A PALESTINA


            Palestina denominação derivada de Filisteus, que habitaram a região, também chamada de Canaã. Teve limites variáveis e imprecisos através da história. Atualmente o termo Palestina aplica-se à região limitada a oeste pelo Mediterrâneo, a este pelo rio Jordão e pelo mar Morto, ao norte pelas colinas de Golan e pelo monte Hermon, na fronteira sírio-libanesa, e ao sul pela península de Sinai.

            Abrange, portanto, o Estado de Israel, Cisjordânia e a faixa de Gaza.

            A seguir uma cronologia resumida dos principais eventos que afetaram a Palestina, antes da criação do Estado de Israel.

            7000 ªC - Surgiu o Jericó neolítico.

            3000 ªC - Os semitas chegaram e construíram uma civilização da idade do bronze  (  que vai até 1500 ªC )

            2000 ªC - A região se liga à história dos Hebreus.

  0070 d.C. - Revolta contra o domínio romano. Jerusalém é destruída e inicia-se a diáspora judaica.

            0135/0137 - Revolta contra a ocupação romana liderada por Bar-Kochba termina, depois de dois anos de encarniçada luta de guerrilhas, massacres da população: mais de mil cidades e aldeias são destruídas, 500 mil judeus são mortos.  Arrasada Jerusalém é substituída por nova cidade, Élia Capitolina, interditada aos judeus. A região também ganha novo nome. Em lugar de Judéia será agora Síria Palestina. Refugiados na Galiléia, os judeus se tornam minoria na região.

            0635 - Os árabes conquistam a Palestina.

            1100 - Cruzados fundam o Reino Latino de Jerusalém, sob a égide dos barões normandos.

  1187 - O Reino Latino de Jerusalém foi destruído, quando o sultão Saladino toma Jerusalém.

  1492 - Com a expulsão dos judeus da Espanha, ordenada por Fernando e Israel, um contingente minoritário deles estabelece-se na Palestina.

  1516 - A Palestina passa a integrar o Império Otomano.

            1860 - Surgem as primeiras manifestações do nacionalismo árabe no Egito e na Síria.

  1878 - É fundado o primeiro núcleo de colonização judaica na Palestina (Petach Tikva).

            1882 - Fugindo ao anti-semitismo, muitos judeus-russos se instalam na Palestina.

            1896 - O judeu-austríaco Theodor Herzl (1860-1904), numa reação ao anti-semitismo, publica o livro “O Estado Judeu” em que defende a criação de um Estado nacional judaico, transformando o sionismo, de difusa aspiração mística em ideal político concreto.

            1897 - Realiza-se de 29 a 31 de agosto em Basiléia (Suíça) o 1º Congresso Sionista Mundial.

            1914 - Com o início da 1ª Guerra Mundial, é suspensa a imigração judaica para a Palestina.

           1915 - Há troca de correspondência secreta entre Hussein, xerife de Meca e sir Henry McMahon, alto comissário britânico no Cairo, na qual a ajuda dos árabes na luta contra os turcos é condicionada à criação de um grande país independente árabe, compreendendo os territórios atuais da Síria, Líbano, Palestina, Iraque e Península Arábica.

            1916 - Início da insurreição árabe contra os turcos, sob o comando de Hussein e seu filho Faiçal, da família Hachemita.  A liderança de Hussein é contestada pelo emir Ibn Saud, da península Arábica.

            1917 - A 2 de novembro, Arthur Balfour, ministro britânico da Relações Exteriores, envia, sob as instâncias do Líder sionista Chaim Weizmann, seu antigo companheiro de estudos, uma declaração ao judeu Lorde Rothschild, afirmando que “o governo de Sua Majestade é favorável ao estabelecimento na Palestina de um lar nacional judaico”.

           1918 - A 31 de outubro, é assinado o armistício na Palestina, pondo fim a 400 anos de domínio turco. A 16 de junho, a chancelaria britânica anuncia que os territórios árabes libertados por esforço próprio terão independência completa e soberana, sob garantia britânica.

 1919 - Weizmann e Faiçal assinam acordo ratificando a declaração Balfour, condicionada, entretanto, a soberania árabe na região.

 1920 - Conferência de San Remo, convocada pelos vencedores da guerra, outorga mandatos á Grã-Bretanha e a França sobre despojos do Império Otomano. Londres detém a Palestina (inclusive a margem leste do rio Jordão), Paris tem o Líbano e a Síria. Faiçal é expulso de Damasco por tropas francesas enquanto seu irmão Abdullah instala-se em Amã, com o consentimento inglês, que reconhece sua independência em 1928. Aumento da imigração judaica gera protestos do Congresso Palestino Árabe, liderado pelo grã-mufti de Jerusalém. Hadj Amin Husseini, que se vai queixar a Churchill, então ministro das Colônias. Londres publica livro branco negando a intenção de criar uma Palestina judaica

 1921 - Violentos conflitos ente árabes e judeus em Jafa. Colônias judias são atacadas por beduínos criados a Haganá, organização judaica de defesa, núcleo do futuro Exército de Israel.

 1923 - A população judaica constitui 11% do total, a imigração se mantém estável.

 1928 - Criação da Agência Judaica, encarregada da colonização das terras compradas através de um Fundo Nacional Judaico (a maioria dos proprietários rurais era de latifundiário residentes no Líbano e na Síria que as arrendava para camponeses locais).

 1929 - Desordens no interior do país provocam a destruição de várias plantações de judeus. Os ingleses restabelecem a ordem com dificuldade.

 1930 - É divulgado pela Grã-Bretanha um novo Livro Branco, denominado Passfield, desfavorável à imigração judaica. É recebido com protestos por parte de lideres sionistas.

 1933 - A ascensão de Hitler ao poder na Alemanha e sua política de perseguição aos judeus provocam um acentuado aumento da emigração judaica para a Palestina.

 1935 - Em novembro, uma delegação, formada pelos chefes dos cinco partidos árabes, apresenta ao alto comissário britânico suas reivindicações: um governo democrático, um parlamento com representação proporcional e a suspensão da imigração judaica, num momento em que os judeus constituíam 30%da população. O plano assemelhava-se a outro proposto pelos ingleses em 1922, que fora então recusado pelos árabes. Desta vez é Agência Judaica que recusa, pois ficaria em minoria. O projeto termina arquivado

1936 - Aumenta o descontentamento entre os árabes. Em abril de 1936, os partidos nacionalistas árabes fundam o Alto Comitê Árabe, liderado pelo grão-mufti Hadj Amim Husseini, que sofre a influência da propaganda nazista, antibritânica e antijudaica. Com base em rumores de assassinato de árabes por judeus em Telavive, o comitê deflagra uma greve geral, ao mesmo tempo em que ordena ataques a colônias judaicas e sabotagem contra equipamentos de comunicação no interior. A greve é mantida até outubro.

1937 - Como conseqüência dos distúrbios, uma comissão de investigação (comissão Peel), propõe o primeiro plano de partilha da Palestina, que provoca forte reação contrária por parte dos árabes. Em agosto, o grão mufti declara guerra contra os ingleses e os judeus. O alto comissário britânico proibiu o funcionamento do Alto Comitê Árabe e deporta vários de seus lideres para as ilhas Seychelles, enquanto o grão-mufti se refugia em Beirute. Nesse mesmo ano, é criada a organização armada judaica, Irgun, que passa a agir contra as autoridades ingleses. Entre seus líderes, estava o atual primeiro-ministro Menechem Béguin.

1938 - Um novo livro branco inglês (denominado MacDonald), desta vez mais favorável aos árabes, recomenda a limitação da compra de terras por judeus e a redução de sua imigração a 75 mil pessoas em cinco anos, ao final dos quais ela deveria cessar.

1939 - Surge à organização terrorista denominada Lehi ou Grupo Stern, que constituiu uma dissidência da Irgun. Com início da 2ª Guerra Mundial instaura-se entre as comunidades árabe e judaica uma trégua tática. Mas a tensão com as autoridades britânicas aumentaram com o incremento da imigração clandestina, através de navios fretados que conduziam desesperados refugiados judeus.

1942 - Em maio, uma conferência de 600 lideres sionistas, reunidos no Hotel Biltmore de Nova York, adota o chamado Plano Biltmore, que inclui dois objetivos primordiais: o controle da imigração pela Agência Judaica e a instituição de um Estado judaico na Palestina.

1943 - As organizações paramilitares judaicas auxiliam os ingleses no Oriente Médio nos primeiro anos da guerra. Com a expulsão dos alemães do Norte da África, voltam a agir contra os ingleses.

1945 - O presidente Truman dos EUA preconiza a imigração judaica ilimitada para a Palestina, reforçando a política de apoio ao sionismo do presidente Roosevelt. É criada a liga dos Estados Árabes, mas a falta de organização dos palestinos (hadj Amin Husseini se refugiu em Berlin nos últimos anos da guerra) impediu que apresente um representante no novo organismo político.

1946 - Reinício da imigração judaica em larga escala. Em junho o Irgun explode o quartel-general britânico instalado no Hotel King David, matando 91 pessoas. Em julho, especialistas ingleses e americanos propõem plano de um governo federal, com províncias árabes e judaicas, com controle sobre a imigração em suas áreas. Apresentado no Parlamento britânico por Herbert Morrison, foi vetado pelos Estados Unidos. Um convite do governo inglês para que representantes dos governos árabes, do Alto comitê Árabe e da Agência judaica se reunissem em Londres para uma conferência sobre a Palestina também foi boicotado pelas partes interessadas. Do lado judeu, o 2º Congresso Sionista, opta por uma posição radical e o mesmo ocorreu com o lado árabe, com o Alto comitê totalmente controlado por Hadj Amin Husseini.

1947 - Em fevereiro Bevin, ministro inglês das Relações Exteriores, anuncia que a Grã-bretanha entregará a solução do problema da Palestina às Nações Unidas, já que se aproximava de seu mandato. Em maio, a Assembléia Geral criou o Comitê Especial da ONU PARA A Palestina (UNSCOP), formada por representantes de onze países. A 29 de novembro, após numerosas sugestões, marchas e contramarchas, a Assembléia aprovou por 33 votos contra 13 e 11 abstenções o plano de partilha da Palestina. Os EUA, A URSS, e o Brasil voltaram a favor. Os países árabes foram contra, por achar que o plano favorecia os judeus.  Na Palestina, os árabes fizeram o possível para impedir a concretização da partilha e os meses que seguiram foram praticamente de guerra civil.

1948 - No dia 14 de maio, às 10 horas, no fim do mandato inglês, David Bem Gurion proclama a criação do Estado de Israel. O novo Estado foi imediatamente reconhecido pelo EUA e dois dias depois, pela URSS. No dia seguinte, os exércitos árabes da Síria, Transjordânia, Líbano, Iraque, e Egito invadiram Israel.

1949 - As forças israelenses, bem equipadas com armamento tchecoslovaco (fornecido pela URSS), vence os exércitos árabes. Em fevereiro, Israel e Egito assinam um armistício em Rodes, seguindo-se depois acordos de cessar-fogo com os outros paises. Israel sai dessa primeira guerra com um território bem maior do que lhe destinava o plano de partilha da ONU. Mas esta será só a primeira das guerras árabe-israelenses.

Cerca de 700 mil refugiados palestinos, oriundos do território dominado por Israel, dirigem-se aos paises vizinhos, onde são reunidos em campos. Para cuidar deles, a ONU criou ainda em 1948, a Agência de Auxílio e Trabalho para os Refugiados da Palestina (UNWRA)

Família Beduína

Em maio de 1949, Israel é admitido como membro da ONU, aprovado por 37 votos contra 12 e 9 abstenções.

O atrito entre egípcios e ingleses reacendeu-se em 1952, a propósito do Sudão. Nessa conjuntura efervescente, um grupo de oficiais do Exército, liderado pelo coronel Gamal Abdel Nasser, tomou o poder, destituindo o Rei Faruk e dando início a um programa de reformas destinado a proporcionar maior vitalidade à antiga colônia dominada pela Inglaterra.

        Aspirando ser o guia espiritual do mundo árabe e mesmo muçulmano, Nasser empreendeu uma vasta reforma agrária para ampliar as condições de subsistência indispensáveis ao país em rápida expansão demográfica. Em 1956, para financiar a construção da barragem de Assua, sua grande obra pública, nacionalizou o Canal de Suez. Em conseqüência, Israel invadiu o Sinai e o Estrito de Gaza, e tropas inglesas e francesas atacaram o Egito. As forças dos três países invasores foram obrigadas a se retirar, sob pressão dos Estados Unidos, da União Soviética e da ONU.

            A mais longa participação em missões de paz da ONU foi no Oriente Médio, entre.

1956 e 1967. Participaram das forças de Paz os seguintes paises: Brasil, Canadá, Dinamarca Índia, Iugoslávia, Noruega, Suécia.  Só do Brasil, foram 6.300 homens  do Batalhão Suez para a Faixa de Gaza ajudar a manter a paz entre árabes e israelenses. Dois generais brasileiros comandaram tropas desses países, Carlos Flores de Paiva em 1964 e Sizeno Sarmento, em 1965.

            O presidente da República Árabe Unida Cel. Gamal Abdel Nasser, ameaça declarar guerra ao Estado de Israel, a 30/05/67 e pediu que as forças da ONU se retirassem da fronteira entre os dois países. Nasser conta com o apoio da Argélia, Iraque, e Kuwait. Até o rei Hussein, da Jordânia, seu feroz inimigo, hipoteca solidariedade e fechou uma aliança militar com o Egito. A Síria também aderiu ameaçando mandar o “sionismo pelo ares”. A organização para a libertação da Palestina (OLP) se diz pronta para atacar Israel. O governo israelense não se intimida e ameaça usar a força para romper o bloqueio imposto pelos países árabes no porto de Eliat e expulsar as tropas sírias das fronteiras com Israel. O clima é de guerra. Guerra dos 7 dias.

            Há 354 anos brasileiros vêm participando de missões de paz fora de suas fronteiras.


Stamps of Palestine 


            The following collection of stamps belongs to the mandate period in the history of Palestine, this is a rigid evidence against the Jewish claims that "Palestine" never exist, it also show how the British were preparing to make the community more accepting to the Jewish presence on Palestine as you can read the word Palestine written in Arabic , English and Hebrew, while the Jewish existence in this period was limited beside most of the Jewish immigrants at that time never speak Hebrew.

            The stamps shown below are from (1922-1928)

 

 

                      

           

(colaboração Theodoro)


Quando os hebreus chegaram



            Quando os hebreus chegaram à região da Palestina, por volta do ano 2.000 a.C., ali já viviam os filisteus, ancestrais dos árabes. Com a decadência dos reinos de Judá e Israel, as populações locais foram dominadas sucessivamente por assírios, caldeus, persas, gregos e romanos. No início da era cristã, os judeus foram derrotados pelos romanos, iniciando-se a Diáspora Judaica. No século VII, com o surgimento do Islam, as populações locais foram islamizadas e quando os turcos otomanos chegaram, toda a região da Palestina já se encontrava sob o domínio dos muçulmanos que controlavam inclusive os lugares sagrados, Meca e Medina em Hijaz (Península Arábica), e Jerusalém e Hebron, na Palestina. Com o fim do Império Otomano, no final da I Guerra Mundial, a Inglaterra obteve da Liga das Nações um mandato para administrar a Palestina e o Iraque. 

            Apesar de espalhados pelo mundo, os judeus jamais perderam a esperança de voltar à Terra Prometida. Esta possibilidade começou a se materializar com o surgimento do sionismo, um movimento criado por Theodor Hezl, no final do século XIX e que pregava o retorno ao Sion, nome bíblico de Canaã, a Terra Prometida. Em 1917, Lord Balfour, o secretário inglês para Assuntos Estrangeiros, fez publicar a Declaração Balfour, em que apoiava a imigração de judeus para a Palestina e o estabelecimento de um "lar nacional para o povo judeu" na região, afirmando que "nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes" - numa referência aos árabes, que, então, representavam 92% da população. 

            Carta foi publicada no The Times de Londres e dizia:

"Prezado Lord Rothschild,

Tenho muito prazer em transmitir-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia com as aspirações sionistas que foram apresentadas ao Gabinete e aprovadas por ele: 'O Governo de Sua Majestade vê com simpatia o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e envidará seus melhores esforços para facilitar a conquista desse objetivos, ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos religiosos e civis das comunidades não judaicas existentes na Palestina ou os direitos e condições políticas usufruídas pelos judeus em qualquer outro país.' 

Agracederia que você levasse essa declaração ao conhecimento da Federação Sionista.AtenciosamenteArthur James Balfour"

            Em seu livro intitulado "The Question of Palestine", o famoso escritor palestino, Edward Said, definiu a importância dessa declaração da seguinte maneira:"O que é importante a respeito da declaração é que, em primeiro lugar, durante muito tempo ela foi a base legal para as reivindicações sionistas em relação à Palestina e, em segundo lugar, e mais importante para os nossos objetivos aqui, que foi uma declaração cuja força só pode ser avaliada quando as realidades demográfica e humana da Palestina ficaram claras na mente. Isto é, a declaração foi feita (a) por um poder europeu, (b) a respeito de um território não-europeu, (c) num claro desrespeito à presença e aos desejos da população nativa residente no território e (d) tomou a forma de uma promessa sobre este mesmo território por um outro grupo estrangeiro, a fim de que esse grupo estrangeiro pudesse, literalmente, fazer desse território uma nação para o povo judeu.

            "A "Declaração Balfour" foi interpretada pelos líderes sionistas como um apoio à criação de um estado judeu soberano e tornou-se a base do apoio internacional para a formação do moderno estado de Israel. Nas décadas que se seguiram, dezenas de milhares de judeus fixaram-se na Palestina, em sua maioria oriundos da Europa, movidos pelo ideal do sionismo. O estímulo sionista à imigração judaica, as vacilações britânicas para contê-las e a perseguição nazista fizeram aumentar o número de judeus na Palestina, criando áreas de tensão com a população árabe local.

            No período de 1928 a 1949, com uma pausa durante a II Guerrsa, o movimento imigratório de judeus europeus se intensificou, alterando profundamente a estrutura da população da Palestina. Em 1922, os judeus representavam 11% da população, e em 1949 eram mais de 30%. Cerca de 20% da terra cultivada pertenciam a um Fundo Nacional Judaico, em nome do povo judeu. 

            A política do governo inglês foi a de manter sob controle direto a imigração, favorecendo o desenvolvimento econômico da comunidade judaica, o que beneficiou mais aos sionistas do que aos árabes. Em meados dos anos 30, com a chegada dos nazistas na Alemanha, aumentou a pressão da comunidade judaica sobre a Inglaterra para ampliar os limites de imigração, o que acarretou forte oposição nos países árabes vizinhos, com reflexos nas relações entre Inglaterra e aqueles países. A eclosão da II Guerra Mundial manteve o problema em suspenso, e a imigração de judeus para a Palestina foi praticamente interrompida. 

            Ao final da guerra, foi criada a Liga Árabe que, entre seus objetivos, tinha a defesa da causa palestina. Os judeus europeus, traumatizados com os massacres nazistas, sentiam a necessidade de criar um estado. A Inglaterra tinha consciência de que a criação desse estado na Palestina encontraria forte objeção por parte dos árabes. Estados Unidos, que emergiam da guerra como uma nova potência e sob a pressão do sionismo, usaram de sua influência em favor da causa sionista, que se resumia na criação de um estado judeu e na imigração de um contingente maior de judeus.

            Em 1947, a Inglaterra decidiu submeter a questão às Nações Unidas, que aprovou a partilha da Palestina entre árabes e judeus. Com a aprovação do plano pela Assembléia Geral da ONU, em 14 de maio de 1948, a Inglaterra se retirou da Palestina e os judeus proclamaram o Estado de Israel, que foi imediatamente reconhecido pelos EUA e Rússia. Os árabes da Palestina e dos vizinhos, Egito, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano, inconformados com a decisão, declararam guerra ao recém criado Estado de Israel. 

            Com a vitória de Israel em 1949, novas fronteiras foram estabelecidas. Cerca de 75% da Palestina foi incluída dentro das fronteiras de Israel; uma faixa de terra ao sul, que ia de Gaza até a fronteira com o Egito ficou sob controle do Egito; o restante do território foi anexado pelo reino hashemita da Jordânia. Jerusalém foi dividida entre Israel e Jordânia. O estado árabe-palestino deixou de existir. Quase 2/3 da população árabe deixou suas casas e tornou-se refugiada. Centenas de milhares de palestinos emigraram para os estados árabes, nos quais passararam a viver em acampamentos precários e os que permaneceram, ficaram na condição de refugiados em sua própria pátria. Jerusalém, dividida entre cristãos, judeus, e muçulmanos, tornou-se pólo de conflitos que se estendem até os dias atuais.

            Os conflitos tornaram-se endêmicos e a guerra eclodiu mais de uma vez, em 1956, 1967 e 1973, sendo a mais importante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel incorporou a península do Sinai e a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e o território sírio das Colinas do Golã e intensificou sua política de construção de assentamentos para colonos judeus imigrantes. Quanto aos cidadãos árabes de Israel, embora usufruíssem de direitos políticos, eram considerados cidadãos de segunda classe, não pertencendo à comunidade que se estava formando.

            Por esta época, uma nova geração de palestinos crescia no exílio, principalmente no Cairo e em Beirute. Aos poucos, surgiram vários movimentos políticos, sendo o mais importante o Fatah, uma organização guerrilheira criada por Yasser Arafat, que se pretendia completamente independente dos regimes árabes, cujos interesses não fossem os mesmos dos palestinos e que pregava um confronto militar com Israel. Em 1964, com o apoio dos países árabes, foi fundada em Jerusalém a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), sob controle do Egito, constituída a partir do Fatah e que passou a ser presidida por Yasser Arafat. A OLP era composta basicamente de membros dos exércitos do Egito, Síria, Jordânia e Iraque. O Fatah começou a agir dentro de Israel. A população israelense continuava a crescer por força da imigração. Em 1967, do total de 2.3 milhões de habitantes, os árabes representavam 13%. A economia crescera em razão da ajuda americana e por causa da contribuição financeira de judeus do mundo inteiro e também por causa das reparações de guerra da Alemanha. Israel sabia que era mais forte militar e politicamente do que seus vizinhos árabes. Diante das ameaças de ambos os lados, israelenses e árabes se enfrentaram novamente e os israelenses vitoriosos ocuparam o Sinai, Jerusalém, a parte palestina da Jordânia e parte do sul da Síria (as colinas do Golan) antes do cessar-fogo acordado com a ONU.

            A guerra de 1967 foi o ponto decisivo. A conquista de Jerusalém e o fato de que os lugares sagrados para muçulmanos e cristãos estavam agora sob controle israelense trouxe uma outra dimensão para a crise. A guerra mudou o equilíbrio de forças no Oriente Médio. Estava claro que Israel era mais forte militarmente do que qualquer aliança entre estados árabes e isso mudou a relação de cada um deles com o mundo exterior. Para os árabes foi uma derrota e para os palestinos representou uma nova leva de refugiados. Nos anos seguintes o mundo ignoraria a situação dos palestinos até que, em 1974, Yasser Arafat foi, pela primeira vez a ONU, formalizando, assim, a representação política do povo palestino.

            A fim de harmonizar o conflito, foram baixadas numerosas resoluções por parte das Nações Unidas, conclamando à paz, ao retorno dos refugiados às suas casas, à retirada dos israelenses dos territórios ocupados e ao estabelecimento de fronteiras permanentes, nenhuma delas acatadas por Israel. 

            Em março de 1979, Egito e Israel assinaram um tratado em separado, do qual os Estados Unidos foram signatários. Embora tenha levado a uma melhora nas relações entre egípcios e israelenses, que resultou na evacuação de alguns territórios egípcios ocupados e na abertura do Canal de Suez para os navios de Israel, no entanto este tratado nada fez para efetivar uma retirada das forças de ocupação israelenses de Jerusalém oriental, da Margem Ocidental e das colinas do Golan, na Síria, e, principalmente, deixou intocada a raiz do problema - a condição dos palestinos. Na verdade, o tratado resultou no recrudescimento da tensão no Oriente Médio, que se manifestou por um aumento da intransigência israelense nos territórios ocupados e no isolamento do Egito do resto do mundo árabe.

            Em 1987, um caminhão militar israelense atropelou e matou 4 palestinos na Faixa de Gaza. Este incidente foi o estopim para o início dos combates entre jovens palestinos e as tropas de ocupação israelense. A revolta, conhecida como a Revolta das Pedras (intifada) durou 6 anos, resultando em muitas mortes e um profundo desgaste para Israel, pois eram jovens e crianças enfrentando com paus e pedras as armas sofisticadas dos soldados israelenses. A Intifada foi a primeira manifestação dentro dos territórios ocupados a abalar de forma duradoura a rotina da ocupação israelense, iniciada em 1967.Em 1991, realizou-se em Madri a Conferência Internacional de Paz, marco inicial das conversações diretas entre Israel e os países árabes. Em 1993, os dois lados firmaram em Washington um acordo de paz que previa a extensão da autonomia dos palestinos na Cisjordânia, com a retirada das tropas israelenses. Em 1995, Israel e OLP firmaram um novo acordo, desta vez com a extensão da autonomia a quase toda a Cisjordânia, sem dúvida um passo importante para o surgimento de um estado palestino, mas que se torna irrelevante enquanto Israel detiver o monopólio do uso da força nos territórios ocupados. 

            Desde o ano passado, Yasser Arafat e Ehud Barak já se encontraram diversas vezes mas sem chegaram a um acordo possível sobre as duas questões fundamentais para os palestinos: Jerusalém e o direito de retorno. Israel simplesmente perderia seu caráter sionista se Jerusalém, unificada e em sua forma ampliada, deixasse de ser sua capital. As circunstâncias pelas quais os israelenses poderiam pensar em abandonar essa reivindicação ainda não foram criadas e portanto não há o que ceder. Por outro lado, a Autoridade Palestina de Yasser Arafat estaria cometendo suicídio político se cedesse nos direitos de palestinos árabes e muçulmanos à cidade sagrada e no direito de retorno dos refugiados.

            A visita de Ariel Sharon no dia 28 de setembro passado à Esplanada das Mesquitas detonou uma nova crise que já está sendo chamada de a segunda intifada e que já se anunciava de há muito tempo e cujas consequências agora são imprevisíveis.

            Quem quer que visite a Faixa de Gaza, pode perceber as razões para o descontentamento dos palestinos. Com uma população de mais de 1 milhão de habitantes, a Faixa de Gaza, chamada de "Soweto de Israel" (referência ao gueto da África do Sul), não é um estado e não foi anexada a Israel. 

            As forças de defesa de Israel controlam toda a fronteira. Mesmo com a recente abertura de uma passagem especial de Gaza para a Cisjordânia, se os moradores de Gaza quiserem sair dessa área, precisam obter uma permissão dos israelenses. Muitas palestinos - nascidos a partir de 1967 - nunca sairam da faixa, uma tripa de terra situada entre o deserto de Negev e o mar Mediterrâneo, que mede 46 km de de comprimento e 10 km de largura, aproximadamente. 

            Algumas das piores condições de vida estão no Acampamento de Dehaishem, visitado pelo papa João Paulo II no início deste ano. Segundo o New York Times, "Quase 10.000 refugiados palestinos, quase todos muçulmanos, vivem em menos de 1 milha quadrada de terra, amontoados em barracos que formam becos salpicados de sucata de carros velhos, velhas bobinas de fio e lixo. Eles são refugiados há 52 anos, e muitos deles ainda guardam as chaves de suas casas que foram forçados a abandonar, na luta que se seguiu á criação de Israel.

            "Apesar de todos os encontros que se realizam desde 1991, continuam sem solução questões como o status de Jerusalém, reivindicada como capital tanto por judeus como por palestinos, e a questão da diáspora palestina. A grande maioria dos 5 milhões de palestinos vive dispersa pelos países árabes em terríveis condições de vida ou em territórios ocupados por Israel na condição de refugiados em sua própria pátria. E subsiste o ódio, alimentado por décadas de violência, que se expressa em atos terroristas de ambos os lados, como no caso do assassinato do líder israelense Yitzhak Rabin, praticado por um judeu de extrema direita, indignado com a perspectiva de um acordo que pudesse vir a reconhecer direitos mínimos aos palestinos.Para nós, espectadores do conflito ficam algumas interrogações. A segunda intifada coloca em cena novas forças e tendências que desafiam cada vez mais o statu quo. Novas lideranças estão surgindo e questionam a legitimidade de negociadores, representantes e mediadores do processo de paz. O presidente Clinton em final de mandato, Iasser Arafat sobre quem pesam fortes suspeitas de corrupção e desvio de dinheiro proveniente de ajuda internacional, Ehud Barak, manietado pela ala mais radical da direita israelense, que não tem interesse em ver o país dividido com os palestinos. 

            Por outro lado, a responsabilidade pela tragédia do povo palestino não pode ser creditada única e exclusivamente ao sionismo. Na verdade, os países árabes jamais chegaram a um acordo quanto à forma de atuação em relação a Israel, desde a aprovação do plano de partilha da Palestina. A última reunião de cúpula da Liga Árabe, realizada em Sharm-al-shair, em outubro último, revelou as enormes contradições internas na busca de uma solução unificada para a Palestina. 

            O poder das famílias tradicionais dos países árabes também já não consegue mais conter a revolta que vem das populações que anseiam por liberdade e independência e exigem uma retomada do compromisso de defesa da causa palestina, compromisso esse assumido por ocasião da criação da Liga Árabe. O que se espera é que a solução que venha a ser encontrada não seja excludente do povo palestino, que já perdeu tudo o que podia e o que tinha a perder. 


(colaboração Theodoro)


Vocês Sabiam?

Que:

a) Nunca houve ou existiu na história um estado palestino, ou uma nação palestina detentora ou formadora de um governo palestino?! Os palestinos nunca formaram um país denominado palestina nem nunca governaram nenhum território politicamente soberano nem foi em virtude do povo palestino que aquela terra foi denominada palestina.

b)Que Palestina foi o segundo nome escolhido pelos romanos para aquele território, o primeiro havia sido Alitea?? Quando os romanos conseguiram finalmente por seu plano de expulsão total do povo judeu da terra de Israel em 70 d.C (fato que ocasionou a diáspora) decidiram mudar o nome daquele território pertencente ao seu império para um nome que não lembrasse de forma alguma o povo que ali vivia. Batizaram-na então Palestina (FALESTINA) em homenagem a um povo que já havia sido dominado na época a mais de 2000 anos pelos Hebreus ( o povo FILISTEU). Hoje fazem mais de 4000 anos.Dai em diante aquela terra foi denominada PALESTINA.

C) Que os primeiros mouros a ali se instalarem somente chegaram cerca de 700 anos depois??? Após a denominação de terra da palestina a dominação romana perdurou aproximadamente 1400 anos. Sendo que até o ano 800 d.c. aquele território ficou sob o domínio do império romano e depois do racha, sob domínio do império romano oriental.

d) Que em 1400 o império romano oriental perdeu aquelas terras para o império turco-otomano?? O império turco otomano dominou aquela região até o final da primeira guerra mundial , quando finalmente o império britânico conquistou aquela região.

e) Que durante esses milhares de anos aquela terra se viu somente como palco de inúmera batalhas promovidas por Cristãos querendo a retomada dos lugares santos e dos turcos defendendo seu território da invasão. Não se ouvia relato ou menção a um povo palestino até então. Não houve durante todo esse período entre 700 d.c. e 1917 d.c. qualquer estado árabe naquela região.

f)Que Líbano, Síria, Jordânia, Kuwait, Palestina e Israel (dentre outros) são estados recentemente criados.

g) Que no mesmo dia em que foi criado oficialmente pela ONU o Estado de Israel também foi criado um Estado palestino??? A ONU ao criar um Estado para os Judeus também determinou a criação de um estado para os palestinos.

h) Que menos de 08 horas após a criação do Estado de Israel, esse foi atacado pelo Líbano, Síria, Jordânia , Arábia Saudita e Egito??? com o único fim de de destruir todo o Estado de Israel. Tendo como única razão para o fato a não aceitação de um estado não muçulmano no seio do mundo árabe.

i) Que cerca de 600 mil palestinos abandonaram suas casas e terras acreditando na promessa jordaniana e árabe em geral, que a vitória contra Israel seria fácil e que eles (os palestinos) teriam em breve suas terras de volta.

j) Que mesmo tendo derrotado todos os árabes, Israel não anexou a si naquele ano as terras ditas do povo palestino???

k) Que o jordanianos mantiveram as terras que pertenciam aos palestinos como sendo suas. Após perderem o confronto os jordanianos mantiveram consigo as terras destinadas aos palestino e durante quase 20 anos esqueceram de devolve-las. Que somente em 1967 quando Israel venceu o mesmo conjunto árabe pela terceira vez na guerra dos seis dias (não esqueçam que além da guerra de 1948 houve a de 1955 denominada guerra do Sinai). Foi que aquelas terras (ditas dos palestinos) foram anexadas a seu território.

l)Que até 1967 era proibido para qualquer não muçulmano visitar os monumentos sagrados de Jerusalém. Apesar de um acordo firmado entre a Jordânia e a ONU , onde a mesma deveria permitir a visita de qualquer credo a Jerusalém, esse acordo nunca foi respeitado e os monumentos e lugares santos nunca foi aberto a qualquer cristão ou judeu.

m) Que somente após 1967 quando Israel ganhou a guerra dos seis dias é que os lugares santos foram abertos a visitação de todos os credos. Até mesmo os palestinos que ali ficaram continuaram sem nenhuma interrupção visitam al aqsa, apartir dai,  os cristão de todo mundo passaram a visitar Jerusalém.

n) Que a Cisjordânia (local que Israel domina hoje) só representa 30% do território do Estado palestino , os demais 70% continuam sob domínio jordaniano.

o) Que por esses 70% , houve um fato chamado setembro Negro onde mais de 2000 palestinos foram mortos em menos de um mês, apos reivindicar ao Rei Hussein da Jordânia a devolução de suas terras???

p) Que apos a perda da Cisjordania para Israel o governo jordaniano começou a defender publicamente a devolução das terras dos palestinos???

q) Que em nome da paz Israel fez um acordo com o Egito em 1973, devolvendo as terras conquistadas na guerra dos SEIS DIAS onde foi novamente atacado pelos mesmos países árabes. Nessa guerra Israel conquistou tantas terras que chegou a atravessar o canal de suez (mar vermelho) e fincou bandeira Israelense na cidade de SUEZ no continente africano. É bom lembrar que Israel foi primeiro atacado nessa guerra... a conquista de Suez foi na contra ofensiva. Devolveu as terras em nome da paz que até a presente data perdura com o Egito.

Data: 24 Nov 2000 15:23:52 -0300
De: "PAULO FELDMANN"
Grupo: uol.folha.mundo.israel_palestina ----

(Colaboração Theodoro)


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