Era um  Domingo

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Homenagem ao Soldado Desconhecido Brasileiro
Monumento Nacional aos Mortos da 2ª. Guerra Mundial
15 de abril de 2007  
 Israel Blajberg (*)

Era um domingo radiante. O singelo Monumento aos Pracinhas se destacava contra o céu azul em meio ao verde do Parque do Flamengo, pessoas aproveitando dia bonito para caminhar, respirar ar puro. 

Ao lado do pórtico monumental uma pequena multidão se mistura aos veteranos da FEB, Senta a Pua, Marinha, Batalhão Suez, Fuzileiros, Veteranos das Nações Amigas (Polônia, Inglaterra, França EUA e Bélgica) e o pessoal da ativa, envergando as fardas branca, verde-oliva e azul. 

Todos voltados para o nicho onde a Chama Eterna arde junto à urna com os restos mortais de um bravo soldado brasileiro, não identificado, trazido de volta junto com mais 452 do Cemitério Militar de Pistoia na Itália, onde estiveram sepultados até 1960, quando foram transladados para o Brasil. 

Não sabemos quem foi, mas D_us sabe o seu nome. É um Soldado Desconhecido, na pessoa de quem a FIERJ – Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, presta uma homenagem a todos que como ele, no anonimato fizeram o sacrifício final  dando a própria vida em defesa da liberdade e da democracia. 

Soldados Desconhecidos de todos os tempos e de todas as épocas, ai incluídos os heróis brasileiros da Segunda Guerra Mundial e os combatentes do Gueto de Varsóvia. 

Ainda hoje, passados 62 anos, na Vigília da Saudade de Finados em 2 de novembro são chorados por parentes. Ao menos podem visitar seus túmulos. 

Quanto aos combatentes do gueto,  sequer tiveram uma ultima morada.  

Atacaram até o ultimo instante os nazistas assassinos, seus corpos se misturando às paredes que tombavam no Gueto de Varsóvia. Jamais puderam ser levados a uma sepultura digna, restando o Hino a louvá-los: 

Um povo entre muralhas que tombam,

cantou esta canção de armas na mão !  

Enquanto a Banda do Batalhão de Guardas, o Batalhão do Imperador executa  o Hino dos Partisans, todos se perguntam a si mesmos como pode ter acontecido uma tragédia tão inominável, quando 6 milhões de almas foram exterminadas sem dó nem piedade.  

Sobre a face da Terra, mas não com este sol brilhante de hoje em dia, e o parque alegre verdejante, havia ódio, uma noite escura que hoje clareamos com a realização de cerimônias como essa, para que nunca mais a hidra do mal possa soerguer suas horrendas cabeças. 

Uma chuva de pétalas de flores esvoaçantes vem do alto do Monumento.  

Recordamos mentalmente as palavras da Proclamação para o Mundo Livre do Comandante da Revolta, o jovem de 27 anos Marcos Anilevitch, transmitida do Posto de Comando da ZOB – Organização Judaica Combatente na Rua Mila 18, na noite de 19 de abril de 1943 em que se iniciou o Levante do Gueto de Varsóvia.  

O mundo livre não conseguiu responder, mas foi uma guerra que apesar de tudo passou, e hoje aqui estamos homenageando aquele punhado de bravos, acendendo 6 velas em memória daqueles mártires, e prestando uma continência aos Soldados Brasileiros Desconhecidos e aos Combatentes do Gueto, como eles lutando pelos mesmos ideais de liberdade. 

Encerrada a cerimônia, visitamos o Mausoléu onde repousam os heróis brasileiros no sub solo do Monumento. Graças ao seu esforço juntamente com os de tantos outros paises hoje podemos viver em liberdade. 

Doravante que a cada ano, por ocasião do Dia da Recordação dos Heróis e Mártires do Holocausto possamos prestar essa mesma homenagem.    

SHALOM !!!    

Israel Blajberg (*)

Brasil Acima de Tudo !!!    De: "Theodoro da Silva Junior" <theojr@terra.com.br>
Data: Mon, 16 Apr 2007 00:41:48 -0200
Assunto: Homenagem da FIERJ ao Soldado Desconhecido - breve relato


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