SHOW DAS PIRÂMIDES


 

Som e luz

Durante a abertura, as Pirâmides e os Templos são aos poucos iluminados em tom azul esmeralda. 

O NARRADOR

“Você está nessa noite num local muito importante, o mais fantástico e famoso do mundo – O Platô de Gizah – Onde se ergue para a eternidade, o mais alto testemunho (monumento) da humanidade. 
Nenhum viajante houve, Imperador, Negociante ou Poeta que passando sobre essa esplanada, não ficasse com o coração estremecido. 
Você está no momento, onde a cortina da noite vai se entreabrir e mostrar a cena onde se desenrolou o drama de uma civilização. 
Os personagens estão nos seus lugares, desde os primeiros dias da história, enfrentando as areias e os ventos. E a voz do deserto atravessou os séculos” 

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A face da Esfinge aparece, como que colorida pela luz da aurora. 
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A ESFINGE 
“A cada nova aurora, eu vejo se levantar o Deus Sol sobre a outra margem do Nilo". 
Seu primeiro raio é para minha face que está voltada para ele. Desde há 5.000 anos eu vejo levantarem-se todos os sois que os homens tenham guardado na memória. Eu vi o primeiro esplendor da História do Egito e eu verei amanhã o Oriente tornar-se em brasa, ainda mais uma vez, para um novo dia. Eu sou o guardião fiel ao pé do seu senhor, tão fiel, tão vigilante, tão perto dele que ele me cedeu sua fisionomia. Eu sou amigo de um Faraó e eu sou também o Faraó. O povo que me adorava me deu, ao longo dos séculos, muitos nomes” 

VOZES DIVERSAS 
“Oh Harmakhis! Tu és a segurança de minha vida! 
Hurum! Proteja-me! 
Senhor do deserto! 
Senhor do céu! 
Senhor da eternidade!” 

A ESFINGE 
“Mas o nome que me resta é aquele que me conferiu um viajante grego, Heródoto, o pai da história. Ele me chamou Esfinge, como se eu fosse de seu país. E esse é o nome que me restou. 

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As cores da aurora incidem sobre os templos. 
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Eu durmo às margens do Nilo, sobre o glorioso Platô de Gizah, cujos monumentos todos, do mais modesto ao mais ousado, são tumbas sepulcrais”. 

O NARRADOR 
“As civilizações são pequenas ilhas no oceano da barbaria. Essa aqui é a mais prestigiosa dessas ilhas, sobre a qual a esfinge dorme desde há 5.000 anos. Aos pés dessas montanhas de pedra, tudo parece minúsculo e desprezível. Um homem é uma formiga. E ainda assim foram os homens que a construíram esses monumentos. E os nomes dos Faraós, cujas tumbas estão aqui, atravessaram as idades. Sua glória venceu o tempo!”   
 
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Depois a pirâmide de Kheops 
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NARRADOR 01   
“Eis aqui a tumba de Kheops. Faraó da 4ª. Dinastia, há mais de 4.000 anos. Eis aqui a grande Pirâmide que ele fez construir para lá suportar um assédio milenar, contra a morte”. 
 
NARRADOR 02   
“De repente ele atingiu com 146 metros de altura, o ponto culminante da ambição humana. A Pirâmide de Kheops ocupa em sua base, um terreno que poderia conter de cada vez, as catedrais de Florença, de Milão, de São Pedro de Roma, a Abadia de Westminster e a Catedral de São Paulo de Londres. Para essa fantástica construção, os operários de Kheops, com a fé, empilharam três milhões de blocos de pedra, algumas das quais, pesam trinta toneladas. No seu centro, o Faraó escolheu para a construção da “câmara secreta”, onde sua múmia, instalada num aparatoso mobiliário, deveria desafiar os séculos”. 
 
NARRADOR 01 
“Ao pé dessa Pirâmide, cavara-se na rocha um templo, onde foram depositados os barcos de Kheops, os barcos da noite. O faraó morto sobre esse grandes barcos de madeira, podia prosseguir sua obscura viagem para a eternidade. O destino quis que não se encontrasse dele, mais que uma pequena estátua em marfim, que mostrava outra vez seu belo rosto, grave de nariz aquilino, queixo voluntarioso e os hieróglifos do nome que ele dera a sua Pirâmide. Kheops pertence ao horizonte”. 
 
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Depois a de Khephren 
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NARRADOR 01 
A Pirâmide de Khephren. Ela tem também sua divisa:”Khephren é grande”. Em sinal de respeito a seu pai Kheops, o Faraó Khephren mandou
construir sua Pirâmide em dimensões ligeiramente menores. Com uma base de 215 metros de lado e um ângulo de 52°, ela atingiu a altura de 145,5 metros. No cimo de sua tumba brilha ainda o revestimento de calcário que revestia as quatro faces e reunia o esplendor à grandeza”. 
 
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A face da Esfinge aparece mais iluminada. 
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NARRADOR 02 
O rosto de Khephrem vai até nós esculpido em alabastro verde com listras brancas, uma pedra rara trazida por ele, quando de volta de uma expedição. E mais perto de nós essa noite, ele está já sobre os traços da Esfinge talhado numa rocha, perto de sua tumba. 
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E enfim se acende a Pirâmide de Myquerinos 
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NARRADOR 03   
“Myquerinos! “Sobre o fantástico Platô funerário de Gisha, uma terceira tumba gigante, devia tornar-se aqui, uma das maravilhas do mundo.
Certamente mais modesto, porém um tanto mais emocionante, porque todo o fervor humano mobilizado aqui, parece ter atingido o seu máximo. É que ao longo dos seus flancos preciosos, revestidos de granito, devem ter sido acariciadas finalmente - num último carinho – pelas mãos cansadas dos operários que a terminaram”. 
 
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O conjunto da cena torna-se claro pouco a pouco. 
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NARRADOR 04 
“Grande e poderosa era Menphis, a capital do coração da
planície, que unia o alto e baixo Egito”. 
 
NARRADOR 03   
“Grandes e poderosos eram os Faraós que edificaram sobre esse lado do Nilo, esta cidade para a eternidade. Ao ser completada a obra, a quarta Dinastia desmoronou mas as Pirâmides estão de pé. E a divisa que concluiu a obra diz: -“Mykerinos é divino”
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NARRADOR 01 
“Três Faraós reinaram aqui:- Kheops, Khephren e Mykerinos. Pouco importa que os sarcófagos estejam vazios e as faixas retiradas. Kheops, Khephren e Mykerinos reinaram aqui, cingidos com a dupla coroa do Alto e Baixo Egito. Eles reinam sobre seus corações, sepultados a seus pés” 
 
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A luz diminui lentamente e torna-se  pouco a pouco fúnebre. 
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Sobre essas pequenas pirâmides onde dormem as rainhas bem amadas. 
Sobre as tumbas de seus ministros. Sobre toda a sua corte de
funcionários, dormindo eternamente, camareiras, grandes sacerdotes, escribas, bufões, arquitetos, cortesãs, cada um em seu lugar de precedência, nesses apartamentos mortuários, aos quais se dá o nome de Mastabas. Por esse motivo, aqui está uma parte do palácio real dos mortos com suas perspectivas triunfais, seus pavilhões, seus corredores, seus quartos secretos, suas muralhas. 
 
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(O templo e a esplanada de Khephren se iluminam). 
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“É tudo uma cidade do outro mundo que defendia como postos avançados, os templos dos vales onde se detinha a devoção do povo”. 
 
O NARRADOR 
“Vindo do Nilo, chega-se lá por monumentais rampas de pedra, a mesma escada colossal até os templos do alto, onde só ao sacerdotes era permitido penetrar os segredos das múmias. Só eles sabiam, para que viagem carregava-se, ao pé das tumbas, esses grandes barcos, prontos para receber tripulação. Uma viagem às paragens do sol. Uma longa viagem de mais de 4.500 anos”. 
 
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(Toda a paisagem se obscurece. Penumbra sobre  Kheops e Mykerinos)
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  “Que nosso pensamento se detenha um instante e através do labirinto dessa necrópole, chegue ao túmulo, semelhantes a milhares de outros, o túmulo da mãe de Kheops. E a esta liteira que já se encontrou, coberta de hieróglifos de ouro, para a caminhada eterna, ao lado de seu filho, o gigante”. “Nem o vento, nem a areia, nem os séculos puderam verdadeiramente fazer calar a voz do deserto”. 
 
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Aparição da Esfinge 
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A ESFINGE 
“Eu testemunho o que desejou Kheops, meu pai:Vencer os tempos eternamente! Eu vi passar Marco Antonio e Cleópatra. Alexandre, César e Napoleão Bonaparte acamparam a meus pés. Eu vi turbilhonar aqui como folhas mortas, todos os sonhos dos conquistadores. Eu escolhi por divisa um provérbio árabe que diz: -“O universo teme o tempo e o tempo teme as Pirâmides”-“ 
 
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Mykerinos se ilumina. 
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O NARRADOR 
“De todos os monumentos da antiguidade são as Pirâmides que, de maneira mais forte atormentou sempre a imaginação dos homens. Do cimo à base, a pirâmide é a imagem dos raios de sol, filtrando-se através das nuvens...Ela comemora a maior vitória, a vitória sobre a morte. Ela é a casa, a mais perfeita, a mais sólida, aquela cujas paredes de pedra,
respectivamente teto e muralha, São tão perfeitamente fechadas que o Senhor que lá se encerrou, pode durar até o fim do mundo”. 
 
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Depois se apaga pouco a pouco. 
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“Qual sonho? – O da imortalidade. É aquele para a qual durante dois meses, trabalharam os embalsamadores que não deixaram no corpo, para o porvir, mais que o coração e os rins. Escondida nos segredos de sua tumba, servida por um povo de estátuas, dispondo de todas as previsões para a jornada, a múmia estava já, no vazio do sarcófago, ao serviço da alma, que sem o seu recurso, não seria capaz de sozinha, enfrentar a noite. E o odor aromático do óleo de cedro, mirta ou resina, sobreviveram até nossos dias, no fundo desta tumba”. 
 
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Aparecem Kheops e depois Mykerinos 
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Uma pirâmide é também uma reunião de simplicidade e grandeza, feliz conjugação, pelos jogos de ângulos, forma e volume. É o mais puro poema arquitetônico, porque é o único de linhas certas: Nunca ele foi empregado com tanta maestria, tanta destreza e tanta força. É necessário que se renda homenagem aqui: Ao sábio Im-ho-tep que imaginou e fez edificar em Sacára, a primeira pirâmide; uma pirâmide de degraus, formada de seis mastabas superpostas. O impulso inicial estava dado, o cálculo iniciado, a forma ideal descoberta. De todos os objetos encerrados com um morto em sua tumba, palheta do escriba é, com certeza, o mais precioso; porque é dele que saiam as cifras que permitiam os fabulosos cálculos, donde nasceram essas montanhas de pedra: uma flor de Lótus que vale mil, um dedo que vale dez mil, um girino que vale com mil e duas mãos juntas de um escriba, levantadas em oração, que valem um milhão. 
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As pirâmides e o Platô são iluminados com luz dourada. 
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NARRADOR 01 
“Ela foi construída, pedra após pedra, da terra até o céu. Ela foi
construída durante a vida de um Faraó por cem mil operários, cheios de um fantástico impulso de fé. Cada pedra pesava em média duas toneladas e meia e foi preciso três milhões delas, umas sobre as outras. As mais belas vieram da pedreira de granito de Assuan, transportadas pelas águas, trazidas ao pé da obra pelas enchentes do Nilo, tornava disponível todos os camponeses do vale, que vinham dar a sua ajuda no trabalho de construção. Essas pedras foram içadas, uma a uma sobre planos inclinados que eram aumentados, a medida que a pirâmide crescia”. 
 
NARRADOR 02 
“Diante desse esforço sobre humano, podemos acreditar na lenda? Para construir uma pirâmide é necessário um fervor místico! É necessário muita fé. Aqueles que aqui construíram merecem, não a nossa piedade, mas o nosso mais profundo respeito e nossa admiração. Eles viveram uma dessas raras épocas de certeza em que o homem sabe o que fez e o povo sabe onde vai. Porque ele crê. Aqui o homem acreditou que a morte estava vencida. 
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A Esfinge em luz dourada, triunfante. 
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A ESFINGE   
“Eis pois, a meus pés, sobre esse vasto campo de trabalho, na aurora da humanidade, agrimensores, geômetras, sábios que enumeram as estrelas, engenheiros, arquitetos, todo um povo numa mesma época em que no resto do mundo, os homens caçavam ainda nas florestas e se abrigavam nas cavernas”. 
 
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O cenário, a Esfinge, tomam as cores da noite. 
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UMA VOZ  
“Eu te saúdo Nilo soberano, que se serpenteia lá em baixo, tão
nobremente, porque tu fostes o pai dessa maravilhosa aventura! Acontece que o deserto tomou lugar ao prado e os pântanos secaram às margens do Nilo. Então o homem foi como que obrigado à civilização. Ele se fez camponês para viver. Ele amou a terra. Ele cavou lá a sua tumba. Ele quis lá sobreviver. São os camponeses que aqui elevaram, com ajuda do rio, essas monumentais morada dos mortos”. 
 
A ESFINGE   
“E eu, companheiro fiel de Khephren, vi passar a longa procissão das Dinastias, os graves sacerdotes e as nobres damas, vestidas tão leves que pareciam estar nuas”. 
 
VOZ DA LENDA 01   
“Tu te recordas da história de um Falcão que roubara uma sandália enquanto as mulheres tomavam banho? Ele a prendeu em seu bico e por descuido a deixara cair perto de um Faraó que dava audiência em seu jardim...Tão delicada era a sandália, de um pé tão pequenino que ele sentiu vontade de conhecer a bela dona. E casou com ela”. 
 
VOZ DA LENDA 02   
“Tu te recordas ainda de um cortesão de Kheops que fizera arrastar seu rival para o fundo do lago, por meio de uma pequena imagem de cera, transformando-o, por um gesto mágico, num crocodilo? Ele quis cair nas graças do faraó, mostrando esse poder miraculoso. Mas Kheops por sua vez puniu o culpado, fazendo devorar pelo crocodilo, o cortesão enganado e castigando a princesa adúltera”. 
 
VOZ DA HISTÓRIA 01   
“Tu te recordas também de um jovem faraó que se chamava Amenófis II? Jamais se viu mais belo atleta; mais forte, mais harmonioso. Ele tinha os ombros largos, a cintura estreita, as coxas de bronze, capaz de domar em um instante, o mais rebelde cavalo! Seus feitos estão gravados numa pedra que ele vem te oferecer”. 
 
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A Luz se extingue lentamente. 
 

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VOZ DA HISTÓRIA 02   
“Por vezes a dança do tempo te esquecia como um velho monumento. A areia ameaçava te sufocar. Amenófis II trabalhava na Mesopotâmia, longe de sua pátria. Um dia, um príncipe cansado de caçar leões, veio repousar à tua sombra. Ele adormeceu e tu lhe falastes em sonho: - 
 
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Aparece a Esfinge meditativa. 
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A ESFINGE   
“Olha-me, ó meu filho! Escuta-me e tu carregarás coroa branca e coroa vermelha, coroa de montante e coroa de jusante; coroa do alto e baixo Egito. Teu será o país no seu comprimento e na sua largura. Veja em que estado eu estou, eu e meu corpo dolorido, eu o senhor do Platô de Gizah! Livre-me das areias e tu serás rei!” 
 
HISTÓRIA 02   
“No sonho o jovem homem prometeu livrar-te da areia; tornou-se rei sob o nome de Tutmósis IV e fez gravar entre tuas patas o sonho que acabei de contar. Então vieram as grandes festas...” 
 
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Sobre a música, todo o cenário torna-se claro. 
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COMENTARISTA 01   
“As cerimônias de coroação começam e a multidão se acotovela às bordas do Nilo para assistir ao ritual. Eis aqui o barco de duzentos remadores que aparece subindo o rio... A assistência excita a cadência dos remadores. É o faraó que governa o barco. Ele manobra perfeitamente e num último impulso, leva a embarcação até o molhe. Aclamado por seu povo, o faraó salta sobre a margem e subiu ao Platô onde estavam erguidos os alvos de cobre, dos tiros de arco. Abandona-se às margens do Nilo para vir assistir a nova prova”. 
 
COMENTARISTA 02   
“Agora, enquanto espera os arcos, o faraó aproxima-se de um cavalo fogoso e inquieto que se lhe apresentou e repentinamente atrelou a seu carro. A multidão teve medo, mas o faraó não afrouxou as rédeas e agora é o cavalo que cede à sua pressão. Ele o fez voltar a estrada e conduz a passo ao seu escudeiro... A multidão o aclama”. 
 
COMENTARISTA 01   
“O faraó escolheu seu arco mas antes retesou mais de cinqüenta, antes de escolher este aqui. Sobe em seu carro e se lança ao assalto do primeiro alvo...(gritos) Mais uma e...(gritos redobrados), oh! É incrível, mas por fim, a flecha atravessa o alvo de lado a lado!” 
 
COMENTARISTA 01   
“ E é o triunfo. De pé sobre seu carro, o faraó retorna à estrada onde espera seu trono. A corte, os sacerdotes, o povo aprestam-se com seus cumprimentos, seus louvores, seus presentes. Ele cinge-se com as duas coroas e sobre seu carro de vitória vai recolher-se nos templos de Harmakhis, de Kheops e de Khephren! Longa vida ao faraó!” 
 
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O cenário torna-se fúnebre. 
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NARRADOR 01   
“Um reino se extingue. O faraó está morto. E eis agora que vem do vale, a triste lamentação dos funerais”. 
 
NARRADOR 02   
“O faraó repousa no seu envoltório de madeira, de pedras preciosas e ouro. As cerimônias no templo do vale terminaram e pela via ascendente, o cortejo fúnebre sobe até a tumba. Está escoltado de príncipes, altos funcionários do Estado e de sacerdotes. No coração secreto da pirâmide, o sarcófago de pedras está pronto na câmara funerária e tudo está em seu lugar para a travessia, do lado que conduz às portas do outro mundo. A última laje vai ser selada, tão perfeitamente que não se poderá distinguir o que foi uma porta do que é uma muralha. O grande sacerdote pronuncia o adeus”. 
 
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A luz diminui lentamente e se extingue. 
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O SACERDOTE   
“ Oh rei, tu não nos deixa morto, tu partes vivo. Se tu te vais, tu retornarás em breve. Se tu dormes, tu te levantarás, SE tu morres tu ressuscitarás. Tu que te elevastes em meio às estrelas indestrutíveis. 
Tu não desaparecerás jamais”. 
 
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(Penumbra sobre Khephren) 
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VOZES DE CARPIDEIRAS 
“Helas! Helas! Elevai, elevai lamentações sem descanso. O glorioso viajante partido para a eternidade, está agora cativo”. 
 
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(Os templos em primeiro plano aparecem. O cenário se alarga) 
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NARRADOR 01   
“Assim, durante milênios se sucederam Dinastias de faraós. Mas, de todos os soberanos do Egito antigo, é sem dúvidas o mais marcante o jovem faraó, poeta e místico, que sucedeu Ameófis III”. 
 
NARRADOR 02   
“O esplendor da civilização, avança pouco a pouco para o sul, fizera do vale do Nilo, uma espécie de via triunfal, formada pelos papiros* do saber, pelos trabalhos da prosperidade, pelos terraços da doce vida e pelas tumbas meditativas”. 
 
VOZ DE MULHER   
“De olhos grandes e pensativos, um corpo débil, uma doçura quase feminina, eis o estranho adolescente que ascende ao domínio do poder total. Ele abandonou Tebas para fundar a sua própria cidade, ele abandonou Amon, os seus sacerdotes, para adorar um deus seu. Um deus que está no céu, Aton. Ele troca seu nome de Amenófis IV para adotar outro:- Sknaton. Aton, o único...”. 
 
VOZ DE MULHER   
“Com ele, as muralhas que isolavam os apartamentos das esposas reais, caem; -os véus revelam para os séculos futuros que será sempre amada a figura graciosa de Nefertiti. De mãos dadas, ainda adolescentes, eles vivem um poema de amor transtornado. Ela sentiu a seu lado lutando pela nova fé, de que foi inspiradora. E seus traços radiosos, inspiravam os escultores. O eco de sua beleza chegou assim até os nossos dias”. A vida de Aknaton, terminou com um triste “bouquet” colhido nos campos por sua esposa bem amada, um pequeno bouquet de flores do campo, com as lágrimas de Nefertiti...”. 
 
HISTÓRIA 01   
“Ele tinha pouco mais de 30 anos quando morreu e foi mais de treze séculos antes da nossa era que ele compôs esta admirável prece: 
Aton vivo, como tua aurora é bela! 
Tu criastes a terra conforme teu coração! 
Tu das a cada um, tudo o que é necessário! 
Tu estás em meu coração; 
Os homens vivem por ti 
Tu! Vivo e brilhando 
no infinito 
e ao infinito”. 
 
NARRADOR   
“O amor deles durou muito pouco, apenas o tempo de uma rosa chamada Nefertiti. Mas os homens ainda hoje, tem o coração perturbado. Seu sucessor deveria chamar-se Toutakaton. Ele chamou-se Toutakamom, do nome do antigo deus. Tudo pois voltou à ordem. Frágil e delicado,
Toutakamom morreu aos vinte anos, depois de nove anos de reinado. Mas, três mil anos de tumba não puderam apagar seu belo rosto de adolescente, nem alterar os tesouros, encerrados na sua tumba inacabada do Vale dos Reis. Hoje, elas encantam os olhos do mundo inteiro”. 
 
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(A esfinge, só, em vermelho pálido) 
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A ESFINGE   
“Eu, que conheço as indestrutíveis estrelas. Eu sei que o Nilo que fez o Egito não pode destruí-lo. Eu vi os conquistadores virem meditar nestes lugares e baixar a cabeça. Eu vi Alexandre o Grande, belo como um bárbaro, refletir como um profeta. Ele dorme em qualquer parte, escondido nesta terra, esperando a sua ressurreição. Eu vi Julio César; uma noite ele temia o sol. Cleópatra, nossa última rainha, tivera um filho dele. Em vão, Cesarion, faraó sem trono, morreu sem haver reinado. 
Eu vi Bonaparte. Os séculos passavam sobre mim. E estes grandes conquistadores, não fizeram mais do que levantar-se da areia”. 
 
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(A Esfinge aparece mutilada) 
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A ESFINGE   
“Conheci horas cruéis. Um emir irascível, na idade média. Achando meu sorriso infiel e vagamente irônico, me fez desfigurar a golpes de canhão. As crianças então me achavam feia, eu lhes fazia medo. Ninguém vinha mais orar a meus pés. Ninguém mais me escutava. As chaves do velho Egito, estavam perdidas. A areia quase me envelheceu. Toda nossa ciência, toda a nossa alma, enroladas em milhares de papiros dormiu ininteligível, no fundo das tumbas silenciosas”. 
 
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(Sobre a música, todo o cenário torna-se dourado, pouco a pouco triunfante) 
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NARRADOR 01   
“O milagre portanto se produziu. Em 1799, perto de Roseta, um oficial de Bonaparte encontrou uma pedra, uma laje, sobre a qual, estava gravado um decreto de Ptolomeu; em grego e em hieróglifos. Pressentiu que tinha a peça decisiva!” 
 
NARRADOR 02   
“Era ainda necessário interpretá-la. Foi um jovem francês, Champollion que soube encontrar através de alguns caracteres misteriosos, a velha língua perdida” 
 
NARRADOR 03   
“Então foi como uma ressurreição! De um só golpe, do fundo dos sepulcros ao cume das Pirâmides, todos os hieróglifos se mostraram vivos. Pássaros de longas penas, flores de lótus, peixes, lebres, canários: A misteriosa escritura se revelava, estremecia ruidosa como um viveiro de pássaros. 
Dizia-se que ao chamado de trombetas celestes, o velho Egito saía de suas tumbas, jovem e imortal! Jovem, imortal e belo como Nefertiti”. 
 
NARRADOR   
Os papiros consultados nas bibliotecas, tornaram-se conhecidos. Eles floresceram nas margens do Nilo. Atravessaram o tempo. 5000 anos mais tarde, eles falavam sobre o movimento da civilização romana. Em suas folhas, encontravam-se mesmo, as palavras dos escolares da época que se esforçavam para escrever”. 
 
VOZ DE CRIANÇA   
“Mestre! Porque me batestes? Eu aprendi a lição!” 
 
VOZ DO MESTRE   
“Menino! Por mais profunda e vasta que seja a ciência, agradeça sem cessar à Deus ; ele te derramará sempre, sua graça”. 
 
NARRADOR   
“E ao sábios vindo do mundo inteiro a procura desta vida que triunfara sobre as areias e sobre a morte, exaltavam-se redescobrindo e em formas de máximas ou de provérbios, uma sapiência que tinha a idade das pirâmides e sua eterna juventude”.
 
NARRADOR   
“No fundo das tumbas redescobertas, eles escutavam essas vozes milenares”. 
 
VOZES DIVERSAS   
“Nunca se cumpram as intenções dos homens! Mas, somente as de Deus!” .x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.  
“Se tu deves manter laços de durável amizade com uma família a que tu freqüentas, mesmo que mestre, irmão ou amigo, mantenha-se longe das mulheres! O lugar onde elas estão, é perigoso!”
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“Não respondas ao bem com o mal. A justiça se sobrepõe a força”. (Um azul de lugar, sobre o conjunto da região) 
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NARRADOR   
“E os corações dos sábios se enterneciam repetidamente, porque eles reliam, tantos séculos mais tarde, o que poderíamos chamar de cartas de amor”. 
 
VOZES DE JOVENS   
“Que existe de mais belo, do que passear no campo em companhia de quem se ama?” 
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“Eu não emociono mais teu coração...Porque?” 
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“Quando eu vou passear, tu me acompanhas em qualquer lugar. E em todos os lugares, minha mão está dentro da tua”. 
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“Escutar tua voz me perturba o espírito. Minha vida inteira fica suspensa em teus lábios. Ver-te para mim, é melhor do que comer ou beber”. 
 
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(A Esfinge só em vermelho) 
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A ESFINGE   
“Eis minha mensagem do início dos tempos. 
(Vozes esparsas de belos jovens.) 
(Vozes de sábios, vozes de crianças.) 
(As vozes do velho Egito.) 
E essas vozes vos parecem familiares porque vós já escutastes seu eco através da Grécia e de Roma. Através do Cristianismo! Através do Islamismo! Amanhã uma voz mais, o sol nascente, me dedicará sua primeira carícia. Milhares de sóis se levantarão ainda. E nosso testemunho, o mais antigo da história, continuará mais alto e mais puro!” 
 
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(A luz aumenta juntamente com a música) 
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VOZES DIVERSAS   
“Glória seja rendida ao Nilo, pai de todas as nossas colheita; de toda a nossa ciência, de todos nossos trabalhos, de toda a nossa força! Glória seja rendida ao Nilo que fez surgir aqui uma das sete maravilhas do mundo antigo! Glória seja rendida ao Nilo, guia da prosperidade e da ventura do amanhã! Ao Nilo que vibra de esperança! De Assua até o Delta. 
Ao Nilo que não é uma tumba, mas um berço!” 
 
A ESFINGE   
“Só é possível destruir-se ao longo do tempo, as obras humana! Mas o espírito que envolve este monumento, é imortal!” 
 
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(Sob o último acorde, o cenário cai nas trevas da noite)
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FIM 


  
Traduzido do original em francês 
Pelo Ten. Stelson Santos Ponce de Azevedo  
Em março de 1966 
Copiado por mim, exatamente como foi traduzido
 
Dacilio de Abreu Magalhães – 3º. Contingente do Btl.Suez Cônsul da ABIBS/RS em São Paulo 
 
OBS. Esse documento, pelo seu tamanho, não vou solicitar que seja colocado no Site, mas encontra-se em meus arquivos à disposição de quem o desejar; apensar disso, solicitarei ao Sr. Alceu, mantenedor do Site que divulgue essa matéria, que para muitos é muito importante. 
 
De: =?Dacilio Magalhaes?= <dacilio@yahoo.com.br> 
Data: Sun, 29 Aug 2004 22:32:45 -0300 (ART)

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