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SOLDADO |
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Domingo, 24 de Agosto de 2008
Ricardo Montedo
Não ligue,
porém, Soldado. Não deixe tais comentários, lançados em teu rosto como cusparada
vil, te roubarem a calma, te perturbarem o coração.
Responda,
sereno: Meu amigo, assim falas porque não me viu a amparar os sofridos
sertanejos da caatinga nordestina, a curar os enfermos nos grotões da Amazônia,
a socorrer os flagelados pelas enchentes de Minas, a agasalhar as infelizes
vítimas do frio sulino.
Assim falas
porque jamais sentistes a dor da saudade dos teus amores a aumentar a cada
instante, sob o peso das longas jornadas e das imensas distâncias, pelos confins
deste País de Meu Deus!
Assim falas
porque jamais pesou sobre teus ombros a responsabilidade de transformar meninos
em homens, forjando-lhes o caráter e dando-lhes maturidade para tomar as rédeas
de suas vidas nas próprias mãos.
Jamais, amigo,
soubestes o que é passar dias e noites caminhando sob chuva e frio, sentido o
vento minuano a castigar-te o corpo.
Nunca tivestes
que enfrentar a imensidão verde e abafada da floresta, dias a fio, sobrevivendo
apenas do que a mata te oferece.
Em tempo algum
transpusestes a caatingas sob sol escaldante, jamais vadeaste, a peito nu, um
rio dos pampas, em noite de agosto.
Dormias,
amigo, calma e profundamente, enquanto eu, nas fronteiras, velava por tua
segurança.
Descansavas na
praia, tranqüilamente, com tua família, enquanto eu enfrentava dias e dias de
barco rio acima e rio abaixo, patrulhando os limites do País!
Falas assim,
amigo, porque não estavas a meu lado, ajudando a mitigar o sofrimento do povo de
Angola e do Timor, de Honduras e da Nicarágua, do Peru, da Bósnia e do Haiti!
Ah! Meu amigo,
se me visses, qual Ulisses moderno, abrindo dois mil quilômetros de estrada, de
Cuiabá a Rio Branco, numa Odisséia real, para que descobrisses um novo Brasil,
certamente não falarias assim.
Ah! Se
tivesses chorado comigo os companheiro mortos cumprindo seu dever, em todos os
recantos da Pátria, entenderias porque existo.
Mas, amigo,
não te sintas constrangido. Apague do rosto essa expressão envergonhada, pois
não tens obrigação de saber disso tudo, assim como não é meu papel alardear o
que faço, mas sim, trabalhar simplesmente, pois a servidão, a renúncia e a
humildade, que em outros seriam apontadas como grandes virtudes, para o soldado
espelham apenas o dever de toda uma vida.
Saiba, porém,
amigo, que onde estiveres, estarei sempre guardando teu sono, silenciosa e
anonimamente, com convém a todos os SOLDADOS deste nosso BRASIL!
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de Aroldo <adaveiga@newsite.com.br>
data 27/08/2008 21:21
assunto Fw: SAUDAO AO SOLDADO