UM CAPELÃO ESPECIAL: CAPITÃO, RADIALISTA, JOGADOR DE FUTEBOL...
Capelão-capitão do segundo contingente do Batalhão de Suez, Padre Wilson Valle da Costa embarcou em 1957 deixando saudosos os milhares de amigos e ouvintes que tinha em sua cidade natal, Juiz de Fora e, com certeza, fazendo novas amizades entre os militares que viveram juntos essa etapa da maior missão de Paz da História.
Aos 37 anos, o jovem padre já era figura das mais queridas em sua cidade natal, pelo carinho com que atendia a todos, principalmente aos mais necessitados. Grande comunicador, foi o precursor da pregação espiritual no rádio, na década de 50. Fazia a oração da Ave Maria e, logo após, o programa “Problemas da Vida”, responsável pelos maiores índices de audiência já registrados na cidade e região.
Quando comunicou pelas ondas do rádio que embarcaria em Missão de Paz para o canal de Suez, recebeu incontáveis homenagens na cidade. Uma das mais marcantes foi a dos motoristas de praça, que tinham o padre como seu grande líder espiritual e sindical. Naquela época padre Wilson já conseguia facilidades para a compra de carros novos e defendia a categoria dos taxistas junto aos poderes públicos.
Ficou quase um ano na missão e, ao retornar, a festa foi grande... Os familiares e amigos foram recepcioná-lo em Matias Barbosa, distrito vizinho de Juiz de Fora, e, em grande carreata, fizeram sua entrada triunfal na cidade. Depois de um ano longe das missas e do rádio, todos estavam saudosos, e várias foram as entrevistas para contar da missão de Suez.
Padre Wilson era amigo de todos, dos mais poderosos aos mais humildes. Não discriminava ninguém e defendia a inclusão social, já naquela época. Por isso, lembram os mais antigos, fez muita falta quando ficou um ano na missão de Paz. Trouxe de sua viagem a Suez presentes para muitos familiares e amigos, mas a grande lembrança trazida em sua alma foi a de celebrar na Basílica de Natividade. “Ali vivi a maior emoção de minha vida”, deixou registrado no álbum com as diversas fotos tiradas em Suez.
Pouco mais de cinco anos após a sua volta da missão, Padre Wilson faleceu deixando a cidade de Juiz de Fora traumatizada com a precocidade de sua morte. Dizem que, até hoje, nunca se viu um enterro com tanta gente... A cidade parou em 23 de abril de 1965 para sepultar o sacerdote tão amado por sua gente.
Um pouco da história de padre Wilson está relatada no livro “PRB-3 Meu ouvinte, meu amigo, lançado em dezembro de 2003 pela jornalista Mari Angela Herédia da Costa, sua sobrinha. O livro traz uma espécie de
radio-novela em que o padre contava conversas que teria tido com dois extra-terrestres que desceram em discos voadores no quintal de sua casa. Essa história acabou transformando o padre em personagem nacional ao ser entrevistado pela revista O Cruzeiro, a maior da época, com tiragem de mais de 600 mil exemplares.
Se você conheceu o padre Wilson e deseja conhecer o livro, é só entrar em contato pelo e-mail plugar@brturbo.com ou pelos telefones (32) 3212-9023 ou (61) 343-0232, falar com Juny ou Mari Angela, respectivamente.
Fernando Vargas <fvargas@veloxmail.com.br>
Data: Fri, 9 Apr 2004 20:09:20 -0300