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A dor de uma saudade
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Uma tempestade que sopra,
- Em uma noite tão
escura,
- O soldadinho regressa
De uma longa patrulha.
Seu uniforme de verde
Está escuro-amarelado,
- Do suor empoeirado
Que verte do sofredor...
Mas contente vem sorrindo,
- Porque o tempo vai sumindo,
Mais próximo está o regresso.
- Chega na barraca cansado,
Com o corpo machucado
Pelo peso do fuzil,
Mas ele não reclama,
- É um patriota, é filho do BRASIL !
- Quando é dia de
correio,
- Todos pulam de contentes,
Pois logo terão notícias.
- Enquanto escutam a chamada,
Que espera amargurada !
Será que pra mim não tem?
- E num silêncio
suspense
- Todos ficam à espera.
-
E quando termina a entrega,
- Uns pulam e vibram de contentes,
Parecem um bando de inocentes
em uma noite de festa.
Vão, se recolhem às barracas
- Para lerem suas cartas:
Umas são dos amigos ou dos pais
- E outras de suas amadas.
Os que nada recebem
- Ficam quietos, tristes e calados,
Enquanto os outros a sorrirem,
Debochando dos coitados,
Em um tom de zombaria
Todos dizem em gargalhia:
Só recebem cartas
- Quem no Brasil tem família!
- E assim toca o silêncio
- E na cama se recolhem.
Uns alegres com as notícias
- Que as cartas lhes trouxeram.
E os outros, que nada recebem,
Dormem com o olhos
Úmidos de lágrimas.
E, entre esses infelizes, estou eu,
- Que tenho os meus trechos também,
- Mas me consolo com a sorte,
Porque a vida é assim infelizmente...
- “Quem ama sempre
padece
- E a gente nunca se esquece
De quem se esquece da gente “.
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Autor: JOÃO BATISTA LEAL DE OLIVEIRA
- Ano 1963 - 11º Contingente do Batalhão
Suez
Colaboração: Heraldo
- Wed, 24 Sep 2003 20:31:56 -0300