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"SITREP" AO BTL.SUEZ |
Por Malta
Meus velhos companheiros de areia do Sinai, vejam só o que me aconteceu ainda outro dia.
Estava andando pela praia, pisando na areia seca e
molhada e olhando fundo para aquele mar azul, lembrando da nossa passagem pelas
areias do deserto do Sinai com aquele céu azul da cor da nossa boina. Quantas lembranças
me vieram ! Que aventura aquela nossa em busca de uma esperança pela Paz!
O pensamento corria solto ali comigo, como o vento
que vinha do mar. Eram lembranças de todo tipo tanto tristes como alegres. Mas,
a amplitude imensa do horizonte aos meus olhos também me disseram algo. Vi, por
exemplo, que alem da intensidade da experiência pessoal que cada qual de nos
tivemos naquela missão do Batalhão Brasileiro de Suez, havia ainda que contar
a intensidade da nossa interferência positiva para que a paz acontecesse no
mundo, durante a nossa presença lá naquelas areias distantes. E fiquei
imaginando: Seis mil brasileiros saíram de seus lares e de suas vidas
particulares para se juntarem numa causa comum, bela, limpa e brilhante…
Mas isto foi no século passado!
Onde andaria hoje toda essa gente? Em que areias
diferentes, distantes ou próximas, estariam eles agora pisando?Quais seriam as
suas experiências pessoais depois daquela que tivemos em comum, numa faixa de
areia entre o Egito e Israel?
Assim fui, caminhando pela praia, imaginando se um
dia, de alguma forma, todos esses
bravos pacificadores teriam a chance de se recontactarem ou, de pelo menos, se
congratularem pelo mérito de mesmo ímpeto; pelo mérito de mesma causa; pelo mérito
da irmandade no pensamento, na palavra e na ação…
Que dificuldade, quase sem limites, teria sido a
de tentar obter a possibilidade desta reunião de todos os nossos 6 mil
companheiros, se não fosse a ocorrência de dois significativos eventos! Quais
sejam:
-
o reconhecimento pela organização Nobel do mérito ao Premio Nobel da
Paz, concedido a todos nos que lá, na areia , muitas vezes escaldante,
estivemos presentes em defesa da paz;
-
o nascimento da Internet que possibilitou a imediata criação do nosso
Site do Btl Suez ( www.BatalhaoSuez.com.br
) graças a velocidade, capacidade e diligencia do companheiro Alceu, do Cb
Vargas e do Cb Teodoro.
Tudo isto rodava na minha cabeça, durante a minha
caminhada pela praia quando deparei
com uma garrafinha boiando entre a linha das ultimas ondas e a areia da praia.
Minha primeira reação foi de
repulsa; foi contra a poluição; foi contra o descuido, o desleixo de certo
tipo de gente que não pensa no outro e, pouco importa a eles se estão sujando,
danificando o território alheio… Pensei comigo: este pessoal desmazelado
deveria aprender a lição que tivemos em Suez ao cuidar, diariamente, pelo
melhor possível, no conflito entre áreas, demarcações, bandeiras e
vizinhos…A paz tem a característica da brancura e da limpidez ante a mistura
do conflito.
Mas, outra não foi a minha surpresa quando
percebi que dentro da garrafinha havia um papel escrito.
Mensagem ao mar? Conde de Monte Cristo?Pesquisa
cientifica? Brincadeira? Sei lá… abri a garrafinha e de fato havia uma mensagem
“datilografada” meio hieroglifada, não tão fácil de ser lida de
imediato…aparentemente não consegui identificar ali nenhum tipo de língua
viva nos dias de hoje.
Contudo, ( faraó, veio-de-guerra-e-paz,
cabo-das-cabacidades, sobrevivente das areias da ADL, sombra de capeta e antigão
e continuador indelével da nossa missão)assentei minha velha bunda na areia e
me perguntei: que lição eu tenho das areias que possa me ajudar a decifrar
esta mensagem?
A resposta mental veio de imediato: "SITREP".
Pra quem esteve na fronteira do deserto sabe que "Sitrep" quer dizer
"Situation Report". O "sitrep" era parte da nossa missão na
Linha de Demarcação do Armistício ( ADL ) Tinha aprendido lá a lidar com
mensagens cifradas.
Coloquei o papel da garrafinha aberto diante de
mim e assim que li as duas primeiras palavras, percebi que qualquer um que
tivesse escrito aquelas linhas esteve usando uma maquina datilográfica que nem
todos os tipos estavam funcionando.Então, substituiu alguns. Não era uma
mensagem cifrada. Era uma mensagem de quem, por falta de recursos completos
usava a sua inteligência, esperança e meios para se comunicar. Tudo muito
semelhante assim como o nosso Site do Btl Suez, hoje, tem a mesma esperança, inteligência
e meios para alcançar cada ilha longínqua de seus 6 mil membros, soltas pelo
imenso oceano do tempo.
Eis a mensagem da garrafinha:
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Faraós: que tal usarmos a imaginação para ajudar a recuperar nossa verdade? vide anexo ( de um tempinho pra foto ) sem tempestade de areia, Cb.Malta |

Assunto: SITREP ao Btl SUEZ
Remetente: Emalta93@aol.com
Responder para: Emalta93@aol.com
Data: Sat, 13 May 2006 17:45:55 GMT