AS RELIGIÕES


      1 - J u d a í s m o

A mais antiga das três religiões tem em sua essência a idéia de que Deus elegeu, em toda a humanidade criada, um grupo especial: o povo eleito.A estes, reservou provações e privilégios especiais, líderes e terras sagrados.Com toda a humanidade, este Deus estabelece um compromisso geral, uma aliança.Após o episódio do dilúvio universal Ele promete não mais punir sua criação com inundações:

Deus falou assim a Noé e a seus filhos: Eis que estabeleço minha aliança convosco e com vossos descendentes depois de vós, e com todos os seres animados que estão convosco: aves, animais, todas as feras, tudo o que saiu da arca convosco, todos os animais da terra. Estabeleço minha aliança convosco. Tudo o que existe não mais será destruído pelas águas do dilúvio; não mais haverá dilúvio para devastar a terra. (Gênesis: 9,8-11)

Essa aliança materializou-se no arco-íris. Segundo os textos do Pentateuco (que integra o livro sagrado, a Torã), sempre que o arco surge nos céus Yahweh está se lembrando da promessa feita a todos os seres que criara e que — num gesto colérico estranho a um ser onisciente e onipresente — quase destruiu.

Entretanto, essa aliança é por demais democrática, não destaca o povo eleito de Deus. Uma nova aliança surgirá para este fim.

Nesta segunda aliança, Abraão torna-se o patriarca do povo eleito que ganha Canaã do Senhor Deus e, em troca, incorpora uma marca para todas as gerações descendentes:

A ti (Abraão), e à tua raça depois de ti, darei a terra em que habitas, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o vosso Deus.

Deus disse a Abraão: Quanto a ti, observarás a minha aliança, tu e tua raça depois de ti, geração em geração. E eis minha aliança que será observada entre mim e vós, isto é, tua raça depois de ti: todos os vossos machos sejam circuncidados. Fareis circuncidar a carne de vosso prepúcio, e este será o sinal da aliança entre mim e vós. Quando completarem oito dias, todos os vossos machos serão circuncidados, de geração em geração.(Gênesis: 17, 8-12)

Ocorreu, entretanto, de Abraão ter dois filhos: Ismael, o primogênito com sua serva Agar, e Isaac, filho da esposa Sarai.

Em um conflito doméstico, Ismael e a mãe são expulsos da casa de Abraão por ordem da esposa Sarai. Isaac, devidamente circuncidado, torna-se o herdeiro oficial da comunidade judaica. Ismael, mesmo sendo semita, torna-se o ancestral lendário de uma outra comunidade não judaica: os ismaelitas, que são muçulmanos.

O povo judeu, organizado sob o reinado de Salomão, assistiu a um curto período de estabilidade. Posteriormente, com sucessivas guerras sofre, sob o domínio imperial romano, a diáspora.

Até 1948 (data da fundação de Israel pela ONU), a comunidade Israelita não teve um Estado oficial, ficando dispersa pelo mundo todo, em particular pelas regiões do mediterrâneo e América do Norte. Note-se, ainda, que desde a diáspora até o sionismo, viabilizado pela criação do Estado israelense, os judeus foram vítimas preferenciais de inúmeras perseguições. Temos, como exemplos disso, os massacres feitos pela Igreja medieval, através do Tribunal do Santo Ofício e das conversões forçadas (quando então judeus viraram cristãos-novos) e o anti-semitismo alemão com o Holocausto, a solução final.   

      2 - C r i s t i a n i s m o

Quando na primeira metade do século IV d.C., o imperador romano Constantino converteu-se ao cristianismo, aquilo que fora apenas uma facção messiânica da comunidade hebraica que seguia ao judeu auto-intitulado "Filho de Deus", torna-se uma das mais importantes religiões do planeta.

A comunidade cristã soma atualmente cerca de um bilhão e oitocentos milhões de adeptos (católicos e protestantes), enquanto a comunidade judaica não ultrapassa os dezessete e meio milhões de membros.

O grande número de cristãos por todo o mundo explica-se basicamente por dois fatores, a saber:

I. O cristianismo, já em fins do Império Romano, tornou-se uma religião oficial, apoiada pelo Estado, e — na Idade Média — a Igreja foi o próprio Estado.

II. A doutrina cristã é muito flexível. Não exige etnia, cultura, língua ou status financeiro definidos. E, ademais, prega a justiça absoluta após a morte, o que aumenta a tolerância para com as injustiças sofridas em vida. E, portanto, uma religião estratégica para sociedades capitalistas, exploratórias e com marcadas diferenças sociais.

Mas, se na Alta Idade Média a predominância da Igreja Católica sobre toda a Europa e a Palestina é clara, na Baixa Idade Média e na Idade Moderna esta realidade altera-se. Há para esta mudança causas bem definidas, quais sejam:

I. Inúmeros conflitos internos geram o Grande Cisma no século XI: Católicos Apostólicos Romanos (seguidores do bispo de Roma, o Papa) separados dos Católicos Ortodoxos (seguidores do bispo de Constantinopla) e, ainda, surgem os Católicos Maronitas (do Líbano).

II. A partir do século XVI, movimentos protestantes criticam acidamente a Igreja Católica criando heresias, que dão bases às novas religiões cristãs fundadas em novos dogmas. São os frutos da Reforma Religiosa pregada por, entre outros, Martinho Lutero e Jean Calvino.

Do ponto de vista teológico, todos os grupos cristãos utilizam como livro sagrado a Bíblia, com suas duas partes essenciais: o Velho Testamento (extraído da Torá judaica) e o Novo Testamento (escrito após a suposta passagem do Messias pela Terra e condensando os ensinamentos deste).

A atual falta de unidade da comunidade cristã é tão visível que as inúmeras traduções e enxertos da Bíblia levam-nos, por vezes, a acreditar que são textos distintos, veja-se como exemplo os seguidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons) que crêem em outro livro sagrado, presumivelmente complementar à Bíblia, o Livro de Mórmom.

O preço pela falta de unidade cristã foi alto. No Oriente não há senão grupos isolados de cristãos que não mais disputam a posse de Jerusalém ou qualquer outro dos sítios considerados sagrados.

3 - I s l a m i s m o

A palavra islamita significa submisso a Deus, e esta submissão foi o único fator que conseguiu — em alguns momentos da história — dar relativa unidade ao povo árabe.

Na primeira metade do século VII, Maomé teria recebido uma visita do arcanjo Gabriel. Este, por sua vez, teria atribuído ao ex-caravaneiro a função de unir os povos nômades da Arábia e de acabar com o politeísmo. Para tanto contaria com o apoio do próprio Deus: "Alá é o único Deus e Maomé, seu profeta".

O início oficial de sua pregação é o episódio chamado Hégira (16 de julho de 622, do atual calendário cristão), quando Maomé foi expulso de Meca e fugiu em direção a Yatreb (posteriormente chamada A Glória do Profeta = Medina).

Seu excelente discurso, seu poder de persuasão e as promessas de um paraíso rico em leite e mel (o que no Oriente Médio não é desprezível), deram ao Profeta o apoio necessário para retornar e vencer em Meca. Destruindo grande parte dos templos dos muitos deuses e incorporando outra parte (por exemplo, o templo chamado Caaba e a pedra negra — um meteorito? — em seu interior), Maomé criou as bases da unidade muçulmana.

Após sua morte (632 d.C.), suas idéias propagaram-se e o Islã cresceu, tornou-se um poderoso império cuja essência religiosa está transcrita em dois importantes textos: o Alcorão e o Suna. Basicamente, constam, no primeiro os ensinamentos do profeta acerca da vida de um bom islamita: as rezas diárias, a obrigatoriedade da esmola, o intenso jejum do ramadã (mês sagrado), a conversão através da Jihad (Guerra Santa). No segundo estão histórias sobre a vida do Profeta e a afirmação de que sua sucessão não seria exclusividade de seus parentes diretos. Alguns acreditavam firmemente que a autoridade do lslã estaria apenas com o marido de Fátima, a filha do Profeta, chamado Ali e com sua descendência. Estes eram chamados xiitas. Aos que consideravam que a autoridade do IsIã poderia ficar com outros líderes (califas não descendentes de Maomé), como consta do Suna, chamamos, ainda hoje, sunitas.

Atualmente, a maioria do mundo muçulmano é composta por sunitas, mais flexíveis. A minoria xiita, no entanto, é marcada pelo radicalismo, pelo fundamentalismo.  


CONCLUSÃO

        Ao contrário do que muita gente pensa, os conflitos no Oriente Médio não são em razão de ordem religiosa ou racial, e sim de ordem política. 

        As batalhas nessa região datam de milhares de anos A.C. 

        Os problemas modernos, dos quais a gente sempre vê no noticiário e nos jornais, vem desde 1948, quando o Estado judeu foi fundado na Palestina.

 


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