Jornal Tablóide - 1º Hora de 01/10/2001


    

“O ódio daquela época é o mesmo que se vê hoje”

Opinião de um curitibano que foi integrante da Força de Paz da ONU que esteve na fronteira de Israel e Egito entre 1956 e 1967

            Um ódio difícil de controlar e que causa estranheza a um povo pacífico como o brasileiro. Foi a impressão que Antônio Gulmine, 61 anos, teve do conflito entre muçulmanos egípcios e judeus israelenses. Ele integrou as Forças de Paz entre janeiro de 1962 e janeiro de 1963.

        Antônio estava entre os 280 militares que partiram do 20º Batalhão de Infantaria (20º BI), no Bacacheri, em janeiro de 1962, e que completaram a 10º turma enviada pelo Brasil. Aos 21 anos, como soldado especialista, fazia manutenção elétrica dos acampamentos espalhados nos 40 quilômetros do trecho brasileiro. Das imagens que mais marcaram, estão as de homens morrendo em minas deixadas no período de guerra. Ele foi um dos idealizadores do monumento aos Boinas Azuis, inaugurado em 1989, em Curitiba, no Dia da ONU, 24 de outubro. Voltou ao Brasil, deixou o Exército e aposentou-se  na Copel.

        Izidoro Baçon, 63 anos, e o capitão Juventino Rodrigues Rita, 70 anos, foram na 4º turma. Saíram do 20º BI, em um grupo com cerca de 230 militares, na madrugada do dia 29 de julho de 1958. De trem, foram até Paranaguá e lá embarcaram no navio de transporte de tropas "Barroso Pereira", da Marinha Brasileira. “Só quando vimos o navio de guerra é que veio a real sensação de estar indo para uma zona de conflito”, lembram. Eles chegaram a Port Said, no Mar Mediterrâneo, depois de 38 dias no mar. Depois foram necessárias mais oito horas de trem até a sede do Batalhão do Brasil, prédio onde havia funcionado um hospital dos franceses, na cidade de Rafah.

        Izidoro, com 20 anos, trabalhava nas atividades de manutenção da sede do Batalhão do Brasil. Quando voltou ao Brasil, em dezembro de 1959, deixou o Exército e aposentou-se como bancário.

        Capitão Rita se aposentou no Exército. Em Suez, aos 26 anos, era sargento e liderava turmas que faziam patrulhas a pé por períodos de seis horas. Caminhavam três horas em um sentido e três voltando.

“Não tivemos conflitos, nossa busca era pela paz.”  

 

Jornal Tablóide “Primeira Hora”   Ctba. 01/10/2001 - Luís Machado
Colaboração “Theodoro”

VOLTAR