O QUILOMBO

E D I Ç Ã O E L E T R Ô N I C A


Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Até poderia ser cenário de um filme de Hollywood, destes que contam histórias de guerra, mas não era... este, era essencialmente a favor da paz.

O ano era 1957 e uma tropa de soldados brasileiros encaminhava-se ao deserto do Saara, no Egito. Tratava-se da primeira missão de Paz da ONU - Organização das Nações Unidas de que o Brasil fazia parte.

O conflito em questão era entre Israel e Egito. A Segunda grande Guerra Mundial acabava de findar-se. E o então líder do Egito, Gamal Abdel Nasser, para conseguir ampliar a reforma agrária em seu país e irrigar mais terras decidiu, num ato político, nacionalizar a Companhia do Canal de Suez, responsável pela administração e utilização do Canal de Suez, que desde sua inauguração era administrada por um consórcio entre Inglaterra e França, e ainda proibiu a passagem de navios israelenses pelo referido Canal.

Um novo conflito armado iniciava-se naquela região, envolvendo, além do próprio Egito, França, Inglaterra e Israel. A paz mundial estava ameaçada.

Então, as atenções voltavam-se para que atitude a ONU poderia tomar para que se evitasse desdobramentos maiores neste conflito.

De acordo com o site oficial do Batalhão de Suez, na "Reunião de Emergência da Assembléia Geral da ONU", o Embaixador do Canadá na ONU, Lester Pearson, apresentou um Projeto que exigia da Instituição a formação, com o consentimento das nações envolvidas, de uma "Força Internacional de Emergência", visando assegurar a supervisão do conflito, bem como a imediata supressão das hostilidades, de acordo com os Termos da Resolução da ONU.

Depois de aprovada e estabelecida na Faixa de Gaza, a Força fazia uma fronteira física e política entre Egito e Israel, em uma área de aproximadamente 100 km de comprimento por 13 km de largura. Além de observar toda a região, patrulhava a área, evitando que pudesse haver conflito.

Participaram desta Força tropas militares do Brasil, Canadá, Colômbia, Dinamarca, Finlândia, Índia, Indonésia, Iugoslávia, Noruega, e Suécia. Vinte contingentes brasileiros, ao longo dos 10 anos de conflito, alternaram-se na região.

O período é compreendido entre fevereiro 1957 à junho 1967.

Denominado de Batalhão Suez, as tropas compunham-se de Oficiais e Praças do Exército Brasileiro que, para incorporar-se à Unidade, eram rigorosamente selecionados. Deveriam ter boa saúde, boa qualificação e serem submetidos a exames médicos físicos e psicológicos. É importante destacar que o efetivo brasileiro era renovado duas vezes por ano, a cada seis ou sete meses, de tal modo que cada Contingente prestava serviços por um período, em média, 12 meses. E dos 6 mil e duzentos homens brasileiros enviados para o deserto do Egito estava o casimirense Antônio Correia Porto.

Servindo no 2º Regimento do Rio de Janeiro, o cabo Porto se especializou em mecânica de viaturas militares e em 1962, por indicação do Coronel José Ribamar Raposo, a quem Porto servia, foi integrar o 11ºContingente brasileiro das Forças de Paz da ONU.

Segundo o ilustre casimirense, muitas adversidades faziam parte do cotidiano dos soldados no deserto. As variações climáticas rigorosas, que oscilavam de, aproximadamente 50 graus durante o dia, chegando perto de zero grau à noite e as tempestades de areia dificultavam a vida dos heróis brasileiros. "Às vezes as tempestades de areia duravam mais de 24 horas", disse. "Éramos expostos a várias doenças", comentou o ex-combatente, referindo-se a todas as vacinas e medicações preventivas que recebiam contra insetos e animais peçonhentos como serpentes, escorpiões e aranhas.

As instalações também eram precárias. "a maioria das barracas eram de lona e nas tempestades de areia, não conseguíamos dormir, havia grãos de areia em todo lugar".

Todos os soldados, tanto os que patrulhavam o deserto, quanto os que observavam a fronteira portavam armas leves apenas para autodefesa, além de binóculos, telefones e rádios. "Não fomos para a guerra, fomos para a paz", disse Porto, ao ser indagado se os soldados utilizavam muito suas armas.

Outra lembrança que Porto trouxe dos 16 meses que passou longe da amília foi a saudade do café, do feijão e da comida brasileira. "Árabes eram contratados pelas Nações Unidas para preparar nossas refeições, faziam de tudo para agradar, mas a nossa comida, sem dúvida, é melhor", comentou.

As refeições fizeram o cabo recordar de uma das cenas mais tristes eleitas por ele. "A beira dos arames farpados que colocávamos na fronteira, crianças árabes, com as mãos mãos cheias de terra, pediam comida. Eram os órfãos da guerra", relembrou emocionado.

Ao voltar ao Brasil, com uma seqüela auditiva moderada no ouvido esquerdo, o filho de lavradores, que começou a trabalhar muito cedo no corte de banana, trabalhou na Embratel durante 25 anos até se aposentar.

O último Contingente brasileiro deixou a região do conflito 1967, logo depois da Guerra dos Seis Dias. Porto, assim como todos os integrantes do Batalhão Suez e as tropas dos demais paises participantes receberam o PRÊMIO NOBEL DA PAZ, dado pela Fundação Nobel às Forças de Manutenção de Paz da ONU que atuaram até o ano de 1988, como reconhecimento aos serviços prestados à paz mundial.

Esta história e muito mais, além de farda, da boina azul, como são conhecidas as boinas dos soldados de paz, medalhas e fotos e condecorações farão parte da exposição "Memórias de um Soldado da Paz", que integrará as comemorações cívicas do município.

Com o tema "Um município de leitores, uma nação de conquistadores", o dia 7 de setembro tem grande importância tanto para o Brasil como para o município. Segundo Porto, os jovens devem ter mais amor ao seu país e lutar mais pela paz. "Será que o jovem de hoje é capaz de lembrar que pode levar o país a um futuro melhor?", pergunta o militante pela causa.

A inauguração da exposição está prevista para o dia 7 de setembro, na Casa de Cultura Estação Casimiro de Abreu, a partir das 9 horas.

OBS.: Texto encontrado na Internet.
Abrçs. Theodoro

de Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
data 17/12/2007 10:55
assunto BTL.SUEZ - O QUILOMBO - histórias


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