O Antigo Oriente Médio
Noções de Geografia e História do Antigo Oriente Médio
1.1. O Crescente Fértil
Se partirmos do Golfo Pérsico e traçarmos uma meia-lua, passando pelas nascentes dos rios Tigre e Eufrates, colocando a outra ponta na foz do Nilo, no Egito, teremos uma região bastante fértil, onde se desenrolaram os acontecimentos narrados na Bíblia. É a chamada "meia-lua fértil" ou "Crescente Fértil", dentro do qual está também a Palestina.
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Esta faixa de terra é regada por importantes rios, que condicionavam a vida do oriental antigo. Foram os rios que determinaram o estabelecimento da agricultura, da sedentarização e das rotas comerciais por onde passavam as caravanas que iam desde a Mesopotâmia até o Egito ou a Arábia. |
A região é habitada pela raça branca, especialmente semitas e hamitas. No seu conjunto, a raça branca é constituída pelos:
semitas (acádios, amoritas, hebreus, árabes, cananeus, fenícios etc)
hamitas (que habitavam o Egito, a Abissínia e o Magrebe - Marrocos, Argélia e Tunísia atuais)
indo-europeus (eslavos, gregos, itálicos, celtas, iranianos etc)
fineses.
As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas, anteriormente chamada camito-semítica. A família afro-asiática compreende seis ramos: semítico, egípcio, berbere,
cuxita, homótico e chádico.
Oriente Médio: O peso da tradição
Da região que se estende entre a Mesopotâmia e o Egito, proliferaram
inúmeros reinos e impérios.
Ao longo do período que os historiadores denominam a Antigüidade Oriental, na região conhecida como o "Crescente Fértil" ( área que se estende entre a
Mesopotâmia e o Egito ), proliferaram inúmeros reinos e impérios. Um deles, o de Israel. Com uma população pequena e com recursos limitados, o reino judaico foi vítima de invasões sucessivas: assírios, macedônios e romanos. Por diversas vezes, os judeus tiveram de enfrentar povos que impunham
regimes opressivos sobre a Palestina. No ano 66 d.c. , guerreiros israelitas tentaram expulsar os romanos, libertando partes do território judaico. Em
70, a resposta romana foi terrível: o templo em Jerusalém é destruído. Anos
depois, o imperador romano Adriano, temendo uma nova rebelião, ordena a expulsão dos judeus da Palestina. Uns lá permaneceram; outros migraram,
dando início à Diáspora: a dispersão do povo judeu pelo mundo. Floresceram comunidades israelitas em várias regiões do planeta. Embora espalhados, os
judeus nunca se esqueceram da pátria original, para a qual sempre aspiraram retornar. Sendo o judaísmo uma religião escatológica (escatologia: o
conceito de que a História tem uma finalidade de antemão determinada), o retorno a Israel só se daria na "Era Messiânica" ("messias": o "ungido", o
"escolhido por Deus"). Daí a clássica oração judaica que reza: "o ano que vem em Jerusalém".
Ao longo dos séculos, o território judaico passou de mão em mão: bizantinos o dominaram; a expansão
árabe dele tomou conta; levas e levas de turcos o
conquistaram; as cruzadas cristãs criaram o Reino Latino de Jerusalém, e, por fim, ele caiu sob domínio turco otomano.
No século XIX, quando se agravou o antisemitismo (o ódio irracional aos judeus) e com o afloramento, no leste europeu, da "questão das
nacionalidades" (o conceito que prega que toda comunidade nacional precisa
de um estado), intelectuais e lideranças judaicas-tais como Moses Hess, Theodor Hertzl e
Borochov, dentre outros-criaram o sionismo, ideologia da libertação nacional do povo judeu por meio de um estado israelita na
Palestina. Ainda no século XIX, começaram as migrações de jovens sionistas para a Palestina turca, onde fundaram estruturas agrícolas e comerciais.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os ingleses, interessados em
expulsar os turcos do Oriente Médio, fizeram três promessas contraditórias. Para os árabes propuseram que, se eles lutassem contra os turcos, a
Inglaterra daria a eles uma "grande nação árabe independente" sob o domínio da família
hachemita. Em novembro de 1917, buscando seduzir os judeus para a causa aliada, firmaram a "Declaração de
Balfour", onde se lia que Londres
veria com bons olhos a criação de um "lar nacional judeu na Palestina" e, em 1915, já haviam concluído com a França o "acordo secreto"
Sykes-Picot, pelo qual Londres e Paris dividiriam o Oriente Médio.
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A família das línguas semíticas é bem antiga, documentada desde a metade do terceiro milênio
A.C. com o acádico e o eblaíta, até os dias atuais com o árabe, o amárico e o hebraico.
Nos três quadros a seguir pode-se ver um panorama simplificado das principais línguas semíticas[1].



Algumas características das línguas semíticas:
A estrutura gramatical:
grande número de guturais muito especiais, mormente na vocalização
raízes ternárias
verbos com apenas dois tempos
dois gêneros
casos oblíquos, pronomes possessivos e objeto pronominal do verbo são anexados como sufixos
ausência de nomes e verbos compostos
pequeno número de partículas e predominância da coordenação sobre a subordinação.
O vocabulário semítico:
quase nenhum contato com o indo-europeu
semelhanças apenas em palavras onomatopaicas
poucos empréstimos de um grupo lingüístico para o outro.
A escrita semítica:
consonantal
da direita para a esquerda
exceções: escritas da esquerda para a direita são o sabeu, o etíope e o cuneiforme.
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De: Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
Data: 1/06/2006 (18:07:11)
Assunto: Noções de Geografia e História do Antigo Orien te Médio