|
|
|
FELIZ ANO NOVO |
|
|
Por Dacilio de Abreu Magalhães
Em 1942, minha mãe, juntamente com meu pai, na passagem do ano, me acordaram e
num carinhoso abraço, me desejaram um feliz Ano Novo e no ano seguinte nasceu
minha irmã. Durante muitos anos de minha infância eu recebi de meus pais os
votos de um feliz Ano Novo, mas nem todos os anos seguintes foram para mim de
alegria.
Em 1956, minha família, um pouco maior, na passagem do ano, em meio aos brindes e muita alegria me desejaram um Feliz Ano Novo e no ano seguinte eu me apresentei no Parque Central de Armamento, em Deodoro, Rio de Janeiro, nesse mesmo ano eu fiz curso de Cabo e fui promovido; fiz ainda curso de Sargento na Escola de Comunicações, naquele mesmo bairro militar da Cidade maravilhosa e me preparei para ser promovido. No mesmo ano, já com a namorada na minha casa e com a alegria de sempre, me desejaram um Feliz Ano Novo e infelizmente, o ano seguinte, 1958 não foi tão feliz, pois no dia 6 de janeiro em função de uma discussão que tive com um oficial, deram a minha baixa, depois de ter comprado todo o fardamento de Sargento e depois de saber que seria promovido a 15 de janeiro.
Feliz Ano Novo!
- disse minha mãe no dia 31 de
dezembro de 1957, quase no meu ouvido, depois de um forte abraço e ela com
pressentimento de mãe e a sensibilidade de mulher, vislumbrava um horizonte que
me encheria de emoção, mas que a ela iria trazer sofrimentos e preocupações.
Eu tinha sido aceito para me reintegrar às fileiras do Exército Brasileiro e
faria parte do 3º Contingente do Batalhão Suez.
Feliz Natal meu filho!
- dizia ela com sua voz oscilante
transmitidas pelas ondas curtas do serviço de fonia da estação PTA-1 Rio de
Janeiro, recebida numa noite fria de dezembro pela estação PTAS-2 Egito. O ano
seguinte foi de muita alegria, pois eu estaria retornando em junho de 1959 para
o convívio dessa maravilhosa família.
Muitos “Feliz Ano Novo” me foram desejados e muitas alegrias aconteceram nos
anos seguinte, meu emprego como funcionário federal, meu casamento, meus quatro
filhos, meus netos, mas como nem tudo são flores, no dia 05 de janeiro de 1995,
cinco dias depois de um Feliz Ano Novo desejado com muita alegria em função de
um recente nascimento da primeira neta do meu segundo casamento, morre
assassinado, meu filho Julio César de Souza Magalhães, vítima de assalto em
frente à antiga TV Manchete, na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro.
Em 1987, trinta anos depois do inicio da Missão Suez todos nós Boinas Azuis
dessa monumental Operação de Paz, nem sonhávamos o que estava por acontecer
no ano seguinte e não foram poucas as trocas de cartões desejando Feliz Ano
Novo, pois nessa época a internet, se já existia, não estava difundida como
hoje. 1988, ano seguinte, o Comitê Nobel do Parlamento Norueguês, resolve
outorgar às Forças de Paz das Nações Unidas, o Prêmio Nobel da Paz 1988 e aí
estavam os integrantes do Batalhão Suez, ostentando o maior premio da
atualidade e colocados dentre as pessoas que se destacaram levando a Comunidade
Internacional feitos relevantes.
Feliz Ano Novo era o desejo de meus familiares na passagem do ano de 2003 e no
ano seguinte, no inicio de março, Alceu Batista me indica para receber uma
medalha da Associação de Porto Alegre. Depois de mais de dez anos afastado do
nosso meio associativo. No dia 13 de abril de 2004 recebo em Caçapava,
emocionado a medalha “Ordem do Mérito do Batalhão Suez” e no dia 09 de
outubro desse mesmo ano, a Presidência da Comissão de Outorgas da ABIBS/RS,
resolve me agraciar com a medalha “Soldado da Paz”.
Eu sei que enquanto eu viver receberei muitos abraços, muitos cartões via
correio e mesmo virtuais me desejando um Feliz Ano Novo, mas nenhum deles
certamente me tocará tanto quanto o que recebi no dia 31 de dezembro de 1993,
uma carta em minha residência em São Paulo enviada pela ABIBS-RS. me
convocando para receber o Diploma e Medalha Honra ao Mérito do Batalhão Suez
que antecederam ao maior reconhecimento já tido em toda a minha vida.
Feliz Ano Novo!
De: Dacilio Magalhaes <dacilio@yahoo.com.br>
Data: Tue, 28 Dec 2004 21:36:55 -0300 (ART)