NOSSA CHEGADA, O
CERTIFICADO RESERVISTA & HISTÓRIAS
A chegada do nosso 10º Contingente do Batalhão Suez no Rio, foi mesmo no dia 13 de Fevereiro de 1963.
Acredito que todos os Certificados de Reservista do pessoal que serviu no 10º Contingente do Batalhão Suez, foram emitidos com a data de 28 de Fevereiro de 1963.
Historias.
O navio “Barroso Pereira” atracou num galpão da Marinha, longe do Píer, depois fomos transportados em uma "chata" da Marinha que fez um pequeno percurso com muita bagunça de quem estava naquela embarcação, que quase virou na chegada porque todos correram para um lado só, na ansiedade de desembarcar logo. Foi uma loucura!
Depois dos abraços, lágrimas e rojões, tivemos aqueles "salamaleques" com banda militar com algumas autoridades presentes, logo tivemos que entrar em forma por companhia. e fazer ordem unida e posteriormente o desfile da tropa pela av. Getúlio Vargas até o então Palácio da Guerra.
Retornamos ao mesmo Píer marchando. Posteriormente fomos conduzidos, em caminhões do Exercito até o 2º RI da Vila Militar para o almoço que já era passado das 14 horas.
No outro dia, pela manhã, tivemos o inicio do ritual daquilo que chamamos "os finalmentes”, como a devolução de alguns materiais, que todos deixavam na entrada do barracão e na saída, muitos de nós, recuperamos quase tudo de volta. Praticávamos uma ação duvidosa.
Aquilo que nós, os soldados, dizia para o outro... Fizemos "ombro arma" de alguns pertences que eram nossos. Acompanhei os demais colegas. Por exemplo, eu peguei de volta a farda de passeio e a indiana, Summer-keep, cachecol, boina, manta verde oliva, cantil, estojo de higiene (contendo: sabonete, pasta dental, escovas de dente, aparelho de barbear e giletes) etc... Lembro ainda que fiz "ombro arma" daquela plaquetas de identificação, a qual deveríamos usar no pescoço com correntinha, coisa que nenhum soldado usou. Enfim, fiz ombro-arma do que pude. Até a minha entidade da ONU, que um dia perdi e me lamentei muito.
Depois desse dia ainda deveríamos enfrentar novamente aqueles exames médicos, lá no HCE. Não muito longe do 2º RI. A esse exame havia uma escala, com algumas turmas por dia, e os exames duravam alguns dias, dois a três dias, ou mais. Tivemos ainda que ir tirar foto 3 X 4, para o certificado reservista, enquanto aguardávamos os resultados dos exames. e também já estavam sendo preparados o certificado de cada elemento e aquela menção honrosa pela boa disciplina etc...
Entre a nossa chegada e a nossa baixa, foi um ritual muito
lento e moroso, o suficiente para irritar a todos, uma vez que tínhamos pressa
em ir embora.
Na verdade, se eu não estiver enganado, recebemos o Certificado pela manhã do dia 28 de fevereiro de 1963 e então, finalmente estávamos dispensados para voltar pra casa.
Porém entre nós, haviam alguns elementos que ficaram internados no HCE, a qual eu destaco o Cabo Milton de Juiz de Fora, foi um que me lembro, ele somente deu baixa vários dias após a maioria. Ele bem que poderia contar melhor essa história toda.
Outro detalhe que não me lembro, até quando tivemos que andar fardados, ao menos dentro do quartel, mas creio que ainda ficamos fardados por alguns dias após a chegada, apenas que não era mais permitido usar a boina ou o cachecol.
Eu me lembro que particularmente, não se pernoitava no Quartel (2º RI) como faziam alguns.
Uma vez que juntamente com os cabos Silvio Ribeiro, Perácio, Suzuki, e não sei mais quem, todos nós, ficamos hospedados por muitos dias num daqueles hotéis, próximo ao centro da cidade do Rio, até a nossa dispensa. E quando nossa presença era solicitada no Quartel, mediante aviso, retornávamos imediatamente.
Aproveitamos esses dias passeando pelo Rio, telefonando,
tentando manter contato com os parentes do Paraná. Naquele tempo ninguém tinha
telefone em casa e era ruim e complicado o serviço de interurbano, mesmo assim
telefonávamos para o serviço de algum familiar, pai, ou irmão, etc. Não era
procedimento diariamente, mas ao menos umas três vezes eu me lembro que
telefonei pra casa Depois mandamos telegramas aos parentes dizendo que em breve
estaríamos em casa.
E enquanto no Rio ficamos tratando de “os finalmentes".
Então me lembro que era vésperas de carnaval
e não mais
havia passagens de ônibus para Curitiba.
De trem, nem pensar, o Cabo Silvio induziu-me a irmos procurar passagens de avião
que também não conseguimos nada porque outros já haviam tentado, todos os vôos
estavam lotados.
Finalmente os soldados Anuar Chaim e Azevedo (Pudim de cachaça) com o Sgt. Mirio, e mais uns Catarinenses dos quais não lembro dos seus nomes, conseguiram fretar dois ônibus para atender os demais colegas, paranaenses e alguns catarinenses e eu embarquei nessa, rumo ao Paraná.
Viajamos a noite toda na maior euforia e chegamos na rodoviária velha de Curitiba em Curitiba por volta das 16 horas com as últimas algazarras e despedidas. Afoitos como estávamos, ninguém anotou endereço de ninguém e assim despedimo-nos uns dos outros normalmente. Quando percebemos a grande falha não tinha mais como fazer.
Resultado... com a dispersão ficou a saudades de todos!
Alguns, ou melhor, muito desses amigos nunca mais vimos, outros vimos esporadicamente, e ainda, poucos os vejo. E desses amigos todos? Quantos já faleceram? ...Vários, Infelizmente!
Com advento da internet, voltou a esperança de todos para
um novo e possível contato, agora virtual, pelo menos!
Todas essas histórias e lembranças somente estão sendo
possível, graças a criação do nosso maravilhoso site do Batalhão Suez, a
partir de 24.10.2000, idealizado pelo companheiro
“Alceu” e que o localizei na internet com pesquisas de buscas. Fui o
primeiro contato após a sua inauguração com muita surpresa e emoção! Daí
pra frente, com ampliação do site e nossas
propagandas, passamos a contar com muitos participantes, inclusive com
novos colegas de outros contingentes.
Estão vendo só, quantos milagres já realizados?
Quanto do passado já está sendo resgatado?
Ao menos virtualmente estamos mantendo contato com os
nossos velhos e saudosos amigos e companheiros e assim ganhando novos amigos,
muito embora o processo seja lento e exaustivo, por conta do comodismo e da
falta de interesse de muitos,... mas o
processo desse
resgate, é firme
e progressista.
Assim caminha “o Boina Azul do Batalhão Suez”.
A luta continua e vamos em frente, não percamos a esperança
de dias melhores e de maior número de reencontros.
A chegada final em casa é outra emocionante história,
aquele demorado abraço, com lágrimas, com minha saudosa mamãe, faz parte
final da grande história do Btl.Suez Nesse
aspecto cada um de nós que fomos integrantes tem uma história semelhante para
contar porque é particularidade muito pessoal e individual, mas certamente,
repleta de emoções.
Eu me lembro que fiz
o maior sucesso no
meu bairro, vizinhos e
demais parentes acorreram lá
para casa
dos meus
pais, e
fizemos um
grande churrasco, onde as
atenções maiores
estavam voltadas
para aquele
que regressava com um
sotaque diferente e muitas
histórias para contar.
Amanhecemos congratulando e já na outra noite, fui ao
carnaval do clube onde era sócio.
Outro sucesso, pois fui brincar o carnaval fantasiado de habib, cujos trajes
havia trazido na mala
de viagem.
Diverti-me pacas, tirei
o atrasado e
virei "Astro" por
algumas horas,
ou por alguns
dias na
cidade. Com os demais amigos
que voltamos juntos sempre, e desde o primeiro dia, fazíamos
questão de
conversarmos e de
estarmos juntos,
era um
tal de ir almoçar um
dia na
casa de um,
noutro dia
na casa
de outro,
e aos poucos foram
se distanciando os dias
dos encontros
e acabamos
por também
nos dispersarmos, e cada qual
procurou seu
caminho, sua
ocupação.
Troquei todos meus dólares no final de março no Rio de
Janeiro. Ainda no mês
de março, viajei
a São
Paulo, Mato Grosso e
ao Rio Grande
do Sul . No final do mês de abril
já estava
trabalhando. Adaptei-me rapidamente a vidinha de minha pacata cidade e
aos poucos fui
alçando outros
vôos, até
chegar aos
dias atuais.
Relatei demais, porém há ainda, espaços na
minha cabeça
para muito mais,
coisa que
um dia
bem que
poderíamos contar
tudo isso pessoalmente
numa rodinha
de amigos ou num futuro
encontro de Boinas Azuis.
O futuro dirá. Quem sabe!
Um grande abraço