TRIBUTO À MEMÓRIA DE OSWALDO ARANHA
 

A FEDERAÇÃO ISRAELITA do RIO DE JANEIRO comemorou os 60 anos da Resolução 181 - Partilha da Palestina, quando foi decidida a criação de um País para os Árabes e outro para os Judeus, na Histórica Sessão da Assembléia-Geral da ONU, presidida pelo Grande Brasileiro Chanceler Oswaldo Aranha (1894 – 1960).

O evento ocorreu no Cemitério São João Batista na Quinta-feira 29/11/2007 às 10 h, com a Presença de 10 Familiares do Chanceler e Aposição de Coroas de Flores no Jazigo Perpétuo da Família Aranha. O Mestre de Cerimônias foi o Diretor de Cidadania da FIERJ, Israel Blajberg.

Presença maciça de Familiares do Chanceler Oswaldo Aranha, a saber:

Embaixatriz Delminda Aranha Correa do Lago (Dedei), filha, Sra Taís Aranha Varnieri Ribeiro, sobrinha; Embaixatriz Maria Ignez Barbosa, Sr Manoel Aranha Correa do Lago, Sr Eduardo Oswaldo Terra Lopes Aranha, Sra Luciana Aranha Hoffmann, Professor Luiz Aranha Correa do Lago, Sr Pedro Aranha Correa do Lago, netos, e Sr Oswaldo Aranha e Srta Ana Correia do Lago, bisnetos.

Entre as Autoridades presentes, destacamos Cap Joaquim CAETANO da Silva, Presidente do Conselho Nacional dos Ex-Combatentes, que participou da 2ª. Guerra Mundial, servindo juntamente com Oswaldo Gudolle Aranha, filho do homenageado, e que também ocupou o mesmo cargo; Cel Nilton Freixinho, membro do Instituto de Geografia e Historia Militar do Brasil, contemporâneo de Aranha e que à época serviu no Gabinete do Ministro da Guerra, General Dutra, Veterano Melchisedec Afonso de Carvalho, Diretor Cultural da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, Seção RJ, e Gerald Goldstein, Presidente dos Veteranos USA.

Uma representação dos Veteranos do Batalhão Suez estava presente, capitaneada pelo Diretor Antonio WALTER dos Santos, como a primeira Força de Paz brasileira, estacionada de 1956 a 1967 na Faixa de Gaza sob os auspícios da ONU, tendo sido enviados 20 contingentes.

A Banda de Musica do 7º. Batalhão da PMERJ sob a regência do Mestre 1º. Sgt Mus Milton Mothe Pereira executou o Hino Nacional Brasileiro, após o que foram lidas mensagens da Diretora do Museu Oswaldo Aranha, em Alegrete, e de outras autoridades.

Fizeram uso da palavra

Coronel Nilton Freixinho, do IGHMB e contemporâneo de Oswaldo Aranha,

Presidente da FIERJ Sergio Niskier,

Alberto Nasser, Presidente do Conselho Sefaradi,

Dr Gerson Hochmann, Presidente do Conselho Deliberativo da FIERJ,

Diretor de Cidadania, Israel Blajberg, que dirigiu uma mensagem aos presentes em nome da FIERJ.

Foram tocantes pronunciamentos, ao longo dos quais alguns dos presentes, mormente familiares do Chanceler mal puderam conter as lágrimas.

O neto Professor Luiz Aranha Correa do Lago usou da palavra fazendo um retrospecto histórico e expressando a emoção da Família pela homenagem.

Encerrando a cerimônia, Familiares e representantes da FIERJ, Organização Sionista do Brasil, Loja Herut da Bnei Brith e Amigos do Memorial Judaico de Vassouras apuseram coroas de flores verde-amarelas e azul-e-branco ao som da Canção do Expedicionário, executada pela Banda do 7º. Batalhão da PMERJ, em homenagem a Oswaldo Gudolle Aranha, que foi pracinha da FEB e está sepultado no mesmo Jazigo, e a seus companheiros Veteranos presentes.

O evento marcou a singela expressão de eterna gratidão da Comunidade Judaica Fluminense, simbolizada em ato tão significativo para os familiares.

Quis o destino que Osvaldo Aranha encontrasse a sua ultima morada aos pés do Cristo Redentor. Do alto do Corcovado ele envia as suas bênçãos, assim como abençoou as gerações de imigrantes ao ingressarem na Baia de Guanabara sendo recebidos de braços abertos nesta Cidade Maravilhosa.O Brasil e os judeus da Europa sofreram a brutal agressão da Alemanha nazista e da Quinta-Coluna, mas os povos e os brasileiros se uniram como nunca se havia visto.

O Mundo assistia horrorizado a invasão nazista da Europa. Oswaldo Aranha, tomou posse como Ministro das Relações Exteriores, vindo dos Estados Unidos onde servira antes, encontrando o Presidente, Ministros, Ministro da Guerra e generais impressionados pelo poderio do Exército alemão. Iria reverter esta situação.

Em 1942, ao final da Conferência dos Chanceleres das Américas presidida por Oswaldo Aranha o Brasil cortou relações com os países do Eixo.

Foi da sua lavra o discurso onde o Brasil declarou guerra ao Eixo - Alemanha / Itália / Japão, na Segunda Guerra mundial.

E foi a sua pena corajosa que lançou a assinatura na resolução que permitiu acolher aqui em terras brasileiras os judeus que escapavam do Holocausto.
Se no alto daquela montanha tantos emigrantes enxergaram a salvação, bem perto do seu Jazigo Perpétuo o mausoléu da FEB recorda que nele mesmo também repousa seu filho, Oswaldo Gudolle Aranha, um honrado e valoroso ex-combatente.
Aquele jovem, na época o filho do Ministro das RE não hesitou em envergar voluntariamente o uniforme de pracinha da FEB, honrando o nome de seu pai.
A FEB vitoriosa trouxe conseqüências extraordinárias, mudou o País, depois dela voltou a Democracia. A FEB representou um momento fundamental na vida brasileira, na história do Brasil, que também a Oswaldo Aranha devemos.

Um novo Brasil nasceu com a FEB, que chegou a uma situação admirável em sua agricultura e sua indústria.

Quando Oswaldo Gudolle Aranha retornou da guerra, seu pai não era mais Ministro do Exterior, suas relações com o Presidente não estavam boas. O filho avistou lá de cima do navio, o pai, a mãe, a irmã e tios o esperando, no local reservado às autoridades no cais. Juraci Magalhães contou em seu livro que pretenderam impedir Osvaldo Aranha de entrar naquele local. Mas ele entrou e existe uma fotografia de Gudolle, de capacete, usando bigodes, abraçando o pai e a mãe, naquele local. Só mais tarde veio o filho a saber que não queriam permitir a entrada de seu pai.

Osvaldo Aranha era filho do Alegrete, na planície do pampa riograndense, antiga capital farroupilha da fronteira oeste, berço de grandes combates históricos. Estudou no Colégio Militar tendo integrado seu Esquadrão de Cavalaria. Defendeu o governo no Rio Grande do Sul como líder militar civil, tendo sido ferido gravemente em combate, com um tiro de fuzil no combate de Seivalzinho, próximo a Lavras do Sul, por pouco não tendo perecido. Liderou no Rio Grande do Sul a Revolução de 30, tendo participado do ataque ao QG da 3ª. Região Militar.

Foi o primeiro a defender de forma notável em 1946 a memória do grande líder farroupilha Marechal Bento Manoel Ribeiro, conforme abordado no livro O Exército Farrapos e seus Chefes, do Cel Cláudio Moreira Bento, Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB) e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS).

Oswaldo Aranha, Cidadão do Mundo e grande herói nacional, A ele, como Presidente da Assembleia-Geral da ONU, o Povo de Israel deve o seu Estado.

Os judeus do mundo inteiro, e do Brasil em especial, jamais olvidaram Aranha, uma das mais significativas homenagens sendo a praça que leva seu nome ilustre, em singelo bloco no coração da Cidade Santa de Jerusalém, bem próximo da Muralha Ocidental do Templo de Salomão, onde nos caracteres dos alfabetos hebraico e da língua portuguesa, está indelevelmente gravado seu nome.

Passados quase 2 mil anos, aquele Muro santificado pontifica novamente sobre uma pátria judaica, graças a este ilustre brasileiro.

Chanceler Oswaldo Aranha, grande brasileiro, o nosso reconhecimento, o nosso agradecimento e a eterna admiração dos seus compatriotas .


Pronunciamento diante do Jazigo Perpétuo da Família ARANHA no Cemitério São João Baptista, por ocasião do Tributo a Memória de Oswaldo Aranha prestado no dia que marcou os 60 anos da Partilha da Palestina, 29 de novembro pelo Diretor de Cidadania da FIERJ Israel Blajberg iblaj@hotmail.com
 

de iblaj <iblaj@hotmail.com>
data 30/11/2007 08:10
assunto Veteranos da Ass Btl SUEZ no Tributo a Oswaldo Aranha


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