do Estado Palestino. Isso põe em risco o já moribundo processo de paz do Oriente Médio.
Israel ocupou Jerusalém na Guerra dos Seis Anos em 1967 e a anexou sem ser reconhecida pela comunidade internacional. Para Israel toda a cidade é sua capital.
De contra-ataque, Jerusalém anuncia que “não haverá paz, nem segurança, nem estabilidade”, se Jerusalém não for libertada. Milhares pedem a Saddam Hussein: “Ataque Israel”
Yasser Arafat proibiu qualquer manifestação pró-Iraque nas áreas sob seu controle. Durante algum tempo, repetiram-se marchas pró-Saddam seguidas de choques com as forças de segurança israelenses, ainda presentes nos territórios.
Momentos antes desta proibição, milhares de palestinos, militantes da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e do grupo extremista Hamas (que se opõe aos acordos de paz firmados pela OLP com Israel) manifestaram-se em várias cidades apoiando o ditador Saddam Hussein e pedindo ainda, que ele volte a atacar Israel, como fez na Guerra de 1991. Atacando Israel, este não teria forças para impedir a independência da Palestina.
Questão Palestina:
No início do século XX, cerca de um milhão de árabes habitavam a Palestina, que estava sob o domínio britânico. Após a primeira Guerra Mundial, iniciou-se uma luta nacionalista contra a ocupação britânica e a colonização judaica.
Em 45, a ONU aprovou a divisão regional, sendo a única forma de solucionar o conflito entre 1,3 milhão de árabes e 800 000 judeus, sendo decidido pela criação de dois Estados: um dos judeus, com 14 000 Km quadrados e outro árabe, com 11 500 Km quadrados. Os países árabes recusaram em aceitar o acordo o que levou a guerra de 1948/49.
CONSEQUÊNCIAS:
Cerca de 1 milhão de palestinos árabes, que viviam sob a soberania israelense, perderam seus lares e refugiaram-se em acampamentos na faixa de gaza ou emigraram para outros países do Oriente Médio. Cerca de 300 000continuaram em Israel, passando a viver como cidadãos de segunda classe. Por outro lado, cerca da metade dos Palestinos árabes continuaram ma Cisjordânia a partir de 1948 e que em 1967 foi ocupada pelos israelenses.
Os palestinos fizeram movimentos dos mais variados grupos político-ideológicos, com a OLP sendo sua principal entidade e, liderada por Yasser Arafat, foi reconhecida inclusive pela ONU como legítima representante do povo palestino.
A partir de 1988, nas negociações para a formação do Estado Palestino, assumiram um novo significado quando o rei Hussein, da Jordânia, resolveu renunciar todos seus direitos sobre a Cisjordânia. Em agosto do mesmo ano, Arafat afirmou que a OLP estava disposta a reconhecer Israel dentro da legitimidade nacional”.
Deste modo, o líder palestino estava retirando um dos últimos obstáculos para haverem negociações diretas entre Israelenses e Palestinos. A oferta palestina não teve boa resposta de Israel. O governo teve de manter a OLP como só uma organização terrorista e se recusou a ceder qualquer parte de seu território.
Vendo por outro lado, nos primeiros meses de 1989, Israel passou a enfrentar a intifada, uma oposição crescente dos árabes que residiam ali, cujos movimentos de rua já causaram morte a mais de mil pessoas.
O acordo de paz em resumo
* Israel aceita retirar suas tropas de 13% da Cisjordânia em três etapas, em um período de 12 semanas. O acordo prevê que os palestinos terão o controle de 40% da Cisjordânia e de 60% da faixa de gaza.
* A Autoridade da Palestina aceita prender 30 dos 36 palestinos procurados por Israel. A CIA decidirá se as provas apresentadas contra os detidos justificam a prisão. Os palestinos confiscarão armas ilegais.
* Um mês depois do início da retirada Israelense, os palestinos apresentaram um plano de combate ao terrorismo.
* Um comitê conjunto irá monitorar ações anti-israelenses em colégios e na mídia.
* Israel concordou em criar dois corredores entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia para permitir a passagem segura dos palestinos.
* O acordo reforça a proibição de serem tomadas decisões unilaterais, com a expansão dos assentamentos israelenses, o confisco de terras e a intenção palestina de declarar um Estado independente em 04 de maio de 1999.
* Israel aceitou liberar 750 dos 3000 palestinos que mantém presos.
* Os dois lados concordaram com a abertura de um aeroporto palestino na Faixa de Gaza.
* Israel permitirá a abertura de um porto em Gaza.
* Palestinos e Israelenses começarão, agora, discussões sobre o status final da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Nessas discussões serão tratadas as questões de Jerusalém (que os dois pleiteiam como sua capital), de refugiados palestinos, de repartição do abastecimento de água e dos assentamentos em territórios ocupados.
Palestinos
É na Faixa de Gaza e na Cisjordânia que Yasser Arafat, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP - governo palestino), pretende proclamar o Estado Palestino; com a concretização do Acordo de Oslo, que sufocou a Intifada.
A revolta das pedras, conhecida como Intifada, aconteceu entre 1987 e 1993, quando crianças armadas de pedras as atiravam nas tropas israelenses que entravam em Gaza e Cisjordância.
Outro problema palestino é o Hamas,organização extremista que se apóia no conservadorismo religioso de Gaza (mais pobre e isolada que a Cisjordânia) e "ajudou" a eleição de Binyamin Netanyahu para primeiro ministro israelense em 1996. O povo israelense, com medo dos atentados do Hamas, elegeu Binyamin, que é mais conservador (radical contra os palestinos). Assim tornaram-se mais difíceis as negociações entre o ANP e Israel para a devolução de Gaza e Cisjordânia. Por isso, outro desafio de Arafat é tentar deter o Hamas para que este não estrague mais uma vez o diálogo - que já é tão difícil - entre esses povos.
O Estado por si só, hoje:
Dirigido hoje pelo primeiro ministro Ehud Barak, do partido trabalhista de oposição ao conservador partido do Likud, Israel deixou um pouco de lado os Kibutz (fazendas coletivas) para investir pesado em sua economia. Movida pela alta tecnologia e financiamento para micro e pequenas empresas de pontas feitas pelo governo, a economia local vem atingindo grandes níveis de desenvolvimento econômico. Essas empresas captam dólares no exterior e geram empregos, dinamizando o setor.
Mas ainda existe um entrave para o crescimento total nacional a estagnação do PIB israelense. Com os investimentos estrangeiros em queda por causa da instabilidade política, o congelamento no processo de paz (no mandato de Binyamin) e os altos juros, a valorização cambial se desestabilizou. A crise asiática também ajudou nesta estagnação, aumentando o desemprego, já que alguns investimentos israelenses são feitos no Sudeste Asiático. Além, é claro, da contribuição dos conflitos sociais internos, adicionando mais intranqüilidade no quadro de Israel.
A longo prazo, o desejo israelense é diminuir as profundas contradições entre o desenvolvimento tecnológico e empresarial e a recessão. A curto prazo, o cenário continuará desanimador. Politicamente, o ajuste recessivo só complica a situação econômica, pois há uma grande diferença entre trabalhadores israelenses e palestinos que, além de serem tratados com menos direitos, não podem participar dos projetos de empresas de governo e são taxados como mão-de-obra desqualificada, ganhando menos. E obviamente com o aumento da crise, o desemprego aumentou mais entre os palestinos, que então têm mais um motivo para entrarem nos grupos terroristas.
A Faixa de Gaza é um território situado no Médio Oriente limitado a norte e a leste por Israel e a sul pelo Egito. É um dos territórios mais densamente povoados do planeta, com 1,4 milhões de habitantes para uma área de 360 km². A designação "Faixa de Gaza" deriva do nome da sua principal cidade, Gaza.
Atualmente a Faixa de Gaza não é reconhecida internacionalmente como pertencente a um país soberano. O espaço aéreo e o acesso marítimo à Faixa de Gaza são atualmente controlados pelo estado de Israel, que ocupou militarmente o território entre Junho de 1967 e Agosto de 2005. A jurisdição é por sua vez exercida pela Autoridade Nacional Palestiniana.
Demografia da Faixa de Gaza
A população da Faixa de Gaza é de 1 428 757 habitantes (dados de Julho de 2006). Cerca de 60% da população é composta por refugiados chegados nas duas vagas geradas pelas guerras de 1948-1949 e de 1967; os restantes são populações indígenas. Grande parte da população habita nas cidades, das quais se destacam Gaza, Khan Yunis, Rafah e e Dayr al Balah.
A Faixa de Gaza tem uma das populações mais jovens do planeta, com 48,1% da população enquadrada na estrutura etária entre os 0 e os 14 anos. A taxa de crescimento anual da população é de 3.71% e a esperança média de vida é de 71,97 anos.
A nível religioso, a maioria dos habitantes da Faixa de Gaza são muçulmanos sunitas, com uma minoria cristã. A língua falada no território é o árabe, seguida do hebraico; o inglês é compreendido por alguns habitantes.
Geografia da Faixa de Gaza
A Faixa de Gaza situa-se no Médio Oriente. Possui uma fronteira de 51 quilômetros com Israel e um fronteira de onze quilômetros com o Egito, perto da cidade de Rafah.
O território é plano, sendo o ponto mais alto Abu 'Awdah, com 105 metros de altura.
O seu clima é temperado, com verões secos e quentes. Apenas 13% do território é composto por terras aráveis.
O Aeroporto Internacional de Gaza (posteriormente renomeado Aeroporto Internacional Yasser Arafat) foi inaugurado a 24 de Novembro de 1998, mas foi encerrado em Outubro de 2000 por ordem israelita. A pista do aeroporto foi destruída pelas Forças de Defesa de Israel em Dezembro de 2001, encontrando-se por isso o aeroporto em estado de inoperabilidade. A Faixa de Gaza possui um heliporto.
História da Faixa de Gaza
Com o fim do Império Otomano em 1917, o território que é hoje conhecido como Faixa de Gaza foi concedido à Grã-Bretanha pela Sociedade das Nações sob a forma de mandato sobre a Palestina. Quando em 1947 a Assembléia Geral das Nações Unidas dividiu a Palestina em dois estados, um judeu e o outro árabe, a área que corresponde à Faixa de Gaza deveria integrar o estado árabe. Porém, o plano seria rejeitado pelos Árabes, dando início à primeira guerra israel-árabe. A cidade de Gaza foi durante este conflito invadida pelo Egito e em resultado das lutas com Israel, acabou por definida uma linha de armistício em torno da cidade, que se tornaria a Faixa de Gaza.
Esta faixa de terra foi um dos locais onde se fixaram as populações árabes palestinianas que se tornaram refugiadas em consequência da guerra entre Israel e os países árabes vizinhos. A Faixa de Gaza esteve sobre controlo egícpio entre 1949 e 1967, exceto no anos de 1956-1957 quando foi tomada por Israel durante a crise do Canal de Suez. O Egito não considerou os refugiados ali fixados como cidadãos egípcios, embora tenha permitido que estudassem nas suas universidades. Por sua vez, Israel não permitiu o regresso dos refugiados nem os compensou economicamente pela perda das suas terras. Os refugiados palestinianos seriam em larga medida apoiados pelas Nações Unidas, que ali instalou campos de refugiados.
Em 1967, Israel ocupou a Faixa de Gaza em resultado da sua vitória na Guerra dos Seis Dias. Durante a década de setenta e oitenta seriam ali instalados colonatos pelos governos de Israel.
Em Dezembro de 1987 iniciou-se a primeira Intifada, ou levantamento da população palestiniana contra o exército israelita.
Em Setembro de 1993 Israel e representantes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) assinaram os Acordos de Oslo, nos quais se previa a administração por parte dos palestinianos da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia através de uma entidade política, a Autoridade Nacional Palestiniana.
O Hamas, movimento político de caráter religioso nascido em Gaza em 1982, e a Jihad Islâmica, opuseram-se às negociações com Israel e realizaram a partir de 1995 uma série de ataques terroristas contra a população civil israelita. Estas ações impediram o avanço das negociações entre Israel e a OLP, situação reforçada com a chegada ao poder de Benjamin Netanyahu em 1996, que não concorda com aspectos negociados. O início da Segunda Intifada, em Setembro de 2000, estagnou ainda mais as negociações.
Em 2005 o primeiro-ministro israelita Ariel Sharon conseguiu que o Knesset (parlamento de Israel) aprovasse o plano de retirada unilateral dos 21 colonatos judaicos existentes na Faixa de Gaza, que Sharon apresentou em 2003. A decisão gerou controvérsia, tendo sido contestada pela direita nacionalista e religiosa israelita. O desmantelamento dos colonatos deu-se em menos de um mês, entre 15 de Agosto e 12 de Setembro. Alguns colonos resistiram a retirada, praticando atos de violência contra o exército israelita.
Com a chegada do Hamas ao poder em uma eleição livre e democrática decorrida em Janeiro de 2006, a situação do conflito israel-palestiniano alterou-se, pois um dos itens da carta de fundação do Hamas é a libertação total da Palestina, incluindo a eliminação do Estado de Israel. Muitos analistas definem que as novas negociações de paz devem começar com a retificação desta carta, como ocorreu com a OLP, enquanto outros definem que esta retificação deve ser o produto final da negociação.
O futuro da Faixa de Gaza permanece incerto, sendo o território visto como eventual parte de um futuro estado palestiniano.
A Retirada Israelita da Faixa de Gaza (oficialmente: Lei de Implementação do Plano de Evacuação) foi uma proposta do primeiro ministro israelita Ariel Sharon, adotada pelo governo e decretado em Agosto 2005, para remover toda a presença permanente israelita da Faixa de Gaza e de quatro colonatos no norte da Cisjordânia.
A 8 de Abril de 2005, o ministro da Defesa Shaul Mofaz disse que Israel deveria considerar não demolir os edifícios evacuados na faixa de Gaza, à exceção das sinagogas (devido aos medos da sua potencial dessagração), uma vez que tal seria mais caro e demoraria mais tempo. Isto contrastava com o plano original do primeiro ministro para demolir todos os edifícios deixados vagos.
A 9 de Maio o começo da evacuação dos colonatos foi adiado oficialmente de 20 de Julho para 15 de Agosto, para não coincidir com as Festividades Judaicas das Três Semanas e do Tisha B'Av, que tradicionalmente assinalam angústia e destruição.
A 13 de Julho Sharon assinou a ordem do fecho de Gush Katif, fazendo da área uma zona militar fechada. Desse momento em diante, somente os residentes que apresentaram bilhete de identidade israelita com a sua morada registrada em Gush Katifforam autorizados a entrar. Licenças por 24-48 horas foram dadas a visitantes seletos durante algumas semanas antes que a toda a área fosse selada completamente aos não residentes. Apesar desta proibição, alguns apoiantes do Gush Katif entraram a pé através dos campos e do deserto. As estimativas variam entre algumas centenas e alguns milhares de pessoas que entraram ilegalmente neste período. A certa altura, Sharon considerou enviar a polícia de fronteiras (Magav) para remover os não residentes, mas decidiu não o fazer pois o número de agentes necessário seria demasiado grande.
À meia-noite entre agosto 14 e agosto 15, a passagem de Kissufim foi fechada e a Faixa de Gaza tornou-se oficialmente fechada à entrada de Israelitas. A evacuação pacifica continuou após a meia-noite de 17 de Agosto, para os colonos que pediram uma extensão do tempo para embalar as suas coisas.
A 17 de Agosto a primeira evacuação forçada de colonos, como parte da evacuação, começou. Aproximadamente 14.000 soldados e polícias israelitas prepararam-se para evacuar forçosamente colonos e "mistanenim" (infiltrados). Houve cenas de tropas que arrastaram colonos aos gritos das casas e das sinagogas, mas com menos violência do que esperado. Alguns manifestantes cantavam "judeu não expulsa judeu" ("יהודי לא מגרש יהודי") ao protestar contra a ação das tropas.
A 19 de Agosto o The Guardian relatou que alguns colonos faziam os seus filhos sair de casa com as mãos no ar, ou usando uma estrela de David na lapela, para associar as ações de Israel com as da Alemanha Nazi e com o Holocausto.
A 22 de Agosto Netzarim foi evacuado pacificamente pelas forças armadas israelitas. Isto marcou oficialmente o fim da presença israelita na Faixa de Gaza ao fim de 38 anos, embora os grupos de demolição continuassem lá a trabalhar, e a transferência de poderes oficial estivesse planeada para ocorrer semanas mais tarde.
A 23 de Agosto a evacuação dos quatro colonatos da Cisjordânia foi realizada; enquanto os residentes de Ganim e de Kadim, na sua maior parte seculares e de classe média, tinham há muito abandonado as suas casas, diversas famílias e aproximadamente 2.000 infiltrados tentaram impedir a evacuação de Sa-Nur e de Homesh, que tinham uma percentagem maior de população religiosa. Após negociações, a evacuação foi terminada de forma relativamente pacífica. Isto terminou, de acordo com o comandante-em-chefe Dan Halutz do Exército Israelita, o primeiro dos quatro estágios da evacuação: evacuação dos residentes, evacuação da propriedade civil, demolição das casas, e finalmente a relocalização das instalações do Exército Israelita. A data para a retirada oficial da Faixa de Gaza foi anunciada para entre 10 e 20 de Setembro.
A 7 de Setembro o Exército Israelita anunciou que planeava avançar com a retirada total da Faixa de Gaza a 12 de Setembro, dependendo da aprovação do governo israelita. Anunciou-se também que na área evacuada na Cisjordânia o Exército Israelita planeava transferir todo o controlo (excluindo licenças de construção e anti-terrorismo) à AP (Autoridade Palestiniana) - a área permaneceria "Área C" (controlo total israelita) de jure, mas "Área A" (controlo total da AP) de fato.
A 11 de Setembro teve lugar uma cerimônia quando a última bandeira israelita foi arreada no Quartel General divisional do Exército Israelita na Faixa de Gaza. Todos os soldados do Exército Israelita saíram da Faixa nas horas seguintes. O último soldado deixou a Faixa e a passagem de Kissufim foi fechada ao início da manhã de 12 de Setembro. Isto concluiu a evacuação da Faixa de Gaza.
Em 22 de Setembro o Exército Israelita retirou de Mevo Dotan e terminou a retirada dos colonatos da Cisjordânia. Embora o Exército Israelita continue a patrulhar estas áreas, já lá não possuirá uma base e a terra estará disponível para uso palestiniano. Reportagem da BBC.
Disponível em: http://www.coladaweb.com/historia/israel-e-palestina
Enviado por: Theodoro da Silva Junior