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Oficiais do RCECS / PMERJ agraciados com a Medalha Missão de Paz do Batalhão Suez

 Israel Blajberg (*)

Os meados de março de 2007 foram marcados por um sentimento de pesar diante da imensa perda sofrida pela corporação, quando inúmeras vidas preciosas de milicianos foram ceifadas na luta sem trégua travada contra a criminalidade. 

A singela solenidade, marcada com muita antecedência, acabou se transformando em um ato de solidariedade para com a PMERJ, naquela conjuntura tão dolorosa atravessada. 

Através dos Veteranos Boina Azuis, veio o reconhecimento ao valor dos bravos integrantes da Policia Montada, quando oficiais do RCECS foram agraciados pela ABIBS -  Associação Brasileira dos Integrantes do Batalhão Suez – III / 2°. RI com a Medalha Missão de Paz do Batalhão Suez, onde pontifica a pombinha branca em um fundo azul claro. 

Tradicional unidade, desde a década de 70 ocupa o aquartelamento de Campo Grande, transferida que foi das instalações então já acanhadas do Regimento Marechal Caetano de Farias, na Avenida Salvador de Sá, sob a denominação Regimento de Polícia Montada (RPMont) Coronel Enyr Cony dos Santos, em homenagem ao oficial que tanto trabalhou pelo engrandecimento do RPMont como unidade especializada da Polícia Militar. 

No Salão de Honra, a Comitiva da ABIBS visitou as novas instalações do original Museu, que guarda objetos pessoais, armas, fotos e documentos com a história do regimento. 

Foi uma sexta-feira movimentada por reuniões no Quartel do Comando Geral, os milicianos atentos às comunicações, na esperança de que cessassem as noticias tristes que se haviam sucedido durante a semana, o que felizmente ocorreu, sem que novas baixas acontecessem. 

Estando as viaturas empenhadas em diversas missões,  o horário inicial teve de ser forçosamente adiado, até que foi possível deslocar uma unidade para transportar a Comitiva da sede da Associação no Méier para a distante Campo Grande, onde numa das ultimas fazendas ainda existentes no outrora bairro rural, se instalou o RCECS. 

No passado vastos terrenos vazios caracterizavam a região, estradas estreitas em terra batida, poucos telefones, comércio incipiente, tudo contribuindo para um ambiente bucólico ideal para férias e fins de semana. Mas tudo mudou com o tempo, os conjuntos habitacionais apagando o verde das matas e capinzais, enormes lojas e  shoppings se instalando, o transito conturbado, até que quase nada mais restou da tranqüilidade original. 

No percurso demorado vencendo o transito denso pelas ruas do subúrbio e Avenida Brasil, ao lado de um oficial da unidade fardado com o uniforme operacional e equipado com armamento pesado, não pudemos deixar de nos contristar ao percorrer o mesmo trecho onde o menino João Hélio pereceu vitimado como um mártir em holocausto à tragédia urbana que vivemos.  

Na velocidade exigida para vencer a distancia, tivemos oportunidade de poder sentir um pouco  ao longo da viagem as exigências físicas e mentais que são impostas ao pessoal de serviço, sempre alerta diante do perigo iminente que a qualquer momento pode eclodir sem aviso, atenção constante ao radio da viatura para a necessária coordenação, às vezes cruzando com outras patrulhas empenhadas em missões quase sempre urgentes e de grande risco. 

Mantenedor das tradições da Nobre Arma Ligeira, ao dar entrada no aquartelamento o visitante logo tem a prova, ao ver a inscrição “Haverá Sempre uma Cavalaria” na branca amurada diante do Corpo da Guarda onde tiram serviços os militares envergando características perneiras e culote de montaria. 

Ciosos dos costumes da Arma de Osório, os cavalarianos do RCECS mantém um elevado padrão operacional, seja nas patrulhas em inúmeros pontos da cidade, seja nas formaturas e desfiles, como em 7 de Setembro, quando irmanados aos que envergam a farda verde-oliva, ao comando de “Galope” arrancam aplausos da multidão, integrando o Grupamento Hipomóvel que encerra o desfile, as flâmulas tremulando ao vento nas pontas das lanças, o tropel dos corcéis acompanhando fielmente o ritmo da marcha batida. 

Devido aos acontecimentos, não foi possível ao Comandante da Unidade se fazer presente, tendo sido representado na solenidade pelo Major Bandeira, Sub-Comandante. 

A mestre de cerimônias, a jovem Capitã Fabiana Silva conduziu com precisão a solenidade, ela que alem de Oficial de Relações Públicas do Regimento, exerce também o comando do Esquadrão de Cabines e PPCs, na rotina diária da luta sem descanso em defesa da lei e da ordem, que o atual estado de coisas impõe nos dias que correm. 

Após a cerimônia, um almoço foi servido aos integrantes da Comitiva. Foram breves e agradáveis momentos passados em companhia de homens e mulheres dedicados ao serviço da sociedade, e que nesta data tiveram um reconhecimento, ainda que singelo, através dos Veteranos de Suez, capitaneados pelo Presidente. Roberto Pinto da Fonseca, Diretores Antonio Walter e Samuel Muniz Gonçalves, e membros dos Conselhos da Associação, com a presença do Perito criminal Dr. Gilson Timponi, da Policia Civil, o mais antigo profissional em atividade no país. 

Ao cruzar os portões, de volta, não pudemos deixar de nos sensibilizar pelo que foi visto, o trabalho desenvolvido pela tropa abnegada, formulando mentalmente os desejos de que nos encontremos sempre somente em alegrias, e que o Grande Arquiteto do Universo ilumine os sendeiros da tropa cavalariana, lhes concedendo arrojo na monta, mansidão no trato, constância no trabalho, corrida, passo e destreza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De: iblaj <iblaj@hotmail.com>
Data: 24/03/2007 (00:35:10)
Assunto: 1 de 2 - Texto: Medalha Missão de Paz do Batalhão Suez
 


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