Israel faz 60 anos em estado de alerta
Reportagem da Folha Online
Israel celebrou oficialmente nesta
quinta-feira (8 de maio 2008) os 60 anos de seu nascimento.
Sua independência foi proclamada no dia 14 de maio de 1948, mas, segundo o
calendário judaico (lunar), o feriado ocorre a cada ano em diferentes datas,
entre abril e maio. Os festejos ocorrem em meio a um estado de alerta.
A preocupação com a segurança é a base desse Estado que já nasceu em guerra com
os vizinhos árabes e vê seu crescimento econômico esbarrar em gastos militares
cada vez maiores.
Durante o feriado, Israel proibiu a entrada de palestinos de Gaza e da
Cisjordânia no país, temendo atentados por parte de militantes. No final de
abril, o chefe da Inteligência Militar do país já havia manifestado o temor de
algum ataque nas comemorações.
Kevin Frayer/AP
Show de laser e fogos de artifício marca início da celebração dos 60 anos em
Jerusalém; país faz aniversário em estado de alerta
Por causa do ancestral belicismo com os vizinhos árabes, Israel ser tornou ao
mesmo tempo um Estado laico, religioso e militar. Desde a segunda metade dos
anos 70 também é potência nuclear, embora nunca tenha reconhecido isso de forma
oficial. Em mais um paradoxo, o mesmo belicismo que assusta é também o mesmo que
levou o país a ser uma das pontas de lança da tecnologia mundial.
"Terra", "história" e território são causa e efeito de praticamente todos os
conflitos em que o país se envolveu desde maio de 48. Israel nasceu num mundo
pós-guerra ainda chocado com a barbárie nazista, disposto a reparar tais
atrocidades criando um espaço no qual judeus de qualquer parte do mundo pudesse
migrar, um lugar onde não se sentissem mais perseguidos.
O idealismo sionista se materializou numa ação coordenada mundial bem sucedida,
que culminou na aprovação pela ONU, em 47, na criação de dois países na região
conhecida como Palestina histórica: judeus e muçulmanos deveriam conviver lado a
lado. Os árabes rejeitaram a decisão e foram à guerra, mas de forma atabalhoada.
Enfrentaram um oponente que vinha se armando silenciosamente há pelo menos duas
décadas, com homens organizados e ferozes.
A derrota militar árabe foi avassaladora, e Israel aproveitou para incorporar
fronteiras cada vez maiores, em nome de sua própria segurança. Tal política
também é atacada há 60 anos, acusada de desumana e até criminosa. Israel nega,
mas a colonização de territórios destinados a árabes-palestinos jamais parou.
As comemorações
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, é um dos chefes de Estado que
estará nas comemorações em Israel. Ele terá também reuniões com o presidente
Shimon Peres, e com o premiê israelense, Ehud Olmert. A expectativa é de que
Bush ainda discurse perante o Knesset (Parlamento).
O ex-premiê britânico e atual enviado especial do Quarteto para o Oriente Médio,
Tony Blair, e o ex-líder soviético Mikhail Gorbachev também confirmaram
presença. Entre os presidentes que visitarão o país em razão da data estão
Victor Yushtchenko, (Ucrânia), Bamir Topi, (Albânia), Valdis Zatlers (Latvia),
Lech Kaczynski (Polônia), Paul Kagame (Ruanda), Michael Saakashvili (Georgia),
Stjepan Mesic (Croácia), Danilo Türk (Eslovênia), Tommy Remengesau Jr (Palau) e
Blaise Campoare (Burkina Fasso). Lula não deve participar, mas enviará
representante.
Moti Milrod/AP
Israelenses assistem a fogos de artifício em Tel Aviv em festa dos 60 anos de
Israel; personalidades participarão de cerimônia
O grupo de personalidades que visitará o país inclui também o prêmio Nobel da
Paz Elie Wiesel, o magnata da mídia Rupert Murdoch, os fundadores do Google e do
Facebook, Sergey Brin e Mark Zuckerberg, respectivamente, o ex-secretário de
Estado dos EUA Henry Kissinger e o presidente do grupo indiano Tata, Ratan Tata.
A festa de hoje inclui a apresentação de dez bandas militares, de dez países, em
Haifa, num concerto intitulado "Saudando com notas, bandas militares tocam pela
paz", no dia 8.
As comemorações No dia 1º de junho, a capital Washington irá sediar o
"Israel@60: Uma Celebração Capital", evento que irá durar o dia todo, com a
apresentação de uma banda israelense e de vários artistas, como Regina Spektor e
Mandy Patinkin. A cidade de Nova York também comemora no dia 1º de junho, com
apresentações de música, mostras de arte, além de outros eventos a serem
realizados durante maio e junho.
Desde o dia 4 de maio, banners com imagens mostrando a diversidade da população
de Israel foram espalhados por 51 quarteirões ao longo da Quinta Avenida, como
parte da campanha "Faces de Israel".
Entre os israelenses que aparecem nos banners estão um refugiado vietnamita que
representa um banco israelense em Singapura, o jogador de basquete negro Derrick
Sharp, que se mudou dos EUA há 15 anos e joga na seleção israelense, e o
diplomata árabe-israelense Rania Jubran.
No Reino Unido, uma parada com com bandas de fanfarra será realizada no dia 29
de junho na Trafalgar Square, em Londres. Alguns eventos comemorativos já foram
realizados e continuarão em diversos países, entre eles Austrália, Brasil,
França, África do Sul e Itália.
No Brasil
Vários eventos também serão realizados pela comunidade judaica no Brasil para
marcar a data. O principal deles, chamado "Evento Central de Yom Haatzmaut" e
promovido pela Embaixada de Israel no Brasil, pela Confederação Israelita do
Brasil (CONIB), pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (FISESP) e pela
Associação Brasileira A Hebraica de São Paulo, ocorre na segunda-feira (12) às
20h, no Teatro Arthur Rubinstein.
Kevin Frayer/AP
Soldados israelenses marcham em memorial com nomes dos militares mortos em
combate
O governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab, e os cônsules dos países a
serem homenageados, além de lideranças da comunidade judaica, devem comparecer
ao evento. Os convidados serão recebidos pela embaixadora de Israel no Brasil,
Tzipora Rimon e pelos presidentes da Conib, Jack Terpins, da Fisesp, Boris Ber e
de A Hebraica, Peter Weiss.
Já nesta quinta-feira, às 14h30, no Centro da Cultura Judaica, em SP, ocorre o
evento União em Iom Haatzmaut, que contará com atrações para marcar os 60 anos
do Estado de Israel.
Na ocasião, haverá apresentação da Orquestra do Lar das Crianças da CIP
(Congregação Israelita Paulista), da cantora Regis Karlik e do grupo de dança do
Colégio Renascença, além da abertura da exposição de fotos de Israel, coordenada
pelo Fundo Comunitário. Israel faz 60 anos em estado de alerta
de Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
data 09/05/2008 08:52
assunto ISRAEL COMEMORA 60 ANOS - REPORTAGEM DA FOLHA SÃO PAULO