A VERDADE SOBRE AS PIRÂMIDES
A PIRÂMIDE DE KÉFREN
(PARTE 2)
Junto à esfinge situa-se o templo do vale do complexo da pirâmide de
Kéfren. Mede 44 metros e 80 centímetros de cada lado e sua altura é de 13
metros. As paredes, de pedra calcária rústica, são extremamente grossas e
foram um dia revestidas, tanto interna quanto externamente, de granito vermelho
polido. Alguns desses blocos pesam de 50 a 80 toneladas cada e estão montados
com juntas do tipo macho e fêmea. Outros chegam a pesar até 500 toneladas. Na
parede leste há duas entradas de acesso ao templo. Em torno delas estavam
esculpidas faixas de inscrições hieroglíficas apresentando o nome e títulos
do faraó, mas de tais dizeres poucas palavras restaram. Nenhuma outra inscrição
ou figura existe em qualquer parte do templo.
dia
postadas, ao longo de suas paredes, 23 estátuas reais feitas de diorito, xisto
e alabastro e, provavelmente, aquela única que foi encontrada intacta, abrigada
em sua cova, fazia parte do conjunto.
Para iluminar o interior, — escreve o professor Everard M. Upjohn —
o arquiteto inventou a clarabóia, elemento arquitetônico que atingiria o
apogeu, milhares de anos mais tarde, nas igrejas cristãs. A cobertura da parte
central era mais alta do que a das naves laterais, permitindo assim a colocação
duma fila de pequenas janelas. Por sua vez, o egiptólogo I.E.S.Edwards nos
conta: A luz adentrava o recinto através de fendas oblíquas cortadas
parcialmente no topo das paredes e parcialmente na parte inferior do teto plano
de granito; os raios não brilhavam diretamente sobre as estátuas, mas eram
refletidos pelo piso de alabastro e pelas colunas quadradas e massiças de
granito vermelho que sustentavam o teto. Tal claridade pode parecer inadequada
para iluminar esculturas que, a julgar por aquela que permaneceu intacta, eram
obras-primas da arte. As esculturas egípcias, entretanto, não se destinavam a
ser expostas, mas a prover o espírito com um imperecível substituto para o
corpo humano; não se pensava que a luz difusa ou mesmo a escuridão total
pudesse prejudicar a eficácia do substituto — um fato que é demonstrado pela
prática regular de enclausurar estátuas em serdabs.
Os estudiosos não acreditam que Kéfren tenha mandado colocar 23 estátuas suas
nesse templo para garantir maior número de moradas para o seu ka. Para que a
existência divina do faraó fosse preservada no além-túmulo, diziam as crenças,
era necessário que cada um dos 26 membros de que se compõe o corpo fossem
separada e cerimonialmente deificados e identificados com o deus específico que
era associado ao referido membro. Supõe-se, então, que as estátuas se
destinavam à deificação individualizada de cada um dos membros de Kéfren.
Como três divindades estavam associadas cada uma delas a dois membros, bastavam
23 estátuas, repetindo-se a cerimônia duas vezes em três delas.
Os arqueólogos também supõem que durante as cerimônias que se realizavam no
templo no decorrer do sepultamento, o ataúde com o corpo embalsamado do rei era
colocado junto às estátuas. As quatro vísceras, em seus respectivos vasos
canopos, ficavam cada uma delas em uma longa cela de um grupo de seis delas
dispostas em dois andares (4), atingidas por uma passagem que saia do
lado sul do recinto com colunas. As celas restantes destinavam-se a armazenar
duas coroas reais. Uma passagem que partia do lado norte do recinto com colunas
atingia a calçada que se iniciava no exterior do templo (5). A meio
caminho da passagem existia um corredor estreito que levava a uma pequena câmara
(6) revestida de alabastro, a qual talvez servisse para o armazenamento
de oferendas utilizadas durante as cerimônias funerárias.
O templo do vale ligava-se ao templo mortuário através de uma calçada (5) que
foi construída obliquamente para evitar uma profunda depressão do terreno. Com
mais de 400 metros de extensão e cerca de quatro metros e 57 centímetros de
largura, tinha muros e era coberta por um teto plano de lajes de pedra. Quase
nada restou dela a não ser pouca coisa de seu alicerce rochoso e algumas pedras
de suas paredes e calçamento. A luz — e naturalmente a chuva — penetravam
através de rasgos horizontais feitos na parte central das lajes do teto. Para
evitar que a água inundasse o corredor e atingisse o templo do vale, foi aberto
um canal no pavimento da parte inferior da calçada, o qual conduzia a água
para fora através de uma passagem nas paredes laterais.
O templo mortuário era uma construção baixa e media aproximadamente
112 metros de comprimento por 48 metros de largura. Suas paredes de pedra eram
parcialmente revestidas de granito vermelho por dentro, sendo que por fora havia
revestimento do mesmo material apenas na primeira camada inferior, enquanto que
o restante era coberto de pedra calcária proveniente de Tura. A calçada (5)
desembocava em um corredor. À esquerda deste, duas câmaras (7)
construídas em granito destinavam-se a receber as coroas reais; na sua extrema
direita, quatro câmaras (8) revestidas de alabastro armazenavam as vísceras
do faraó no decorrer das cerimônias fúnebres. Ao centro do corredor havia um
pequeno vestíbulo (9) que se ligava por estreita passagem com a antesala
de entrada formada por dois recintos, um transversal e outro longitudinal, também
unidos por pequena passagem. Colunas retangulares e monolíticas de granito
vermelho, semelhantes às que existiam no templo do vale, suportavam os telhados
do vestíbulo e das duas partes da antesala. Nas extremidades da seção
transversal da antesala, existiam duas câmaras estreitas e compridas (10)
cujas paredes do fundo eram formadas por um único bloco de granito. A
finalidade desses recintos ainda causa polêmica entre os estudiosos.
Após a antesala abria-se um claustro (11), pavimentado de alabastro.
Pilares largos feitos com blocos de granito vermelho suportavam o teto curvo da
galeria. Uma dúzia de estátuas de Kéfren sentado, cada uma delas com três
metros e 65 centímetros de altura, acomodam-se e projetavam-se para fora de
recessos existentes na parte frontal de tais pilares. Acima de cada estátua um
par de abutres de asas abertas representavam a deusa protetora Nekhbet. Outras
inscrições hieroglíficas com o nome e títulos do rei e relevos em pedra calcária
nas paredes internas da arcaria completavam a decoração do recinto. Depois do
claustro existiam cinco nichos profundos (12), que talvez tenham contido
estátuas do rei. Estimativas, feitas com base nos fragmentos de esculturas
descobertos no complexo piramidal de Kéfren, levam a crer que lá existiriam
entre 100 e 200 estátuas separadas.
Além do pátio apenas os sacerdotes estavam autorizados a penetrar. Através de
um corredor localizado à esquerda da parte posterior do claustro, podiam
atingir o santuário do templo (13). Nele existia uma falsa-porta em sua
parede oeste com um altar baixo sob ela. As oferendas eram diariamente postas
sobre o altar pelos sacerdotes. Entre os cinco nichos das estátuas e o santuário
havia cinco armazéns (14) nos quais ficavam guardados os jarros com
vinho e reservas de mantimentos dos quais o morto lançaria mão caso os
sacerdotes negligenciassem sua tarefa diária de ofertar alimentos frescos ao
falecido.
A partir de uma longa rampa (15), localizada à direita da parte
posterior do claustro, era possível atravesar o muro que rodeava a pirâmide,
atingir o exterior do templo e sair frente ao colossal monumento. No lado de
fora do templo, cinco covas para botes (16) foram escavadas na rocha
junto às paredes norte e sul e duas delas ainda preservam tetos feitos com
lajes de pedra calcária. Nenhum dos barcos de madeira supostamente ali
depositados foi encontrado.