16º ANO

  DO PRÊMIO 

NOBEL DA PAZ 

1988

 


        Caros amigos e simpatizantes: 

        Quando eu era pequeno costumava sempre estar ouvindo, dos adultos da época, uma frase que era comum entre as pessoas ao se encontrarem pelas ruas. 
        Cumprimentavam-se e logo em seguida uma das partes perguntava: 
        - TUDO AZUL? 
        E a resposta era imediata e a mesma,... sim, tudo azul. 
        Isto queria dizer que tudo estava maravilhosamente azul, estava tudo bem. 
        Quer dizer, na vida... para que tudo estivesse se desenvolvendo bem, em 
todos os sentidos, era só dizer... Está tudo azul comigo. Era um dos costumes daqueles tempos. 

        Pois bem, neste último dia 09 de outubro de 2004, eu estive na companhia dos meus grandes amigos Faraós “Boinas Azuis” em São Paulo, onde lembrei-me, com saudades daqueles tempos, aquela velha frase e então senti que realmente estava TUDO AZUL em São Paulo, naquele magnífico evento em Osasco. 

        A começar com as condições climáticas, estava tudo perfeito. O dia amanhecia lindo, com um brilho de intensos raios solares. Céu de brigadeiro, sem nuvens, estava tudo azul, e até estávamos com as tradicionais Boinas Azuis da ONU na cabeça, alegres e felizes a cada reencontro a cada abraço. 
        Repito, tudo estava azul naquele dia em São Paulo, alegria, fraternidade, emoções e uma bela receptividade, onde iríamos participar de uma solenidade cívica/militar, com outorgas de medalhas. 

        AMIGOS, - a ABFIP-ONU/SP - “Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU-SP” – promoveu uma solenidade alusiva ao 16º aniversário do Prêmio Nobel da Paz instituído às Forças de Paz da ONU, cujo evento aconteceu no interior do Quartel 4º Batalhão de Infantaria Blindado, Regimento Raposo Tavares em Quitaúna, Osasco. 


        Desde nossa chegada ao Quartel fomos magnificamente recepcionados pelo 
Sr. Ten. Cel. Edivaldo Barbosa Rodrigues de Sousa. No salão de entrada daquele Quartel, um delicioso lanche coquetel estava servido a todos que iam chegando para participar do evento. 
        Quando as autoridade especiais já se faziam presentes, fomos todos convidados a se dirigir ao local da solenidade programada, e ficamos abrigados no Palanque Oficial da cerimônia. 
        Teve inicio a tão esperada e magnífica solenidade com a apresentação da tropa, incorporação da Bandeira nacional, os cânticos militares que emocionam a todos. 


        As mais altas emoções estavam reservadas ao ato das condecorações das Medalhas – ORDEM DO MÉRITO BATALHÃO SUEZ, e SOLDADO DA PAZ. 
        E foi realmente muito bonito e emocionante aquela solenidade, onde as mais Altas Autoridades Militares, Integrantes de Missão de Paz, alguns companheiros do Btl.Suez dos mais diversos Contingentes, estavam ali recebendo, das mãos do Boina Azul Sérgio Luiz Dias, Presidente da Comissão de Outorgas da ABIBS/RS, as suas condecorações.

 

  Medalha “Ordem do Mérito do Batalhão Suez”


        1. Sr. Walter Mello de Vargas 
        Presidente da Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU-SP 

        2. Cap. Inf. Cristiano Lemes Garcia 
        Oficial do 4º Batalhão de Infantaria Blindado 

        3. Sub Ten. Jorge Luis dos Santos Macedo 
        Praça do 4º Batalhão de Infantaria Blindado 

        4. Sr. Vrejhi Mardiros Sanazar 
        Diretor do jornal “Diário da Região" – Osasco Sp 

        5. Estandarte do 4º BIB – Regimento Raposo Tavares 
        Estandarte histórico

 

Medalha “Soldado da Paz”


        1. Gen.Ex. Sergio Pereira Mariano Cordeiro 
        Comandante Militar do Sudeste 

        2. Maj. Brig. Do Ar Paulo Roberto Vilarinho 
        Comandante do 4º Comando Aéreo Regional 

        3. Vice Alm. Marcelio Carmo de Castro Pereira 
        Comandante da 8º Distrito Naval 

        4. Gen. Div. Francisco José da Silva Fernandes 
        Comandante da 2ª. Região militar 

        5. Gen. Div. Heraldo Covas Pereira 
        Comandante da 2ª. Divisão de Exército 

        6. Gen. Bda. Renato Índio da Costa Lemos 
        Chefe do Estado Maior do CMSE 

        7. Gen. Bda. Antonio Luiz da Costa Burgos 
        Comandante da 11ª. Brigada de Infantaria Blindada 

        8. Tem. Cel. Inf. Edvaldo Barbosa Rodrigues de Sousa 
        Comandante do 4º BIB 

        9. Cel. José Augusto Petito 

        10. Cel. Alberto Paulo Licciardi Júnior 
        Ex-integrante do Batalhão Suez 

        11. Prof. Dr. Edmundo Manzini de Souza - Ex- integrante do Batalhão Suez - 13º
        Contingente - Professor universitário

        12. Cel. PM. Alberto Silveira Rodrigues 
        Comandante Geral da Policia Militar do Estado de São Paulo 

        13. Cel. PM. Fernando Pereira 
        Sub Comandante da Policia Militar do Estado de São Paulo 

        14. Sr. Guilherme Afif Domingos 
        Presidente da Associação Comercial de São Paulo 

        15. Sr.Gaitano Brancati Luigi 
        Idealizador do Marco da Paz 

        16. Dep. Dr. Antonio Roosevelt Bezerra de Menezes Filho 
        Conselheiro do “Parlamento Mondiale per la Sicurezza e la pace” 

        17. Dr. José Roberto Santiago Gomes 
        Presidente da FOMACO 

        18. Dep. Dr. Adilson Barroso Oliveira 
        Deputado Estadual por São Paulo 

        19. Dacilio de Abreu Magalhães – Ex- integrante do Batalhão Suez - 3º 
        Contingente, Cônsul da ABIBS/RS em São Paulo. Diretor de eventos da
        ABFIP-ONU/SP 

        20. Alceu Batista – Ex- integrante do Batalhão Suez - 10º Contingente - 
        Idealizador e Mantenedor do Site do Btl. Suez 

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        As emoções não pararam por aí, logo após o agraciamento das medalhas, o nosso companheiro DACILIO ABREU MAGALHÃES, Diretor de Eventos da ABFIP-ONU/SP, trouxe lágrimas nos olhos de todos que ali estavam participando da cerimônia, ao pronunciar um empolgante e emocionado discurso, principalmente naquele momento em que ele exaltava a presença lembrança do saudoso companheiro Cabo Adalberto Ilha de Macedo. Naquele exato momento, foi muito emocionante aquele verdadeiro grito de Guerra, depois de ouvir o nome do Cabo Ilha, homenageado, toda a tropa gritou ...- PRESENTE!!!-  aquele grito pegou a todo mundo por uma emocionante surpresa, e como uma justa homenagem ao nosso Patrono de Missão. Muitos companheiros ficaram com os olhos marejados, não dava para olhar para ninguém que as lágrimas começavam a rolar. Foi um momento marcante daquela solenidade.

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        Para conhecimento de todos, transcrevo a baixo o Discurso proferido pelo grande companheiro Dacilio de Abreu Magalhães, Diretor de Eventos da ABFIP-ONU/SP: 

       "Exmo Sr. Gen. Div. Francisco José da Silva Fernandes 
        Comandante da 2ª. Região Militar 

        Exmo Sr. Gen. Div. Heraldo Covas Pereira 
        Comandante da 2ª. Divisão de Exército 

        Exmo. Sr. Maj. Brig. Do Ar Paulo Roberto Cardoso Vilarinho 
        Comandante do 4º Comando Aéreo Regional 

        Autoridades presentes, 

        Minhas Senhoras, meus Senhores e meus caros jovens. 

        Poucos, muito poucos dos presentes aqui eram nascidos em 01 de novembro de 
1956 quando a Assembléia Geral das Nações Unidas votou pela criação de uma força de paz para atuar na fronteira entre Egito e Israel e nomeou-a como Força de Emergência das Nações Unidas e a ela integrou-se um contingente do Exercito Brasileiro que popularmente foi chamado de Batalhão Suez.

        Certamente vocês perguntarão: 

        O QUE É BATALHÃO SUEZ ? 

        Batalhão Suez não é apenas o 3º. Batalhão do 2º.Regimento de Infantaria; não 
é como muitos podem pensar, uma tropa privilegiada, que foi para o Oriente Médio passear, ganhar em Dólar e trazer ricos presentes para os seus familiares, liberados pela alfândega. 
        Batalhão Suez não é uma tropa de filhinhos de papais, de militares recomendados e nem de homens pertencentes exclusivamente à classe média alta; 
        Batalhão Suez é o nome dado aos contingentes em número de vinte que de janeiro de 1957 a junho de 1967, integraram como III/2º. RI, às Forças de Emergência das Nações Unidas, UNEF-1 e em solo egípcio, Faixa de Gaza, Deserto do Sinai, lutaram pela paz de povos irmão. 

        Perguntarão aqueles que só ouviram falar da guerra e que a privilegiam: 

        -Como lutaram? 
        -Com que armas? 
        -Quantos morreram? 
        -Quantos mataram? 
        -Por onde avançaram? 
        -Quantas cidades tomaram? 
        -Por um acaso sabem o que é uma guerra? 

        -Lutamos pela paz de povos irmãos, apartando, socorrendo, alimentando e 
estendemos às mãos, antes mesmo de apontar nossos fuzis; 
        -As armas, todas de pequeno calibre, eram usadas, mais para defesa pessoal e 
em determinados casos, para fazer valer a paz e a integridade das pessoas que estavam sob a nossa proteção; 
        -Tivemos algumas baixas, muito poucas, considerando que estávamos em missão de paz, embora estivéssemos num teatro de guerra; 
        -Não avançamos, não andamos por ruas, por florestas, por montes ou vales e 
não vivemos, durante o período em que estivemos a serviço da ONU em país de 
clima temperado com água e comida encontrados em qualquer esquina. Montamos 
nossas barracas no Deserto do Sinai, mas antes precisamos tirar as minas com as próprias mãos para sediar ali o Campo Brasil. Aprendemos a suportar um sol de 52 graus, a comer comida fria transportada por mais de 30 Km e servida durante tempestades de areia, a beber água quente, expostas ao calor, armazenada em sacos de lona, a driblar as doenças que circundavam o Batalhão, trazidas pelas moscas que pousavam nos corpos em decomposição e vinham pousar nas nossas alimentações. Tracoma, Tuberculose e Lepra e outras doenças mais, eram nossos únicos inimigos nessa importante missão. 
        -Não tomamos nenhuma cidade, muito pelo contrário, protegemos todas as que 
estavam no nosso raio de ação e durante o tempo em que lá estivemos, nenhum 
furo de bala foi visto nas paredes das edificações. 
        -Conhecemos a guerra e como conhecemos, mas não a guerra antiga; conhecemos a alta tecnologia bélica com missils que acompanha o avião pelo calor das turbinas, com fuzis mira a laser, com aviões caça supersônicos e Porta-aviões altamente sofisticados. Sentimos os morteiros caírem aos nossos pés, ouvimos o zunir das balas das metralhadoras passando rente aos nossos ouvidos, perdemos colegas e não apertamos nenhum gatilho, porque ali estávamos a serviço da paz. 

        O Batalhão Suez não foi organizado para defender interesses; Seus homens não 
foram treinados para destruir cidades, dizimar famílias, matar e mutilar seres humanos. 

        O Batalhão Suez permaneceu todo o tempo numa faixa neutra e ali esteve para 
evitar que árabes e judeus, povos irmãos, se digladiassem e nessa sagrada missão de promover a paz, regou com sangue brasileiro, as areias do Sinai. 

        O agraciamento com as medalhas “Ordem do Mérito do Batalhão Suez” e “Soldado da Paz” é uma forma de divulgar o feitos de nossos heróis a uma grande 
maioria dos presentes que nem se quer, souberam dessa importante página da história de nosso Brasil. 

        Não vamos fazer como alguns povos que reciclam anualmente com filmes que 
atingem a opinião pública, os massacres a que foram submetido durante a 2ª. Guerra Mundial. Queremos sim, o reconhecimento brasileiro a exemplo do que foi feito pela ONU que nos deu a Medalha de Pacificador e pelo Comitê Nobel do Parlamento Norueguês que nos deu o Premio Nobel da Paz 1988. A presença das senhoras, dos senhores e dos jovens nessa solenidade militar, tomando conhecimento de nossa história, já é um grande reconhecimento; é o reconhecimento dos nossos irmãos de bandeira. 

        Queremos que nossos feitos, esse Marco importante da História do Brasil, conste das nossas enciclopédias e dos livros escolares e queremos também que todo o Brasil saiba que esses jovens militares impressionaram a Comunidade Internacional, levando a bom termo a mais longa e a mais importante de todas as Operações de Paz e queremos ainda que todos saibam que esse trabalho desenvolvido no Oriente Médio pelos jovens soldados do Exército Brasileiros, contribuiu sobre-maneira com a pretensão dos nossos governos de pleitear uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. 

        Autoridades presentes, minhas senhoras, meus senhores e meus caros jovens, o 
Batalhão Suez, pelos feitos no Oriente Médio recebeu em 28 de setembro de 1988 o maior premio da atualidade, o Premio Nobel da Paz outorgado por uma instituição, cuja credibilidade está acima de qualquer suspeita e esse premio não foi comprado e nem dado por recomendação política, portanto os militares do Exército Brasileiro que compuseram o Batalhão Suez foram de fato os melhores militares do Brasil, na época, e quem disse isso não foi eu, mas sim, o Comitê Nobel do Parlamento Norueguês. 

A Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU – São Paulo 
gostaria de, na oportunidade, fazer as seguintes homenagens: 

        Nós nascemos nas fileiras do Exército Brasileiro e sabemos que a Instituição 
se orgulha de nós. 

        Para quem não sabe e nunca ouviu falar: 

        " OS MILITARES QUE PARTICIPARAM DAS FORÇAS DE PAZ DAS NAÇÕES UNIDAS, PELO TRABALHO DESENVOLVIDO, FORAM CONSIDERADOS EM 1988 COMO OS MELHORES MILITARES DO MUNDO " 

        CABO ILHA! (grita o locutor) 
        PRESENTE...(responde a tropa gritando) 

        Realmente você está presente em cada um desses militares aqui formados... 
        Você é o nosso Patrono... 
        O Patrono do Batalhão Suez... 
        Você lutou pela paz de povos irmãos... 
        Encerrou a missão em 1967 e foi o último a deixar a Faixa de Gaza... 
        Você tombou no cumprimento do seu dever... 
        E escreveu com seu sangue nas areis escaldantes do Deserto do Sinai a 
seguinte frase;  FIM DA OPERAÇÃO DAS FORÇAS DE EMERGÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS. 
 
        MUITO OBRIGADO."

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        Em seguida e encerrando a cerimônia houve o Desfile, à testa os Boinas Azuis desfilando garbosamente, e encerrando o desfile a tropa demonstrando o perfeito adestramento, culminando com os Carros de Combate. 

        Para fechar com chave de ouro aquele evento, foi servido um gostoso almoço onde, em confraternização, pudemos demonstrar toda nossa alegria e grande honra estar ali na presença dos amigos, e poder sentir o grandioso espírito fraterno dos irmãos paulistas. 

        Nossos sinceros e profundos agradecimentos ao Sr. Ten. Cel. Edivaldo 
Barbosa Rodrigues de Sousa, e seus comandados, a ABFIP-ONU/SP, a ABIBS/RS, 
patrocinadores desse grandioso evento. 

        Em especial permitam-me agradecer aos meus ilustres amigos, Alceu Batista, Dacilio de Abreu Magalhães, Fernando Vargas Neto e Sérgio Luiz Dias, pela honrosa recepção que me deram; senti-me orgulhoso e feliz por suas amizades. 
Theodoro da Silva Junior 
Cônsul da ABIBS/RS no Paraná 


De: Theodoro da Silva Junior <theojunior@uol.com.br> 
Data: Mon, 11 Oct 2004 10:18:43 -0300 



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