EU PROTESTO
EU PROTESTO
O jornal “O Estado de São Paulo”, na sua edição do dia 01 de maio último
publicou um artigo do jornalista Vicent Hugeux do jornal L´Express, fornecido
pelo correspondente Gilles Lapagne, onde afirma que a ONU morreu em Gorazde; que
a maior fraqueza da Organização está na mediocridade dos Capacetes Azuis, que
vêem do terceiro mundo e que não tem um exército digno do nome. São constituídos
de grupos desorganizados, mal comandados e prontos muitas vezes para se
aproveitar das desordens e exercerem todo o tipo de tráfego; conclui dizendo
que os Capacetes Azuis não falam o idioma local e não tem entre eles, uma língua
em comum.
Como um Capacete Azul e Diretor da associação que os representa, gostaria de
informar aos leitores desse Boletim Informativo que o Jornalista dono da matéria
em questão, está longe da realidade, nunca presenciou o trabalho de uma Força
de Paz e quem sabe, esteja a serviço de grupos que desejam denegrir a imagem da
Organização ou mascarar o trabalho dos Capacetes Azuis.
Uma Instituição que atravessa uma fase de excesso de credibilidade, que
realizou 28 Operações de Paz e que recebeu em nome de suas Forças o maior
premio da atualidade, outorgado por uma Organização cuja credibilidade, está
acima de qualquer suspeita (O Premio Nobel da Paz 1988), jamais poderia ter
morrido em Gorazde.
Quando
um Estado ou um grupo de Estados, membros das Nações Unidas, juntamente com o
Secretário Geral, propõe a implantação de uma Força de Paz, devam ser
cumpridas exigências fundamentais:
- A proposta
deve contar com o consentimento das partes em conflito e a Operação não deve
significar ingerências nos assuntos internos dos países onde atuará a Força
e nem deve favorecer uma parte em detrimento da outra;
- A proposta deve contar com um amplo apoio da Comunidade Internacional,
aprovada pelo Conselho de Segurança.
- Os Estados
membros devem estar dispostos a fornecer pessoal subordinado ao Secretário
Geral e,
- Finalmente,
para que uma Operação de Paz tenha sucesso, é necessário que o mandato seja
claro e viável; que as partes cooperem na execução do trabalho e que as
ordens das Nações Unidas enviadas à Força, tanto na sede como na área de
atuação, sejam efetivas e que a Missão conte com os apoios logístico e
financeiro, adequados.
Esse trecho extraído do livro das Nações Unidas sobre Operações de Paz, foi
transcrito para que os caros leitores sintam que é muito fácil uma operação
complexa como as implantadas pela ONU, não dar certo, basta que uma das partes
não de a colaboração necessária ou que facilite qualquer operação armada
contra os Capacetes Azuis que ali estariam apenas para manter uma paz temporária,
evitar choques e prover a população de alimentos, remédios e atendimento de
toda a ordem, enquanto que, Emissários do Secretário Geral com missões diplomáticas,
negociariam a paz duradoura.
Os Capacetes Azuis não podem ser medíocres, só porque nasceram em um país do
3º. Mundo; país esse que faz parte da Assembléia Geral das Nações Unidas,
que decide, que fornece pessoal, material bélico, transporte, alimentação e
dinheiro, para que a paz tão reclamada possa ser efetivada em um ponto qualquer
de nosso planeta.
Quanto aos idiomas, é ridículo pensar que 730.000 homens e mulheres que
prestaram serviços a ONU de 1948 a 1988, falassem um mesmo idioma ou um idioma
comum. Os Comandantes das Forças falam o inglês, se comunicam entre si e com o
Comandante Geral da Operação, recebendo desse as orientações necessárias,
transmitindo-as a seus subordinados.
A
Paz não se faz com idiomas, mas sim com determinação.
Uma Missão de Paz não defende interesses, utiliza seus Capacetes Azuis para
evitar a Guerra, a destruição, a miséria e saibam, quantos lerem essa matéria
que o Capacete Azul é um corajoso voluntário que oferece sua vida em defesa da
paz. É acima de tudo, um pacificador.
Matéria de minha inteira responsabilidade.
Dacilio de Abreu Magalhães
Vice Presidente
(Essa matéria foi enviada ao jornal
O Estado de São Paulo e ao Comando Militar do Sudeste e não tivemos resposta)
Dacilio Magalhaes<dacilio@yahoo.com.br>
Data: Thu, 29 Jul 2004 01:19:16 -0300 (ART)