EGITO E O FARAÓ “SNÉFERO”

BREVE HISTÓRICO
SOBRE A INICIAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DE PIRÂMIDES
Foi o rio Nilo que permitiu que Snéfero construísse as pirâmides, foi o rio Nilo e apenas ele que tornou verde o deserto, sem ele o Egito seria um deserto árido. Do Nilo sai o barro para fazer tijolos e produtos cerâmicos (abaixo fotos do rio Nilo na década de 60).

Para canalizar as águas do Nilo para seus campos de cultivo agrícola,
os aldeões se reuniram, se juntaram e criaram redes de canais de irrigação.
Foi o primeiro projeto de obra no âmbito nacional egípcio. No fértil
vale do Nilo, nasceu a primeira nação. O
Nilo permitiu que o Egito produzisse inúmeros campos de plantação diversas,
como o milho, e demais grãos, legumes, e tudo o que uma sociedade precisava.

Fertilização do Nilo, atualmente.
Foi no vale do Nilo onde nasceu a capacidade de trabalho em conjunto em
grandes projetos, apenas e somente o que estava faltando era um grande líder...
e ele
surgiu.
Snéfero era ambicioso, ele foi o primeiro Faraó e governante, a ter
aspirações internacionais, visto que até aquela época, para um egípcio
pisar em outras terras, ou colocar seus pés fora da fronteira de seu país,
representava uma experiência ou uma aventura audaciosa e muito perigosa para os
padrões de então.
Acreditava-se que se ele (o egípcio) morresse em terras estrangeiras,
longe dos sacerdotes, dos embalsamadores e dos rituais, ele não poderia ser
mumificado, e toda esperança de vida eterna seria perdida.
Foi Snéfero quem ousou desafiar os costumes, ele mandou parte de seu exército
em expedições mercantis para o norte do Líbano em busca de enormes toras, ou
vigas, de cedro; para o Leste do Sinai em busca de turquesas e outros minerais:
e para o sul da Núbia em busca do ouro.
No governo de Snéfero, o Egito se tornou uma grande nação, próspera,
importante e reconhecida internacionalmente. Snéfero tornou-se famoso em seu
governo, a começar pelas suas expedições ao Sinai, a fim de garimpar
turquesas. Uma expedição
como aquela requeria grandiosa e estudada organização.
Levar 500 homens, mulas e suprimentos para o deserto do Leste demandava
uns 30 barcos para transporte, através do Mar Vermelho e umas 50 toneladas de
alimentos por dia. Depois do mar, havia um trecho muito difícil, de cinco dias
de mula até as minas do Vadi Matruhk.

Construir túneis nas montanhas em busca de turquesa era perigoso e também
muito difícil.
No cume da montanha havia uma caverna sagrada, onde os mineradores
dormiam para que pudessem sonhar com o lugar onde encontrariam as turquesas.
Ali os homens construíram um altar para a Deusa Ator, que era a senhora
da turquesa.
Construir o altar afastou os trabalhadores das minas, mas o bondoso Snéfero
permitiu. Ele chegou até a mandar escultores habilidosos, para registrar os
progressos da expedição, criando um campo de pedras lindamente esculpidas,
hoje esses campos ainda existem, e ainda são muito parecidos com aquilo que foi
em tempos antigos. Nas placas em hieróglifos estão registrados os nomes dos
homens de uma das expedições. Ali, nos trabalhos dos escultores e escribas está
registrada também, uma história de sofrimento e de heroísmo.
O Tesoureiro do Faraó esteve registrando a expedição que chefiou, a
qual por causa do calor, no verão escaldante do Sinai, muito sofreram para
suportar tamanho desgaste, quando se sabia que no período de inverno seria a
estação das escavações.
Mas esses hieróglifos contam uma história diferente, aqui está o ponto
central dos acontecimentos...“chegamos nesta terra no terceiro mês da
Segunda(2ª) estação...aquelas pessoas vieram
trabalhar exaustivamente
no verão
escaldante, e o escriba
continua, ...no
verão as montanhas
deixaram suas
marcas de
queimadas em nossas peles ”
....Esses mineradores não eram escravos, eles foram de vontade própria –
voluntários - a arriscar suas vidas para trazer as preciosas turquesas para
alegrar seu Faraó.
A turquesa que os mineradores traziam do Sinai eram transformadas em
“gastes” adornando os braceletes, finamente produzidos, e que se
transformavam em presentes de Snéfero para a sua adorada esposa, a Rainha Hetéforas.
O Faraó Snéfero não foi apenas um construtor de pirâmides e
explorador, ele também foi um patrono das artes.
Suas oficinas reais produziram extraordinárias obras primas em
esculturas, pinturas, jóias e mobiliárias. Foi uma época impressionante.

As
realizações artísticas, durante o reinado de Snéfero, foram tão fantásticas
que acabaram por estabelecer certos padrões de intelectualidade, os quais
perduraram pelos próximos 2.500 anos após sua morte.
Um grande trabalho artístico, na arte da pintura, ainda perdura
positivamente e fantasticamente aos olhos do mundo todo, até os dias de hoje, são
os famosos Gansos de Himaitum, uma preciosidade que parecem tão naturais, ainda
tão ricamente preservados, tal como quando foram pintados há cerca de 5 mil
anos atrás.
As
estátuas, esculpidas em pedras, dos filhos de Snéfero, representam os
primeiros grandes retratos em pedras, e até hoje também, nunca foram
superados. Nota-se nessas maravilhosas esculturas, o fino retrato, em
pedras, de “Encraf”, cujas linhas da figura mostram um homem maduro e
pensativo, um pouco pesado, ele era bem sucedido. Também está representado o irmão de Encraf o “Hemiano”
que mostra dobras de gordura, ele era mesmo próspero.
No
Museu do Cairo, há um retrato de outro dos filhos de Snéfero, o “Huta e sua
linda esposa Nofrete”, eles estão sentados, um ao lado do outro e seus olhos
de pedras cristalinas parecem estar olhando incansavelmente os inúmeros
milhares de visitantes que ficam parados por alguns instantes para vê-los e admira-los. Existe um outro detalhe maravilhoso, as mulheres egípcias
costumavam usar perucas e podemos visualizar no Museu, os “cabelos verdadeiros
de Nofrete” sobre a sua testa, por debaixo da peruca. É impressionante.
Os
móveis (mobiliário) que Snéfero mandou construir para sua esposa, estão
entre as mais belas peças que foram feitas no velho Egito.
São obras primas de simplicidade, suas linhas são retas, limpas e
elegantes.
Elas
não precisam de uma ostentação vulgar de ouro, apenas hieróglifos dourados
para proclamar os Títulos da Rainha.
Todos esses tesouros da Rainha, inclusive sua bela cama de “dossel”,
foram colocadas no seu túmulo, para seu deleite no outro mundo.

Era
absolutamente crucial proteger as múmias dos ladrões de Túmulos.
Pois se um desses ladrões, entrasse no túmulo e destruísse a múmia, o
falecido não podia existir no outro mundo.
Sem um corpo intacto perdia-se toda a esperança de imortalidade e essa
era a maior catástrofe que poderia acontecer ao antigo egípcio.
Uma
vez que a múmia tinha sido conservada em um túmulo sofisticado, era construído
dispositivo para protege-la por toda uma eternidade. Esses primeiros túmulos sofisticados eram conhecidos como
“Mastabas”.
Essas
Mastabas eram as sepulturas, com a câmara sepulcral esculpidas nas rochas,
depois eram cobertas com uma grande e super estrutura, por cima e envolta, cujas
camadas eram feitas de tijolos e barro. Os
antigos egípcios a chamavam de casas da eternidade.
Essas
mastabas da era de Snéfero eram as maiores das que foram construídas, elas
tinham umas características especiais e notáveis, que deviam evitar que fossem
violadas ou roubadas a múmia, adornos e objetos, não existindo, absolutamente,
nenhum acesso para a “câmara sepulcral” a partir do solo.
Porem os ladrões sempre as violavam.
Descendo
pela mastaba, através do único caminho possível, a passagem aberta pelos ladrões,
cujo buraco era o único caminho e passagem, que se constituía em um túnel
aberto, através dos tijolos de barro, da rocha da base, e da entrada da câmara
sepulcral, sempre recebendo a visita de estudiosos e alguns curiosos.
No
interior da mastaba visitada, vê-se um túmulo de uma pessoa muito importante,
provavelmente um Rei, ou uma Rainha.
Esse Sarcófago foi o primeiro de uma história repetida, o corpo fora
colocado dentro, a tampa fora fechada, mas mesmo assim ele foi roubado.
Os ladrões deixaram a marreta que foi usada para arrombar a tampa.
Após
o sepultamento a câmara sepulcral foi fechada por cima e apesar de centenas de
milhares de toneladas de tijolos e de barro que foram colocados em cima, mesmo
assim, ele foi roubado.
Snéfero
visualizou um certo e grave problema, seu maior problema era o fato de ser quase
impossível deter os ladrões de túmulo. Veja-se
que mesmo na época de Snéfero, o túmulo de sua esposa fora roubado.
Não
importava quão complicada fossem as passagens do interior dos túmulos, os ladrões
sempre conseguiam achar e violar a câmara sepulcral, para roubar os tesouros. Acreditou-se que a razão de tantos e freqüentes roubos era
porque esses ladrões eram as mesmas pessoas que o haviam construído e que o
conheciam como ninguém.
A
solução estava em criar alguma coisa muito sólida, o suficiente para impedir
e evitar os ladrões, mesmo que eles soubessem onde estaria a câmara sepulcral
- a construção de pirâmide.
Mas
Snéfero não foi o primeiro a tentar isso, tudo havia começado em
“Saquara” (a pirâmide de degraus).
Essa pirâmide de degraus, que teve terminado sua construção na época
e durante a infância de Snéfero, a qual veio a ter uma influência profunda em
sua vida. O que mais intriga nessa
pirâmide de degraus, em Saquara, é que ela é a primeira das construções
feitas em bloco de pedras.
Não
se poderia supor que os egípcios, já antes de levantarem a pirâmide de
Saquara, estavam começando a construir alguns primeiros prédios em blocos de
pedras, para depois tentarem construções muito mais ambiciosas, até que algo
realmente grande fosse construído. Mas não foi assim tão de repente, como
vindo do nada, até que surgiu a pirâmide de degraus.
Há
sinais claros e evidentes que, desde há muito, os egípcios já haviam começado
a aprender a trabalhar com pedras, e blocos de pedras.
Alguns exímios pedreiros copiavam fielmente na pedra, as colunas e
algumas paredes de palácios que haviam sido construídos com feixes de bambus,
papiros e tijolos de barro.
Assim
detalhes arquitetônicos maravilhosos começaram a aparecer, porém resultaram
em estruturas completamente não funcionais.
Portas que não se abriam e nem fechavam, capachos enrolados sob entradas
que não podiam ser baixadas, contudo foi assim que teve inicio as construções
de pedras.
Dois
mil anos depois que a pirâmide de degraus foi construída, os gregos se
orgulhavam em dizer que aprenderam com os egípcios a construir com pedras e
blocos de pedras. Essa evolução
foi possível graças ao incentivo de Snéfero.
A
pirâmide de degraus, em Saquara, foi construída para o Faraó Zózer.
Sabe-se que seu arquiteto inicialmente queria criar e construir uma
grande sepultura para o seu Rei. Para
isso ele havia projetado uma enorme mastaba e colocou, sucessivamente, outras
mastabas menores, umas sobre as outras, criando assim um efeito desconhecido até
então, e parecido com um bolo de noiva escalonado.
Como
aquela era a primeira grande construção de pedras do mundo, seus construtores
enfrentaram inúmeros problemas inéditos.
Eles não tinham a experiência em lavrar as pedras, por isso os blocos
que vieram a compor a pirâmide, foram cortados de maneira errada e tosca, e não
se encaixavam bem uns sobre os outros blocos, ameaçando a pirâmide de sofrer
um colapso.
O
arquiteto acabou por resolver o problema, inclinando as paredes para dentro,
assim a pirâmide literalmente se apoiava nela mesma, evitando com isso que uma
massa instável se ruísse. Quando
terminou a construção da pirâmide de degraus de Saquara, ela veio a se
constituir na mais fantástica construção que o mundo já havia visto.
Tendo
empregado milhares de trabalhadores e consumido quase duas décadas até estar
completa, a pirâmide de degraus deve ter sido motivo e modelo de grande orgulho
para todo o Egito.
Todos
podemos acreditar e apostar o quanto Snéfero, ainda criança, deveria ter
ficado fascinado com essa pirâmide e deve até ter sonhado em construir, algum
dia, sua própria pirâmide.
Mais
tarde, quando Snéfero tornou-se Faraó, sentiu a oportunidade e quis realizar
seu antigo sonho, idealizando e mandando construir sua pirâmide em Maidum, a
qual depois de concluída podia-se perceber que havia algo muito errado, mas que
ao primeiro olhar não ficava muito claro o que seria realmente.
O
monumento mais parece uma torre ameaçadora do que uma pirâmide propriamente.
Quando pessoas começaram a explorar o local e a obra em si, surgiram muitas dúvidas
e inúmeras perguntas, Por exemplo:
-
Por quê as paredes da câmara sepulcral são toscas, não acabadas?
-
Onde está o Sarcófago do Faraó?
Na
câmara sepulcral as vigas de cedro, de quatro mil anos, estão no local prontas
para içar o sarcófago, mas não há vestígios, ou algum tipo de evidências
de que a câmara sepulcral sequer tenha sido usada, mesmo assim, ela ainda
representa um grande avanço arquitetônico.
Essa é a primeira câmara sepulcral existente, acima do solo do antigo
Egito.
Criar
uma câmara dentro da pirâmide, ao invés de debaixo dela, causou um tremendo
problema. Com o peso inteiro da pirâmide
por cima, como é possível impedir evitar que o teto entre em colapso?
Snéfero
resolveu o problema, colocando blocos de pedras das paredes cada vez mais perto
do centro da câmara, a medida em que ficavam mais altos.
Quando as paredes subiram, o último bloco que formou o teto, só teve
que cobrir algumas poucas polegadas. O
problema foi resolvido, e o primeiro teto em abóbada de toda história havia
sido criado.
A
razão da pirâmide de Maidum parecia tão estranha, a qual reside em sua
construção, ela foi originalmente projetada para ser uma pirâmide em degraus
e terminou de forma diferente. A
medida em que se aproximava o fim de sua construção ela foi sendo ampliada ou
modificada várias vezes, provavelmente porque se acreditava que uma pirâmide não
deveria estar pronta antes da morte do Faraó.
Quando
a pirâmide terminou com oito degraus, Snéfero ainda gozava de boa saúde, por
isso a construção continuou. Os
degraus da pirâmide foram preenchidos com uma pedra calcária fina e branca.
Esta foi a primeira tentativa de se construir uma pirâmide verdadeira,
mas houve uma falha arquitetônica fatal. As
últimas camadas de pedras não foram suficientemente ancoradas no corpo da pirâmide.
Apoiadas na superfície lisa da pirâmide em degraus, no interior, as
pedras começaram a deslizar causando o primeiro desastre tecnológico da história.
É por isso que a pirâmide parece tão estranha até os dias de hoje, as
gerações do futuro acharam mais fácil usar as pedras soltas, deixando apenas
a parte central inclinada. Aquilo
que vemos nos dias de hoje é o resultado de cinco mil anos de puro vandalismo.
Esfinge
Colaboração
de Theodoro da Silva Junior 10º
Contingente