A VERDADE SOBRE AS PIRÂMIDES
A PIRÂMIDE DE KÉOPS
(PARTE 2)
Do muro que, com certeza, rodeava a pirâmide de Kéops, nada restou.
Resta apenas parte do pavimento em pedra calcária que preenchia o espaço entre
a pirâmide e o muro. Defronte à parte central da face leste da pirâmide há
um templo mortuário: uma construção retangular de pedra calcária, medindo 52
metros e 12 centímetros de norte a sul por 40 metros e 23 centímetros de leste
a oeste. Na fachada leste do templo, uma passagem dá acesso a uma calçada
murada externa (1). A construção é basicamente formada por um pátio
pavimentado de basalto negro (2), rodeado por arcarias. O telhado das arcadas
pode ser atingido através de uma escada de pedra em caracol (3) e é suportado
por colunas de granito (4), todas decoradas com cenas esculpidas em baixo
relevo. No fundo do templo há um nicho (5) que talvez tenha sido o santuário.
Se existia ou não alguma coisa entre os fundos do templo e a base da pirâmide
de Kéops, não se sabe.
Ao norte e ao sul do
templo, mas em uma área localizada do lado externo aos muros que rodeavam a pirâmide,
foram encontradas duas covas em forma de barco escavadas na rocha. Outra cova
semelhante foi achada junto ao templo. As três estavam vazias. Uma quarta cova,
porém, localizada ao sul dos muros, continha um bote de madeira, parcialmente
desmontado, com 43 metros e 58 centímetros de comprimento e com capacidade de
deslocamento de mais de 40 toneladas. Nessa barca de milhões de anos, como
diriam os egípcios, o casco é formado por centenas de peças de madeira que se
encaixam como se fosse um enorme que
bra-cabeça e que são mantidas unidas por um único pedaço de corda.
Assim, tornava-se desnecessário usar calafetagem ou piche para que o barco
fosse estanque. O projeto baseava-se no fato de que, quando úmida, a madeira
incha, ao passo que a corda encolhe. Isso produzia uma vedação automática,
impermeável à água. Afirmam os estudiosos que esse barco tinha condições de
navegabilidade infinitamente melhor do que qualquer embarcação da época de
Cristóvão Colombo. O barco foi reconstruído e um museu foi erguido em Gizé
especialmente para abrigá-lo. O costume de enterrar barcos junto aos sepulcros
existia desde a I dinastia. Alguns deles talvez tivessem sido usados no decorrer
do funeral, mas outros destinavam-se a servir de meio de transporte para o morto
no além-túmulo, seja para acompanhar a barca do deus-Sol em sua jornada, seja
para atingir as regiões profundas onde os deuses habitavam.
No lado sul da calçada
murada que dá acesso ao templo, e em ângulo reto com ela, existe uma fileira
de três pirâmides secundárias, sendo que cada uma delas apresenta uma pequena
capela em ruínas junto à sua face leste. Ao lado da primeira pirâmide, que
acredita-se tenha pertencido à rainha favorita de Kéops, há uma pequena cova
em forma de barco. A segunda pirâmide parece ter pertencido à uma das filhas
de Kéops, enquanto que a terceira pertenceu, conforme documentos datados da XXI
dinastia, a uma rainha de nome Henutsen, provavelmente apenas uma meia-irmã do
faraó e não sua esposa.
Nas proximidades da
primeira pirâmide secundária os arqueólogos descobriram um túmulo real
intocado pertencente à esposa do faraó Snefru e mãe de Kéops, a rainha
Hetepheres. O sepulcro foi encontrado no fundo de um poço de 30 metros de
profundidade e que havia sido totalmente bloqueado com alvenaria. Não havia
qualquer edificação sobre o poço. Muito ao contrário, sua b
oca foi cuidadosamente disfarçada para confundir-se com o restante do
solo e não ser localizada. Na câmara mortuária havia um fino sarcófago de
alabastro vazio, mas as vísceras lá estavam em uma caixa também de alabastro.
Diversos objetos foram encontrados na câmara funerária: vasos de alabastro, um
jarro de cobre, três vasos de ouro, navalhas de ouro, ferramentas de cobre e um
instrumento de ouro para manicura, pontudo numa das extremidades para limpar as
unhas e curvo na outra para pressionar a cutícula. Havia, ainda, uma caixa de
toalete com oito pequenos vasos de alabastro cheios de unguentos e pós. Numa
caixa de jóias estavam 20 ornatos de prata para o tornozelo, decorados com
libelinhas de malaquita, lápis lazuli e cornalina. Objetos maiores também
figuravam no conjunto: uma estrutura de baldaquino feita de madeira revestida de
ouro, duas cadeiras com braços e uma cama parcialmente revestidas com folhas de
ouro. Nos pés da cama vê-se um painel de ouro decorado com um desenho floral
em azul e preto.