EU PROTESTO


         A Medalha Ordem do Mérito do Batalhão Suez, recebida em Caçapava em 13 de abril desse ano (2004), fez renascer em mim um desejo muito forte de participar, de ajudar e de estar lado a lado com os colegas que estão levando cada vez mais alto o nome do Batalhão Suez, sendo assim, transcreverei um artigo feito por mim no Boletim Informativo 03 de agosto de 1994 que acredito seja de interesse de todos os colegas.

 

EU PROTESTO

 

        O jornal “O Estado de São Paulo”, na sua edição do dia 01 de maio último publicou um artigo do jornalista Vicent Hugeux do jornal L´Express, fornecido pelo correspondente Gilles Lapagne, onde afirma que a ONU morreu em Gorazde; que a maior fraqueza da Organização está na mediocridade dos Capacetes Azuis, que vêem do terceiro mundo e que não tem um exército digno do nome. São constituídos de grupos desorganizados, mal comandados e prontos muitas vezes para se aproveitar das desordens e exercerem todo o tipo de tráfego; conclui dizendo que os Capacetes Azuis não falam o idioma local e não tem entre eles, uma língua em comum.

        Como um Capacete Azul e Diretor da associação que os representa, gostaria de informar aos leitores desse Boletim Informativo que o Jornalista dono da matéria em questão, está longe da realidade, nunca presenciou o trabalho de uma Força de Paz e quem sabe, esteja a serviço de grupos que desejam denegrir a imagem da Organização ou mascarar o trabalho dos Capacetes Azuis.

        Uma Instituição que atravessa uma fase de excesso de credibilidade, que realizou 28 Operações de Paz e que recebeu em nome de suas Forças o maior premio da atualidade, outorgado por uma Organização cuja credibilidade, está acima de qualquer suspeita (O Premio Nobel da Paz 1988), jamais poderia ter morrido em Gorazde.

 

Quando um Estado ou um grupo de Estados, membros das Nações Unidas, juntamente com o Secretário Geral, propõe a implantação de uma Força de Paz, devam ser cumpridas exigências fundamentais:

- A proposta deve contar com o consentimento das partes em conflito e a Operação não deve significar ingerências nos assuntos internos dos países onde atuará a Força e nem deve favorecer uma parte em detrimento da outra;

- A proposta deve contar com um amplo apoio da Comunidade Internacional, aprovada pelo Conselho de Segurança.

- Os Estados membros devem estar dispostos a fornecer pessoal subordinado ao Secretário Geral e,

- Finalmente, para que uma Operação de Paz tenha sucesso, é necessário que o mandato seja claro e viável; que as partes cooperem na execução do trabalho e que as ordens das Nações Unidas enviadas à Força, tanto na sede como na área de atuação, sejam efetivas e que a Missão conte com os apoios logístico e financeiro, adequados.

 

        Esse trecho extraído do livro das Nações Unidas sobre Operações de Paz, foi transcrito para que os caros leitores sintam que é muito fácil uma operação complexa como as implantadas pela ONU, não dar certo, basta que uma das partes não de a colaboração necessária ou que facilite qualquer operação armada contra os Capacetes Azuis que ali estariam apenas para manter uma paz temporária, evitar choques e prover a população de alimentos, remédios e atendimento de toda a ordem, enquanto que, Emissários do Secretário Geral com missões diplomáticas, negociariam a paz duradoura.

        Os Capacetes Azuis não podem ser medíocres, só porque nasceram em um país do 3º. Mundo; país esse que faz parte da Assembléia Geral das Nações Unidas, que decide, que fornece pessoal, material bélico, transporte, alimentação e dinheiro, para que a paz tão reclamada possa ser efetivada em um ponto qualquer de nosso planeta.

        Quanto aos idiomas, é ridículo pensar que 730.000 homens e mulheres que prestaram serviços a ONU de 1948 a 1988, falassem um mesmo idioma ou um idioma comum. Os Comandantes das Forças falam o inglês, se comunicam entre si e com o Comandante Geral da Operação, recebendo desse as orientações necessárias, transmitindo-as a seus subordinados.

A Paz não se faz com idiomas, mas sim com determinação.

        Uma Missão de Paz não defende interesses, utiliza seus Capacetes Azuis para evitar a Guerra, a destruição, a miséria e saibam, quantos lerem essa matéria que o Capacete Azul é um corajoso voluntário que oferece sua vida em defesa da paz. É acima de tudo, um pacificador.

        Matéria de minha inteira responsabilidade.

 

         Dacilio de Abreu Magalhães

            Vice Presidente

 

(Essa matéria foi enviada ao jornal O Estado de São Paulo e ao Comando Militar do Sudeste e não tivemos resposta)

 

Dacilio Magalhaes<dacilio@yahoo.com.br> 
Data: Thu, 29 Jul 2004 01:19:16 -0300 (ART)
      


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