UM SEGREDO NALDO VELHO


        Recebi  este soneto de uma amiga que lembrar, os soldados do Batalhão Suez. Achei bonita resolvi publicá-la em nosso site por sentir que essa poesia tem a ver com o nosso lado espiritual. Abraços Theodoro


Eu vou te contar um segredo,
Um que nunca contei à ninguém:
Já faz algum tempo,
Num destes sonhar acordado,
Alguém que eu sequer sei o nome,
À cabeceira de minha cama
Me falou de uma viagem
Para uma terra distante,
Bem depois do horizonte.

A esta terra ele chamava
De Grande e Eterno Oriente,
Dizia ser esse, um lugar de muita magia,
Onde todas as coisas conviviam
Na mais pura harmonia
E onde o sol jamais jorrava ardente,
Sendo apenas e tão somente
Um bálsamo de vida nascente,
Fonte de energia e de calor.
E a chuva era sempre e só o suficiente
Para germinar as sementes,
Alimentar a terra, as plantas, as nascentes
E para saciar a sede
Do povo daquele lugar.

Dizia que o vento ali,
Ventava macio, aveludado,
Parecendo mais uma carícia,
Uma dádiva do Criador.
Falou-me do nascer e do pôr do sol,
Tão bonitos quanto os daqui
Mas que lá os nossos olhos poderiam
Perceber outros e muitos matizes
Que normalmente e por enquanto,
Por sermos ainda aprendizes,
Nossos olhos não conseguem ver.

Me falou das noites de lua,
Que lá sua luz ainda é fonte
De tantos e profundos romances,
Do céu tomado de estrelas
E que lá elas não são tão distantes,
São como cristais cintilantes
A energizar as pessoas
Mantendo os males distantes,
E curando os recém-chegados,
Viajores de outras terras, errantes,
Que em busca de aconchego e repouso
Vieram a aportar por ali.

Contou com um sorriso nos olhos
Que é comum encontrarmos crianças,
Verdadeiros anjos, tão belos,
A brincar pelas ruas e praças,
Brincadeiras que ainda nos falam a lembrança,
São promessas de uma existência mais terna,
De um tempo de maior delicadeza
Que certamente um dia
Cada um de nós vai merecer viver.

Me falou também e de forma veemente,
De muitos músicos, poetas, pintores,
Todos os tipos de artistas,
De muita música, divina música,
De Mestre Heitor Villa-Lobos,
Da grande Chiquinha Gonzaga,
De Cartola, de Ari Barroso,
Da Divina Elizeth,
De Baden e Vinícius,
Do ainda recém-chegado Cazuza,
De Antônio Carlos Jobim,
De tantos outros, fica difícil enumerar.

Sabe Monteiro Lobato, Bandeira,
Drumond de Andrade,
Cabral de Mello Neto,
Cecília Meireles, a imortal poetiza,
Todos lá !
Picasso , Monet, o grande Portinari
Quantas luzes, quantos mestres...

Será por isto que a terra anda tão pobre ?
Todos ou já se mudaram,
Ou estão se mudando para lá.
Não sei não!
Só tenho uma única certeza,
Como está, não sei se vou suportar.

Meu coração já anda sinalizando,
Qualquer hora eu também me mando..
Sabe aquele do segredo, do início da história ?
Pois é, ele me confidenciou
Que lá existem escolas,
E que eu já estou matriculado,
Nas primeiras séries, é claro !
Quero ser músico, poeta e pintor !
Já venho treinando e treinando...

Já tenho até passagem comprada,
O segredo ? O que ele me contou ?
É que vai ser lá nos idos de outubro,
Quase entrando em novembro...
Ele só não me disse o ano
E me mandou ter paciência,
Continuar vivendo e aprendendo,
Quando chegar a hora,
Ele vem me buscar.

 

VOLTAR