40 ANOS - DA NOSSA CHEGADA


NOSSA  CHEGADA  AO  BRASIL

Por Alceu Batista

Prezados companheiros:

No dia nossa chegada ao Rio tudo se passou rápido. Todos nós, estávamos estressados devido a longa viagem marítima, bem como, ansiosos para rever nossos parentes lá no Paraná que já estavam a nossa espera após uma ano e meio de nossa ausência.

Pouco me lembro do dia 13 de fevereiro de 1963, mas, foi maravilhosa a recepção na chegada do nosso navio"Barroso Pereira" no píer da Praça Mauá  próximo ao cais já dava para ouvir o som da banda militar com  muitos acenos de pessoas na multidão. Fomos transferidos do navio para uma "chata" para desembarcar no cais. O Navio seguiu mais pra frente para o desembarque de materiais do Exército. Transferido-nos da chata para o cais do porto, colocamo-nos em  forma por Cia, e prosseguiu a cerimônia festiva, destacava-se as autoridades civis e militares, parentes dos companheiros que foram ao local para nos recepcionar, e alguns fotógrafos e repórteres de jornais etc...

Houve o desfile que não me lembro bem , numa avenida. E voltamos ao cais e ficamos em forma no acostado do navio para receber as homenagens e em seguida fomos transportados para os caminhões militares direto para o quartel da vila militar. Naquele momento, ainda pude ver, no meio de tanta agitação, os guinchos transferindo os nossos caixotes do navio para os caminhões do exercito. Me lembro que quando chegamos ao aquartelamento do III/2RI, para o almoço com muito atraso e atordoados.

Estávamos próximo do carnaval e tudo estava muito agitado no Rio. Começamos a procuramos passagens ou outro meio de locomoção para a volta pra casa. 

Por ser bancário anteriormente e preventivo, abriu uma conta bancária com meus dólares, que troquei numa Casa de Câmbio na avenida Rio Branco.

Antes de ir para Suez,  era costume de todos alugar uma quarto num prédio no centro do Rio, para trocar  a farda pelo paisano para passear e tomar Chopin pelas praias do Rio. A noite regressávamos ao Quartel. Más nesse retorno de Suez, não me lembro, se repetiu o mesmo procedimento anterior. 

Eu e a maioria queríamos dar baixa mais rápido possível e seguir pra casa.Houve nesse ínterim,  o exame médio, necessário para expedir a tão solicitada, o certificado de reservista, nossa baixa.Não sei quanto dias levou toda essa tramitação. que ao meu ver, foi logo, porque nem senti a minha presença no Rio, naquela época..

Enquanto isso, de olho nos caixotes que foram para um local provisório num alojamento no piso superior. O que fazer daí, então surgiu a uma grande idéia, na roda de companheiros, a seguinte decisão: passar tudo para malas que juntas a nós poderiam ser transportadas. Acompanhando os companheiros, então, comprei duas malas grandes que enchi-as com as coisas que tinham trazido no caixote. O que sobrou e não cabia nas malas, de menor valor e dei para os recrutas que me olhando atentamente o manuseio das "lembranças de Suez".Pois naquele momento, nosso interesse era aliviar o peso de bagagem.

Também tinha outra coisa para levar. Outro caminhão do exercito trouxe as caixas de uísque "Cavalo Branco" que todos nós compramos em Marselha, uma caixa para cada militar. Então fui até o local da distribuição. Já na traseira do caminhão estava postado um oficial do quartel muito simpático, comprando as caixa de uísques de quem quisesse os vender. E para aliviar nosso peso, eu, e a maioria dos companheiros do sul cheio de coisas para levar decidimos vende-las ao oficial por um preço razoável.

Não se esquecem, antes de partirem, pegar o certificado de reservista na secretaria!!!. 

Após várias tentativas de reservar passagens,mas todos os meios de transportes estava esgotado. Surgiu uma luz! Então de encontro com 3 companheiro de Curitiba (que não me lembro de seus nomes) alugaram uma Kombi, para nós 4 com viagem direto à Curitiba. Dava pena de ver a Kombi arreada! Foi um viagem longa e cansativa durante um dia todo. Mas valeu a pena o sacrifício pois,  estávamos  voltando pra casa, na frente da maioria que seguiram depois de nós.

Chegando em Curitiba, cada um seguiu o seu destino, e pegamos os endereços dos companheiros para um futuro encontro.E acabamos perdendo-os em nossas coisas. 

Prosseguindo a viagem, agora sozinho, tomei o primeiro trem para Paranaguá, onde morava os meus pais.Mais 4 horas de viagem.

Chegando em casa, durante o dia, mesmo cansado,  fui recepcionado pelos parentes  ao som de bombas e rojões, preparado pelo meu pai. 

No outro dia, devia ser um sábado, programaram uma linda e inesquecível festa. Muitos convidados e curiosos.Entre eles, os colegas de trabalho, de colégio e a vizinhança. A nossa casa ficou repleta de pessoas e virou um bailão e eu  vire um "HERÓI" por pouco tempo..

Isso ainda dá para lembrar: aquela felicidade dos meus pais, na minha chegada: 

"um filho que estava longe numa possível guerra e agora de volta para lar, sã e salvo"

- Graças a Deus, eu sou da Paz!!!


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