ONU
Os  8  últimos  Secretários  Gerais

Oitavo Secretário-Geral das Nações Unidas

Ban Ki Moon na ONU: mão de ferro em luva de pelica?


 
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Sul-coreano que sucederá Kofi Annan como secretário-geral da ONU é descrito como "moderado e amigo dos Estados Unidos". Ele promete atuar com determinação no comando da organização.

Depois de passar por várias votações preliminares, o sul-coreano Ban Ki Moon foi designado nesta segunda-feira (09/10) pelo Conselho de Segurança para suceder Kofi Annan como secretário-geral das Nações Unidas. A aprovação de seu nome pela Assembléia Geral da organização é vista apenas como uma formalidade.

Ban Ki Moon tinha 16 anos quando realizou um sonho. Como prêmio por ter vencido um concurso de inglês promovido pela Cruz Vermelha, ganhou uma viagem aos Estados Unidos para se encontrar com John F. Kennedy. Para o sul-coreano de origem humilde, o presidente norte-americano era um exemplo.

Esse encontro seria determinante para sua vida. "Quando encontrei Kennedy, consolidou-se minha convicção de infância de que queria ser diplomata", contou Ban Ki Moon mais tarde. Desde então, ele dedica sua vida a este sonho.
 
Diplomata aos 26 anos

Ban iniciou cedo sua carreira. Na Universidade de Seul, a melhor da Coréia do Sul, o filho de agricultor estudou Relações Internacionais. Além disso, fez mestrado em Administração Pública em Harvard (EUA). Aos 26 anos de idade, ingressou no serviço diplomático.

Seguiram-se 36 anos de uma fulminante carreira diplomática, que agora é coroada com o posto de secretário-geral da ONU. Durante dez anos, Ban Ki Moon já atuou nas Nações Unidas, onde começou como simples funcionário em 1975 e se tornou primeiro secretário da representação sul-coreana em 1978.

Nos três anos seguintes, foi responsável pela ONU no Ministério sul-coreano das Relações Exteriores. De 1998 a 2000, foi embaixador de seu país na Áustria.

Em 2001, tornou-se por dois anos embaixador na ONU, onde também assumiu a chefia de gabinete do presidente da 56ª Assembléia Geral, o sul-coreano Han Seung Sôo, na sessão que teve início em 12 de setembro de 2001. Desde janeiro de 2004, é ministro do Comércio e das Relações Exteriores.
 
Ceticismo

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Annan tocando o sino da paz

Céticos em Nova York dizem, no entanto, que ele não tem o carisma e a retaguarda de seu antecessor Kofi Annan. Ban Ki Moon conhece este ceticismo e tenta dissipá-lo. "É possível que, exteriormente, eu passe a impressão de ser brando, mas, quando realmente é necessário, tenho uma força interior. Sempre fui muito determinado. Penso que tenho meu próprio carisma", disse em entrevista à agência de notícias AFP.

"Ele é como uma mão de ferro em luva de pelica", comparou certa vez o porta-voz do Ministério sul-coreano das Relações Exteriores. Outros colegas diplomatas descrevem Ban como trabalhador incansável, resistente ao estresse.

Além disso, ele é considerado um homem dos acordos e do equilíbrio – uma característica que o ajudou, como ministro das Relações Exteriores, a superar fases difíceis nas relações com os EUA e o Japão.

Em sua carreira diplomática, ele procurou aprender os idiomas dos países em que atuou. Além de inglês, fala japonês e alemão. Quando decidiu, há um ano, candidatar-se ao comando da ONU, começou a estudar francês. Ban Ki Moon é  casado com Yoo Soon Taek, tem duas filhas e um filho.

Bônus asiático

Sua carreira não o ajudaria muito, se ele não preenchesse por sua origem o principal requisito para o posto à beira do East River em Nova York: ele vem da Ásia. A China deixou claro que bloquearia qualquer candidato que não fosse asiático.

Ban Ki Moon usou abertamente este trunfo. "Está mais do que na hora de um asiático se tornar secretário-geral da ONU", disse. Ele é o segundo asiático a chegar ao cargo – o outro foi U Thant, da Birmânia, que serviu de 1961 a 1971.

Nesse contexto, ele também ressaltou o rápido desenvolvimento econômico de seu país, que passou de uma pobre ex-colônia, castigada pela guerra, para um Estado de tecnologia de ponta. "Minha experiência como sul-coreano pode ser útil aos países em desenvolvimento nas Nações Unidas", argumentou.

Também suas boas relações com os Estados Unidos lhe serão úteis. Em setembro de 2005, Ban Ki Moon recebeu o cobiçado prêmio Van-Fleet por sua contribuição à consolidação das relações de seu país com os EUA. Ele classifica as relações entre Coréia do Sul e Estados Unidos  como "excelente aliança bilateral".

Em 2004, quando um tradutor sul-coreano foi seqüestrado e decepado no Iraque, mostrou uma outra qualidade: a capacidade de empurrar para os colaboradores a culpa por erros em sua gestão.

Ele é considerado amigo dos norte-americanos e conta com o apoio do presidente George W. Bush. O que também prova que é um malabarista. Afinal, ele é membro do governo esquerdista de Roh Moo Hyun, que esfriou as relações com Washington.

Talvez seja justamente a falta de perfil que transformou Ban no candidato predileto das grandes potências. "Não acredito que ele, como secretário-geral da ONU, tomará a iniciativa em caso de um novo conflito internacional. Ele não é o tipo de pessoa que persegue com afinco idéias próprias", disse o cientista político Yang Seung-Ham.

Promessa de milhões de dólares?

Segundo informações o jornal britânico Times, Ban também teria prometido "milhões de dólares" para obter os votos necessários na Assembléia Geral da ONU. Depois de anunciar sua candidatura em fevereiro passado, ele fez uma turnê pela África, prometendo triplicar para 100 milhões até 2008 a ajuda sul-coreana ao desenvolvimento. O governo em Seul rebateu essa acusação.

Indiscutível é que Ban Ki Moon tem bons contatos diplomáticos e, como representante de seu país, participou das negociações das seis partes (EUA, China, Rússia, Japão e as duas Coréias) sobre o programa nuclear da Coréia do Norte, uma das crises mais prementes a serem resolvidas pela ONU nos próximos anos.

Europa & Mundo | 09.10.2006



Ban Ki-moon, o novo secretário-geral da ONU, é o homem da "mudança na continuidade"
 

Reportagem Geral

O atual ministro sul-coreano das relações exteriores diz que vai tentar construir a partir de tudo o que Kofi Annan realizou; conheça as idéias do novo homem forte da ONU

Philippe Bolopion da sede da ONU em Nova York.

Assim como ocorreu anteriormente com Kofi Annan, Ban Ki-moon, o ministro sul-coreano das relações exteriores, acede quase que de forma surpreendente a um dos cargos de maior visibilidade da diplomacia mundial. Pouco conhecido, apagado, este diplomata de carreira de 62 anos foi escolhido pelo Conselho de Segurança para tornar-se, a partir de 1º de janeiro, o oitavo secretário-geral das Nações Unidas.

O seu perfil é o de um homem "mais secretário de que secretário-geral", segundo uma brincadeira americana destinada a rebaixar a função. Mas, a exemplo do seu predecessor, "ele poderá surpreender", prevê o seu amigo Naná Effah-Apenteng, o embaixador de Gana na ONU.

O fato é que Ban Ki-moon já provou suas qualidades de estrategista. Afável, discreto e acessível, ele conduziu uma campanha hábil na qual ele evitou, sobretudo, entrar em colisão com as grandes potências dotadas de um direito de veto, sem deixar, contudo, de conquistar o apoio dos países do terceiro mundo, que constituem a maioria dos 192 membros da Assembléia geral da ONU, encarregada de homologar sua nomeação. "A sua campanha foi muito reveladora do seu talento e do seu lado metódico e decidido", afirma, admirado, um embaixador.

"No fundo, eu sou uma pessoa capaz de se harmonizar", declarou Ban Ki-moon em entrevista ao "Le Monde" antes da sua eleição. Este apreço pelo consenso, ao qual se acrescenta a sua voz contida, lhe valeu nos corredores da ONU a reputação de ser um candidato sem brilho. "Ele era a terceira escolha de todo mundo", brinca um jornalista, enquanto um embaixador reconhece que "nenhum dos candidatos tinha um carisma capaz de arrebatar multidões". Sem elevar o tom, o interessado argumenta em sua defesa que as aparências podem enganar. "Em geral, eu me expresso com certa suavidade, mas, quando é necessário, afirmo de modo claro as minhas opções e o caminho a ser seguido".

A idade deixou poucas marcas no seu rosto redondo, ao qual um corte de cabelo liso e óculos finos conferem um ar sábio. Mas cuidado, ninguém deve se iludir, avisa o ministro: a sua "humildade" não caracteriza nenhuma fraqueza. "Às vezes, os asiáticos dão mostras das suas qualidades de uma maneira diferente", estima o embaixador da China na ONU, Wang Guangya. "Ele é discreto, porém muito firme e decidido". Essas qualidades lhe permitiram dominar, desde o mês de julho, um processo de seleção bastante complexo, ainda que naquele momento a maioria dos embaixadores fosse incapaz sequer de pronunciar seu nome.

Nascido em 13 de junho de 1944 numa família de agricultores, Ban Ki-moon obteve o primeiro lugar na sua turma, na universidade de Seul, onde ele estudou as relações internacionais. Inspirado no presidente americano John F. Kennedy (1917-1963), com quem ele se encontrou quando tinha 18 anos, ele inicia sua carreira de diplomata, seguindo uma trajetória que passa por Nova Déli (Índia) e Washington. Aos 40 anos, ele obtém um mestrado em Harvard e torna-se então, em 1996, conselheiro para assuntos de segurança nacional do presidente sul-coreano. Nomeado ministro das relações exteriores em janeiro de 2004, ele se torna um dos articuladores de uma diplomacia ativa, a meio-caminho entre a China e o Japão, duas potências que o apoiaram.

Ainda que ele não seja propriamente um produto do sistema de formação de executivos da ONU, como foi Kofi Annan, Ban Ki-moon dedicou cerca de dez anos a esta instituição, primeiro na qualidade de adido na missão diplomática sul-coreana em Nova York, e depois no seu ministério, e ainda como embaixador em Viena (Áustria), onde fica a sede da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA). No final de setembro de 2001, ele é nomeado adjunto do então ministro sul-coreano das relações exteriores, Han Seung-soo, que preside por um ano a Assembléia geral da ONU. Neste posto, foi ele quem orquestrou a aprovação, pelos 189 Estados-membros, de uma resolução que condenou os atentados de 11 de setembro de 2001.

É também nesse cargo que vai cultivando amizades com alguns dos embaixadores que, na segunda-feira, 9 de outubro, votaram nele. Naná Effah-Apenteng, de Gana, é um deles. "Ban Ki-moon é um homem muito competente, de trato fácil, que vai direto ao que importa", garante. "Ele está sempre sorridente, atento e aberto", estima um outro embaixador, de um grande país ocidental. "É o tipo de homem que parece não ter nenhum inimigo".

Mesmo assim, os jornalistas coreanos deram-lhe o apelido de "enguia escorregadia", em razão das suas respostas por demais fugidias. Por exemplo, no momento em que Paris, Londres ou Washington já estão tentando galgar para si os mais altos cargos da ONU, será que o novo secretário-geral será capaz de pôr fim a esses regateios? "Por princípio, todas as nomeações deveriam
ser feitas antes em função do mérito", diz ele, por começo de conversa. "Ao mesmo tempo, existem tradições de repartição regional eqüitativa." Então, ele conclui: "Eu vou prosseguir as conversas com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança".

Em diversas oportunidades, Ban Ki-moon foi conduzido a encarar a complicada questão nuclear norte-coreana, da qual ele é, desde janeiro de 2004, um dos principais negociadores. Ele evitou todo alinhamento com os Estados Unidos, que defendem a aplicação de sanções contra Pyongyang, uma vez que Seul considera essa tática como pouco eficiente, e quer trazer seu vizinho do Norte de volta à mesa das negociações.

"Tudo isso me preparou para lidar com problemas complexos", argumenta Ban Ki-moon. Quando é indagado sobre os seus hobbies, um pesado silêncio se instaura. "Eu gosto de assistir a filmes e de ler livros", diz ele finalmente, com certa hesitação. "Mas gosto mesmo é de trabalhar. O trabalho me dá força".

O novo secretário-geral da ONU reconhece que as suas atividades lhe deixam pouco tempo para se dedicar à sua mulher, a qual ele conheceu no colégio, ao seu filho e às suas duas filhas, das quais uma trabalha a serviço das Nações Unidas na África e se mostrou muito surpresa com a sua candidatura.

"No exercício da função de secretário-geral", promete Ban Ki-moon, "eu estarei disposto a renunciar à minha vida pessoal". Nos diferentes departamentos da ONU, a sua reputação de trabalhador frenético o precedeu. "Ele se mostra muito atento para com os seus colaboradores, e não hesita a convidar seus guarda-costas para jantar por eles terem trabalhado além do tempo normal", explica Choi Soung-ah, a diretora adjunta de sua equipe de comunicação.

No que diz respeito aos aspectos mais fundamentais da política que ele pretende seguir, Ban Ki-moon promete a mudança dentro da continuidade. "Eu tenho um profundo respeito por Kofi Annan, e vou tentar construir a partir de tudo o que ele realizou". Ele também conduziu a sua campanha em torno de um programa de reforma da organização, mudanças às quais a administração Bush atribui uma grande importância. "Pessoalmente, eu tenho muita fé na ONU", assegura Ban Ki-moon. "Mas nós precisamos reformar esta organização que já é sexagenária, para torná-la mais pertinente e mais eficaz".

Em função da sua nacionalidade, ele reivindica uma "relação especial" com a ONU, consagrada pela sangrenta guerra de Coréia (1950-1953), que, segundo ele, "foi o primeiro teste de segurança coletiva" para a então jovem organização. "Nós recebemos uma assistência econômica maciça e com ela nós conseguimos nos alçar entre as dez primeiras economias mundiais", explica Ban Ki-moon, que quer ver o mundo tirar proveito da "sabedoria coletiva" do seu país "para estabelecer pontes entre as nações desenvolvidas e o mundo em desenvolvimento, entre os países democráticos e os países em transição".

A Coréia do Sul fez da acessão ao primeiro cargo da ONU uma questão de orgulho nacional. Para ela, esta é uma maneira de consagrar a sua emergência na qualidade de potência econômica e de Estado democrático que, em quinze anos, soube romper com as ditaduras militares para tornar-se um exemplo de participação no plano da cidadania. Seul não economizou nenhuma viagem, nem poupou esforços para garantir o sucesso da sua campanha. A tal ponto de ter despertado suspeitas de ter procurado atrair para si os favores de países tais como a Tanzânia ou a Grécia, ambos os quais são membros do Conselho de
Segurança, oferecendo-lhes milhões de dólares sob forma de ajuda ou de contratos polpudos.

Para o candidato, a aprendizagem do francês faz parte da sua estratégia de sedução. Ele ressuscitou antigas recordações desta língua, que ele aprendera na universidade. "A minha mulher é francesa e ensina a língua na Coréia", diz ele em francês. "Eu estudo o francês durante duas horas aos sábados e aos domingos. No futuro, espero conseguir expressar-me fluentemente nessa
língua". Os diplomatas franceses, que consideram o domínio desta língua - junto com o inglês, a única língua de trabalho da ONU - um critério importante para o cargo, se dizem encantados com "os seus progressos muito rápidos".

Ele também beneficiou do apoio dos Estados Unidos, aliados militares da Coréia do Sul. "Os Estados Unidos são o protagonista o mais importante e o Estado-membro cuja contribuição financeira para as Nações Unidas é a mais importante", diz. "Quando eles querem promover os seus próprios ideais e objetivos, a ONU pode fornecer-lhes um bom fórum". Mas ele também se diz
determinado "a ajudar em reduzir as incompreensões".

O apoio de Washington foi discreto, para não dar ao candidato "o beijo da morte", reconhece um diplomata americano, consciente do ambiente anti-americano que predomina na Assembléia geral. Mas este apoio também implica certas condições. O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton, não se furtou a lembrar, enfatizando cada uma das suas palavras, que, segundo a Carta da ONU, o secretário-geral nada mais é que "o mais alto funcionário da administração".

Ao imporem, já faz dez anos, Kofi Annan para dirigir uma ONU que eles queriam dócil, os Estados Unidos haviam cometido um erro de avaliação. Ao apostarem em Ban Ki-moon, eles tampouco estão livres de assistir a uma repetição da história. O ministro sul-coreano já está prometendo atuar nos dois terrenos, o político e o administrativo. "Eu creio que ele será um verdadeiro patrão das Nações Unidas, um homem dedicado à boa causa", garante um diplomata ocidental, profundo conhecedor da ONU, segundo o qual "a função transforma o homem".

Colaborou na reportagem Philippe Pons, correspondente em Tóquio. Publicado em Le Monde.

de Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
data 21/02/2008 02:23
assunto Ban Ki-moon, o novo secretário-geral da ONU


 
 
 
KOFI ANNAN (Gana)  
Sétimo Secretário-Geral das Nações Unidas
Nota biográfica

Kofi Annan, cidadão do Gana, é o sétimo Secretário-Geral das Nações Unidas. Tendo sido o primeiro Secretário-Geral eleito dentre os funcionários das Nações Unidas, iniciou o seu mandato a 1 de Janeiro de 1997. A 29 de Junho de 2001, por recomendação do Conselho de Segurança, a Assembléia Geral elegeu-o por aclamação para um segundo mandato, que terá início a 1 de Janeiro de 2002 e terminará a 31 de Dezembro de 2006.

As prioridades de Kofi Annan como Secretário-Geral têm sido revitalizar as Nações Unidas, graças a um vasto programa de reforma; reforçar o trabalho que a Organização leva tradicionalmente a cabo em prol do desenvolvimento e da paz e da segurança internacionais; incentivar e promover os direitos humanos, o estado de direito e os valores universais da igualdade, da tolerância e da dignidade humana consagrados na Carta das Nações Unidas; e ainda restabelecer a confiança da opinião pública na Organização, chegando a novos parceiros e, como já disse, "tornando as Nações Unidas mais próximas das pessoas." 

Kofi Annan nasceu em Kumasi, no Gana, a 8 de Abril de 1938. Estudou na Universidade de Ciência e Tecnologia de Kumasi, no Gana, e completou o seu Bacharelato em Economia no Macalester College, em St. Paul, Minnesota (EUA), em 1961. De 1961 a 1962, terminou a sua licenciatura em Economia no Institut universitaire des hautes études internationales, em Genebra. Em 1971-1972, como bolseiro da Fundação Sloan no Massachusetts Institute of Technology, obteve um Mestrado em Gestão.

Kofi Annan começou a trabalhar para o sistema das Nações Unidas em 1962, como funcionário de administração e orçamento da Organização Mundial de Saúde em Genebra. Desde então, prestou serviço na Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, em Adis Abeba; na Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF II) em Ismailia; e no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, em Genebra. Na Sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque, ocupou os cargos de Subsecretário-Geral para a Gestão dos Recursos Humanos e Coordenador para as Medidas de Segurança do Sistema das Nações Unidas (1987-1990) e, posteriormente, de Subsecretário-Geral para Planejamento de Programas, Orçamento e Finanças e de Controlador (1990-1992). 

Em 1990, no seguimento da invasão do Kuweit pelo Iraque, Kofi Annan foi encarregado pelo Secretário-Geral de facilitar o repatriamento de mais de 900 funcionários internacionais e a libertação de reféns ocidentais no Iraque. Em seguida, dirigiu a primeira equipa das Nações Unidas encarregada de negociar com o Iraque a venda de petróleo destinada a financiar compras no âmbito da ajuda humanitária. 

Antes de ser nomeado Secretário-Geral, Kofi Annan ocupou igualmente os cargos de Subsecretário-Geral para as Operações de Manutenção da Paz (Março de 1992 – Fevereiro de 1993) e, mais tarde, de Secretário-Geral Adjunto para as Operações de Manutenção da Paz (Março de 1993 – Dezembro de 1996). Durante o período em que desempenhou as funções de Secretário-Geral Adjunto, as operações de manutenção da paz das Nações Unidas conheceram uma expansão sem precedentes; em 1995, atingiram um recorde com cerca de 70 000 militares e civis de 77 países colocados no terreno. 

De Novembro de 1995 a Março de 1996, depois de o Acordo de Dayton ter posto fim à guerra na Bósnia e Herzegovina, Kofi Annan ocupou o cargo de Representante Especial do Secretário-Geral para a ex-Jugoslávia e supervisionou a transição da Força de Proteção das Nações Unidas (UNPROFOR) para a Força Multinacional de Implementação (IFOR), dirigida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). 

A primeira grande iniciativa de Kofi Annan como Secretário-Geral foi o seu programa de reforma, intitulado ARenovar as Nações Unidas," que foi apresentado aos Estados Membros, em Julho de 1997. Este programa, que continua a ser aplicado ainda hoje, põe a tônica numa maior coerência e numa melhor coordenação no funcionamento das Nações Unidas. O relatório intitulado As Causas dos Conflitos e a Promoção de uma Paz Duradoura e de um Desenvolvimento Sustentável em África,", apresentado ao Conselho de Segurança em Abril de 1998, inscreveu-se no quadro dos esforços feitos por Kofi Annan para reforçar o compromisso da comunidade internacional para com África, uma das regiões mais desfavorecidas do mundo. 

Kofi Annan usou os seus bons ofícios, em diversas situações, para tentar resolver crises políticas, nomeadamente para convencer o Iraque a cumprir as resoluções do Conselho de Segurança; para facilitar a transição para um regime civil na Nigéria; e para encontrar uma solução para o diferendo entre a Líbia e o Conselho de Segurança relacionado com o atentado perpetrado em Lockerbie, em 1988. Desenvolveu ainda esforços diplomáticos, em 1999, para forjar uma resposta internacional à violência em Timor Leste; desenvolveu também esforços para certificar a retirada de Israel do Líbano, em Setembro de 2000, e, mais tarde, na seqüência da nova explosão de violência de Setembro de 2000, para incentivar os Israelitas e os Palestinos a resolverem os seus diferendos por meio de negociações pacíficas, com base nas Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança e no princípio de "terra em troca de paz".

Procurou igualmente melhorar a condição das mulheres no Secretariado e fortalecer os laços com a sociedade civil, o sector privado e outras entidades cujas atividades completam as do sistema das Nações Unidas. Em particular, apelou a um "Pacto Global" que envolvesse os líderes da comunidade empresarial bem como organizações laborais e da sociedade civil, tendo em vista permitir que todas as pessoas do mundo partilhem os benefícios da globalização e enraizar no mercado global os valores e práticas que são fundamentais para satisfazer as necessidades socio-económicas. 

Em Abril de 2000, publicou um Relatório do Milênio, intitulado "Nós, os Povos: O Papel das Nações Unidas no Século XXI", em que exorta os Estados Membros a renovarem o seu compromisso em relação a um plano de ação destinado a acabar com a pobreza e a desigualdade, a melhorar a educação, a reduzir o VIH/SIDA, a salvaguardar o ambiente e a proteger as pessoas de conflitos letais e da violência. O Relatório constituiu a base da Declaração do Milênio, aprovada por Chefes de Estado e de Governo na Cimeira do Milênio, que se realizou em Setembro, na Sede da ONU.

Em Abril de 2001, o Secretário-Geral divulgou um "Apelo à Ação", com cinco pontos, tendo em vista vencer a epidemia do VIH/SIDA – que classificou de "prioridade pessoal" – e propôs a criação de um Fundo Mundial para a SIDA e a Saúde, que deverá ser o mecanismo a utilizar para alguns dos gastos adicionais necessários para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentarem a crise.

A 10 de Dezembro de 2001, o Secretário-Geral e as Nações Unidas receberam o Premio Nobel da Paz. Ao conceder-lhe o Premio, o Comitê Nobel disse que Kofi Annan "se distinguiu por dar uma nova vida à Organização". Ao conceder o Premio à Organização mundial, o Comitê disse querer "proclamar que a única via para a paz e a cooperação mundiais são as negociações através das Nações Unidas". 

Kofi Annan fala fluentemente inglês, francês e diversas línguas africanas. É casado com Nane Annan, cidadã sueca, jurista e que também se dedica às artes. Nane Annan tem estado profundamente empenhada em acompanhar o trabalho das Nações Unidas no terreno. O VIH/SIDA e a educação das mulheres são duas áreas às quais tem dedicado particular atenção. Também escreveu um livro para crianças sobre as Nações Unidas. Kofi e Nane Annan têm três filhos.

Fonte: comunicado de imprensa do Departamento de Informação Pública da ONU, símbolo SG/2031/Rev.6-BIO/3053/Rev.6, de 15 de Janeiro de 2002 jcolino@ig.com.br 


Sexto Secretário-Geral das Nações Unidas
BOUTROS BOUTROS-GHALI (Egito)
Nota biográfica

Boutros Boutros-Ghali, sexto Secretário-Geral das Nações Unidas, ocupou o cargo desde o dia 1º de janeiro de 1992 até o dia 31 de dezembro de 1996. Desde maio de 1991 até a data de sua nomeação pela Assembléia Geral, 3 de dezembro de 1991, Boutros-Ghali foi primeiro-ministro adjunto de Relações Exteriores do Egito, e anteriormente tinha ocupado o cargo de ministro das Relações Exteriores (de outubro de 1977 a 1991).

Boutros-Ghali teve grande participação nos assuntos internacionais na qualidade de diplomata, jurista, acadêmico e autor de numerosas obras.

Boutros-Ghali foi membro do Parlamento egípcio desde 1987 e participou da secretaria do Partido Nacional Democrático em 1980. Até sua posse como Secretário-Geral da ONU, foi também vice-presidente da Internacional Socialista.

Foi membro da Comissão de Direito Internacional de 1979 a 1991, assim como da Comissão Internacional de Juristas. Mantém vínculos profissionais e acadêmicos relacionados com sua formação em direito, relações internacionais e ciências políticas, como mostra, entre outras coisas, sua qualidade de membro do Instituto de Direito Internacional, do Instituto Internacional de Direitos Humanos, da Sociedade Africana de Estudos Político e da Academia de Ciências Morais e Políticas (Academie Française, Paris).

Durante quatro décadas, Boutros-Ghali participou de várias reuniões sobre direito internacional, direitos humanos, desenvolvimento econômico e social, descolonização, a questão do Oriente Médio, direito internacional humanitário, direitos das minorias étnicas e de outras minorias, sobre os não-alinhados, desenvolvimento na região do Mediterrâneo e sobre a cooperação afro-árabe.

Em setembro de 1978, Boutros-Ghali assistiu à Conferência na Reunião da Camp David e participou da negociação dos acordos de Camp David entre Egito e Israel, assinados em 1979. Presidiu várias delegações de seu país em reuniões da Organização da Unidade Africana (OUA) e do Movimento dos Países Não Alinhados, assim como nas reuniões preparatórias da Reunião de Chefes de Estado de França e África. Também foi chefe da delegação do Egito nos períodos de sessão da Assembléia Geral de 1979, 1982 e 1990.

Boutros-Ghali obteve doutorado em direito internacional pela Universidade de Paris em 1949. Sua tese versou sobre o estudo das organizações regionais. O ex-Secretário-Geral obteve, além disso, licenciatura em direito na Universidade do Cairo em 1946, assim como diplomas em ciências políticas, economia e direito público da Universidade de Paris.

De 1949 a 1997, Boutros-Ghali foi professor de Direito Internacional e de Relações Internacionais na Universidade do Cairo. De 1974 a 1977 foi membro do Comitê Central e do Birô Político da União Socialista Árabe.

No que diz respeito a suas outras atividades profissionais e acadêmicas, cabe mencionar que Boutros-Ghali foi titular de uma cadeira de investigações Fullbright na Universidade de Columbia (1954-1955); Diretor do Centro de Investigações da Academia de Direito Internacional de Haia (1963-1964), e professor visitante da Faculdade de Direito da Universidade de Paris (1967-1968). Deu diversas palestras sobre direito internacional e sobre relações internacionais em universidades de África, Ásia, Europa, América Latina e Estados Unidos.

Boutros-Ghali foi presidente da Sociedade Egípcia de Direito Internacional em 1965; presidente do Centro de Estudos Políticos e Estratégicos Al-Ahram em 1975; membro do Conselho Administrativo de Curadores da Academia de Direito Internacional de Haia desde 1978; membro do Comitê Científico da Academia Mundial pela Paz de Menton (França) desde 1978, e membro associado do Instituto Affari Internazionali de Roma desde 1979. Boutros-Ghali foi ainda membro da Comissão de Especialistas em Aplicação de Convênios e Recomendações da Organização Internacional do Trabalho, de 1971 a 1979. Além disso, foi fundador da publicação Al-Seyassa Al-Dawlia, que dirigiu até dezembro de 1991. 


JAVIER PEREZ DE CUELLAR (Peru)
Quinto Secretário-Geral das Nações Unidas
Nota biográfica

O Secretário-Geral Javier Perez de Cuellar assumiu o cargo no dia 1º de janeiro de 1982. No dia 10 de outubro de 1986, ele foi nomeado para um segundo mandato, que começou no dia 1º de janeiro de 1987. Perez de Cuellar nasceu em Lima, Peru, no dia 19 de janeiro de 1920. É advogado e diplomata de carreira, atualmente aposentado.

Começou a trabalhar no Ministério das Relações Exteriores do Peru em 1940 e iniciou sua carreira diplomática em 1944, servindo subseqüentemente como Secretário das embaixadas do Peru na França, Reino Unido, Bolívia e Brasil, e como Conselheiro e Ministro Conselheiro na Embaixada do Peru no Brasil.

Voltou a Lima em 1961, e no ano seguinte foi promovido ao cargo de embaixador, ocupando sucessivamente os cargos de Diretor do Departamento Legal, Diretor de Administração, Diretor de Protocolo e Diretor de Assuntos Políticos. Em 1966, foi nomeado secretário-geral (vice ministro) de Relações Exteriores. Em 1981, serviu como Conselheiro Legal no Ministério de Relações Exteriores.

Perez de Cuellar foi Embaixador do Peru na Suíça, na União Soviética, na Polônia e na Venezuela.

Foi membro da delegação do Peru na primeira sessão da Assembléia Geral, em 1946, e membro da delegação para a 25ª sessão da Assembléia. Em 1971, foi nomeado Representante Permanente do Peru nas Nações Unidas, e liderou a delegação de seu país em todas as sessões da Assembléia até 1975.

Em 1973 e 1974, representou seu país no Conselho de Segurança. No dia 18 de setembro de 1975 foi nomeado Representante Especial do Secretário-Geral em Chipre, cargo que manteve até dezembro de 1977.

No dia 27 de fevereiro de 1979, foi nomeado Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Políticos Especiais. A partir de abril de 1981, atuou como Representante Pessoal do Secretário-Geral para o Afeganistão. Neste cargo, visitou Paquistão e Afeganistão em abril e agosto daquele ano, para dar continuidade às negociações iniciadas meses antes pelo então Secretário-Geral da ONU.

Em maio de 1981, voltou a trabalhar no Ministério de Relações Exteriores de seu país mas continuou a representar o Secretário-Geral em assuntos do Afeganistão até sua nomeação, em dezembro daquele ano, como Secretário-Geral da ONU.

Perez de Cuellar também trabalhou como professor de Direito Internacional na Academia Diplomática do Peru e como professor de Relações Internacionais na Academia de Guerra Aérea do Peru. Ele é autor do Manual de Direito Diplomático (Manual of Diplomatic Law, 1964).


KURT WALDHEIM (Áustria)
Quarto Secretário-Geral das Nações Unidas
Nota biográfica

Kurt Waldheim foi nomeado Secretário-Geral das Nações Unidas para um mandato de cinco anos que começou no dia 1º de janeiro de 1972. O Conselho de Segurança recomendou a nomeação no dia 21 de dezembro de 1971 e a Assembléia Geral a aprovou por aclamação no dia seguinte.

O Secretário-Geral nasceu em Sankt Andra-Wordern, perto de Viena, Áustria, no dia 21 de dezembro de 1918. Formou-se pela Universidade de Viena em 1944 como Doutor em Jurisprudência. Também se formou pela Academia Consular de Viena.

Waldheim iniciou sua carreira diplomática na Áustria em 1945. Foi chefe do Departamento Pessoal do Ministério de Relações Exteriores em Viena de 1951 a 1955. Neste ano, foi nomeado Observador Permanente das Nações Unidas para a Áustria. Mais tarde, neste mesmo ano, tornou-se chefe da missão austríaca, quando a Áustria foi admitida na ONU.

De 1956 a 1960, Waldheim representou a Áustria no Canadá, primeiro como Ministro Plenipotenciário e depois como Embaixador. De 1960 a 1962 foi líder do Departamento Político no Ministério das Relações Exteriores da Áustria, tornando-se depois Diretor-Geral de Assuntos Políticos, até junho de 1964.

De 1964 a 1968, Waldheim foi Representante Permanente da Áustria na ONU. Durante este período foi Presidente do Comitê sobre Usos Pacíficos do Espaço Sideral; em 1968 foi eleito presidente da primeira Conferência da ONU sobre Exploração e Usos Pacíficos do Espaço Sideral.

De janeiro de 1968 a abril de 1970, Waldheim foi Ministro Federal de Relações Exteriores da Áustria. Depois de deixar o Governo, foi eleito, por unanimidade, Presidente do Comitê de Salvaguarda da Agência Internacional de Energia Atômica, e em outubro de 1970 tornou-se Representante Permanente da Áustria na ONU, cargo que manteve até ser eleito Secretário-Geral da ONU.

Em abril de 1971, foi um dos dois candidatos à Presidência da Áustria.

Durante seus três primeiros anos como Secretário-Geral, Waldheim tornou prática visitas a áreas de interesse especial da ONU. Em março de 1972, viajou para África do Sul e Namíbia, seguindo mandato dado a ele pelo Conselho de Segurança para buscar uma solução satisfatória para o problema da Namíbia.

O Secretário-Geral fez três visitas a Chipre, em junho de 1972, agosto de 1973 e agosto de 1974, para discussões com líderes do Governo e para inspeções da Força de Paz da ONU na ilha. Durante sua visita em agosto de 1974, quando surgiram as hostilidades, Waldheim conseguiu dar início às negociações entre o presidente Glafcos Clerides e Rauf Denktash.

O Secretário-Geral também fez uma série de viagens ao Oriente Médio, na busca contínua pela paz na região. Em agosto de 1973 ele visitou Síria, Líbano, Israel, Egito e Jordânia; em junho de 1974, ele encontrou-se com líderes de Líbano, Síria, Israel, Jordânia e Egito.

Durante estas visitas, ele também inspecionou as operações de manutenção da Paz na região – como a Organização de Supervisão de Trégua das Nações Unidas (UNTSO) e a Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF).

Em fevereiro de 1973, durante visita oficial ao subcontinente, o Secretário-Geral participou de conversações com os governos de Índia, Paquistão e Bangladesh, sobre os problemas criados pela guerra entre Índia e Paquistão, e sobre meios e instrumentos para superar suas conseqüências.

Ele também inspecionou a Operação de Ajuda Humanitária das Nações Unidas em Bangladesh, a maior já realizada sob os auspícios das Nações Unidas.

Em fevereiro e março de 1974, o Secretário-Geral visitou um número de países na área do Sahel, na África, onde as Nações Unidas realizavam uma grande operação humanitária para ajudar vítimas de uma seca prolongada.

O Secretário-Geral também inaugurou e se dirigiu a uma série de conferências internacionais realizadas sob os auspícios das Nações Unidas. Entre estas estava a terceira sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Santiago, abril de 1972), a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano (Estocolmo, Junho de 1972), a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Caracas, junho de 1974), a Conferência Mundial de População (Bucareste, agosto de 1974), e a Conferência Mundial de Alimentação (Roma, novembro de 1974).

O Secretário-Geral participou de reuniões do Conselho de Segurança realizadas fora da sede da Organização, na África (Adis Abeba, janeiro de 1972) e na América Latina (Panamá, março de 1973).

Ele participou e discursou em encontros da Organização da Unidade Africana (OUA) em Rabat (junho de 1972) e em Mogadíscio (junho de 1974). Ele também discursou diante de delegados da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington (março de 1972).

Em fevereiro de 1973, o Secretário-Geral participou da Conferência Internacional de Paris sobre o Vietnam; em dezembro do mesmo ano ele presidiu a primeira fase da Conferência de Paz de Genebra sobre Oriente Médio.

Casado e pai de três crianças, Waldheim é autor de um trabalho sobre Política Externa da Áustria, "O Exemplo Austríaco", que foi publicado em alemão, inglês e francês.


U THANT (Myanmar - Antiga Birmânia)
Terceiro Secretário-Geral das Nações Unidas
Nota biográfica

U Thant, que serviu como Secretário-Geral das Nações Unidas de 1961 a 1971, foi escolhido para liderar o organismo internacional quando o Secretário-Geral Dag Hammarskjold morreu durante um acidente aéreo em setembro de 1961.

U Thant nasceu em Pantanaw, então Birmânia, no dia 22 de Janeiro de 1909, e foi educado no Colégio Nacional e na University College, Rangoon.

Antes de sua carreira diplomática, a experiência de U Thant foi nas áreas de educação e informação.Ele serviu como Mestre Sênior no Colégio Nacional, que freqüentou em Pantanaw, e, em 1931, tornou-se Diretor, após ganhar o primeiro lugar no Exame Anglo-Vernacular de Professores Secundários. Ele também foi um jornalista free-lancer.

Em 1942, U Thant serviu por alguns meses como Secretário do Comitê para Reorganização da Educação da Birmânia. No ano seguinte, voltou ao Colégio Nacional como Diretor, cargo no qual permaneceu por mais quatro anos.

U Thant foi nomeado Diretor de Imprensa do Governo da Birmânia em 1947. Em 1948, tornou-se diretor de Broadcasting, e, no ano seguinte, foi nomeado Secretário para o Governo da Birmânia no Ministério da Informação. Em 1953, U Thant tornou-se Secretário para Projetos no Gabinete do Primeiro-Ministro, e em 1955, ganhou tarefas adicionais como Secretário-Executivo da Junta Econômica da Birmânia.

Na época de sua nomeação como Secretário-Geral Interino das Nações Unidas, U Thant era Representante Permanente da Birmânia nas Nações Unidas, com o status de Embaixador (1957-1961).

Durante este período, chefiou as delegações birmanesas nas sessões da Assembléia Geral, e, em 1969, serviu como um dos vice-presidentes da 14º sessão da Assembléia. Em 1961, U Thant era presidente da Comissão de Conciliação das Nações Unidas para o Congo e presidente do Comitê do Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital.

Durante sua carreira diplomática, U Thant serviu várias vezes como conselheiro de primeiros-ministros da Birmânia.

U Thant começou a servir como Secretário-Geral interino no dia 3 de novembro de 1961, quanto foi aclamado por unanimidade pela Assembléia Geral, sob recomendação do Conselho de Segurança para cumprir o mandato do Secretário-Geral falecido, Dag Hammarskjold. Foi então nomeado Secretário-Geral por unanimidade pela Assembléia Geral no dia 30 de novembro de 1962 para um mandato que terminou no dia 3 de novembro de 1966.

U Thant foi renomeado pela Assembléia Geral para um segundo mandato como Secretário-Geral das Nações Unidas no dia 2 dezembro de 1966, seguindo recomendação unânime do Conselho de Segurança (resolução 229, 1966). Seu mandato continuou até 31 de dezembro de 1971.

U Thant se aposentou no fim de seu segundo mandato em 1971 e morreu no dia 25 de novembro de 1974, depois de uma longa doença. Tinha 65 anos.            


DAG HAMMARSKJOLD (Suécia)  
Segundo Secretário-Geral das Nações Unidas
Nota biográfica

Dag Hjalmar Agne Carl Hammarskjold foi Secretário-Geral da ONU de 10 de abril de 1953 a 18 de setembro de 1961, quando morreu num acidente aéreo durante uma missão de paz no Congo. Nasceu no dia 29 de julho de 1905 em Jonkoping, no Centro-Sul da Suécia. Quarto filho de Hjalmar Hammarskjold, primeiro-ministro da Suécia durante os anos da Primeira Guerra Mundial, e de sua mulher Agnes, M.C., Dag foi criado na cidade universitária de Uppsala, onde seu pai morava e servia como governador do condado de Uppland.

Aos 18 anos, formou-se e entrou para a Universidade de Uppsala. Graduando-se em História Francesa da Literatura, filosofia social e economia política, Hammarskjold recebeu, com honras, seu diploma de Bacharelado em Artes dois anos depois. Nos três anos seguintes ele estudou economia, na mesma universidade, onde recebeu uma "licenciatura de filosofia" em economia, aos 23 anos.

Continuou seus estudos por mais dois anos para tornar-se Bacharel em Direito em 1930. Hammarskjold então mudou-se para Estocolmo, onde tornou-se Secretário de um comitê do Governo sobre desemprego (1930-1934). Escreveu, simultaneamente, sua tese de doutorado em economia. Em 1933 recebeu seu diploma de doutorado da Universidade de Estocolmo, onde se tornou professor assistente em economia política.

Aos 31 anos de idade, e depois de servir um ano como Secretário do Banco Nacional da Suécia, Hammarskjold foi nomeado Presidente da Junta do Banco Nacional, de 1941 a 1948. Seis dos membros da junta são nomeados pelo Parlamento, e o presidente, pelo Governo. Esta foi a primeira vez que um homem ocupou ambos os cargos, a Presidência da Junta do Banco e o de Sub-Secretário do Ministério de Economia.

No início de 1945, foi nomeado conselheiro do Gabinete de Problemas Econômicos e Financeiros, organizando e coordenando, entre outras coisas, planejamento do governo para vários problemas econômicos que surgiram como conseqüência da guerra e do período pós-guerra. Durante estes anos, Hammarskjold desempenhou um papel importante na formatação da política financeira sueca. Liderou uma série de negociações sobre comércio e finanças com outros países, entre eles os EUA e o Reino Unido.

Em 1947 foi nomeado para o Foreign Office, onde era responsável por todas as questões econômicas, no cargo de Sub-Secretário. Em 1949, foi nomeado Secretário-Geral do Foreign Office, e, em 1951, juntou-se ao Gabinete como Ministro sem pasta. Ele se tornou, na verdade, vice-Ministro das Relações Exteriores, lidando especialmente com problemas econômicos e com vários planos para a cooperação econômica.

Ele foi delegado da Conferência de Paris, em 1947, quando a maquinaria do Plano Marshall foi estabelecida. Foi o chefe da delegação de seu país na Conferência de Paris para a Organização da Cooperação Econômica Européia (OEEC), em 1948.

Por alguns anos, serviu como vice-Presidente do Comitê Executivo do OEEC. Em 1950, tornou-se presidente da Delegação Sueca na UNISCAN, estabelecida para promover a cooperação econômica entre o Reino Unido e os países escandinavos. Foi também membro (1937-1948) da Junta Conselheira do Instituto de Pesquisa Econômica, ligado ao governo.

Foi vice-Presidente da Delegação Sueca na Sexta Sessão Regular da Assembléia Geral da ONU em Paris (1951-1952), e Presidente interino da delegação de seu país na Sétima Assembléia Geral em Nova York (1952-1953).

Apesar de ter servido com o Gabinete social-democrata, Hammarskjold nunca se filiou a partidos políticos, tratando a si mesmo como um homem politicamente independente.

No dia 20 de dezembro de 1954, tornou-se membro da Academia Sueca. Foi eleito para assumir uma cadeira na Academia, que for a ocupada por seu pai.

Eleito por dois anos como Secretário-Geral

Hammarskjold foi nomeado Secretário-Geral das Nações Unidas por unanimidade no dia 7 de abril de 1953, sob recomendação do Conselho de Segurança. Em setembro de 1957, foi reeleito com unanimidade para outro mandato de cinco anos.

Durante seus mandatos como Secretário-Geral, Hammarskjold assumiu várias responsabilidades pelas Nações Unidas, no esforço da Organização para impedir a guerra e atender outras previsões da Carta.

No Oriente Médio, estes esforços incluíram: contínua atividade diplomática em apoio aos Acordos de Armistício entre Israel e os Estados Árabes e para promover o progresso rumo a condições mais pacíficas na região; organização, em 1956, da Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF) e sua administração; desocupação do Canal de Suez em 1957 e assistência na busca de uma solução pacífica da disputa pelo canal; organização e administração do Grupo de Observação das Nações Unidas no Líbano (UNOGIL) e estabelecimento de um escritório do Representante Especial do Secretário-Geral na Jordânia em 1958.

Em 1955, 15 aviadores americanos que haviam servido o Comando das Nações Unidas na Coréia foram libertados pela República Popular da China,em seguida sua visita a Pequim (30 de dezembro de 1954-13 de janeiro de 1955). Hammarskjold viajou também para muitos países africanos, asiáticos, europeus, americanos e do Oriente Médio, tanto em missões específicas ou para acertar detalhes de problemas com oficiais dos governos.

Numa destas visitas (18 de dezembro de 1959 a 31 de janeiro de 1960), o Secretário-Geral passou por 21 países e territórios da África – uma viagem que descreveria mais tarde como "uma viagem estritamente profissional para estudo, para informação".

Mais tarde, em 1960, quando o Presidente Joseph Kasa-Vubu e o Primeiro-Ministro Patrice Lumumba, da República do Congo, enviaram a ele uma mensagem no dia 12 de julho, pedindo "a mobilização urgente" de assistência militar da ONU ao país, o Secretário-Geral dirigiu-se ao Conselho de Segurança – numa sessão noturna – e pediu ao Conselho que agisse com "velocidade máxima" em relação ao pedido.

Em seguida a ações do Conselho de Segurança, foi estabelecida a Força das Nações Unidas no Congo. O próprio Secretário-Geral fez quatro viagens ao Congo, ligadas às operações da ONU no país. As duas primeiras viagens ao Congo foram feitas em julho e agosto de 1960. Então, em janeiro daquele ano, o secretário-geral parou no Congo, em seu caminho à União da África do Sul, onde cumpriria uma outra missão ligada aos problemas raciais naquele país. A quarta viagem ao Congo começou no dia 12 de setembro e terminou com um acidente fatal de avião.

NOTA ESPECIAL DO 2º SECRETÁRIO

Por Thedoro

O Sr. DAG HAMMARSKJOLD foi o Secretário Geral da ONU desde 1953 até 1961. Portanto ele era o Secretário Geral da ONU quando foi criada a 1ª Força de Paz da ONU, a UNEF. Ele esteve no Oriente Médio em visita à Força de Paz da ONU, quando em discurso enalteceu a importância dos Soldados da Paz, dizendo, aos Soldados da UNEF, entre outras coisas: "Como membros da FORÇA DE PAZ DA ONU, vocês estão participando de uma nova experiência na história da humanidade. Vocês têm o apoio de milhões e milhões de pessoas de todo o mundo"...

O Secretário Geral faleceu, depois que seu avião caiu em NDOLA, em meados de setembro de 1961. O registro daquele acidente ainda gera muitas dúvidas, uma vez que havia denuncias de sabotagem, pois algumas pessoas alegavam que o seu avião foi abatido, e havia o envolvimento da então União Soviética na região em apoio aos guerrilheiros, portanto contrário aos interesse da ONU. Ele se dirigia ao território do antigo "CONGO" num conflito de características atípica que envolvia uma eclosão de confronto entre as próprias Forças das NAÇÕES UNIDAS, representados por soldados Suecos, e os mercenários na província secessionista de KATANGA, no CONGO, atual ZAIRE, cujo confronto exigia a intervenção pessoal do Secretário-Geral Dag Hammarskjold. O seu vôo com o objetivo de conseguir a paz terminou em luto num acidente fatal. 

(Revista "Seleções - antiga")

Theodoro <theojunior@uol.com.br> 
Data: Wed, 26 May 2004 22:31:22 -0300

 


IN MEMORIUM

Special Committee cn Apartheid Visits Grave of Late Secretary-General UN- Dag Hammarskjöld - 16 june 1968


ACHKAR Marof (Guinea), Chairman of the Special Committee on Apartheid (r back to camera) lays a wreath on the grave of the late Secretary-General Dag Hammarskjöld in Uppsala, assisted by B. HALLDEN of the UN Information Centre in Copenhagen.


Location: Uppsala, Sweden
Date: 16 June 1968

Nota:- DAG HAMMARSKJÖLD era Secretário Geral da ONU e morreu em Missão da Organização, Acidente de Avião, UGANDA, em setembro de 1961.

de Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
data 22/03/2008 01:37
assunto HOMENAGEM -IN MEMORIAN- DAG HAMMARSKJÖLD 


TRYGVE HALVDAN LIE (Noruega)
Primeiro Secretário-Geral das Nações Unidas
Nota biográfica

Trygve Halvdan Lie nasceu no dia 16 de julho de 1896 em Oslo, Noruega, filho de Martin e Hulda Arnesen Lie. Foi educado na Universidade de Oslo, onde obteve um diploma de direito, em 1919. No dia 8 de novembro de 1921, casou-se com Hjordis Joergensen. Eles tiveram três filhos – Sissel, Guri, e Mette.

Lie tornou-se membro da Organização de Jovens do Partido Trabalhista Norueguês, em 1911. Foi assistente do Secretário do partido de 1919 a 1922, conselheiro legal da Federação de Sindicatos da Noruega, de 1922 a 1935, e Secretário Nacional Exclusivo do Partido Trabalhista em 1926. No Governo trabalhista formado por Johan Nygaardsvold, Lie foi Ministro da Justiça de 1935 a 1939, e então Ministro de Comércio e Indústrias, de julho a setembro de 1939. Na época da eclosão da Segunda Guerra, tornou-se Ministro de Abastecimento e Navegação. Nesta capacidade, desenvolveu as medidas provisórias que reservaram a frota sueca para os aliados, depois da invasão germânica, em abril de 1940. Em junho daquele ano ele foi para a Inglaterra, quando o Governo norueguês continuar a luta desde o exterior.

Tornou-se Ministro das Relações Exteriores interino em dezembro de 1940, e foi nomeado Ministro das Relações Exteriores da Noruega em fevereiro de1941. Lie foi eleito membro do Parlamento norueguês em 1936 e reeleito em 1945. No dia 12 de junho de 1945, o Governo do qual ele era membro resignou, e Lie foi nomeado Ministro das Relações Exteriores do Gabiente de Coalizão interino que assumiu o governo na época, além de Ministro das Relações Exteriores do novo Governo trabalhista, em outubro de 1945.

Lie liderou a delegação da Noruega na Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional em San Francisco, em abril de 1945, e foi eleito presidente da Comissão III para a feitura das provisões do Conselho de Segurança na Carta. Ele também foi Presidente da delegação da Noruega na Assembléia Geral da ONU em Londres, em janeiro de 1946. No dia 1 de fevereiro de 1946, Lie foi eleito primeiro Secretário-Geral das Nações Unidas. No dia 1º de novembro de 1950, a Assembléia Geral nomeou Lie Secretário-Geral para um mandato de mais três anos. Deixou o cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas em Novembro de 1952.

 


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