14º Contingente - Jaciel Sidre - Ocorrências

 
A seguir duas histórias narrado por JACIEL SIDRE - 14º Contingente do Btl.Suez.

SERVIÇO DE PATRULHA
1ª Ocorrência

Numa daquelas Patrulhas noturnas a pé, pessoal do Pelotão Paraná (7ª Cia). Nessa Patrulha estávamos em 7 elementos - Um 3º Sgt. Comandante, Um cabo e cinco (5) Soldados. A Patrulha seguia no sentido Pelotão Paraná até o PO -12 (Posto de Observação), no horário aproximado das 2:00h daquela fria madrugada. Já próximo ao " PO-12" - quando já havíamos percorridos cerca de 8 a 10 Kms, repentinamente todos os "patrulheiros" escutaram tiros seguidos por uma rajada de metralhadora.Foi uma surpresa inusitada, e rapidamente o Sargento tomando a iniciativa, ordenou que todos deitassem ao solo e em seguida rastejando até a vala da ADL (linha divisa política Egito X Israel) procurassem uma melhor localização mantendo distância compatível. O Sgt. acionou , disparando para o alto, o dispositivo de sinalização noturna, que servia naquele momento, tanto para clarear o local daqueles disparos, e saber exatamente de onde saiam aqueles tiros, quanto para alertar os Pelotões do perigo e da necessidade de algum reforço. O que todos da Patrulha viram foi que vários (habibes) elementos árabes, que estavam do lado de Israel, aparentemente se assustaram com a ação do sargento e presença da patrulha, iniciaram uma correria e em desabalada carreira, alguns habibes, pulando a ADL, de retorno para o lado árabe, chagaram a saltar por sob as cabeças dos nossos soldados, nem sequer percebendo a presença e localização dos brasileiros, que continuaram entrincheirados.Tudo aconteceu tão rapidamente que nada foi possível fazer, logo tudo se acalmou, e quando chegarmos reforços do pelotão, e narrado o ocorrido, nada mais foi possível realizar desse episódio, e a patrulha dava continuidade ao serviço, mais tarde concluindo seu percurso e horário, retornou ao Pelotão ao amanhecer, por volta das 6:00 horas.

2ª Ocorrência

Num determinado dia, não lembro exatamente a data, o tenente Néri, comandante do pelotão Paraná, embarcando num Jipe (veículo a serviço da ONU), deslocou-se com seu motorista o soldado Bertoni ( Joaquim Bertoni Filho - Natural de Sto.Antônio da Platina - PR), até a cidade de Kan Yunes, para uma das missões de rotina da ONU. Tudo transcorria normalmente sem alterações, quando num determinado momento, perto das 18:00 horas, já próximo de retornar ao pelotão, o tenente Neri ordenou parar o veículo e desceu e foi conversar com alguns elementos, numa daquelas lojas. O soldado Bertoni acompanhava o tenente Neri, quando olhou para o jipe e viu que elementos árabes estavam vasculhando aquela viatura da ONU, o soldado Bertoni ,voltando para a viatura, gritou aquela palavra em linguagem árabe " Yalla habibe". (que quer dizer saiam todos - ...vão embora habibes) Um daqueles elementos, fingindo ir embora, no exato momento de distração do soldado Bertoni, puxou uma "daquelas facas árabe" e covardemente cravou nas costas do soldado brasileiro, na altura do Rim esquerdo, e evadiu-se do local. O Bertoni contorcendo-se em dores e em pânico foi imediatamente atendido pelo tenente Neri, que o conduziu na mesma viatura e rapidamente ao hospital do batalhão. Diante da notícia do ocorrido, diversos soldados do batalhão brasileiro, revoltados com o fato, ameaçavam ir incendiar aquela cidade de Kan Yunes, no que foram contidos obviamente. Passados os dias o soldado Bertoni já curado do ferimento, teve alta do Hospital, e plenamente em condições físicas, concluiu sua missão até o ultimo dia, e retornou ao Brasil, juntamente com seus companheiros do 14º Contingente, com uma marca da cicatriz em seu corpo, e a triste lembrança de que num dia, quando cumpria tarefa a serviço da paz mundial, sofreu uma traiçoeira agressão, e esteve a beira da morte.
 
 
JACIEL SIDRE (14º Contingente) 
Rua Divina Providência, 1.618. Santa Quitéria 
CEP 80 310-010
CURITIBA - PR .
 
Data: Wed, 15 Jan 2003 01:05:53 -0200
De: Theodoro <theojunior@uol.com.br>

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