A SUA IMPORTÂNCIA NA MINHA VIDA

 

Por Dacilio de Abreu Magalhães


 

        - Quanto tempo tem a nossa amizade?

        Realmente eu não me lembro, sei apenas que fui dirigente da ABIBS/SP por um longo tempo e que você aparecia sempre e eu lhe notava, também não sei porque, talvez por ser mais participante e colaborador do que a maioria. 

        Eu me afastei da Associação radicalmente, por razões que não vem ao caso no momento e nesse período nos encontramos diversas vezes e você chegou a ir a minha casa para falar da criação do Site e na minha sala me apresentou todo o projeto de sua iniciativa que estava em fase embrionária e eu confesso que não vislumbrei qualquer benefício que poderia trazer para os nossos colegas de luta, mas mesmo assim forneci algumas informações, inclusive o rascunho de meu livro que nem se quer, estava corrigido. Você ligava pra mim, falava do crescimento do site e eu não tomava conhecimento, dado a minha desilusão que acabava por me conduzir para o caminho da descrença dos Leaders da época e do movimento associativo em São Paulo que eu considerava falido.  O tempo passou e eu fiz questão de esquecer que fui um Boina Azul e que participei da Missão Suez. 

        Antoany de Sant Ezupérry, autor do livro “O Pequeno Príncipe” afirma que, Se você me cativa, você passa a ser responsável por mim.

        Vai anotando por ai, meu amigo, a sua responsabilidade. 

        Muito tempo se passou e a cada dia, mais eu me distanciava de tudo que pudesse lembrar, Faixa de Gaza, Soares Dutra, PTA-2, Fedains, Habibs, Faraós e outras tantas coisas que fizeram parte de nossa vida naqueles longos quatorze meses afastados do nosso querido Brasil, até que um dia você ligou dizendo que ia me indicar para receber uma medalha que a ABIBS/RS estaria oferecendo para os Boinas Azuis e que chegaria para mim um documento que deveria ser respondido com o aceite. Mais uma vez a descrença tomou conta de mim e eu pensei com os meus botões:

        Que tipo de medalha será essa? Será igual a do Rio de Janeiro que nem foi colocada no peito dos convidados, sem diploma ou certificado? 

        Eu iria receber essa medalha em Caçapava onde eu deixei grandes amigos que sempre me prestigiaram e estaria em sua companhia; então, pensei comigo mesmo, vamos lá, vamos ver o bicho que vai dar. Nesse meio tempo, o Theodoro da Silva Júnior, tomando conhecimento dessa sua iniciativa manda um maravilhoso e-mail classificando-me como seu Guru e não se cansando de me elogiar e dizia no seu texto que estava contando os dias para esse encontro, e para um forte abraço que já vinha sendo ensaiado desde 10 de dezembro de 1988. 

        Está vendo só o grau da sua responsabilidade? O curioso é que você nunca se interessou em fazer parte de Diretorias, mas tem atitudes importantíssimas como o estimulo e o reconhecimento do trabalho de colegas. 

        Em Caçapava eu abracei o Theodoro e foi um abraço de alguns minutos, eu abracei colegas que não via a mais de trinta anos, eu vi uma solenidade organizada, eu recebi a medalha e me emocionei muito. Num cantinho do quartel eu procurava me refazer da emoção, enquanto que se descortinava à minha frente os insistentes convites que me foram feitos em 1985, para eu organizar em São Paulo a Associação dos Integrantes do Batalhão Suez, a solenidade no Sudeste por ocasião do Premio Nobel da Paz, a Solenidade dos 30 anos da partida do 14º Contingente, quando pela primeira vez em toda a historia do Brasil, soldados foram homenageados com tiros de canhão, o 1º Encontro da Paz e tantas outras coisas feitas com muita alegria. Eu recordava as expressões dos rostos dos colegas reunidos contando fatos acontecidos durante a estada na Faixa de Gaza, a alegria de outros jogando Truco e de outros ainda, debruçados no balcão do bar tomando sua cervejinha, seu refrigerante e comendo uma gostosa porção de frango à passarinho. Era tudo o que eu mais queria. A partir desse momento, essa cortina se abriu um pouco mais e me mostrou um outro horizonte até então, por mim desconhecido; uma Associação dirigida por homens sérios com um trabalho igualmente sério em prol do reconhecimento de tudo o que foi feito pelos nossos irmãos de luta. Conheci os baluartes desse trabalho, Sergio Luiz Dias e Fernando Vargas Neto e hoje estou, graças a eles integrado nesse grupo, podendo de uma forma qualquer, dar a minha colaboração, escrevendo promovendo eventos e divulgando os nossos feitos. Recebi três honrarias que completaram a minha trajetória e me realiza como uma verdadeira Boina Azul. 

        Se você não sabe, eu me considero uma boa pessoa, um bom profissional, um bom filho, um bom esposo, um bom pai e um bom amigo, mas nada disso supera o orgulho que sinto de ser um Boina Azul, de ter participado de uma Operação de Paz da ONU, e de pertencer a essa enorme família das Nações Unidas.  Você exumou e deu vida de maneira muito especial a esse meu espírito de pacificador que enterrei por mais de sete anos. 

        Faço questão que essa matéria seja colocada no Site do Batalhão Suez para que todos saibam que Alceu Batista não é só o idealizador e mantenedor do Site do Batalhão Suez, é também um ser humano muito especial de qualidades mil; é um verdadeiro Boina Azul. 

Obrigado

Dacilio de Abreu Magalhães – 3º Cont.

De: Dacilio Magalhaes <dacilio@yahoo.com.br> 
Data: Sat, 13 Nov 2004 22:17:37 -0300 (ART)
      


VOLTAR