PRÊMIO NOBEL DA PAZ DE 1988
Texto de Ivo de Albuquerque
Cabe-nos enfatizar a participação militar
brasileira na conquista do Prêmio Nobel da Paz de 1988.
Em 29 de setembro daquele ano, o Comitê Norueguês NOBEL, a quem incumbe
selecionar os vencedores do maior dos prêmios do mundo contemporâneo na
categoria da prevenção da paz, anunciava haver recaído sua escolha sobre as
Forças de Manutenção de Paz das Nações Unidas, por representarem estas "a
vontade manifesta da Comunidade das Nações de alcançar a paz através de
negociações, e porque elas, mediante sua presença, deram, em muitos casos,
uma contribuição decisiva para a iniciação das negociações". Assinalou, ainda, a
citação daquele Comitê, haver sido tal contribuição prestada "sob condições
extremamente difíceis", aspectos esses que valorizam sobremaneira a atuação dos
integrantes das referidas forças.
A expressão da importância de que se reveste a participação brasileira nas
missões realizadas no período abrangido pela concessão do Prêmio é referendada
pelos seguintes aspectos:
a. As declarações do então Secretário-Geral da ONU, Javier Perez de Cuellar,
perante a Assembléia Geral em Nova York, a respeito da outorga do Prêmio.
"O Prêmio é um tributo ao idealismo de todos quantos têm servido a esta
Organização e, em particular, ao valor e sacrifício daqueles que têm contribuído
e continuam a contribuir para nossas operações de manutenção de paz".
The Boston Globe, edição de 30/09/88
"Os recentes êxitos das Nações Unidas não foram súbitos e nem fortuitos, mas
representam resultados duramente conseguidos pela persistência e dedicação da
Organização, durante muitos anos, às atividades em favor da paz."
O Globo, edição de 30/09/88
b. As referências expressas pelo Departamento de Informação Pública das Nações
Unidas na publicação "Nações Unidas - 40 anos":
"A láurea do Prêmio obel da Paz de 1988 às Forças de Manutenção de Paz das
Nações Unidas significa o reconhecimento da contribuição dessas Forças para a
realização do objetivo de paz em várias áreas de conflito durante os últimos 40
anos."
e "Ao conceder o Prêmio... O Comitê Norueguês Nobel destacou as pessoas jovens
de muitas nações que, movidas por seus ideais, se engajam voluntariamente num
serviço exigente e arriscado pela causa da paz."
c. As referências constantes de publicações do Centro de Comunicação Social do
Exército:
"Aos soldados, marinheiros e aviadores brasileiros distinguidos com o honroso
título de Mensageiros da Paz, pertence uma significativa parcela do Prêmio Nobel
da paz concedido aos Capacetes Azuis da ONU."
"O Prêmio Nobel da Paz concedido em Oslo (Noruega) às Forças das Nações Unidas
para a Manutenção da Paz, reconhece o conjunto das missões enviadas a quatorze
cenários bélicos nos últimos quarenta anos, integradas tanto por forças
militares (Capacetes Azuis), com armamento leve, quanto por observadores (Boinas
Azuis)."
Registre-se, no entanto, que a inexistência de qualquer símbolo oficial que
expresse a participação individual de nossos militares naquela conquista
extraordinária, constitui, ainda hoje, uma lacuna, à luz dos princípios que
norteiam a cultura institucional de nossas Forças Armadas, notadamente aquele
voltado para a justa valorização de fatos e feitos.
CONCLUSÕES
- No seu meio século de existência, a ONU tem demonstrado inigualável aptidão e,
sobretudo, legitimidade para a condução de operações de manutenção da paz, fruto
de sua condição de única organização universal voltada para a manutenção da paz
e da segurança internacionais.
- Da atuação de nossas Forças Armadas e Forças Auxiliares em missões de
Manutenção da Paz decorrem reais benefícios para sua profissionalização, seu
adestramento e reequipamento, fatores fundamentais para que se mantenham em bom
nível de aprestamento. Acresçam-se a esses benefícios a oportunidade de
participação em episódios marcantes da História mundial contemporânea, do debate
e intercâmbio de vivências, conhecimentos e experiências, além do
cultivo da camaradagem.
- As operações de manutenção de paz da ONU, embora possam abrigar mandantes
multidisciplinares, hoje algo incontestável, dificilmente serão bem-sucedidas se
forem violados seus princípios tradicionais do consentimento das partes, da
imparcialidade e do uso da força somente em casos de autodefesa.
- A participação em missões de paz da ONU representa uma indicação do grau de
responsabilidade que o país deseja assumir nos assuntos afetos à paz e à
segurança. Essa participação ativa há que atender, integralmente, a diretriz de
Política de Defesa Nacional que determina seja ela feita "de acordo com os
interesses nacionais".
- O valor individual do militar brasileiro, já sobejamente demonstrado em
operações de guerra, foi também evidenciado durante sua participação, tanto
isoladamente como em equipe, nas missões de paz de que o Brasil tem participado
sob a égide da ONU e da OEA. As citações e referências elogiosas formuladas
pelos altos escalões das organizações às quais nossos contingentes estiverem
subordinados, bem atestam e confirmam esta assertiva.
Constituem, assim, tais demonstrações e evidências, valiosa contribuição para as
gerações seguintes, em termos de exemplos de dedicação, responsabilidade,
disciplina e sentido humanitário, dentre outros atributos indispensáveis ao
cumprimento de missões delicadas e árduas como aquelas, nas quais se fazem
sempre presentes a tensão e o perigo, o risco e as
provações pessoais.
De: Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
Data: 18/11/2006 (23:21:53)
Assunto: NOBEL DA PAZ DE 1988