TEXTO DO LIVRO DE EDISON IABEL
SOBRE O DIA 5 DE JUNHO DE 1967
THEODORO
Caros
amigos:
Ainda como uma homenagem aos bravos integrantes do 20º Contingente Btl.Suez,
em referência as lembranças do que foi o DIA 5 DE JUNHO DE 1967 lembranças
dramáticas para nosso acervo histórico.
Estou repassando, devidamente autorizado pelo Boina Azul do 20º
Contingente, ÉDISON IABEL, Autor do Livro "SIX DAY WAR-1967", mais um
capítulo do referido livro, que narra, sob um ponto de vista diferente de
tudo o que já vimos e lemos, sobre aquele inesquecível episódio no Oriente
Médio, A Guerra dos Seis Dias.
Convido o prezado leitor a deliciar-se com mais um trecho da brilhante
narrativa que o pequeno "grande" YABEL conseguiu transcrever falando das
mazelas, das angustias, do medo, das mortes presenciadas quando Israel
atacava a cidade de Gaza. Oportuno enaltecer que nosso pequeno notável
Edison Iabel, estava servindo no " Headquater”, QG da UNEF em Gaza, como
intérprete.
Fatos inusitados, e lembranças dos seis dias de junho de 1967 que pegou o
mundo todo de surpresa, as conseqüências dramáticas que abalaram nossos
soldados do 20º contingente do Btl.Suez, que naquele momento histórico
prestavam serviços na Força Internacional de Paz - a UNEF, na Faixa de
Gaza e Sinai, eles representavam um pedacinho do Brasil no SINAI.
Oportuno registrar, que tive a honra e o grande privilégio de ter sido um
dos primeiros a ler e a tomar conhecimento do Livro, que já está em fase
final e indo para o Forno. Em breve será lançado ao conhecimento público.
Essa riquíssima obra, tem como pano de fundo o famoso dia 5 de Junho de
1967 início da Guerra dos Seis Dias e as nuances vividas pelos soldados do
20º Contingente, antes durante e depois desse conflito histórico e de
grande experiência militar para nosso Exército Brasileiro.
O que
você irão ler logo abaixo é apenas um pequeno trecho do Livro. O Livro
apresenta , em todo seu conteúdo, um conjunto de informações e dos
aspectos gerais, desde a formação dos nossos soldados e treinamento e a
campanha do 20º Contingente. A forma inesperada como ele inscreveu-se em
Porto Alegre/RS e adentrou às fileiras do Batalhão Suez como Soldado da
Paz, quando foi considerado apto a servir no 20º contingente do Btl.Suez.
É um livro atraente, que conta uma história abrangente, de fácil leitura e
compreensão, e que trata, com brilhantismo, de esclarecer fatos reais
sobre sua função no Quartel General da UNEF em Gaza (Headquater”, QG da
UNEF em Gaza) A dureza que foi, para todos nossos soldados do último
Contingente do Btl.Suez, aqueles momentos que anunciavam a Guerra como uma
fato consumado. Quando eclodiu o conflito, os soldados do 20º Contingente
acabaram virando personagens heróicas e históricas de uma Guerra sangrenta
e veloz.
Sabemos que outros já escreveram sobre a Missão e episódios do Btl.Suez na
Faixa de Gaza, porém ninguém havia mencionado como funcionava e como era o
trabalho da UNEF, no quartel General em Gaza. E o Iabel faz com muita
propriedade, oportunismo e segurança inusitadas.
Destaca-se no autor, em sua obra, um notável conhecimento de causa e
também por ter sido um dos personagens que participou com seu 20º
Contingente, no fim e extinção da UNEF.
A riqueza de detalhes encontrada no livro, os tornam singulares e um
completo conhecimento sobre os episódios do eterno conflito na Palestina e
Faixa de Gaza.
Agora, daqui mais algum tempo, esse importante relato contido no Livro
"SIX DAY WAR-1967" fará parte da grande história do Exército, daquilo que
foi, o BATALHÃO SUEZ, e o Iabel passa a integrar uma posição de destaque
entre os que escreveram sobre a Missão de Paz.
Parabéns ao Edison Iabel, meu irmão de outras vidas. Meu particular e
grande amigo, companheiro da Missão de Paz no Oriente Médio.
Theodoro da Silva Junior
Sobre o Livro SIX DAY WAR 1967, mais um capítulo que vocês poderão ler, logo abaixo.
EDISON IABEL

SENTADOS NO OLHO DO FURACÃO
Segunda Feira dia 05 de junho 1967.
JÁ PREVENDO o pior, logo ao alvorecer de 2ª Feira, após uma reconfortante
chuveirada, ingerimos um rápido café da manhã embrulhamos uns sanduíches,
enfiamos numa velha bolsa de viagem da Alitalia e partimos para o HQ,
para, conforme dizia o comunicado distribuído pela Administração da UNEF,
cuja copia amassada, guardei em meu bolso “.... Com o propósito de,
através de mutirão, dar continuidade a providencias administrativas, tais
como a embalagem de documentos oficiais, destruição de papeis velhos, a
serem queimados no forno, localizado no pátio do prédio do HQ...”.
Porém, antes de seguir viagem, alguma coisa inexplicável me faz correr até
minha barraca, colocar no bolso traseiro da calça, meu CARTÃO DE
IDENTIFICAÇÃO DO MINISTÉRIO DA GUERRA, junto ao ID-CARD da UNEF, e trocar
o ‘Summer cap’ pela boina azul; sei lá; talvez alguma premonição...
A caminho do Headquater encontramos as ruas muito diferentes do que
estávamos habituados a ver: em vez de automóveis e lambretas, e das
tradicionais bancas de frutas e hortaliças, caminhões militares de tudo
quanto é tamanho, abarrotados de soldados, e dezenas de jipes.
Assustamos-nos com uma crescente agitação popular pelas principais
avenidas de Gaza: habibs eufóricos, numa gritaria danada, empilhando sacos
de areia em frente de casas, praças e prédios públicos. Soldados erguiam
barreiras de pedras, criando labirintos, no meio das ruas, para bloquear o
transito, ou para restringir a velocidade dos veículos. Os habibs
trabalhavam sob a supervisão de paramilitares armados de submetralhadoras
russas AK 47.
A cada esquina um roadblock, barreira policial, onde somos parados para
identificação pessoal e averiguação da carga da van, por oficiais
árabes/fedayyns, nervosos e excitados. Ao confirmarem que somos “UN” nos
aconselham, em vão, a voltar para o Tre Kronnor... “... para vossa própria
segurança...!”
Já cheio daquela ‘lengalenga’, parto para o ‘tudo ou nada’ e cito o nome
mágico do “... nosso dileto amigo’ General Ahmed Sharkawy, de quem temos
permissão direta para o livre transito, entre o ‘Gaza Camp’, (como os
árabes chamavam o Tre Kronnor), e o Headquarter da UNEF...” Os assustados
fedayyns, imediatamente mudam de expressão, e ao ver que não estamos
blefando (!) se desculpam pelo inconveniente causado! Assim que nossa van
ultrapassa a barreira, e ganha velocidade diz meu amigo Singh Pritan,
rindo às bandeiras despregadas: “Nada que uma boa bronca não resolva; não
é mesmo Mr. Eddie...?!” Pior do que não ter iniciativa... é não ter
coragem de usá-la...penso com meus botões... Apartir daí não ganhamos
passagem livre até o HQ.
Ao saltarmos da van no estacionamento do HQ, os companheiros de viagem
apertam efusivamente minha mão, e agradecem pela ‘cara de pau’ deste
brasileiro que aqui vos fala... Em retribuição peço-lhes que p.favor,
mantenham sigilo sobre o acontecimento...
Assim que vencemos o lance de degraus da entrada, como de costume olho pro
relógio pendurado na parede do ‘hall’: 06h55minhrs. Parece que a agitação
das ruas contaminou a todos. Dava para ver pelo semblante sombrio dos
militares e do pessoal civil, os quais subiam apressadamente para o
segundo andar, com as mãos cheias de papeis... o clima não estava para
brincadeira... Com certeza, algo de muito grave já estava acontecendo,
visto que, desde o amanhecer ouvíamos, a distancia, um constante surdo
martelar de canhões...
Finalmente, encontro minha amiga Mônica, e ela confirma que no segundo
andar do prédio, está sendo realizada uma importante reunião às portas
fechadas, no gabinete do Comandante, Gen. Rikhye com a presença do Estado
Maior da UNEF e funcionários da administração civil recém chegados da sede
da ONU, em Nova Yorke. Disfarçamos quando o Comandante cruza apressado o
hall, e sorri ao passar por nós. O ‘homem’ desceu as escadas do prédio a
passos largos,.... parece estar em plena forma... Ouvimos quando ele bate
com força a porta do carro oficial. “... Acho que ele vai para uma reunião
com o Gen. Sharkawy. Ouvi dizerem, que o Gen. Rikhye tentará convencê-lo a
remover algumas peças de artilharia, mais próximas, do HQ e dos
acantonamentos da UNEF, perto da ADL e da IF, evitando, assim as sobras da
represália israelense... A grande preocupação do ‘Chefe’ é a real
possibilidade de sermos atingidos diretamente pelo fogo cruzado...” Ela
aproveita a deixa e me conta, com um sorrisinho nervoso, que aparelho de
telex do Gabinete funciona à todo vapor, desde às 6 da manhã... Olha pros
lados, e continua um pouco mais a vontade: “... O Comandante Rikhye está
tentando encontrar um meio de evacuar os Contingentes Indiano de Deir
El-Balah e Brasileiro de Rafah da linha de frente, antes dos tanques de
Israel cruzarem a ADL e iniciar o ataque às defesas egípcias, postadas no
Sinai. Ele acha que talvez a única forma de retirá-los, sem por suas vidas
em risco, seja a pé, em passo de marcha-carregando o mínimo necessário --
pela praia até atingir o Gaza Camp... Afinal de contas, o Comandante é o
responsável pela segurança e bem-estar dos soldados da UNEF, e de nós
funcionários civis da ONU. Uma responsabilidade tanto, não achas..? “Ele
já falou com o Batalhão Brasileiro...?”Tento perguntar, preocupado com a
sorte dos companheiros. “See you Eddie..” Até já Eddie...! Foge minha
amiga, subindo com passos rápidos os dois lances da escada para o segundo
andar.
De
pouco adiantaram meus protestos...
UM CAGAÇO E TANTO...
UM POUCO mais tarde, supervisionávamos (devo confessar) sem muito
interesse, os ‘habibs’, e servidores locais, alimentando com quilos de
documentos destruídos, as chamas vorazes do forno, no pátio do HQ, e ao
mesmo tempo ouvindo atentamente o noticiário da Radio BBC de Londres,
fomos surpreendidos ao levar um ‘senhor cagaço’ com um zunir estrepitoso
duma esquadrilha de supersônicos Mirages, despontando no horizonte azul...
e já passando razantes por sobre nossas cabeças e apontando seus narizes
em direção ao mar.
Creio que, talvez, por ser meio lento, fui um dos poucos a não se jogar no
chão, durante passagem do caças israelenses! Olho meu TIMEX de pulso: são
precisamente 08h15minh, hora local.
Os Mirages foram logo imitados por um numero incontável de todo tipo de
caças e bombardeios, envergando a Estrela de David. Os jatos da IAF
atraíram com esta ousadia, a ira do fogo antiaéreo egípcio, quebrando
definitivamente o silencio... E a paz da Faixa de Gaza, e de todo o
Oriente Médio... Iniciou-se, assim, ‘no seco’, sem aviso prévio, a Guerra
dos Seis Dias, ou para alguns correspondentes internacionais, a Guerra das
Cem Horas. (Na verdade 132 horas)
Cessado o tumulto inicial, vou até a frente do prédio no instante em que o
carro do Comandante, todo empoeirado e capô amassado, passava rapidamente
pela guarita e estaciona perto do lance de escadas. Meio tremulo, o
motorista abre a porta do passageiro, e o General indiano desce com o
semblante lívido... Coitado deve ter passado o maior sufoco a caminho do
HQ, penso eu. De repente um ‘baba ovo’ de plantão grita alarmado: “Os
israelenses tentaram bombardear o carro do Commander Rikhye... mas, ele e
seu Ajudante de Ordens conseguiram escaparem ilesos...!”.
O pessoal conta que aparentemente o General Egípcio concordou em deslocar
alguns canhões para outro ponto qualquer. Em troca exigiu que as luzes do
HQ e do Tre Kronnor fossem mantidas totalmente apagadas durante a noite.
Pelo jeito, esta seria a única forma de garantir nossa segurança.
Os militares e alguns civis voluntários são convocados para cavar
trincheiras nos flancos do prédio, no pátio e sob a proteção da cobertura
do estacionamento de veículos. Após dar algumas pazadas, ajudo o pessoal a
encher alguns sacos de areia, e a empilhá-los, nas bordas das trincheiras.
Completada a tarefa, o Chefe do Estado Maior, o Coronel indiano Chopra,
nos dirige a palavra. Após um infindável “blá, blá, blá, nosso amigo
finaliza, deixando escapar, com uma ponta de orgulho: ““... Now we, the
military, run the show...! (algo tipo ‘quem dá as cartas agora somos nós,
os militares’) Escutamos as palavras do Cel. Hindu apoiados nos cabos das
pás e picaretas, banhados em suor. Antes de alguém nos dar outra ordem,
corro para debaixo duma ducha refrescante...na falta de toalha, dou uns
pulinhos para a água escorrer do corpo, e me visto ainda molhado... não
imaginava que meu próximo banho seria somente cinco dias após, no Batalhão
Brasileiro...já com a guerra finda...
Banho tomado, tento de todas as formas, localizar novamente a Mônica, para
comentar os últimos acontecimentos, e saber das ultimas novidades. A
Secretaria do Gen. Rikhye, Cynthia, me informa, com uma pontinha de
sarcasmo: “...Sinto muito meu caro, sua amiga inglesa acabou de sair, numa
van lotada de funcionarias, para se abrigarem na espaçosa residência do
Diretor da UNWRA, junto à praia... As ordens são para permanecerem lá, até
as coisas se acalmarem...”
Corro para o estacionamento em frente o HQ, a tempo de ver seu semblante,
meio pálido, refletido no espelho retrovisor da Kombi branca, no exato
instante em que ela passava pela cancela do Corpo da Guarda Indiana.
Pronto, lá se foi meu porto seguro... e a (nossa) fonte de informação
privilegiada...com sua partida voltei a ser um simples soldado cumpridor
de ordens. Bem-vindo de volta ao o limbo, meu camarada... Maalech...! Até
hoje guardo esta ultima imagem da minha querida amiga... A irritante
americana estava mais do que certa....nunca mais nos encontramos! (Soube,
mais tarde, que após a guerra, a doce Monica foi transferida para Chipre,
após um breve e merecido descanso nas praias de Beirute).
Com a constante passagem dos caças da IAF, e o continuo trovejar de
canhões, embora no inicio bastante assustador, a nova situação aos poucos
tornou-se lugar comum. Qual seja: até os primeiros morteiros caírem em
nosso pátio. Aí todo mundo ficou pálido, i.e. branco como cera ou cinza,
dependendo da cor da pele-quando sentiram o perigo eminente! O pessoal do
HQ, na maioria civis, antes achava que a possibilidade da guerra era uma
coisa remota... porém quando a dita cuja começou, todo mundo acordou e
mudou o discurso. Diziam eles, entre outras coisas: “essa guerra acaba
rápido’”... “o Conselho de Segurança da ONU logo irá impor um cessar fogo
definitivo’”. Diz um outro: ““... com certeza haverá sanções contra
Israel, por sua agressão contra aos países árabes’...
Ou seja: a tão apregoada neutralidade dos funcionários civis da ONU, havia
acabado de ir para o espaço... Sábias foram as mulheres, por não entender
nada de guerra, preferiram debater outros temas... Quanto aos militares,
estes por serem mais calejados no que se refere à assuntos bélicos,
preferiram agir em silencio...
Deu para ver que com guerra não se brinca: os que pensaram diferente,
literalmente ‘quebraram a cara’.
Enquanto a situação deteriorava, algumas funcionarias e os serventes
locais, talvez prevendo que não deixaríamos o HQ tão cedo, providenciavam
um almoço frugal, a base de frios, salada verde, uma deliciosa Humus, e
pão ‘pita’ - pasta de grão - de-bico com azeite, e pão árabe - regrado por
limonada gelada, para todos envolvidos na labuta; aproveitei a
oportunidade, para ‘forrar o estômago’: alguma coisa me dizia que aquela
seria minha ultima refeição em dias....
Nessa altura do campeonato, ninguém definitivamente, queria saber mais de
trabalho; varias rodinhas de funcionários eram formadas, para debater,
primeiro em voz baixa, e depois, ‘chutando a cautela para escanteio’, de
forma acalorada, os últimos acontecimentos: Quem ganharia a guerra; os
árabes ou os judeus? A maioria estava certa que desta vez os árabes
levariam a melhor; “... bastava verificar a quantidade e a impressionante
qualidade do equipamento militar russo colocado à disposição da RAU, além
da qualidade do treinamento e a quantidade das tropas, a motivação do
soldado árabe, por tratar-se da luta em favor da causa palestina...” e
assim por diante. E eu, humilde, ouvia os debates - e os eventuais
disparates - dos ‘famosos’ entendidos em tudo, no mais completo
silêncio... Também, com receio de ser denunciado como sionista.
LINCHAMENTO
DE REPENTE, ouvimos ecos de um buzinaço e tremenda algazarra vinda da rua,
misturada do que seriam rajadas de submetralhadoras! Corremos curiosos
para as janelas e assistimos estarrecidos, um espetáculo dantesco: ...uma
multidão ululante desfilando pelas principais ruas de Gaza; alguns rindo
quase em transe, se abraçando, como comemorassem a conquista da Copa do
Mundo; uns dando rajadas para o alto, e outros, horror dos horrores:
arrancando e brandindo no ar, pedaços do que havia sobrado de corpo de um
desafortunado piloto israelense amarrado ao capô de um automóvel verde.
Soubemos mais tarde que ele havia sido recolhido no mar, por uma lancha da
Marinha Egípcia, e entregue ainda vivo à turba, após ter sido ejetado e
saltado de pára-quedas quando seu avião foi abatido pelos canhões da
artilharia costeira ao sobrevoar em baixa altitude a orla enfrente a praia
de Gaza, a caminho das bases aéreas egípcias. Aparentemente outro caça
israelense também foi derrubado na mesma hora. Bah... foi muito difícil
‘engolir’ tamanha barbárie...
(O curioso é que a mesma coisa acontece hoje em dia em pleno Século 21 no
Iraque, quando vemos fotos publicadas nos principais Semanários
Internacionais do que sobrou de militares das Forças de Ocupação
americanas que derrubaram o ditador Sadan Hussein. Uma imagem tétrica de
restos carbonizados de dois soldados americanos, pendurados pelos pés por
populares numa ponte ferroviária na cidade iraquiana de Falluja.).
A tensão aumentava, na medida em que ouvíamos o matraquear característico
das metralhadoras, acompanhado pelo som estridente de sirenas das
ambulâncias, e do trovejar infernal das bombas, caindo cada vez mais
próximo de nossas posições. Quando morteiros explodiram no teto, no pátio,
e no estacionamento; arrancando um pedaço enorme do telhado do HQ, um
forte cheiro acre de pólvora invadiu nossas narinas, e o medo e a angustia
nossos corações; nos entreolhávamos em silencio, sem coragem de admitir
que o pior havia chegado, isto é, estava claro que a situação não tinha
mais volta: era o tão temido inicio da guerra. Grupinhos de amigos se
formam; além do inglês, cada grupo fala em sua própria língua... E eu sem
ninguém para charlar em português... me sinto só e desamparado, cercado de
rostos desconhecidos.
Só nos restava pedir aos Céus para sairmos vivos desta, ou pelo menos com
poucos ferimentos... Angustiado abro uma porta que dá para a lateral do
prédio e caminho sozinho, olhando para o céu; nisso encontro uma pedra
negra, meia lascada - talvez mármore- e aceito seu convite e sento nela;
pela primeira vez, desde que deixei Porto Alegre, me flagro em minha
solidão, - olhos pesados d’água - pensando no meu velho e querido pai, de
quem herdei, entre outras coisas boas, o respeito e carinho pelos mais
velhos, crianças e pequenos animais, - os seres mais frágeis, com os quais
partilhamos este planeta - além do profundo amor a natureza. Pensava
também nos outros familiares em Livramento e Porto Alegre... Angustiava-me
com a sorte dos companheiros do Batalhão em Rafah, entrincheirados bem na
linha frontal da inevitável batalha de tanques e de artilharia. Por Céus,
quantos deles conseguirão sobreviver??
As formas e cores em redor se suavizam: minha mente é subitamente invadida
por uma Luz. Esta suave Luz traz doces lembranças das luminosas manhãs
primaveris; das pescarias e banhos de minha juventude nos riachos de água
fresca, escondidos ao meio dos arvoredos. É lá na verde campina que o
vento canta nas sangas o pôr-do-sol das cigarras. Ouço o barulho do vento
nas folhagens e nos contornos das coxilhas, misturando-se ao alegre canto
dos pássaros. As arvores parecem esticar o pescoço, para admirar o balé de
bandos alegres das aves de tudo o que é cor e tamanho planando sobre a
verde campina. Num átimo, revejo a agitação das barulhentas manadas de
cavalos selvagens, relinchando despreocupados. Quando me aproximo, batem
em rápida retirada... Como diz o poeta campeiro: “... Os cavalos são
felizes porque comem a própria paisagem...” Lugares e coisas estas...
Perdidos ao meio das imensas coxilhas verdes do Riograndeamado.
Ao meio do trovejar dos canhões, eu olhava para cima, tentando aprisionar
a Luz. “Será que o Senhor Deus, Adonai, Nosso Pai Eterno, Senhor do
Universo, em Sua Infinita Justeza, permitirá que vejamos novamente estas
coisas tão simples... verdadeiras dádivas que até aquele momento, não
havíamos dado o seu devido valor?”
Como que por encanto, estas imagens somem de minha mente e quando me dou
por mim, isto é, ao sair da Meditação... O medo foi para o espaço. Apesar
de todo suado, sinto uma enorme paz interior... sei lá, era como se uma
força mágica me houvesse tocado... Teria talvez alcançado o tal
Nirvana...? Aliviado, pensava com meus botões: “Agora posso morrer
tranqüilo...!” Faço minhas, as palavras do cultuado poeta britânico Rupert
Brooke: ““....
Quem tomba
na guerra, leva consigo,
as mais caras lembranças...
Se for enterrado em terras estrangeiras,
leva para o túmulo um pedaço do céu,
o som das florestas, o frescor dos córregos
e murmulho das águas dos rios, de sua terra natal...”
Então, estamos conversados: sempre que sentir saudades dos meus queridos e
dos pagos, peço licença pro pessoal lá de cima; dou um pulo no Campo Santo
e coloco uma flor no túmulo do velho soldado Eddie Iabel; quem sabe,
consigo rever aqueles rostos adorados, e o verde do Pampa...nosso eterno
solo sagrado...”
Nb: Por ironia do destino, o poeta/soldado Rupert Brooke, foi gravemente
ferido no front da Primeira Grande Guerra, vindo a falecer de infecção
generalizada, abordo de um navio-hospital francês, em 23 de abril de 1915,
e enterrado na pequena Ilha de Skýros. No mesmo local foi erigido um
monumento em sua memória. Qual seja seu túmulo representa um pedaço da
Grã-Bretanha em pleno azul do Mar Egeu....
Creio que, cada um à sua maneira ou percepção, os demais companheiros e
superiores do 20º Contingente, bem como os nossos bravos colegas
Boina-Azuis dos outros Continentes estrangeiros, tenham também passado por
esta experiência única no transcorrer da Guerra dos Seis Dias...
Experiência esta, quase impossível de ser descrita em meras palavras...!
(... Até hoje me arrepio, e fico com os olhos úmidos, ao lembrar daquele
transe fantástico...).
De volta ao prédio, flutuo ao longo do corredor vazio; de repente alguém,
quem eu nunca havia visto, interrompe meus passos, ao chamar-me pelo nome.
Tal figura insiste em ser ouvido, porém pronuncia umas palavras
ininteligíveis. Diante de sua insistência, gaguejo, quase me borrando nas
calças: “O-Okay, okay, S-Sir, I’ll do my best, I pr-promisse!” –V.. Vou
fazer o que p posso.... pr prometo—
E trato de sumir de vista...! Quem teria sido aquela pessoa/fantasma; como
ele sabia meu nome?? È inútil perguntar pelo cara... Se ao menos pudesse
descrevê-lo... Até hoje, este mistério faz cócegas em minha cabeça....
Entro no Registry tentando inutilmente passar por despercebido, e sento
quieto num canto vazio. Contudo, o chefe do Protocolo, o dinamarquês Mr.
Martin, sempre atento, se aproxima, estende a mão, puxa com força e me põe
em pé. “Cadê aquele simpático ‘brasilionare’... que nada entende de
futebol...?” Cutuca ele com um sorriso contagiante. Pronto: sou logo
infectado...!
Ele indica uma cadeira ao lado de sua escrivaninha serve um chá, preto,
despejando em cima uma generosa ‘gotinha’ de whisky.
“Para aquecer nosso coração...!”, pisca ele escondendo rapidamente a
garrafa. Sorve um gole e estala os lábios satisfeito com a mistura.
Me olha nos olhos e dispara, a seu modo: “...Já que tu não serves pra
embalar caixas, me dá uma mão com este radio...” Ato continuo, tira da
gaveta um lote de pilhas novas; pede que substitua as gastas, de seu
formidável Grundig 1400, e solicita que este ‘brasileiro fujão’ sintonize
rapidamente, o noticiário da BBC. Em redor de sua mesa o pessoal tagarela
e lacra uma pilha de caixas de papelão contendo importantes documentos
oficiais.- para mim meros papeis sem valor-
Obedeço sua ordem com prazer, e assim que pego a BBC, todo mundo
interrompe a labuta e se aproxima para ouvir as últimas noticias à
respeito das sucessivas ondas de bombardeios israelenses, sobre o os
aeródromos do Cairo e de Aman. E, para nós a parte mais importante: a
continuação da sangrenta batalha de tanques pelas ruas de Khan Yunes e de
Rafah. O correspondente britânico ‘in loco’ fala com amargura da grande
destruição deixada para trás e do elevado numero de vitimas de ambos os
lados. De acordo com ele, “...o mais triste desta guerra, são os civis e
os camelos mortos, largados ao longo da estrada Gaza- El Arish, margeando
os acampamentos das tropas das Nações Unidas.” Ele fala alguma coisa
ininteligível, me parece algo como, “animais, velhos e crianças... e
completa: “Okay, Mike....por aqui a coisa está feia, a batalha pelo
entroncamento de Rafah continua indefinida... Nosso jipe acaba de ser
detido por uma patrulha israelense...Os caras sinalizam para voltarmos.
“Falaremos mais tarde, assim que tivermos permissão para seguir em
frente...”.
No ambiente, reina um silencio pesado: a ‘galera’ mantém-se imóvel, com a
testa franzida, ouvindo atentamente o noticiário... mais quieta do que
criança cagada...como diziam os mais velhos..!
Mr. Martin, o ‘rei das tiradas’, aproveita o ajuntamento em redor da mesa,
para dar-nos a mais perfeita definição sobre a guerra. Diz ele, com seu
jeito meio bonachão: “... Amigos entram em cena o ódio da psicologia de
guerra da Jihad do mundo islâmico, contra a psicologia apocalíptica de um
Israel temeroso por sua destruição total.” Continua ele, com um sorriso
triste: “... esta não é a primeira vez que os israelitas se defrontam com
o fantasma do extermínio... porém, alguma coisa me diz que desta vez eles
vão se dar bem... Está na hora de Davi se transformar em Golias...!”
Finalizou ele.
No fundo, o mundo inteiro sabia que para os árabes, uma derrota
significaria não mais do que a perda de um exercito... para Israel, um
novo e sangrento Holocausto, e o fim da existência como Estado.
“... Báh, Tchê... em que bosta fui me meter....” pensava um perplexo
soldado Iabel, mordendo com força o lábio inferior...
A angustia aumenta, cada vez que os bombardeios se intensificam. Segue-se
um curto intervalo... As sirenas das ambulâncias voltam a uivar a
distancia. De repente mais trovões sacodem o céu. Passamos uma noite de
vigília, em total escuridão-imposta pelo Alto Comando Egípcio--esvaziando
garrafas térmicas de café morno ou de chá preto do Ceilão com limão, nas
trincheiras ou dentro do prédio. Coube aos bem armados indianos proteger a
frente e os flancos, do Headquarter. Enquanto uns ouviam o noticiário das
Rádios estrangeiras, outros conseguiam tirar um rápido cochilo, apesar do
assobio estridente dos morteiros zunindo por sobre o telhado. Aqui e
acolá, o impacto das bombas sacudia o chão, e provocava um enorme clarão,
cada vez que algum prédio do outro lado da rua era atingido em cheio;
distraiamos-nos vendo casas e monumentos serem iluminados a cada impacto,
como se fosse dia.
Contudo, alguma coisa parecia faltar: tínhamos a nítida impressão que
Israel não contra-atacava com muita gana... parecia poupar forças ou
munição, ditando o ritmo, e respondendo burocraticamente o fogo
egípcio/palestino. Aparentemente a artilharia israelense contentava-se em
manter os canhões árabes ocupados. Alguém mais versado em guerras do que a
gente, diz: “Só em ultimo caso, Israel só tomará a Faixa de Gaza, pois
certamente herdará uma senhora dor de cabeça, representada pelo desafio de
administrar o problema dos milhares de refugiados palestinos, e enfrentar
diferentes grupos de terroristas...”.
O pior é que esses problemas perduram até os dias de hoje, em pleno Século
21.
De madrugada encontro Mr. Martin, e, ansioso, aproveito para sorver um
largo gole de sua garrafa de Congnac Martel, e perguntar-lhe sobre um
suposto bombardeio, sofrido pelo o Tre Kronnor. “Sim – diz ele- o Tre
sofreu um rápido e intenso bombardeio, perto das 21h00minhrs.... Parece
que morreram dois guardas indianos...” Sussurra ele em meu ouvido: “Um
Coronel hindu me confidenciou que no pouco antes do anoitecer, uma coluna
de infantaria israelense chegou a penetrar em Gaza por Beit Hanun, porém
foi rapidamente repelida. Provavelmente, foram eles que atacaram o carro
do General Rikhye, e bombardearam o Tre Kronnor” – diz ele apertando meu
ombro antes de seguir em frente. - Será?? –penso eu...
No romper da aurora, começo a ficar inquieto, e a pensar em fazer
besteira: “Se a situação continuar sob controle, dou um jeito de alguém me
levar até Tre Kronor”... nem que seja para enfiar umas barras de chocolate
no bolso, tomar um banho morno e trocar de roupa. Aproveito para pegar a
maquina fotográfica que a Monica me emprestou --não posso esquecer os
rolos de filme comprados no ‘Blue Beret’. Quem sabe até consigo rever
minha querida amiga... “Bah, tchê..” Pensava eu, “O que não vai faltar
nesta guerra é assunto para ser fotografado...”
Mas, se der alguma merda no caminho... Maalech...não posso ficar aqui de
braços cruzados, vendo as coisas acontecerem... Aproveitando que pessoal
ainda está acordando, corro para o banheiro, e dou ‘aquela’ barrigada..
Lamentava a falta dos amigos, enquanto fazia força, empestando o banheiro
das mulheres: “Numa hora destas, aqueles ‘manhucas duma figa’, digo, Regy/
Sokrátes & cia, não sabem a falta que fazem...!”.
Como sempre, este jovem mancebo estava redondamente enganado. Considerando
que aqueles dramáticos acontecimentos de 2ª Feira, 5 de junho, haviam sido
apenas um aperitivo, para preparar os espíritos e corações do pessoal do
Headquarter, e os habitantes de Gaza em particular, para as fortes emoções
das primeiras horas de 3ª feira, quando o Alto Comando da IDF, indo de
encontro à vontade expressa do General Moshe Dayan, mudou de idéia e
resolveu tomar Gaza, de qualquer forma. Diria, que os yahudys haviam
certamente perdido a paciência com o fogo árabe despejado em cima, de suas
plantações de grãos, causando incêndios, difíceis de serem debelados.s
Tendo a destruição de sua agricultura, e a conseqüente fome como
alternativa, não restou aos israelenses outra escolha, a não ser invadir a
Faixa de Gaza e acabar definitivamente com o perigo.
As emoções reais de uma guerra total, os demais colegas do 20º
Contingente, já haviam vivenciado ‘ao vivo e a cores’, desde as primeiras
horas daquela fatídica 2ªFeira 05 de junho, quando a dita cuja estourou.
Nossos heróis ficavam ao meio do tiroteio, cada vez que uma coluna da
infantaria mecanizada israelense passava pelo Rafah Camp e ao lado do
Brasil Camp, sede do nosso Batalhão. Desde o início do conflito, nossos
companheiros estavam sendo impiedosamente atacados por ambos os lados, sem
ter nada a ver com a briga e sem poder se defender... Para agravar a
situação, no entardecer do 1º dia de guerra, já com o Entroncamento de
Rafah sob controle, a infantaria israelense invade o Rafah Camp, e
aprisiona pessoal da UNEF, e os leva para um terreno em frente ao Camp,
onde são obrigados a passar o frio da noite e parte do dia seguinte,
sentados em cima de pedras e espinhos. Neste meio tempo, as barracas dos
componentes da 7ªe 8ª Cia., numa ação imperdoável, por parte da infantaria
israelense, são violadas e saqueadas.
Mais adiante transcreverei a impressionante narrativa do Cb. Vargas Neto,
do 3º Pelotão da 7ª Cia., a história dos ‘seis do buraco’ e os depoimentos
dramáticos dos demais companheiros do 20º.1
Qual seja: enquanto nossos colegas Camp do Delhi e de outros Campi hindu,
em Der El-Balah e Khan Yunes, bem como, os do Rafah Camp, do Batalhão
Brasileiro, em Rafah, além dos Yugoslavos, colados à IF no Sinai, passavam
o maior sufoco de suas vidas... Os militares que serviam no Headquater em
Gaza, estavam, literalmente, sentados, com as mãos sobre os joelhos, bem
no centro do ‘olho do furacão’...
SEIS DIAS DE UMA GUERRA MILENAR
Antes de me reportar aos acontecimentos de 3ªFeira, 07 de junho, quando da
tomada de Gaza pela IDF, gostaria de narrar, ao meu modo, uma pequena
parte dos dados coletados, ao longo de quatro décadas de pesquisas, sobre
os acontecimentos dramáticos do primeiro dia da Guerra dos Seis Dias.
Espero que gostem...!
DE ACORDO com o noticiário das Rádios internacionais: “... na madrugada de
Segunda 05 de junho, Tel-Aviv e outras cidades costeiras foram sacudidas
por um grande trovão, quando os jatos arrancaram para fora de Israel, como
relâmpagos precedendo a aurora. Voando em altitude bastante baixa, para
despistar o sistema de radar jordaniano e egípcio, os aviões não se
dirigiram diretamente para o território da RAU. Aprofundaram-se no
Mediterrâneo, até que os primeiros esquadrões atingiram a altura de
Alexandria e delta do Nilo. Então dando uma guinada para esquerda rumaram
para o Sul, caindo com toda sua ira sobre os aeródromos egípcios que nada
suspeitavam. Vários esquadrões encarregavam-se das bases aéreas egípcias
localizadas na margem ocidental do Canal de Suez e além da Represa de
Assuan, enquanto os demais deram uma nova guinada ao leste para atacar as
bases aéreas na Península do Sinai. Sem se preocupar muito com o metralhar
das posições antiaéreas egípcias, os pilotos israelis concentraram seu
ataque sobre os caças supersônicos “Mig 19 e 21” e os bombardeios de longo
alcance “Ilyushin L-28 ”e o gigantesco “Tupolev TU16”, cujas fuselagens
reluziam sob o sol matutino. Os TU16, principalmente, representavam uma
ameaça direta a Tel-Aviv, as refinarias, e ao porto de Haifa, bem como, a
outras cidades costeiras, onde se concentra grande parte da população
israeli. Fazendo mira praticamente à vontade, eles alvejaram e
bombardearam os malfadados aviões com precisão cirúrgica, --além de
destruírem ou danificarem seriamente os sistemas de radar e de
comunicações dos aeródromos egípcios, sírios e jordanianos-- de forma tal
que mais tarde provocou especulações, por parte dos lideres árabes e
governos dos chamados “Países Não Alinhados’ bem como, dos simpatizantes
do Bloco Socialista.”
Em minha opinião, embora não fosse possível contar com o elemento
surpresa, uma vez os dois lados estavam mais do que preparados para o
conflito... parece que os egípcios foram surpreendidos sem preparação
alguma..!
Enquanto os caças Mirage e Mistére de Israel mergulhavam sobre os aviões
da RAU, seus pilotos estavam tomando o café da manhã. Quando acabaram de
saboreá-lo já não tinham mais seus aviões!
Simultaneamente os caças-bombardeio de médio alcance “Vautur” e “Ourogan”
despejavam toneladas de bombas de alto poder destrutivo, nas pistas de
pouso/decolagem, destes aeródromos. Algumas destas bombas de efeito
retardatário, desenvolvidas pelos cientistas judeus, denominadas
“Piercing”–Furadeira- até então inéditas em operações no Oriente Médio,
eram lançadas com a finalidade expressa de romper as duras superfícies de
concreto das pistas de decolagem. Quando uma destas bombas atingia o solo
abria uma cratera, e ato contínuo os foguetes de empuxo faziam sua ogiva
penetrar ainda mais fundo, enquanto estopins de ação retardada tornavam
incerto o momento da detonação. Qual seja: assim que os egípcios acabavam
de emendar as pistas, estas explodiam novamente.
Os poucos aviões egípcios que conseguiram decolar, ou que ainda estavam no
ar no momento do ataque israelense, ao tentar retornar à suas bases não
tinham onde aterrissar; seus pilotos viam angustiados o combustível
acabar, sem poder fazer nada, a não ser ejetar seus assentos e descer de
pára-quedas, deixando seus aviões se espatifarem no deserto ou mergulhar
no azul do mar.
O mais espantoso, é fato de que muitos destes pilotos após saltarem de
pára-quedas vaguearem sedentos, por horas ou dias, perdidos no deserto,
tenham sidos saqueados e mortos por beduínos, ou na melhor das
hipóteses...ironia das ironias... salvos, medicados e alimentados, ao ser
capturados pelo inimigo, isto é, por patrulhas da infantaria israelense, à
caminho do Canal de Suez.
Assim que os bombardeios e a destruição dos aviões inimigos iam sendo
confirmados, outros Vautors e Ourogan, desarmados e escoltados por
Mirages, fotografavam o que havia sobrado das aeronaves, instalações
aeroportuárias e bases de mísseis SAM2 e repassavam as informações para o
Alto Comando da IDF.
Um dos poucos aeródromos egípcios poupados deste ‘tratamento cosmético’
foi o de El Arish, cujas instalações, após a destruição de seus aviões,
foram capturadas intactas, com a finalidade de serem usadas como base
avançada e de apoio da IAF, e pelas equipes de socorro visando à evacuação
das baixas. Na Terça-feira El-Arish já estava livre das carcaças dos
aviões calcinados e em pleno uso como base de reabastecimento e apoio
tático.
É importante ressaltar que nenhum aeroporto, ou alvo civil, foi atacado ou
atingido durante a ‘Operação Moked’.
AS PRIMEIRAS SORTIDAS
O ENTÃO Comandante da Força Aérea Israelense, Major Aviador Avihu Bin-Nun,
descreve os primeiros ataques sobre os aeródromos egípcios, os quais
garantiram à IAF a supremacia dos céus do Oriente Médio e a sobrevivência
de Israel como nação livre....
Dessa forma deu-se início a GUERRA DOS SEIS DIAS na visão de Edison Iabel,
onde ele narra o que foi os bastidores de uma Guerra. Para saber mais
sobre o Livro "SIX DAY WAR-1967" consultem o autor.
Correspondências para Edison Iabel
e-Mail >>>
edisoniabel@msn.com <<<
De:
Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
Data: 8/06/2007 (12:31:46)
Assunto: AINDA SOBRE 5 DE JUNHO- INICIO DA GUERRA DOS SEIS DIAS