- MANOEL RICARDO ARRAES FILHO
- 08/02/2008
Entre 1957 e 1976 a ONU (Organização das Nações Unidas) manteve uma força
militar na fronteira
árabe-israelense, mais precisamente, na Faixa de Gaza. Essa mesma região tão
fustigada pelas ações
de guerrilha que separam povos parentes entre si.
Durante os dez anos de duração da missão conhecida entre os brasileiros como
Missão ou Batalhão
Suez, a ONU enviou milhares de homens para guarnecer aquela fronteira. A força
de emergência era
denominada de UNEF (sigla em inglês para United Nations Emergency Force) contou
com a participação
de vários países entre eles o Canadá, a Dinamarca, a Finlândia, a Suécia, a
Iugoslávia, a Índia, o
Brasil, o Paquistão e a Colômbia. Estes dois últimos foram repatriados ainda no
início da missão. O
exército brasileiro enviou mais de 1200 homens, dentre estes mais de vinte
piauienses.
Quase todos os piauienses estão vivos e com uma vasta memória guardada na
lembrança e através de
milhares de fotografias, cartões postais, pôsteres, cartas e diários de viagem.
Todos têm uma boa
história para contar do período em quer estiveram no Egito. A missão deles era
guarnecer a fronteira
entre a Palestina (Faixa de Gaza) e Israel. Enfrentando o calor sufocante
durante o dia e o frio
cortante das madrugadas do deserto do Sinai, os exércitos a serviço da ONU
conseguiram manter no
interstício da Missão uma relativa paz entre aqueles povos.
As condições de trabalho daqueles homens não eram das melhores. Treinamento e
roupas inadequadas ao
clima e ao relevo da região, o perigo iminente de irromper o conflito, a
distância do Brasil, a
cultura, a língua tão diferentes e a desconfiança de ambas as partes tornavam o
clima em permanente
estado de estresse físico e emocional. Muitos não suportaram aquele estado de
contínua provação.
Houve quem “surtasse”, mas houve quem se adaptasse com relativa facilidade
àquela realidade. Era o
“jeitinho Brasileiro” contornando as dificuldades do deserto.
Os soldados “à serviço da paz” eram e ainda são chamados de “Boinas Azuis” em
alusão ao quepe ou
capacete azul que os soldados usavam e usam em qualquer Missão de paz. Os
veteranos de Suez foram
distinguidos pela Fundação Nobel no ano de 1988 com o Prêmio Nobel da Paz pelos
relevantes serviços
prestados na fronteira do Egito com Israel e em outras operações de paz
desenvolvidas, especialmente
na Ásia e na África. Portanto, todos os piauienses que foram para o Egito também
receberam a
distinção que traz honra e reconhecimento para seus ganhadores.
Cabe então perguntar se você conhece algum dos piauienses que ganharam o prêmio
Nobel da Paz?
Certamente poucos os conhecem. Parentes e talvez alguns amigos já ouviram falar
de suas aventuras e
desventuras no deserto e em vários outros países do Oriente Médio, inclusive no
atual conturbado
Líbano. Poderíamos citar apenas alguns deles que eu tive a oportunidade de
entrevistar e a
satisfação de conhecer: Luiz Raimundo, Macedo, Conrado, Oswaldo, Cipriano,
Orisvaldo e Manuel, estes
quatro últimos de sobrenome Ferreira. O senhor Franklin Bonifácio, Carlos
Alberto, Seu Chicó
(Francisco Ferreira) e Fonseca. Todos relativamente bem de saúde e disponíveis
para conversar sobre
“as coisas de Suez”. Dentre estes as profissões são variadas: taxista,
dentistas, médicos, pequenos
empresários e ex-militares aposentados. Nem todos têm o mesmo patamar de
bem-estar social e
econômico, mas estão ávidos por contar suas experiências e esperam o
reconhecimento, inclusive do
próprio exército brasileiro que não os distinguiu e nem os distingue como tais.
Todos merecem o nosso respeito, carinho e o reconhecimento pela difícil Missão
militar e humanitária
que empreenderam de forma voluntária em terras tão distantes, com povos tão
diferentes e seus
costumes, danças, músicas, cheiros e comidas tão distintas daquelas que deixaram
aqui no Brasil.
São, portanto, dignos da comenda que receberam ainda que de forma apenas
simbólica posto que não
daria para repartir o prêmio em dinheiro com milhares de bravos soldados da paz
de diversas
nacionalidades. Entretanto, todos têm o direito de ostentar a menção de ganhador
do Prêmio Nobel da
Paz. São cavalheiros do mundo. Não pertencem mais apenas às suas famílias, aos
amigos e ao nosso
estado e nem à instituição que – para muitos - lhes virou as costas quando
retornaram ao país,
consagrados pelas medalhas de honras ofertadas pela ONU por suas participações,
dignidade e bravura.
A cada um dos que foram citados e aos que ainda não tive o privilégio de
conhecer gostaria de
parabenizar e reconhecer a extrema importância de cada um de vocês na condução
de uma década de
relativa calma e paz na fronteira árabe-israelense. Já se passaram trinta e nove
anos desde o
retorno do último contingente brasileiro que, inclusive, tinha três piauienses –
Macedo, Fonseca e
Carlos Alberto. Eles preservaram paz e vidas e ganharam um mundo cheio de
histórias e memórias pra
contar, mas permanecem na escuridão do ostracismo, desconhecidos da maioria dos
seus conterrâneos.
Urge o resgate dessa dívida, das histórias e das memórias dos veteranos de Suez.
MANOEL RICARDO ARRAES FILHO
Departamento de Geografia e História
- SAIBA MAIS....
Teresina.
- Teresina é uma cidade brasileira, capital do estado nordestino do Piauí. É a
única capital da Região
Nordeste que não se localiza no litoral.
História & Cultura
A origem da cidade está ligada ao rio Poti, que deu nome à Vila Nova do Poti,
depois denominada
Teresina em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II. Foi
fundada em 16 de
agosto de 1852 com a designação de Vila Nova do Poti. A cidade é a capital do
estado desde 1852,
quando o conselheiro José Saraiva fundou-a, transferindo a sede administrativa
da Província do Piauí
da cidade de Oeiras para a atual capital, Teresina.
Outros comentam que a criação da capital Teresina teria sido uma medida
político-estratégica, sob o
fato de que a cidade de Caxias, do estado vizinho do Maranhão, estava ameaçando
a hegemonia da
região norte do estado do Piauí, tendo então o conselheiro transferido a capital
para resolver a
questão da centralização no estado.
Clima & Geografia
Quente em qualquer dia do ano, as temperaturas têm pouca diferença se
compararmos os meses mais
quentes com os meses mais frios, onde podem as vezes superar os 40°C e a mínima
raramente é inferior
a 20°C. Até mesmo o mês mais frio da cidade (fevereiro), tem uma temperatura
anual alta: máxima de
32°C e mínima de 22°C. O mês mais quente é outubro e a temperatura média é de
37°C ao dia e 23°C à
noite(às vezes de manhã).
A chuva influencia muito na temperatura da cidade, os meses mais frios
(dezembro-abril) são os mais
chuvosos, assim, a umidade na cidade e a água fria diminuem a temperatura, então
nesses meses a
temperatura vai ser mais baixa. Dentre esses meses, o mais chuvoso é abril,
chove cerca de
inacreditáveis 287 mm. O período mais seco (junho-outubro), possui temperaturas
mais elevadas. O mês
mais seco é agosto, chove cerca de somente 13 mm.
Atualmente, devido o aumento do efeito estufa, Teresina tem sofrido mudanças em
seu clima, pois em
anos em que ocorre o fenômeno El Niño, a sua temperatura tende a aumentar e
assim também a sensação
térmica ser superior aos 40 graus, além de reduzir os dias chuvosos para os
meses de março a maio. O
fenômeno La Niña, ao contrário, provoca maior alívio para a cidade, pois os
efeitos são de aumento
do número de chuvas e queda das temperaturas. Geralmente nesse fenômeno tem-se
período chuvoso de
dezembro a junho.
Uma peculiar característica das chuvas da cidade é por serem rápidas
(normalmente não ultrapassam os
30 minutos) e bastante fortes (grande força da água e ventos). A incidência de
raios também é muito
comum, inclusive dando à capital o título informal de capital dos raios.