Criação da Seção de Intérprete


Quando a UNEF foi criada e implantada, em fins de 1956, no Oriente Médio e Faixa de Gaza, com a finalidade de intermediar o conflito árabe-israelense, e assim garantir a neutralidade e a paz na região conflituosa, a ONU houve por bem determinar que a língua oficial daquela missão de paz seria o INGLÊS. Assim o inglês tornou-se a língua oficial de trabalho e de comunicação para todos os Contingentes e para todos os integrantes da UNEF. 

É importante enaltecer que todas as comunicações necessárias, escritas e faladas, entre os Contingentes de todos os países que compunham a UNEF, bem como com autoridades no mundo todo, teria que ser na língua inglesa.

O Brasil sabia que todas as comunicações para fora do Batalhão Suez, teria que ser na língua inglesa mas nunca se apercebeu que deveria montar uma estratégia de ordem oficial, isto é, alguém que tivesse o pleno domínio e intercâmbio da língua estrangeira adotada na UNEF com os interesses do nosso Batalhão. Então o Contingente brasileiro valia-se tão somente de voluntários com a iniciativa de resolver a intercomunicação com as demais delegações da Missão, e em especial nos assuntos administrativos junto ao Q.G. na UNEF, e em muitas vezes os árabes que trabalhavam conosco e que conheciam tanto nossa língua portuguesa quanto a inglesa contribuíram com os brasileiros na tradução e muitas vezes como interpretais no Q.G., da UNEF em Gaza. Lembrando sempre que essa atividade foi desenvolvida por esses vários voluntários da tropa brasileira, e também por alguns dos nossos "habibs" de uma forma que chamávamos de "quebra galho". Enfim, era uma falha que um dia deveria ser solucionada, isto porque a grande maioria do nosso pessoal, incluindo-se nossos Comandantes, não tinham o domínio de se comunicar em inglês, e então sempre se valiam de alguém, que às vezes eram deslocado, às pressas, para resolver muitos dos problemas que tinham o cunho oficial no Q.G. da UNEF em Gaza. A qualidade daquele serviço, em muitas ocasiões, era duvidosa embora a boa vontade do brasileiro, naqueles determinados momentos, sempre se esmeravam em resolver a questão.
Assim nossos comandantes, em sua maioria, sempre dependiam da boa vontade de seus subordinados, às vezes dos árabes, um ou outro, que soubesse falar e se comunicar em inglês. Ao longo da história viemos a saber que por várias vezes o comando brasileiro passou por apuros nas reuniões no Q.G. de Gaza justamente por que não possuíamos um representatividade oficial, e portanto de maior gabarito, e como nem sempre nossa delegação, no desempenho da Missão na Faixa de Gaza, tinha bom desempenho, surgiu, enfim, a LUZ da grande idéia de se criar uma condição oficial, que pudesse bem representar o Brasil a altura das reais necessidades.
Assim, um dia foi criada a nossa SEÇÃO DE INTÉRPRETE DO BTL.SUEZ, embora não soubéssemos que a Missão se aproximava do final devido a Guerra dos Seis Dias que se avizinhava, a criação oficial da Seção de Intérprete somente aconteceu no período do 18º Contingente, quando foi realizada uma reformulação da UNEF e assim o Brasil foi indicado para acumular uma nova missão, que era guarnecer e garantir a segurança da Unidade Logística em Rafah Camp, até então de responsabilidade do Batalhão Canadense. A Seção de Intérprete era uma necessidade bem antiga e acabou sendo instalada, graças a visão e participação do então Major S/4, Aroldo José Machado da Veiga, e não se pode negar os méritos e os bons serviços prestados ao Batalhão Suez e à Missão de Paz da ONU no Oriente Médio.

Veja em anexo, o texto escrito pelo então Capitão de Infantaria HAROLDO CARVALHO NETTO, hoje Coronel da Reserva.

 

Um fraterno abraço, Theodoro

De: Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br> 
Data: 3/05/2006 (17:36:25) 
Assunto: BTL.SUEZ - Seção de Intérprete 


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