BTL.SUEZ

COMEMORAÇÃO DA CRIAÇÃO DO BTL.SUEZ - 50 ANOS

( Veja as fotos em notícias - Rio de Janeiro )


VÍDEO 02/11/06 THEODORO ISRAEL FERNANDO SÍLVIO

50 Anos do Batalhão Suez

1956  -   2 de dezembro   -   2006

Israel Blajberg (*)

“  Sou um velho Soldado, um Boina Azul. O tempo passou, mas ainda costumo percorrer a Vila Militar, recordando os tempos em que lá servia.

A manhã de sol forte não denotava nada de especial. Mas este 2 de dezembro de 2006 não iria ser apenas mais um sábado tranqüilo de quartéis fechados.

Diante do tradicional 2 de Ouro, Regimento Avaí, o mais antigo do Brasil (1699), uma movimentação de Veteranos envergando orgulhosamente a Boina Azul chamou a minha atenção.

Sim, pois eu também fui um deles ... 

Tudo começou há 50 anos atrás, aos 29 de outubro de 1956, quando forças israelenses invadiram a Península do Sinai para retomar o Canal de Suez, nacionalizado alguns meses antes pelo Presidente Nasser do Egito. Enquanto o Exército soviético esmagava a rebelião libertária na Hungria, em 5 de novembro as forças franco-britânicas iniciavam a invasão do Egito.

Falava-se em Terceira Guerra Mundial, mas logo se alcançava uma trégua, e aos 12 de novembro a ONU anunciava que Brasil e Colômbia seriam os paises sul-americanos que enviariam tropas para fiscalizar o cessar-fogo. 

No então 2°. RI, iniciava-se a seleção dos soldados que constituiriam o 3°. Btl., que seguirá para o Egito sob as ordens da ONU. A seleção era presidida pelos Generais Segadas Vianna e Amaury Kruel. 

Em Nápoles, já se encontravam soldados canadenses, colombianos, dinamarqueses e noruegueses aguardando que o Secretário-Geral das Nações Unidas Dag Hammarskjoeld se dirigisse ao Cairo para conferenciar com o Presidente Nasser do Egito sobre as condições para regulamentar as atividades da Força Internacional de Polícia da ONU em Suez. 

Tempos depois parti com meus soldados, para viver no meio do deserto, com tropas de 13 paises diferentes. Era uma missão de paz, mas 7 dos nossos não voltaram, vitimados em acidentes. 

Foi a primeira vez que a bandeira brasileira tremulou fora do nosso pais, sob a égide da ONU. Muitas outras missões se seguiram, elevando o conceito do Brasil no seio das nações. Durante décadas, acompanhei tudo isso com grande admiração. Nossos soldados, os embaixadores da paz, elevando bem alto o nome do Exército, e do Brasil. 

Hoje estou feliz, vendo como muitos dos antigos companheiros ainda estão aqui, neste Vale de Lágrimas, e retornaram ao velho 2 de Ouro para comemorar os 50 Anos. 

Aqui e ali rostos conhecidos, embora eles não possam mais me ver, nem conversar comigo. Mas cada momento da festa me é precioso, o Hino Nacional, interpretado pela vibrante Banda de Música, mais uma vez me emociona recordando as antigas formaturas que ali mesmo presidi. A entrega das medalhas, o desfile da tropa, o desfile dos veteranos, alguns de safári, outros de terno, até de camiseta, mas todos com as suas medalhas honrosas, e a “Blue Beret”, a famosa Boina Azul. 

A cerimônia vai terminando ... muitos sorrisos, muitas recordações, alguns de cabelos brancos ... filhos, netos, familiares, sinto o contentamento de todos em estar ali, a vibração, o patriotismo eletriza o éter, me faz sonhar outra vez ... 

Disfarçadamente adentro o Museu da unidade. Os soldados de serviço sequer me notam, mas eu admiro o seu garbo, a sua juventude. 

Surpresa ... meu retrato na parede, ao lado da inscrição III – 2°. RI e das flâmulas que a minha tropa garbosamente conduzia fixada aos mosquetões, tremulando ao vento quente do Deserto do Sinai... 

Ah se eu pudesse voltar ...  mas meu tempo se esgotou. Foram apenas alguns instantes concedidos pelo Grande Arquiteto do Universo, nesta manhã tão especial. 

Por um último momento admiro o busto do nosso Patrono no pátio, o bravo Brigadeiro Sampaio, recordando seu heroísmo, ele que recebeu três ferimentos na data mesmo do seu aniversário, 24 de maio na batalha de Tuiuti em 1866 - certamente está orgulhoso dos seus camaradas, que permanecem seguindo o seu exemplo, de Monte castelo a Suez e aonde quer que um dia mais seja preciso...”

EPÍLOGO 

A última tropa acaba de desfilar. Todos estão se dirigindo ao rancho, para o almoço.

Na manhã da Vila Militar um raio de luz risca o céu azul. Os convidados entretidos com a conversa não chegam a notar o clarão. 

A alma do General Syzeno Sarmento se eleva no firmamento, de volta ao Jardim do Éden, e de longe ele envia as suas bênçãos, aos antigos camaradas do Batalhão Suez, aos jovens soldados do 2 de Ouro, e a todos que fizeram e fazem o Exército de Caxias.

A alma do General Syzeno Sarmento (1) .....

(1) – Comandante da UNEF – United Nations Emergency Force em 1965,

sucedendo o Gen Carlos F. de Paiva Chaves.

Israel Blajberg

(*) iblaj@telecom.uff.br

Para: undisclosed-recipients:;
De: "iblaj1" <iblaj1@hotmail.com>
Data: Sat, 23 Dec 2006 19:23:06 -0200
Assunto: 50 Anos Btl Suez


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